Namorada Adormecida

5 Capítulo 5 - Sou fã


Notas iniciais
Nada haver o nome com o capitulo. KKKKKKK. Mas, o nome da musica é essa e a musica tem TUDO haver com o capitulo, serio. Neste capitulo voces vão ficar com falta de ar, serio, entao peguem logo o copo de agua com açucar na cozinha. KKKKKK. Voces neste capitulo vao entender o porque que a fic se chama "Namorada adormecida".
Esse vai ser o ultimo post da madrugada, entao espero que tenha bastante comentarios para eu postar mais pela tardezinha.
Então vejam a letra da música → http://www.vagalume.com.br/christian-e-cristiano/sou-fa.html
E a fic, pois neste capitulo voces irão se descabelar e dizer muito "OOOOOWWWWWNNNNNNN..."
Enjoy...

Ponto de vista da Sam

Quando mostrei as manchas roxas no meu braço para Carly e Freddie não imaginei que fosse causar tamanha reação. Já vi coisas piores! Eu só queria pedir desculpas e fazer Freddie se sentir vingado pelo machucado que lhe causei. E eu me arrependi. De verdade.

Sempre gostei de provocar, xingar e bater nos meninos. Principalmente em Freddie. Mas isso é uma coisa que perdeu a graça de uns tempos pra cá. Aquilo era coisa de criança.

No entanto, em relação a Freddie, ainda não consigo me controlar. Seja para afastá-lo, seja para provocá-lo, ainda sinto necessidade de “mexer” com ele. “Por que tenho essa necessidade?”. Sempre presto muita atenção ao que ele faz ou diz e minhas reações nem sempre são positivas. “Por que presto tenta atenção nele?”

Carly surtou. Ela nos passou um sermão de mais de meia hora. Isso foi bem pior do que escutar a Srta. Briggs na escola.

De qualquer forma, eu mesma não gostei do que fiz e nunca mais pretendo entrar numa dessa de novo.

Olhei para Freddie. Ele me olhou de volta. Notei que seus olhos estavam úmidos e mais claros naquele instante. Ele me pediu desculpas. Eu me derreti completamente. Ele se sentia culpado, mas a culpa não era dele!

_ Não foi nada, Freddie! Eu comecei e...

_ Vocês dois estão fora de controle! – Carly me interrompeu e foi à geladeira.

Quando pensei que Carly havia dado o assunto por encerrado, ela MANDOU o Freddie fazer uma compressa de gelo no meu braço. Nossa! Fiquei apavorada! Ele segurou meu braço com tanta delicadeza que seus dedos pareciam pequenos flocos de neve caindo suavemente pela pele. Me arrepiei. Espero que ele não tenha percebido. Só que escutá-lo me pedir desculpas em espanhol, repetidas vezes, para que só eu escutasse, me causou um estranho estremecimento.

Procurei elevar minha mente diante daquela sessão de “tortura”. Agora sei por que sinto necessidade de bater nele. Sentir o toque dele em mim era algo que me provocava as mais variadas sensações. Eu não estava preparada para isso.

Tentei prestar atenção em Spencer e esquecer que Freddie me tocava.

Gostei do que Spencer falou e isso me fez cair na real. Agredir outra pessoa poderia trazer a reação de volta para você mesmo. Lembrei-me do ditado “E o feitiço virou contra o feiticeiro”. Eu poderia ter feito Freddie me machucar seriamente e ele iria se dar mal por algo que não tinha sido provocado por ele. Não quero que nada de ruim aconteça com ele. Nem com ninguém nesse aspecto.

Sei que não vou deixar de brigar, pois meu temperamento é esse e ponto. Mas não quero mais saber de agressões físicas. Nunca mais!

Sou agressiva, mas já melhorei muito e ainda vou melhorar muito mais, porém assumo meus erros e não gosto de colocar a culpa em ninguém pelo que faço. Detesto esse tipo de covardia. “A não ser quando é uma brincadeira, lógico”.

Foi como Spencer disse. Há limite pra tudo. Concordo.

Voltei minha atenção para Freddie ao sentir uma carícia suave no meu braço. Arregalei os olhos. Ele me acariciava com o polegar da mão que estava livre enquanto pressionava o gelo no hematoma com a outra mão. “Não estou preparada para isso”. O dedo dele parecia deixar um rastro de fogo onde tocava. Era uma sensação maravilhosa e angustiante ao mesmo tempo. Meu estômago se contorceu.

Carly retornou com a pomada. Aproveitei a deixa para tirar Freddie da missão de colocar compressa em mim. Eu já estava ficando nervosa com isso. Estava gostando e não gostando. “Mas que droga!”

O filme sorteado era hilário. Muito bom mesmo! Serviu para levar a raiva da Carly embora. Tudo na paz!

Ponto de Vista da Carly.

Quando vi aquelas marcas roxas nos braços de Sam tive um ataque. Não gosto de violência e, apesar de conhecer Sam há bastante tempo e saber que ela não leva desaforo pra casa, nunca havia visto ela tão machucada.

O que ela fez em Freddie também não tem desculpa. Jamais ela havia causado isso em ninguém, nem mesmo nele, por mais que brigassem ou suas brincadeiras fossem “pesadas” às vezes.

Passei um sermão neles que pareceram ficar bastante constrangidos e aproveitei também para dar uma exagerada e aproximá-los mais ainda.

Deu certo. Precisava ver a cara de enterro dos dois enquanto Freddie fazia compressa de gelo nela.

Que coisa! Eles tinham medo de trocarem carinhos entre si.

Acho que passaram a infância toda acreditando que se odiavam e que não tinham nenhum tipo de sentimento bom um com o outro. Fiz uma reflexão e lembrei que foram poucas vezes, nesses anos todos, em que eles se abraçaram ou apertaram as mãos. E quando acontecia, era o maior constrangimento. Algo feito mecanicamente e à distância, de preferência.

Como fui burra e não percebi logo! Eles se amavam. Sempre se amaram. Hoje tive certeza!

Só precisam descobrir isso. Acho que meu discurso vai ajudá-los. Pelo menos a não se baterem numa discussão. A se controlarem enquanto descobrem o que sentem um pelo outro.

Acredito que Freddie já se deu conta disso, mas tenta evitar. Sam ainda não se deu conta, mas, instintivamente, tenta evitar também. Ela sabe que sente algo diferente por Freddie e que não é ódio ou descaso.

Indiferente a Freddie é algo que ela não é. Não mesmo.

Outro problema sou eu mesma. Ela ainda acredita que Freddie é apaixonado por mim e não quer interferir. Sei como é isso. Amiga de verdade evita atrapalhar o relacionamento amoroso da melhor amiga.

Espero que ela se permita aceitar logo isso, porque eu já sei que Freddie não ama a mim.

O filme está acabando. Hoje só vamos assistir a dois filmes, pois amanhã tem aula.

Vou preparar outra sessão para amanhã à noite. Durante o dia vou deixá-los cada um em suas casas, com seus pensamentos, como se não quisesse nada deles, para não levantar suspeita. Depois vou conversar com cada um deles, em separado. Nada como uma boa pulga atrás da orelha para coçar.

Ponto de Vista do Freddie

O primeiro filme acabou. Foi ótimo. Um excelente filme. Rimos bastante. Eu estava amando ter Sam ali do meu lado, descontraída, sorrindo. Estiquei as costas no encosto do sofá e ergui os braços a fim de me espreguiçar.

Sam fez o mesmo. Nossas mãos se tocaram. Percebi que ela retirou as dela rapidamente como se isso fosse ruim. Não gostei disso. Ainda mais agora que o que mais quero é sentir novamente a maciez daquela pele.

Fechei a cara, contrariado, pois não sabia o que fazer.

Ainda bem que os nossos hematomas foram medicados e devidamente esquecidos. Pelo menos uma coisa boa.

Spencer resolveu subir dizendo que estava cansado e com sono. Ficamos só eu, Carly e Sam.

Depois de nos ajeitarmos e tomarmos mais um pouco de chá, Carly sorteou outro filme. Era um filme de aventura. Gosto muito de filmes de aventura!

Passado algum tempo, notei que Sam havia dormido. O corpo dela amoleceu e a cabeça pendeu para o lado de Carly que já começava a cochilar também. Carly se assustou e pausou o filme.

_ Me ajuda aqui, Freddie? – ela perguntou.

“Ajudar? Como assim ajudar? Com quê? Por quê?”

Percebendo minha indecisão, ela falou:

_ Sam não acorda mais hoje, Freddie. – ela explicou. _ Ela está em OFF. Só amanhã agora. Segura ela enquanto me levanto. – estremeci. Carly percebeu que eu não me mexia.

_ Deixa de ser bobo, Freddie. Segura ela aqui.

Fiz o que ela pediu, mas não sabia como segurar Sam. Eu estava completamente sem jeito. Ainda sentado, passei meu braço direito por trás das costas dela e a puxei pra mim. A cabeça dela se apoiou no meu peito e o braço direito dela envolveu meu corpo. Gelei. Me senti um urso de pelúcia sendo abraçado. Carly se levantou.

_ Aonde você vai? – perguntei assustado.

_ Vou dormir. – foi a resposta engraçadinha da minha amiga.

_ Mas o filme ainda não acabou. – argumentei. De fato eu estava achando o filme bem maneiro. _ Você vai me deixar aqui sozinho... Com ela?

Carly não tinha a menor piedade.

_ Estou morrendo de sono, Freddie, mas você pode terminar de assistir ao filme sossegado. – ela respondeu. _ Quando sair é só desligar a TV e bater a porta. – aqui ela fez uma pausa bem prolongada, como se estivesse pensando no que me dizer.

Carly ainda pegou as pernas de Sam e colocou-as sobre o sofá de modo que os joelhos ficaram virados pro encosto e a cabeça dela apoiada no meu braço esquerdo. O jeito foi apoiar as costas dela com meu braço direito. Eu sentia a respiração de Sam, suave e quente em meu pescoço.“Sanidade chamando Freddie pra Terra”.

Ela continuou:

_ Quanto a Sam, ela dorme aí mesmo no sofá. Coloca uma almofada sob a cabeça dela, ok? Vai ser bem melhor do que ficar sozinho com ela quando acordada. Eu te garanto. – e piscou pra mim.

Como se isso servisse pra me consolar. “Mas por que eu estava apavorado em ficar ali sozinho com Sam? Ela estava dormindo...”.

Carly adivinhou meus pensamentos.

_ Sam tem o sono muito pesado, Freddie. Não se preocupe com ela. Ela não vai te morder... – e sorriu.

_ HA... HA... – debochei. _ Você está muito engraçadinha, Carly Shay.

_ Jura? – ela foi saindo. Já nas escadas ela falou de novo. _ Só uma dica, Benson: se você conversar com Sam, ela vai te responder. Não se assuste.

_ Dormindo? – perguntei com os olhos arregalados. _ Ela fala dormindo? – eu nunca tinha presenciado alguém falar enquanto dorme. Deve ser bizarro.

_ Não é que ela fale dormindo. – Carly ainda tentou explicar. _ Bem, ela fala. Mas é só se alguém falar com ela, compreendeu?

_ Não sei se entendi.

_ Ela não vai falar se você não falar primeiro. Entendeu agora? Boa noite, Freddie.

_ Boa noite, Carly. – respondi azedo.

_ Ah! – ela falou do alto da escada. _ Tem um cobertor aí do lado. Cobre ela pra mim.

Eu tinha a estranha sensação de que alguém estava “armando” pra mim. Apesar de que ter Sam nos meus braços era tudo que eu queria, aquilo parecia muito estranho.

Passei alguns minutos pensando, com medo de me mexer e Sam acordar. Fui, aos poucos, ajeitando meu corpo bem devagar. Uma mão segurava Sam, a outra procurava o controle remoto. Achei. Reiniciei o filme.

Durante o filme fui relaxando e percebi que, por mais que eu me mexesse, Sam não acordava. Ajeitei meu corpo um pouco mais e estiquei as pernas sobre a mesa de centro. Puxei Sam mais para cima e senti o cheiro do perfume que ela estava usando. Delicioso. Floral sem ser enjoativo, bem leve. Daqueles que você só sente com a aproximação. Tem uns perfumes que são extremamente fortes e enjoados.

Percebi que os cabelos dela ainda estavam levemente úmidos e fiquei preocupado. Com aquele tempo frio ela poderia pegar um resfriado. Olhei para os pés dela e notei que estavam cobertos por meias de lã.

Mesmo assim puxei o cobertor e coloquei sobre ela. Sam dormia encolhida. Parecia tão delicada quanto um anjo de um desses quadros antigos de pintores renascentistas. Nada a ver com meu pequeno demônio loiro diurno.

Eu estava satisfeito comigo mesmo. Sorri. Ambos estávamos aquecidos e confortáveis. Sentia-me imensamente feliz naquele momento. Amparei-a com os dois braços. Voltei minha atenção para o filme.

Sam se mexia muito pouco. Ela dormia quietinha, completamente diferente da garota agitada que me tirava do sério durante o dia.

Estou coberto de razão em afirmar que Samantha Puckett é mesmo uma caixinha de surpresas.

Quando o filme terminou estava bem tarde. Passava das onze e meia. Só que eu estava sem sono e sem a menor vontade de sair dali.

Lembrei-me do que Carly havia dito, pouco antes de ir dormir. Tentei arrumar coragem para falar com Sam. Era muito esquisito falar com alguém que dormia. Mas eu tinha vontade de perguntar tantas coisas a ela. “Será que isso era honesto?”.

Minha curiosidade estava muito grande e resolvi arriscar.

_ Sam? – “caraca, que bizarro”. Eu falando com uma pessoa adormecida.

Qual não foi meu susto quando a senti se mexer e inspirar profundamente.

_ Hum? – a voz dela era suave e parecia mais um sussurro. Estremeci, mas continuei. Agora que havia começado eu iria até o fim.

_ Sam, é o Freddie.

_ Eu sei. – senti a mão dela apertar suavemente minhas costas.

_ Sabe? – “como ela podia saber?”. Bizarríssimo isso.

_ Hum-hum.

Aqui comecei a compreender que ela não iria proferir nenhum discurso estando dormindo. Foi como Carly falou. Ela só responderá ao que for perguntada. Não me contive. Minha curiosidade era muito grande. “Ela não poderia mentir enquanto dorme, poderia?”. Resolvi testar e arriscar.

_ Sam, o que você mais gosta de comer?

_ Bacon. – Foi a resposta imediata.

_ Quem é sua melhor amiga?

_ Carly.

_ E seu melhor amigo? – confesso que tive medo da resposta. Ela poderia dizer que era o Gibby, o Spencer ou mesmo o T-Bo.

Ela deu um longo suspiro antes de responder.

_ Você.

Fiquei aliviado, mas ainda não estava satisfeito. Abracei-a de forma mais apertada e inspirei o perfume que exalava dos longos cabelos loiros. Criei coragem e a beijei na testa. Ela se aconchegou mais a mim. Meu coração parecia querer explodir. Continuei com o que eu queria falar. Era tão mais fácil com ela assim, quietinha.

_ Sam, quero te dizer uma coisa. Sinto algo diferente por você... Quero dizer... Algo especial, diferente de amizade. E, às vezes, acho que você sente também. Você sente algo diferente por mim, Sam?

_ Sinto. – quase não escutei o que ela disse e resolvi aproximar mais meu ouvido dos lábios dela. Ela praticamente sussurrava. Meu coração acelerou mais ainda, meu sangue fervia. Mesmo dormindo Samantha era capaz de me causar sensações indescritíveis.

Observei o rosto de Sam e notei os lábios rosados e convidativos. Foi por impulso que rocei meus lábios sobre os dela. Nossa! Senti como se levasse um choque elétrico, mas eu já tinha ido até ali e não iria parar.

_ Você gosta de mim, Sam?

_ Gosto. – ela respondeu rápido. Senti falhar uma batida no meu peito. Inspirei profundamente antes de continuar.

_ Você sabe quem é a garota que eu amo?

_ Carly. – aqui ela se mexeu um pouco e seu rosto adquiriu uma expressão triste.

_ Não é verdade, Sam. – mesmo que ela estivesse dormindo, o que eu mais queria é que ela soubesse que eu não amava Carly e sim a ela. Isso era fundamental pra mim.

_ Não? – ela perguntou num fio de voz.

_ Não. – respondi. Eu gosto da Carly como amiga, como irmã. Só confundi as coisas no passado. – fiz uma pausa prolongada aqui. O rosto dela estava com uma expressão serena agora. Ela inspirou profundamente e se mexeu um pouco.

Criei coragem e falei o que estava entalado na minha garganta há dias:

_ Samantha Puckett, estou perdidamente apaixonado por você. Quer namorar comigo?

Nossa! Não sei como consegui falar isso tudo de forma clara e pausada. Fiquei tão assustado e temeroso pela resposta dela que me esqueci de prestar atenção no que ela respondeu. Olhando seu rosto agora, havia apenas um sorriso leve nos lábios.

“Droga!”. Eu ia ter que perguntar de novo.

_ Desculpe Sam. Não ouvi o que você falou. Você quer namorar comigo?

_ Quero Freddie. Quero muito.

_ *-*

Eu tô sonhado. Alguém, por favor, me belisca. Resolvi eu mesmo fazer isso e doeu.

_ Ai! – gritei pra mim mesmo.

_ Freddie? – ela suspirou e apertou minhas costas, mas ainda estava dormindo.

_ Diga, Sam. – e me aproximei mais dos lábios dela.

_ Te amo.

Primeiro pensei ter escutado coisas. Achei que era minha imaginação. Mas ela falou nitidamente. “Te amo”. Eu não resisti mais e colei meus lábios nos dela.

Primeiro o toque foi suave, mas tentei aprofundar aquele beijo. Fazer isso era tudo o que eu mais queria agora. E para minha surpresa, ela correspondeu. Samantha não só falava enquanto dormia como também beijava. Mas Carly não precisava saber disso. Aliás, nem Carly, nem ninguém. Apenas eu. Freddie Benson.

Beijei-a muito ainda. Muito, muito mesmo. Eu estava tão elétrico que não iria conseguir dormir. Tentei relaxar um pouco ali mesmo e depois iria pro meu AP. Eu precisava dormir, pois amanhã teria aula. Abracei-a e fechei meus olhos, recostando-me no sofá.

Nesse momento foi que refleti sobre algo que ainda não tinha parado pra pensar. Tudo aconteceu tão rápido que não coloquei essa possibilidade em foco. Namorar Samantha era meu maior desejo naquele momento e satisfazê-lo era maior que tudo, no entanto, uma certeza atravessou meu coração como um punhal: Ela não se lembraria de nada no dia seguinte.

Voltei a abrir os olhos e fitei o teto. A luz na sala era apenas a que vinha do monitor da TV.

A constatação serviu pra me trazer de volta à realidade. Eu vivi um sonho e os sonhos têm um começo e também um fim. Eles acabam. Resolvi me levantar e ir para casa tentar dormir.

O que fiz estava feito e pronto. Não tinha volta. Levantei devagar e deitei Sam no sofá. Ela se mexeu um pouco e continuou encolhida. Cobri-a com o cobertor e coloquei uma almofada sob sua cabeça. Fiquei alguns minutos observando como era linda. Amanhã eu pensaria numa forma de resolver meu problema. Hoje não.

_ Boa noite, Sam. Durma bem.

_ Boa noite, Freddie.

_ Te amo, sim? Não se esqueça disso amanhã, por favor.

_ Te amo também. – foi a única resposta.

_ Te quiero, niña. Dulces soños.

Fiquei de joelhos no chão, próximo ao sofá e dei-lhe um beijo prolongado. Tinha medo de deixá-la, mas eu sabia que era necessário.

Desliguei a TV e fui pra casa. Joguei-me na minha cama e mirei o teto no escuro.

Pensei tanto em tudo, relembrando cada momento vivido há pouco, que não sei se passaram minutos ou horas. Aos poucos meus olhos foram ficando pesados.

“Meu nome é Freddie Benson, tenho dezesseis anos e uma namorada. O nome dela é Samantha Puckett. Eu a amo e ela me ama. Qual o meu problema? Ela não sabe disso. Ela é minha namorada adormecida”.

Foi a última coisa em que pensei antes de adormecer também.

Ponto de Vista da Carly

Spencer subiu para seu quarto assim que o primeiro filme terminou, conforme combinamos.

Comecei a colocar meu plano em prática na metade do segundo filme. O destino estava conspirando a meu favor ao escolher aquele filme de aventuras. Sam gosta muito de comédias e filmes de suspense e terror. Quanto a filmes de aventura, dependia. E esse era o tipo de filme que ela achava maçante, tedioso. Antes de o filme começar ela me perguntou baixinho:

_ Tem homens musculosos nesse filme?

_ Não! – arregalei meus olhos – Sam! — repreendi.

_ Que foi? – ela falou, fingindo desentendimento, a cara marota.

Sorri. Ela não sabe o que a espera... Como eu previra, logo ela dormiu.

Pausei o filme e pedi ajuda a Freddie que ficou me olhando com cara de bobo.

_ Sam não acorda mais hoje, Freddie. – expliquei. _ Ela está em OFF. Só amanhã agora. Segura ela enquanto me levanto. – quando falei isso o garoto nem se mexeu. “AFF!”.

_ Deixa de ser bobo, Freddie. Segura ela aqui. – precisei insistir.

Nossa! Ele era muito desajeitado! Não sabia como segurar a menina. Ele ia para um lado e eu para outro. Finalmente parei. Ele (aleluia!) colocou o braço por trás de Sam e eu a empurrei de leve para ele. Levantei.

_ Aonde você vai? – Freddie me perguntou. Parecia que o garoto ia ter um treco.

_ Vou dormir. – respondi calmamente.

_ Mas o filme ainda não acabou. – ele parecia tremer. Sorri por dentro. _ Você vai me deixar aqui sozinho... Com ela?

_ Estou morrendo de sono, Freddie, mas você pode terminar de assistir ao filme sossegado. Quando sair é só desligar a TV e bater a porta.

Pensei um pouco antes de continuar a falar, pois não queria levantar nenhuma suspeita sobre meu plano, senão tudo iria por água abaixo. Precisava deixar ele bem curioso em relação ao que eu queria, mas ele estava muito tenso. Procurei colocar as pernas de Sam pra cima do sofá porque até então ela estivera dormindo sentada. Virei o corpo dela de modo que seu rosto ficou colado ao peito de Freddie que estava completamente paralisado. “Que bonitinhos!”.

Eu estava feliz com meu plano. Ainda observando os dois, tentei ser o mais casual possível.

_ Quanto a Sam, ela dorme aí mesmo no sofá. Coloca uma almofada sob a cabeça dela, ok? Vai ser bem melhor do que ficar sozinho com ela quando acordada. Eu te garanto.

O garoto permanecia mudo.

_ Sam tem o sono muito pesado, Freddie. Não se preocupe com ela. Ela não vai te morder... – brinquei com ele, pra ver se relaxava.

_ HA... HA... – ele deu um sorriso forçado, mas, pelo menos, reagiu ao susto inicial de ter Sam em seus braços. “Eles estavam tão fofos”. _Você está muito engraçadinha, Carly Shay.

_ Jura? – procurei subir as escadas antes que ele resolvesse fugir. _ Só uma dica, Benson: se você conversar com Sam, ela vai te responder. Não se assuste.

_ Dormindo? _ Ela fala dormindo? – ele perguntou espantado.

_ Não é que ela fale dormindo... Bem, ela fala. Mas é só se alguém falar com ela, compreendeu?

_ Não sei se entendi.

_ Ela não vai falar se você não falar primeiro. Entendeu agora? Boa noite, Freddie.

_ Boa noite, Carly.

_ Ah! Tem um cobertor aí do lado. Cobre ela pra mim.

Corri pro quarto antes que ele pudesse falar mais alguma coisa. O melhor a fazer era deixá-lo sozinho a fim de que percebesse seus sentimentos por ela e desse vazão a eles.

Notas finais
HAHAHAHAHAHA. Muito "own" ao longo da fic? Que tal deixar comentarios e dizer o que acharam do inicio do namoro deles? Eeeee o que acharam desse capitulo?
Digam-me tuuuuudo! õ