Nami, costura meu chapéu?

1 Quando tudo se trata de confiança


Notas iniciais
O Luffy é tão ♥ Demorei tanto pra postar uma one-shot decente aqui, espero que gostem :) Essa foi minha primeira história postada, portanto ela passou por vários ajustes e correções, ainda sim, peço que me avisem caso encontrem algo a ser melhorado!

Haviam acabado de sair de uma batalha no mar do Novo Mundo. Um bando recém chegado achou que poderia vencer a tripulação, e esse erro os levou a um massacre. Apesar de serem relativamente fracos, deram certo trabalho, havia muitos combatentes armados com espadas e mesmo sem manusear qualquer tipo de armamento, a tripulação não demorou em derrotá-los.

Nervoso por lutar perto do horário do almoço, o capitão se descuidou por pensar excessivamente em carne, deixando que seu maior tesouro sofresse as consequências. Com seu chapéu rasgado, restava-lhe somente lamentar sentado em sua cadeira favorita, o próprio Sunny.

— Ero-cook, o que você usou para temperar a carne? — importunou Sanji que servia gentilmente Robin.

— Huh? — o loiro virou-se encarando Zoro. — E por que isso te interessa?! — seus dentes tomaram uma forma afiada, levantando a perna direita, pronto para atacá-lo.

— Sanji, espera! — Chopper apartou eles antes que aquilo se tornasse realmente uma briga. — Eu sei que você não gosta que critiquem sua comida, mas Zoro tem razão... — suspirou cansado, desde que entrara na tripulação todos os dias eram assim. — O que quero dizer é que o Luffy parece estar meio abatido.

— O capitão está assim desde que eu derrotei aqueles fracotes que ousavam se chamar de piratas com minha imensurável força. — Usopp se gabava recostado ao balanço do convés.

— Estou SUPER preocupado, devíamos fazer algo.

— Fufufu, Brook, por que não canta uma música alegre? Talvez isso ajude nosso capitão. — Robin sugeriu.

O esqueleto de black power assentiu ao pedido da arqueóloga, preparando-se então para tocar seu hit mais conhecido com o objetivo de animá-lo, mas o garoto que inquietava a tripulação se levantou num salto surpreendendo todos. Luffy se esticou passando pelo leme e o mastro principal, chegando ao convés cabisbaixo.

— Cadê a Nami? — indagou fazendo biquinho. — Preciso dela agora!

— Temo que Nami-san esteja tomando seu banho, Luffy. — Sanji respondeu tragando um cigarro, levemente incomodado pelo fato do menino exigir sua deusa.

— Yosh, vou esperar! — retirou seu chapéu das costas, colocando-o com cuidado sobre seus fios negros.

Sentou-se dobrando as pernas em frente à porta do dormitório feminino, iria aguardar pela navegadora pacientemente.

Esperou vendo os companheiros ao seu redor se divertirem com músicas tocadas pelo Soul King, outros tiravam um cochilo em pleno convés, e outros até brincavam por lá. Mas nada da figura ruiva aparecer, o capitão perdera o pouco da paciência que lhe restava naquele ponto. Não sabia até quando aguentaria esperar o banho da navegadora, mas também não se permitiria fazer qualquer outra coisa até que resolvesse seu problema.

— Oi Luffy, eu e o Chopper vamos pescar com a nova vara que o Franky criou! — cutucou a rena animado. — Quer vir junto?! — Usopp convidou sorridente.

O Chapéu de Palha apoiou-se para levantar e ir com eles, entretanto logo seu problema voltou à tona lembrando-o que sua prioridade era falar com Nami. Luffy recusou o convite sem vontade, limitou-se a somente se imaginar com os companheiros e as risadas que viriam em sequência. Ele resmungou com os raios solares da tarde que alcançaram suas costas, nem ficando sob a sombra da pequena árvore do deque era tolerável, pulou do chão não suportando mais esperar, havia decidido entrar no dormitório das mulheres, e descobrir por que tanta demora em um banho.

Não bateu na porta, apenas puxou e empurrou o trinco, entrando sem pedir licença. Viu algumas roupas jogadas pelo chão, as mesmas que Nami usava na batalha contra os piratas. Riu ao ver as peças íntimas da companheira, não era todo dia que um idiota como ele via aquelas coisas.

— Oi Nami, entrei! — chamou pela navegadora, abafando o som da boca com a mão nas laterais. — Você demora muito no banho, sabia?

Continuou olhando todos os cantos, não a encontrando pelo quarto. Notou a cama arrumada fazendo um convite involuntário para que ele se jogasse ali, e assim cedeu seus instintos. Jogou-se quicando no confortável colchão que as duas mulheres da tripulação dividiam. Depois do quarto se silenciar, Luffy pôde ouvir um gotejar vindo do banheiro. Levantou observando o feixe aberto da porta, saía muito vapor de lá. Sentiu-se estúpido por não pensar em procurá-la no banheiro, onde as pessoas geralmente tomam o banho.

Com passos desajeitados dignos de um Luffy cansado, direcionou-se até o lugar abrindo levemente a porta, aos poucos revelando o ambiente quente e uma ruiva deitada na banheira.

— Nami? — sussurrou tentando enxergar entre o vapor. — Namiii! Você tá bem? — preocupou-se vendo que a mulher não o respondia.

Até todo o vapor quente se dissipar o capitão não via nada além do cabelo chamativo dela em meio a água, quando sua visão finalmente captou o ambiente com precisão, notou sua companheira desacordada quase afundando na banheira de porcelana. Sua primeira reação foi se desesperar e jogar-se em cima de Nami a fim de socorrê-la.

— Nami! Vou te tirar daqui... — estava dentro da água com ela, posicionando suas mãos por baixo do corpo nu da navegadora pronto para carregá-la. — Chopper!! — chamou pelo médico, não obtendo sucesso.

Ela acordou já nos braços dele, antes de tirá-la da água. Cobriu-se com os membros superiores, mas talvez fosse tarde para se preocupar com aquilo.

Empurrou-o rapidamente se colocando em um extremo da banheira, com ele estando em outro. A face dela tomou um tom avermelhado, misto da água fervente e o embaraço por aquela situação. O capitão pendeu a cabeça, expressando o quão confuso estava.

— Ué, você não desmaiou? — perguntou piscando.

— Claro que não, idiota! — ela bufou. — Eu dormi! Você não pode entrar no banheiro enquanto as pessoas tomam banho. — massageou a têmpora numa falha tentativa de permanecer calma.

— Ufa, que susto você me deu! — ele riu.

Tão encharcado quanto ela, as gotas de água escorriam das pontas do cabelo de Luffy e caíam na imensidão da banheira, ecoando assim pelo ambiente. O silêncio parecia somente incomodar a ela.

— Luffy.

— Sim?

— Estou pelada.

— Oh, é mesmo. — ele comprimiu os lábios, esperando que ela fingisse nada ter acontecido.

Não bastou mais que isso para que ganhasse um enorme galo na cabeça.

Depois de ajudá-lo a se secar, Nami o colocou de costas para a parede do quarto, só assim podendo se trocar o mais rápido possível sem que ele perdesse a paciência outra vez e a olhasse.

— Vai logo... — reclamou entediado.

— Luffy, acabei de te virar, nem abri a gaveta pra escolher uma roupa ainda! — grunhiu nervosa.

A ruiva colocou o primeiro short e camiseta que encontrou, liberando o capitão para enfim se virar.

— Nami, seu cabelo está engraçado! — apontou rindo, provavelmente o fato de ela ainda não tê-lo penteado o chamou a atenção.

— O que você quer? — cruzou os braços, ignorar seu comentário nonsense anterior. — O que era tão importante para você não poder esperar eu terminar o banho?

— Então, — coçou a nuca sem jeito. — sabe os piratas do almoço? — esperou-a assentir para continuar — Eles fizeram isso... — tirou seu precioso chapéu e mostrou-lhe um rasgo médio perto da faixa vermelha.

A navegadora pode sentir o quanto aquilo afetava seu capitão. Ela, mais do que ninguém, entendia o valor sentimental que aquele chapéu tinha para o menino. Ele não o confiava a qualquer um por medo, e agora o tinha rasgado.

— Que pena, Luffy. — agora ela podia entender o porquê de toda euforia. — Mas eu não sei por que você está me mostrando isso. — aproximou-se para pegar o chapéu de palha de suas mãos e observar o rasgo mais de perto.

— Só você pode me ajudar! — exclamou ofendido, como se esperasse que ela já soubesse disso. — Você é a única em quem posso confiar pra pedir uma coisa dessas... — desviou o olhar sem graça.

— Pedir o quê?

— Nami, costura meu chapéu? — voltou a olhá-la, dessa vez sorrindo.

Ela revirou os olhos, a última vez que fizera isso ainda estavam em Alabasta, talvez tivesse perdido a prática. Puxou o capitão até o sub-piso do navio, chegando à oficina de Franky. Revirou algumas gavetas procurando linha e agulha para realizar o pedido de Luffy, assim que achou o desejado, sentou-se de pernas dobradas no chão e começou a costurar com a máxima precisão que podia exercer. Afinal, era o chapéu de seu capitão.

Observou de soslaio Luffy sair da sala, voltando logo em seguida com um pedaço de carne. Sentou ao lado da navegadora apoiando uma mão sobre a perna dela. Fez tudo o que Nami pedia atentamente, desde segurar a linha a ficar calado, ou pelo menos tentou. Era impossível para ele não rir com as caretas de concentração que a ruiva fazia, colocando a língua para fora, fechando um dos olhos ou até mesmo parar de costurar para estalar os dedos.

Enfim Nami concluiu atividade com sucesso, passando a cordinha pelo pescoço do capitão e ajeitando o chapéu costurado na cabeça dele. Ele riu satisfeito, e ela devolveu o mesmo sorriso terno, enquanto ele estivesse feliz ela também estaria.

— Obrigado. — puxou a frente do chapéu, escondendo seu rosto.

Ela se abaixou para recolher os objetos usados e guardá-los em seus respectivos lugares, mas Luffy insistia em continuar ali.

Ao se levantar, ela o sentiu envolvê-la por trás, rodeando sua cintura e enterrando sua cabeça no espaço entre o ombro e pescoço. Nami molhou os lábios surpresa com a atitude do capitão, pensando em dizê-lo algo, contudo percebeu que ele estava mesmo muito agradecido, não passava de uma criança manhosa que insistia em não largar seu ursinho favorito.

Ela o contornou em silêncio, desprendendo-o de si para segurar seu rosto e deixar um beijo demorado em sua bochecha, próximo a seus lábios. Ela entortou o chapéu em sua cabeça e o deixou sozinho na oficina depois disso.

Eles não precisavam de muito mais palavras que aquilo para demonstrar a confiança que depositavam um no outro. Luffy estava feliz por poder sempre contar com sua navegadora, e ela por ter ele ao seu lado.

Notas finais
Opiniões são bem-vindas!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!