Namida

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Essa fic é baseada em um dorama (ichi rittoru no namida), algumas frases eu tirei do final de cada episódio.
O de resto é tudo imaginação. Não, e não odeio o Uruha, mas ele foi o escolhido pra ser o principal xD
Quando aparecer um "(...)" significa que o nosso querido escreveu em ocasiões diferentes, dias separados, compreendem?

[Uruha POV’S]

Quando eu finalmente achei ter encontrado a pessoa que eu queria me dedicar para manter feliz, isso me acontece. Por que as pessoas não têm o direito de ser feliz? Deus, como foi injusto comigo e com ele...

Uma doença me fez desistir da vida, de um amor.

Em um quarto de hospital fico nessa monotonia, fico encarando essa caligrafia do meu caderno. Sim, é a minha. Como ela piora a cada dia que passa, a cada mês está menos legível. Eu seguro a caneta o mais firme que minha falta de coordenação me permite, e mesmo assim dói quando eu vejo que as letras saem trêmulas. Os traços perderam toda aquela firmeza que as pessoas não notam que tem, às vezes é complicado até mesmo de escrever nas linhas. Ás vezes as frases ficam parecendo uma onda, como essa que acabo de escrever.

Tem horas que nem sei ler o que escrevi.

Meu médico é especialista em neurologia, ele disse que minha doença progredirá aos poucos, mas o final é certo. Não há cura, não existe um remédio que a faça sumir com o tempo, não existe cirurgia ou transplante que me cure. Sinto que essa... “coisa” piora lentamente, é visível. É doloroso.

Minha vida que eu julgava ser feliz foi sendo devastada, bem lentamente. Tudo foi tirado de mim. Ainda posso escrever, escrevo de um jeito torto, mas eu consigo escrever. Eu tenho medo de não conseguir mais escrever um dia, tenho medo de fechar meus olhos e não poder abril novamente, tenho medo de deixar a pessoa que mais amo.

As pessoas falam da minha força e coragem, porque mesmo com esse sofrimento todo eu continuo sorrindo. Eu tenho guardado comigo todos os momentos sem arrependimento. Vivi tudo que eu pude, corri o máximo que conseguia antes de não poder mais caminhar.

Aos poucos, antes que eu parasse de ficar de pé, eu caí. Muitas vezes eu cai. Mas, se olhar para o céu depois de cair, o céu azul, hoje também, se estende infinitamente e sorri. Mesmo que eu sangrasse, chorasse e me amaldiçoasse pelo meu corpo inútil, eu tentava me levantar. Mesmo que eu não conseguisse, eu queria ficar equilibrado, sem cair.

(...)

A pior coisa era escutar meus pais chorando escondidos, aquilo sempre me fazia feriadas imensas. Eu nunca quis que derramassem tantos litros de lágrimas por minha causa. Foram tantas noites perdidas comigo. Foram tantas horas lendo livros medicinais para chegar a mesma conclusão patética: Não há cura pra minha doença.

Uma vez eu vi um homem com a mesma doença, só que em um estágio avançado. Eu senti medo. Não queria ter que parar de caminhar, não queria parar de falar... E queria poder comer sem o medo de me engasgar. Eu agora dou mais valor as pequenas coisas, como poder levantar pra mudar canal da televisão, como pegar um objeto depois que ele caí no chão. Coisas que agora são complicadas pra mim.

Eu sou patético. Um homem de 25 anos que não consegue fazer nada sozinho...

(...)

Eu apenas queria escrever meu sofrimento... Mas... Mas está cada vez mais complicado escrever letrinhas pequenas, é preciso segurar uma caneta grossa com ambas as mão.

Bem aqui, no coração, existe você que acreditou em mim. Existe você que me segurava quando eu tropeçava, existe você que me olhava de longe pra saber se eu estava bem. A doença vai progredir mais e mais... Então, a partir de agora, conto com vocês. Hum, desculpe por lhe trazer tanta preocupação.

Apesar de tudo, vamos continuar a sorri, né.

(...)

Esse corpo sem tal coordenação... Não parece ser meu. Será mesmo meu? Acabei sorrindo com meu comentário. Não sei o que vai acontecer comigo daqui pra frente. Me tornarei uma poeira?

Eu vivo me perguntando o que eu fiz de errado, por que essa doença me escolheu? Eu poderia ter sido tão mais feliz, tudo que eu queria é uma chance de viver novamente... Essa chance não existe.

Eu devo ter sido mesmo um homem muito cruel em outras vidas, mesmo não acreditando que exista “outras vidas”. Estranho isso, né? Às vezes eu queria acreditar, só pra poder ter certeza de que quando isso acabar eu te encontrarei novamente.

Aprendi que o destino é algo que não pode se colocar em palavras.

O Yuu fica dizendo que meu sorriso continua lindo como sempre, eu internamente discordo. Eu não consigo sorrir como antigamente, também, né... Nada mais é igual.O “eu” de antes desapareceu e deu lugar pra esse ser patético que escreve aqui.

(...)

A fisioterapia ainda me ajuda. Eu dou o melhor de mim nos exercícios, não ligo se vou suar, eu apenas me esforço. Dentro de mim ainda há esperanças de uma cura. O quão idiota eu estou sendo, não? Acreditar em uma coisa que não existe. Mas é o único meio de me manter aqui, concentrado em fazer isso... Em escrever.

Yuu... Eu sempre estive usando aquele cordão que me deu. Sempre que eu olho pra ele, eu abro um sorriso. Ainda se importa comigo, não é? Ainda me ama como antes? Acho que estou sendo egoísta de querer ficar com você. Eu vou morrer, né. Não posso deixar você sofrer por uma causa perdida.

Em todas as vezes que me visitou meu coração se aqueceu. Era o que me dava motivos pra querer continuar, mas... Mas é tão impossível. Eu não quero que tenha esperanças em um futuro vazio. Eu não vou poder te dar o que quer, felicidade e anos ao seu lado. Não posso construir sonhos porque não sei se amanhã vou estar vivo.

Não posso dizer mais que quero me casar com você. Afinal, não quero que fique viúvo no dia seguinte do casamento. Sabe que nem lua-de-mel poderíamos ter. Você é o único imbecíl que insiste em ter um futuro de sofrimento com alguém como eu, por que não desiste dessa ideia?

Yuu, sei que está se esforçando em tentar achar algo pra retardar ou curar a doença e por isso eu peço que, por favor, pare com isso. Não vai chegar á lugar nenhum. Não sei se há mais esperanças. Não para mim. Quem sabe um dia você possa curar alguém, mas tenha em mente, esse alguém não será eu.

Lembro-me perfeitamente o dia que eu consegui burlar as coisas e fugi do hospital só para ir ao parque ver as sakuras. A sorte nunca esteve mesmo ao meu lado, percebi isso quando começou uma fina chuva. Eu não conseguia mais caminhar sem a ajuda da cadeira de rodas e ela... ela agarrou em um buraco. Fiquei totalmente desesperado, pois não podia ficar doente. Eu vi você... Correndo pra mim enquanto tirava o casaco e cobria minha cabeça. *Só de lembrar as lágrimas estão escapando*. Então você foi empurrando minha cadeira até o hospital, me chamando de idiota por ter feito isso. Me lembro o barraco que fez com os enfermeiros, eu sorria enquanto se importava comigo.

Eu já disse que não vou poder estar sempre eu seu lado. Não fisicamente. –por mais que eu queria você.

(...)

Notas finais
Pra que não sabe: "Arigarou, Yuu" = "Obrigado, Yuu"
"Sayonara, Yuu"= "Adeus, Yuu"
O nome da fic quer dizer "lágrimas"
Bom, eu tive que dividir ou a fic ficaria muito longa, logo postarei o resto o/
Fic ficaria, fic ficaria HEHE
Ficaria feliz com reviews!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.