Namiville
5 Capítulo V. Múltiplos Conflitos
Notas iniciais
A capa especial de natal é dedicada a todos vocês, leitores queridos, e vai ficar até dia 31/12...
Tenham um bom fim de ano, e espero que se divirtam com a leitura!
Capítulo V. Múltiplos Conflitos
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Parou de correr quando lhe faltou o fôlego, embora fosse uma escrava e estivesse acostumada a serviços domésticos, não era forte, nem rápida e nem resistente. Sentindo o seu corpo doer pelo esforço que havia feito, outra sensação lhe tomou, fazendo-a voltar a correr além do seu limite: o medo. Sabia que um dos membros do Varia estava atrás de si, mas sentia também um desejo assassino, algo bem pior do que o homem que a perseguia. De alguma forma, sabia que se voltasse, fariam mal* a ela.
- Eu tenho que correr... – forçou-se a dizer a si mesma, encarando a estrada em forma de subida, quando sentiu um toque lhe apertar o braço e arregalou os olhos, apavorada.
- Sua ingrata! Você tinha um trato comigo, esqueceu? – Lussuria indagou; o olhar lhe passava uma sensação que só tivera uma vez na vida. – Agora, vadia, você vai pagar por ter me dado ao trabalho de me desgastar na sua busca!
- Por favor... – suplicou, os olhos lacrimosos.
- “Por favor”? – indagou, sorrindo demoniacamente – Você realmente acha que eu sou TÃO FROUXA ASSIM? – gritou; fazendo Chrome se encolher. – Vamos. – disse por fim, puxando-a pelo pulso fino.
Desesperada; Chrome ainda tentou resistir, o que não conseguiu pelo corpo frágil que tinha, sendo motivo de ainda mais risadas malévolas do barman do Varia.
- Ainda bem que eu encontrei o idiota do Levi antes de você e o mandei de volta ao Varia! Ele provavelmente não se divertiria tanto quanto eu! – soltou; rindo. – Além de tudo, eu gravei o seu cheiro podre e o som dos seus passos irritantes na minha mente; acho que ninguém seria capaz de encontrá-la tão facilmente...
- Não é... Verdade. – Chrome respondeu, fazendo o afeminado barman estreitar os olhos diante da petulância. – Lord Mukuro...
- Ele morreu; sua idiota!
- Não morreu. – a escrava respondeu; firme.
- Morreu! Morreu sim! E você... – posando de modo a transparecer que estava pensativo, voltou o olhar para Chrome – Você não vai ter a mesma sorte dele.
Mesmo tremendo; Chrome franziu o cenho. Tinha medo, medo do que podia lhe acontecer, não queria se tornar uma mercadoria realmente podre para seu mestre; preferiria morrer a tal. E, ainda que Lussuria insistisse, ela não acreditava que Mukuro havia morrido, sabia que ele estava bem, em algum lugar...
***
Enquanto era amarrado, Lambo, o fazendeiro mais rico da região, observou ao lado direito os homens que, além de amarrados estavam amordaçados, tremendo, e alguns até choravam. Tentou pensar numa negociação, o dinheiro lhe era importante, mas não queria ser responsável pela morte de tantos que dependiam dele.
Voltou os olhos verdes ao homem da risada assustadora, “Conversar não ofende...”.
- Ai, ai, o senhor pelo menos poderia me dizer qual é o objetivo da invasão? – indagou em tom brando, ouvindo em resposta a risada que constatou como sendo típica de Mukuro. – Digo, se a questão for dinheiro...
- Não seja idiota, meu jovem. – ouviu-o falar, erguendo uma sobrancelha em resposta. – Nós não conseguiríamos invadir um território deste porte se não tivéssemos dinheiro e poder suficientes. Viemos aqui buscando uma resposta...
- Resposta?
- Quero saber se você sabe do paradeiro de uma escrava branca de aparência raquítica. – ele foi direto ao assunto, as mãos entrelaçadas cobrindo-lhe a boca e lhe dando um aspecto mais casual, embora não houvesse nada de casual na situação.
- Desculpe-me, senhor, mas não sei de nada assim... – confessou; sincero.
- Entendo. Então, não há nada a ser feito. – disse para o alívio momentâneo de Lambo, quando finalmente se levantou, virando à direção da saída e completando – Vocês não têm utilidade para mim.
- O... – antes que pudesse contestar ou oferecer qualquer coisa em troca de sua liberdade, Lambo viu o invasor bater com o tridente no chão, fazendo a mansão pegar fogo como num feitiço. – Bruxo! O senhor é um...
- Kfff... – rindo; deixou a casa acompanhado de Ken e Chikusa, os dois subordinados.
- Boss... – ouviu os subordinados chamarem e voltou o olhar para eles, estavam todos desesperados e chorando.
Sentindo vontade de chorar como uma criança também, Lambo disse a si mesmo e a todos:
- Aguente...
***
Chegando próximo à mina onde o pai fazia garimpo, encontrou a barraca improvisada a beira de uma fluente e sorriu. Foi até lá e, parando o cavalo de nome Jirou, desceu — tinha um assunto a tratar com o velho.
- Velho... – chamou ao chegar à barraca, acordando o garimpeiro mais velho – Preciso conversar com você.
- O que foi; Takeshi? – indagou, acendendo a lamparina – Fale logo, o seu velho precisa dormir cedo para poder garimpar...
- Queria saber o que acha de eu trazer uma mulher para cá, haha...
- O quê? – soltou; os olhos pequenos levemente arregalados – O que há tão de repente assim?
Vendo a feição do pai, o Yamamoto mais novo coçou a cabeça, um tanto desorientado.
- Se eu a trouxer para cá, você vai aceitá-la?
- Sendo uma boa moça... – respondeu, coçando a cabeça também; aturdido com o questionamento repentino do filho.
- Então eu vou buscá-la, deseje sorte! – soltou, saindo correndo da barraca e deixando o velho homem ali, piscando.
Montando novamente no marchador, Takeshi Yamamoto detinha um novo brilho nos olhos castanhos. Salvaria Haru do sequestro, salvaria Haru do casamento que certamente a fazia infeliz. Podia não poder casar com ela na igreja, mas estar ao lado dela já lhe era suficiente, e sabia que mesmo que fosse repreendido após a morte por isso, já não andava tão preocupado com o que era pecado e o que deixava de ser. Queria fazê-la feliz, apenas isso.
- Vamos voltar a Namiville; Jirou! – e como se o cavalo soubesse o que ele lhe dizia, relinchou e passou a conduzi-lo novamente.
Em Naiville, sabia, encontraria Gokudera e lhe pediria algumas informações. Sabia que o novo amigo não aprovaria o envolvimento dele com Haru, mas tinha certeza que por alguns trocados o fumante lhe passaria informações precisas. Além disso, tinha que dar um jeito de saber de Xanxus realmente tinha envolvimento no sequestro de Haru, como o sheriff havia concluído.
Preocupado e apressado, acelerou; seu instinto lhe dizia que algo muito grande estava para acontecer e, mesmo sendo bobagem, não queria de forma alguma que Haru ou seu pai fossem envolvidos nisso. Olhou para o Marchador que o conduzia e sorriu, enquanto Jirou estivesse sob controle; não precisava temer nada*.
Após descer uma ladeira perigosa em segurança – um atalho – virou à direita tornou a acelerar, Namiville devia estar a uns dez quilômetros.
***
Correndo o mais rápido possível para chegar à mina do Noroeste, e, mesmo que já estivessem bem adiantados na viagem, havia algo que não deixava de preocupar Tsunayoshi. “Não sabemos quem e quantos são, se eles nos atacarem o que faremos?” perguntou-se, o olhar mostrava que já sofria por antecipação. “E se tiverem feito algo à irmã Kyoko?”; irritando-se com a mera ideia; segurou a rédea com mais força, não iria perdoá-los se tivessem passado dos limites de qualquer forma.
Vendo que o homem ao lado mudava a expressão do rosto, Ryohei piscou algumas vezes, lembrando-se do que ocorrera no saloon.
- Certo; Sawada! Vamos correr ao extremo! – gritou, recebendo um “ah” em resposta, no que os dois tomaram velocidade perigosa. “Kyoko; aguente mais um pouco, iremos salvá-la!”.
Avançando na viagem, o som de um tiro fez os dois cavalos empinarem, e tanto Tsuna como Ryohei tomaram controle da situação de forma surreal, colocando as quatro patas dos animais no chão.
- Sawada; sabe atirar? – indagou, recebendo uma negativa – Eu imaginei... Bem, eu também não sei atirar, então vamos ter que resolver isso no braço.
- É...
- Resolver isso no braço, hei? – ouviram uma terceira voz e voltaram o olhar para o homem de vestes militares que se aproximava deles indiscretamente. – Interessante. Venham, hei!
Sem delongas, Tsuna desceu do cavalo e se aproximou do adversário em velocidade incomum, tendo alguns golpes desviados por ele. Sorrindo, o homem cuja feição não podia ser bem vista ali acertou um murro no estômago de Tsunayoshi; derrubando-o.
- Sawada!
- Foi mal, companheiro, mas não posso deixá-los passarem daqui sem uma boa luta. – ele disse simplesmente, arrancando um olhar furioso de Sasagawa.
Aproximando-se em velocidade extraordinária também, Ryohei pegou o amigo com apenas um braço e o mandou para perto dos cavalos.
- Hei; Sawada! Levante-se e prossiga a viagem ao extremo! Eu vou dar um jeito aqui!
- Mr. Sasagawa... – Tsuna, já de volta ao que era, pôs a mão sobre o abdômen e levantou, forçando-se a não regurgitar.
- Albus... – chamou suplicante, e o cavalo surpreendentemente atendeu prontamente ao chamado, inclusive ajudando-o a montar. – Até mais tarde; Mr. Sasagawa. Pode deixar que eu trarei a Irmã Kyoko comigo quando vier. – garantiu, e mesmo sabendo ser um tanto inútil em batalhas, estava disposto a dar a vida para fazer suas palavras valerem.
Deixando o amigo ali, partiu rumo a mina, no que o inimigo, ao tentar atirar, foi desarmado por Ryohei.
- Vamos resolver isso no braço; companheiro! – repetindo o mesmo pronome usado anteriormente pelo inimigo, posicionou-se de modo combativo.
- Você, ao contrário do outro, é um boxer profissional então? Interessante, hei! Eu me apresento a você, sou Colonello; hei!
- Eu sou Ryohei ao extremo! – disse animado, apesar de tudo, embora não parecesse querer impedi-los contra a própria vontade, o homem a frente também não tinha jeito de ser mau. “Vou tirar a prova nessa luta!” decidiu, partindo para o ataque.
***
Despertando, a mulher pálida passou os olhos no lugar onde estava, e imediatamente os arregalou, desconhecendo o local em que estava. Apoiou-se no criado mudo disposto ali, derrubando sem querer o copo d’água e despertando a garota que estava sentada. Vendo a mais velha com tal expressão de desespero; Uni imediatamente se levantou, amparando-a.
- Mrs. Sawada...
- Tsu! Cadê o Tsu? – indagou – Tsu! Cadê o meu menino? – indagou novamente; o tom de voz expressando desespero.
- Mrs. Sawada; por favor... – a garota tentou acalmá-la, sem sucesso.
A mulher aparentemente frágil se levantou, e, escorando-se à parede, passou a caminhar quarto afora, não se sabia de onde ela tirava forças visto a palidez e a magreza dela.
- Mama! – gritou, chamando a dona da fazenda.
Aria, ouvindo o tumulto, deixou a xícara de café sobre a mesa e se levantou; correndo até onde viu Nana andando; escorada à parede.
- Nana; volte para o quarto! – soltou; preocupada, mas no fundo sabia que facilmente seria ignorada.
- Tsu...
- Onde está o Tsunayoshi? – a outra indagou à filha.
- Ele saiu com um Mr. Sasagawa; parece que ele também é novo aqui...
- Saiu?
- Mama... – ambas se encararam por um momento, se Reborn já havia começado a agir, era muito provável que levasse uns dias para Tsuna voltar. Como lidariam com a mulher doente?
***
Na batalha que praticamente destruíra o Varia Saloon, Squalo mantinha-se com o braço direito imobilizado e com algumas costelas fraturadas, e era surreal o fato de que, mesmo começando a se cansar e com alguns ferimentos leves, Hibari ainda mantinha o mesmo ritmo nos ataques e nos bloqueios, o que, embora tivesse espantado muitos homens e mulheres lá dentro, ainda mantinham curiosos assistindo ao conflito.
- Eu ainda não entendi... Por que ele veio nos atormentar, hein? – Marmon indagou com o típico tom arrastado; no que Belphegor apenas deu de ombros, pouco estava se importando com os motivos contanto que pudesse ser o próximo a lutar.
Estando entretidos nos movimentos do sheriff e de Squalo, Marmon foi o primeiro que ouviu o tiro vindo do piso superior, voltando o olhar imediatamente para o topo da escadaria, onde Xanxus se encontrava, o olhar impiedoso dando o recado mudo: não pouparia ninguém que estivesse ali. Ao vê-lo, todos os homens que não eram do Varia se retiraram definitivamente, e até mesmo Marmon recuou uns passos, aproximando-se da entrada para o porão.
- Resolveu aparecer? – o sheriff indagou tranquilamente.
- Seu lixo! Não morreu ainda? – o homem indagou a Squalo, que o fitou com o cenho franzido. –DÊ O FORA! TODOS VOCÊS! – ordenou, e nenhum deles se atreveu a desobedecê-lo.
Estando só; Hibari voltou o olhar para o homem com quem tinha a intenção de “conversar”, apesar de estar possesso, mantinha-se com a habitual postura séria.
- E você; seu lixo? QUE PORRA ACHA QUE FAZ NO MEU TERRITÓRIO? – além da aura assassina, Xanxus externava fúria. – Seu lixo; vou dar um jeito em você hoje mesmo. – decidiu; apontando as armas para Hibari.
- Propriedade por propriedade, você mexeu comigo primeiro. Agora... – largando uma das tonfas, sacou rapidamente o par de algemas que trazia consigo – Eu o farei falar.
Adentrando o saloon e se postando ao lado da entrada, o homem de terno e chapéu negros cruzou os braços, balançando a cabeça negativamente. “Esse Hibari está saindo da raia onde eu queria colocá-lo, não posso deixá-lo continuar essa briga com Xanxus...”.
Sacando as armas, atirou nos dois, derrubando-os imediatamente ao chão e sorrindo, mesmo depois de alguns anos sem praticar, sua mira estava impecável. Aproximou-se do corpo inerte do sheriff e, puxando-o pelo braço jogou-o sobre os ombros, dando uma última olhada para Xanxus antes de sair.
- Eu bem previ que o primeiro alvo de cada um desses dois seria o outro. E o que aquele padre inútil está fazendo que não serviu nem pra fazer o que eu mandei? Ts...
Teria uma boa “conversa” com Skull mais tarde, ele havia praticamente estragado o plano.
- Também tenho que ver Bianchi... – disse a si mesmo; por fim.
***
Ouvindo o som de pequenas explosões do lado de fora da carroça; tanto Haru como Kyoko transpareciam medo em suas expressões. Olhando uma para outra, deixaram a pergunta muda no ar: “O que fariam?”.
- O que esse senhor... – Kyoko começou a indagar; no que Haru suspirou pesarosa.
- Haru não sabe bem o que aconteceu, mas desde quando o marido de Lady Bianchi morreu, Mr. Gokudera odeia a Lady Bianchi, mesmo sendo irmãos...
- Um irmão odiando o outro? – perguntou; horrorizada. Com um irmão tão protetor e companheiro como Ryohei, não conseguia imaginar uma situação em que um odiasse o outro.
- Eu não posso julgá-lo... – Haru soltou; aflita. Odiava o próprio marido e recentemente se pegara pensando em outro homem, era tão ou mais pecadora que o comerciante irritado lutando do lado de fora.
- Não, nós realmente não podemos julgar ninguém. – Kyoko disse; um sorriso no rosto melhorando a feição de Haru. – Somos todos iguais, todos com seus defeitos e suas virtudes, com suas fraquezas e sua força. No final, estamos todos buscando a felicidade. – terminou serenamente, fazendo a recente amiga sorrir. – De qualquer forma, como comungadas da Igreja nós temos que interromper esse conflito perigoso.
- Sim, sim!
Quando sairiam da carroça, porém, viram a sombra de alguém se aproximando; era Gokudera.
- Tsc; mulheres... Vocês são desmioladas, por acaso? – indagou; fazendo Haru franzir o cenho.
- Não fale assim conosco! – a mulher de Hibari exigiu, fazendo-o revirar os olhos. – E o que você fez com a nossa amiga?
- Amiga? Sua estúpida, ela não tem amigos. Além disso, você deve agradecer por ser eu aqui e não o Hibari.
- Se o senhor não sabe; meu marido deixou que eu viesse! Lady Bianchi conversou com ele antes. Agora; o que fez à minha amiga?
Para a surpresa de todos, Gokudera foi desmaiado por sua irmã, que sorrateiramente apareceu e lhe cobriu as saídasde ar com um lenço manchado de roxo.
- Lady Bianchi? O que...
- Vamos continuar a viagem pela manhã, e vamos levá-lo conosco. Nada melhor do que ver para crer, não? – indagou, piscando levemente. – Não quero mal a ele, mas parece que meu irmãozinho nunca aprende...
- Não se preocupe; Lady Bianchi, tenho certeza que com amor tudo se consegue. – Kyoko lhe disse, fazendo-a sorrir.
- Os nossos cavalos estão muito agitados, não sei nem como não começaram a correr. Vou acalmá-los e logo prepararei nosso aposento provisório; meninas. – dito isso, afastou-se, deixando-as com o inconsciente Gokudera.
***
Chegando à mansão que incendiava, a dupla de mestre e discípula não se demoraram, correram e adentraram o local, encontrando a maioria nos estados de inconsciência ou semi-consciência. Horrorizada, I-pin correu até Lambo, sentindo-se mal por vê-lo naquele estado.
- Parece que você estava certa quanto ao mau pressentimento, I-pin. – o mestre suspirou, indo até os peões presos.
- Que horrível... – a jovem soltou; jogando o amigo rico num dos ombros para logo pegar uma dupla de peões amarrados. – Mestre...
- Estou bem; I-pin. – o chinês de aparência sábia e tranquila suspirou, no que, dando sinal mudo a discípula, ambos deixaram o local que aos poucos tinha a sua estrutura enfraquecida.
Olhando para o casarão a uma certa distância, Fon se permitiu comentar:
- Receio que essa mansão seja destruída em menos de uma hora... – e, olhando para os homens que havia deixado no chão: — Receio que alguns deles tenham finado...
Arregalando os olhos perante a afirmação, I-pin lançou um olhar triste para eles.
- Quem teria feito algo tão cruel...?
- Alguma coisa está acontecendo em Namiville – o mestre não perdeu a serenidade embora estivesse sério – mesmo que seja entre os brancos, temo que envolva todas as comunidades da cidade. Devemos nos cuidar. – disse a última parte voltando os olhos puxados para a discípula, que assentiu. – Agora, vamos levá-los ao Dr. Shamal. Pode ser que ele não queira atendê-los, mas pelo menos irá nos orientar. – disto isso, suspirou outra vez, no que ambos pegaram os respectivos “pesos” e saíram.
***
Trocando a usual batina por vestes comuns e descobrindo o rosto cheio de argolas semelhantes a certos brincos femininos, o padre tomou máxima precaução ao sair da carroça que ele mesmo conduzira e adentrar o celeiro da fazenda desconhecida, usada habitualmente como ponto de encontro. Fechando a porta, chamou a atenção de todos os presentes para si, incluindo o sorridente presidente da reunião.
- Então, caro Skull, como estão as coisas em Namiville?
- Eles estão começando a se mover, mestre. Aquele maldito Reborn está aprontando alguma coisa grande...
- Reborn; é? Ele já não está um tanto velho? Não aposentou ainda? – soltou, arrancando risadas de escárnio dos presentes ali.
- Acho que não é só ele, mestre. Ele tem um grupo grande escondido nas minas. Já mandei gente para investigar, mas não voltaram.
- Está fazendo um bom trabalho; caro Skull, não se preocupe. – o chamado “mestre” lhe disse, sorrindo-lhe com simpatia destoante do quão perigoso ele era. – Descubra o que o nosso amigo Reborn está planejando, e assim que tivermos a informações nós iremos nos mover também. Tenho certeza de que será um jogo muito divertido...
Procurando não externar o pavor que sentia por aquele homem, Skull, o padre de Namiville, apenas sorriu, fazendo coro às risadas que variavam de divertimento a sadismo. “Essa Millefiore sempre me assustou...”.
***
Reconhecendo uma mina a menos de cem metros, acelerou. Sentia dores, mas tinha que fazer as suas palavras valerem, tinha que resgatar a freira por quem – ele admitia a si mesmo – sentia atração. Como irmã de seu amigo, e como alguém com quem ele se importava, Kyoko era uma mulher extremamente importante, sua prioridade no momento.
Finalmente chegando à mina, desceu com certo esforço do cavalo – que inclusive tentou ajudá-lo – e, com a mão sobre o abdômen pôs-se a caminhar, apressando os passos tanto quanto podia. Ao adentrar o local escuro, prosseguiu sem pensar, até encontrar uma luz mais à frente, parecia ser uma lamparina. Aproximando-se, pôde ver precisamente a lamparina, a mesa sobre a qual a lamparina estava e, a mulher ranzinza que o encarava, postada de braços cruzados e ao lado da mesa.
- Tsunayoshi Sawada? De todos, você foi o que se atrasou menos... – comentou consigo mesma, olhando de relance para um relógio de bolso aberto sobre a mesa.
- Quem é você? – indagou – Onde está a Irmã Kyoko?
- Não me faça rir, moleque! Quer saber quem eu sou se não sabe quem você mesmo é? Sem saber quem o seu pai foi?
Aturdido; Tsuna atreveu-se a se aproximar, encostando-se a parede áspera da mina e forçando-se a não regurgitar ali mesmo.
- Não sei do que está falando... – começou pausadamente – Mas não quero saber... Vim apenas para buscar a Irmã Kyoko...
Sentindo que começava a ficar tonto, Tsuna se sentou contra a própria vontade, a mão no estômago desarranjado pelo murro que levara. Perguntava-se se Ryohei estaria se saindo bem, onde estaria Kyoko, como estaria sua mãe...
A mulher de postura firme e voz grave se aproximou do rapaz inconsciente, balançando a cabeça negativamente, claramente decepcionada.
- Mesmo sendo filho de Iemitsu, isso é muita loucura... É nesse pateta que você está depositando sua esperança; Reborn?
Notas finais
Nota II: Para quem não assistiu “A Escrava Isaura” (ok, é pra rir mesmo xD) o termo “fazer mal” antigamente quer dizer “fazer sexo”. Como antigamente sexo não era algo do “casal” e sim do “homem”, “fazer mal” seria o homem fazer sexo com a mulher, roubando-lhe a castidade.
Até ano que vem, pessoal!
Kissus =**
Ciao, ciao!
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