Nagareboshi

1 Capítulo Único - Nagareboshi


Notas iniciais
One Shot feita na louca.
Um desejo mortal de centralizar o Seiya e a Marin, e também no desejo de Seiya para reencontrar sua irmã.

Não é bem "angst" como diz na classificação, eu apenas coloquei para não ficar muito vazio. '-'

Espero que gostem.

O itálico é da parte de lembranças, e as aspas é no pensamento.

Escondido entre montanhas e florestas, o Santuário de Atena vibrava com os gritos dos soldados que assistiam uma das lutas do dia. Aspirantes a cavaleiros lutariam entre si para conseguir a sagrada armadura de bronze.


— Dizem que é a armadura de Pégaso. — comentou um dos guardas locais.


— Hehe, Cassius certamente vencerá. Ele é imenso e muito forte, decepou a cabeça de todos os oponentes, além de ser aluno da tal Shina. Dizem que ela é uma mulher assustadora e rigorosa.


Os dois soldados desviaram o olhar para a arena, observando o adversário de Cassius. O garoto era pequeno, mas robusto. Mesmo com a pele morena, tinha traços orientais.


— Esse é o tal Seiya, o japonês que chegou aqui há seis anos. Vai morrer no primeiro segundo, esse moleque é um bebê comparado ao Cassius.


Perto de onde os soldados estavam, uma amazona trajando a Armadura de Águia, ouvia tudo discretamente. Sua máscara reluzia de modo sinistro ao virar o rosto na direção dos soldados.


"Seiya, tente não morrer... Falhar depois de todos esses anos, depois de tanta determinação... Depois daquele desejo!" Marin mesmo com a máscara cobrindo o rosto, mostrava a tensão claramente no cruzar dos braços e pernas. Seu último pensamento a fez estremecer por completo.


Mas não podia evitar. Por mais rígida que tivesse de ser como mestra, Seiya era seu pupilo, seu legado de ensinamentos. E ver aquele moleque sorrindo da arena para ela, lhe dava raiva e vontade de socá-lo até ficar concentrado na luta.


Se lembrou da primeira vez que o garoto fora apresentado a ela. Parecia ser tímido, com olhos tristes e ombros curvados. Um derrotado.


— Porque está com essa expressão? — Marin se aproximou do jovem de mesma nacionalidade que a sua: Japonês.


— Eu não queria estar aqui. Queria estar no Japão, procurando a minha irmã! Maldito seja aquele velho Mitsumasa! — emburrado, a criança virou o rosto e bufou. Um verdadeiro pirralho.


A amazona sabia que teria um longo trabalho pela frente. Seria complicado treinar um garoto como ele.


— Qual é o seu nome?


— Seiya. Ogawara Seiya. — ele respondeu, hesitante.


Marin suspirou e disse o seu.


— Marin. Amazona de Prata da constelação de Águia.


Seiya pareceu interessado nas constelações. Não demorou muito, e Marin logo o obrigou a treinar.


— Moleque abusado. Quem diria que sobreviveria nesses seis anos. Tenho que admitir que é bom. — a ruiva voltou do devaneio depois de ouvir um grito vindo de baixo.


— TORÇA POR MIM, MARIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIN! — era Seiya, no auge da sua animação. Estava convicto que iria vencer esta luta.


E o desejo de dias veio à tona no coração do jovem aspirante.


Depois de um dia intenso de treinamento, Seiya parou para descansar em uma pequena rocha na beira do penhasco. A noite estava linda, como era de se esperar no berço das constelações, mais conhecida como Grécia.


Olhava fixo para o céu, principalmente para Pégaso. Mesmo não sabendo, corria nas suas veias o sangue do matador de deuses, principal aliado de Atena. O fardo de gerações sempre cairia nas costas do cavaleiro de Pégaso. Cairia nas únicas asas capazes de levar uma nova era adiante.


— Seis anos... E amanhã é a minha luta decisiva contra Cassius. Se eu vencer... — o japonês cerra os punhos. — Poderei retornar ao Japão e rever minha irmã novamente. Preciso rever a Seika!


— Seiya... — sua mestra fora andando na sua direção calmamente. — Faça curativos nos seus punhos. Afinal, irá usá-los muito amanhã.



Seiya se vira para a ruiva e dá um sorriso. Ela foi seu suporte por todos esses anos. Devia muito a Marin.


Ele ia falar alguma coisa, mas repentinamente seu estômago começou a arder. Ao mesmo tempo em que apertou os braços contra a barriga, automaticamente se virou de frente e observou a tempo uma luz intensa rasgar o céu.


— Eu estive esperando por isso há anos... — o moreno sorriu amplamente e depois fechou os olhos por alguns segundos.


— Seiya...? — a amazona observava tudo um pouco surpresa. O seu aluno antes parecia se sentir mal, e agora estava mais vivo do que nunca.


O aspirante a cavaleiro se levantou da pedra, e ficou vidrado no rastro da estrela cadente. Algumas lágrimas escapavam de seus olhos.


— Seika, eu juro que vou te encontrar. Não importa quantos anos se passem, sempre irei procurar por você. Sinto que esse é meu destino... Não é mesmo, Marin? — ele se virou para a mestra, com um sorriso no rosto e secando as lágrimas. Acariciou a própria barriga ao perceber que a dor sumirá rapidamente depois do clarão. — Uma nagareboshi, especialmente para mim, pelo jeito!


Já era hora da luta. A ansiosidade pairava sobre todos, principalmente sobre os dois oponentes.


— Mate ele, Cassius! Esse oriental não tem o direito de trajar essa armadura! — Shina gritava para todos ouvirem. Estava mais agressiva do que nunca hoje.


Marin ignorou e voltou o olhar para o aluno.


O cosmo dele se agitava como milhares de estrelas oscilando, prestes a explodirem.


Um desejo que se tornaria o seu destino. O desejo que faria o Pégaso voar mais alto do que nunca, levando o desejo e a esperança de todos em suas asas.


Ele era a estrela cadente que trazia a esperança no coração de seus companheiros.



Notas finais
Nagareboshi significa Estrela Cadente em japonês.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!