Notas iniciais
Música tema para o começo desse capítulo é Mi Muñeca, da banda mexicana, Pxndx! Aqui: https://www.youtube.com/watch?v=CMBM9s5muZE E para a segunda parte, é Só agora, da cantora Pitty. Aqui: https://www.youtube.com/watch?v=qTZuLazveyw

Poncho

Si necesitas un abrigo entre mis brazos estarás, necesitas un camino yo lo pinto. Mi muñeca está llorando, mi muñeca está

:- E você vai cara?

Eu pensei no que tinha que fazer na noite, ok não tinha nada, eu não estava afim de ir, essa é a verdade. Porém, o fato era que eu não sabia se Dulce iria ou não e isso de certa forma influenciaria na minha decisão.

:- Não sei. Tenho que ver meu animo no dia. – cocei minha barba.

:- Vai ser bom, dar uma relaxada. As gravações estão tirando nosso coro. – Eugênio, passou a mão no cabelo bagunçando o penteado da personagem, fazendo ficar bem despenteado. E eu ri por que também estava cansado.

:- Isso é verdade e olha que você nem tem cenas com carga negativa como eu tenho, exige um esforço e concentração a mais. – fiz careta.

:- Pode ser, mas você sabe como viver o mocinho misterioso é foda, manter a linha de bom moço da trabalho, sempre bom e bla bla bla. – ele também fez careta.

:- O que eu sei é que, afinal de contas, por mais que estejamos cansados, muito cansados, o prazer de ter terminado mais um dia de trabalho é compensador, apesar de só pensar em descanso.

:- Sim, e mais eu só penso em CAMA. Cama. Cama. – ele ajeitou a mochila na costa, e viramos juntos um dos corredores de Televisa.

Estávamos saindo de mais um dia de trabalho, e hoje em especial, foi um dia mais cansativo, várias cenas foram repetidas sempre alguma coisa dava errado e deu mais trabalho para todos regravar.

:- Meu Deus. Como Televisa está bem frequentada. – Olhamos na direção da voz e vimos a bela morena nos olhar sorrindo. – Moreno.

:- Morena. – A saludei a abraçando.

:- Arcanjo. – ela abriu os braços e abraçou ele apertado. – Quanto tempo não nos víamos, Maite. – Eugênio a abraçou sorrindo.

:- Nem me fale, essa vida que nos separa e nos junta quando bem quer. – ela riu.

:- O que faz aqui, Morena? – Perguntei para ela, vendo a mudança de visual desde a última vez que nos vimos, do cabelo liso e na altura dos ombros o cabelo mudou para cacheados e grandes.

:- Conversar e rever os amigos, eu vim saber da minha licença a maternidade, talvez ela acabe mais cedo, estou estudando uma personagem. Deixei as crianças com o pai delas e vim. – ela se gabou sorrindo malandra.

:- Mane deve está arrancando os cabelos, cuidando de Lisa e Henry ao mesmo tempo, May. – ri imaginando.

:- Que nada, sogrinha está lá para ajudar, fora a babá. – ela deu o ombro, fingindo desinteresse, mas sabia que por dentro estava louca para voltar para casa ou ligando, num intervalo de 5 minutos para saber como eles estão.

:- Gente, minha carona chegou, eu vou indo. Até amanhã Poncho. – Eugênio veio me abraçar para depois abraçar Maite. – Pecadora, está cada dia mais linda, viu mande lembranças a família. E não suma.

:- Digo o mesmo meu chapa.

:- Espere um momento. – olhei para Maite, antes que ela falasse algo. – Ele entrou no carro dela mesmo. – observei Eugênio andar até o carro e ir embora nele.

:- Quem?

:- Angelique.

:- Então os boatos são verdade? – ela olhou o carro saindo da nossa vista, pelo estacionamento a fora.

:- Não sei. Nunca sei de nada. – eu ri e ela entendeu. – Então vai para onde agora?

:- Entrar vou encontrar Jessy que está gravando, vamos dar uma volta juntas, quer vir junto?

:- Não. Essa eu vou passar, quero ir para casa e descansar, mas acabei de me lembrar que tenho que voltar, para entregar algo a uma pessoinha ai dentro. Vamos? – eu mostrei meu braço para ela entrelaçar e seguimos caminhando, voltando para Televisa.

:- Então vamos. Tenho que te contar a última de Lisa e o quanto o Henry está crescendo, Poncho. – ela começou a falar empolgada.

Andávamos voltando para o set das gravações de Victimas del Pecado, e cumprimentamos o pessoal que ainda estavam ali, gravando. E ela me contava as travessuras de Lisa.

:- Mentira que ela está aqui? – Maite apertou meu braço me fazendo rir confirmando. – Finalmente eu vou conhecer Dominique? Que maravilha.

Chegamos no corredor dos camarins, e levei Maite para a última porta seguro do caminho que levava ao camarim de Dulce. Só não contávamos com a cena que presenciamos.

Necesitas un amigo aquí yo mero estaré (…) Mi muñeca está llorando, mi muñeca está, mi muñeca está llorando, mi muñeca está

A porta do camarim estava aberta e lá dentro estavam Dona Blanca, um dos seguranças de Televisa e Dulce, chorando.

:- Dulce, o que está acontecendo? – me ouvi perguntando. Chamando a atenção de todos.

:- Poncho. – ela me olhou aflita. – Dominique, Poncho.

E pela forma que me olhava começou a me preocupar o que aconteceu com Dominique.

:- Ela se perdeu em Televisa. Eu pedi para ela não se separar de man, mas num momento de distração ela se separou, e estamos procurando a mais de duas horas e não a achamos em lugar nenhum. – contou com algumas lágrimas escorrendo pelo rosto.

:- Calma Dulce, se acalma. – Maite tentou tranquiliza-la. – Em que lugar foi a última vez que vocês viram ela? Não é possível que ninguém tenham visto ela ou que ela tenha andado tanto. – ela atravessou o camarim se separando de mim. E abraçou Dulce que estava nervosa.

:- Foi no corredor H, num instante que estava conversando com Regina. Dominique sumiu. – Dona Blanca falou tristonha, provavelmente pensando que foi por culpa dela.

:- Não vamos ficar assim, por que não leva a nada. Perdi as contas das vezes que Lisa, se afastou e se perdeu e eu fiquei morta de preocupação atrás dela, crianças são assim. Vamos acha-la. – Maite falava com todos.

:- Ela não está com o celular, Dulce? – Perguntei para ela, pensando em como podíamos achar Dominique.

:- Está, mais não atende, talvez ela tenha o perdido. – passou uma mão tremendo no rosto. – Isso nunca aconteceu antes, eu nunca a perdi dessa forma.

:- Dulce se acalma, não foi culpa de ninguém, essas coisas acontecem. – olhei para ela, que deixou Maite e veio me abraçar.

:- Vou achar ela, você vai ver.

Eu acharia Dominique para tirar aquelas lágrimas no rosto de Dulce. Deixei minha mochila no camarim e sai indo em direção do corredor H, preocupado olhando para todos os lugares para ver se achava Dominique. E perguntando para quem aparecesse no meu caminho se tinham visto ela. E a cada negativa ficava mais aflito.

Pensa, Poncho, pensa. Repetia mentalmente isso. E me veio uma solução na cabeça. Peguei meu celular, buscando algum meio para me ajudar, todos os celulares fabricados atualmente tinham Gps integrado. Olhei o último sms que Dominique me mandou.

Fazia 3 horas atrás, e ela tinha se perdido há umas 2 horas. Só conseguiria acha-la se ela fosse dos meus contatos, e aceitasse meu pedido para encontra-la. Tinha uma forma eu comecei a andar rápido para a sala da segurança, e mandando vários pedidos para Dominique, o celular dela não estava desligado se não sequer enviaria.

:- Posso ajudá-lo? – um segurança me barrou antes de entrar na sala.

:- Pode, eu preciso urgentemente falar com Juan, o chefe da segurança, pode chama-lo sim, diga que é o Poncho. Se puder ser rápido. Por favor. – falei rápido ainda enviando os pedidos para Dominique.

:- Pode entrar senhor. Segunda porta, no corredor à esquerda. – ele liberou minha passagem e eu andei tão rápido que me esqueci de agradecê-lo.

Bati na porta aflito.

:- Poncho? – ele abriu a porta.

:- Oi Juan preciso de sua ajuda.

:- Poncho, estamos ocupados agora buscando uma garotinha que se perdeu.

:- Exatamente, eu também estou a procurando. – Entrei na sala escura onde tinha todas as câmeras de segurança de Televisa.

:- Então, Poncho deu uma pane no sistema por conta disso estamos trabalhando com o sistema antigo, que é mais lento, por isso não achamos a menina ainda. – ele falava e eu olhava para os monitores diversos que ali estavam, eles procuravam Dominique por ali.

:- Entendo, mas não viram ela em nenhum lugar desde que chegou?

:- Vimos, sim, mas as imagens tem uma falha na sequência. Veja aqui. – ele me mostrou um monitor, onde mostrou Dominique andando com Dona Blanca e depois ela andando sozinha.

:- Espera aí, pausa. – pedi, analisando as imagens. – Ela aqui está com o celular na mão. E andando em direção por esse lugar que não vi antes.

:- Amplie a imagem por favor. – Juan pediu para outro homem da segurança. – Sim, você não está reconhecendo ali, era o corredor J, mas tudo por ali está em reforma. E me informaram que já procuramos por ali.

:- Mas, se as câmeras não a encontram em nenhum lugar, e ali não tem câmeras, ela só pode está por ali. – finalmente algum lugar mais certo para procurá-la. — Se está em reforma ela pode está presa em algum lugar, ou não sei.

:- Senhor ali não tem luz. As reformas ali estão paradas...

:- Meu Deus, Dominique deve está lá, e sem a luz para poder se guiar ela precisa que alguém a ajude.

:- Poncho, como luz para guiar? – ele perguntou sério.

:- Como, não te falaram, a menina que estão procurando é surda e não fala, ela se guia pela visão e vibrações. – respondi a ele.

:- Não me informaram isso, vou tomar as providencias imediatamente. – ele ficou bravo com o que acabou de saber.

:- Senhor. – o outro segurança chamou nossa atenção. — O sistema voltou, e tem essa câmera, que fica na antiga sala de limpeza. – ele ampliou as imagens, a sala está sem energia.

:- Aqui. – gritei quando vi Dominique, mesmo no escuro, num canto da sala sentada e abraçada com os joelhos. Por isso ela não atende o celular, está muito longe para alcançar e ainda no escuro. – eu apontei para as imagens borradas da câmera.

Antes de qualquer ação dos presentes ali na sala, eu sai dela voando. Indo atrás de Dominique, passei como um furacão nos corredores e correndo. Quando cheguei no antigo corredor J. Liguei meu celular para ter a visão de algo.

E pela luz dele fui me guiando. Calma Dominique estou chegando. Era só o que pensava.

Cheguei na porta e quando tentei abri-la, estava emperrada. Dominique nunca que sozinha conseguiria abri-la. Me afastei um pouco para pegar impulso, respirei antes de chutar a porta, uma, duas, três vezes para ela arrebentar e abrir.

Entrei apressado e liguei o celular iluminando o lugar procurando por Dominique, que estava no fundo da sala, me olhando assustada. Fiquei mal por ver esse olhar nela, demorou alguns segundos para ela me reconhecer e vir correndo para meus braços, chorando.

A abracei apertado para que soubesse que não estava mais sozinha.

:- Poncho? – Me voltei à voz. Era Juan com algumas lanternas. – Você a achou?

:- Sim, Juan. – Levantei com Dominique nos meus braços que ainda chorava, passei minhas mãos nas costas dela para acalmá-la.

:- Já a acharam. Quero todos na minha sala, uma reunião urgente. – ele falou em seu rádio bravo.

Com o meu celular iluminei o lugar para achar o celular de Dominique, demorou para acha-lo, ele estava muito longe da onde ela estava. Me abaixei para pega-lo sentindo os bracinhos de Dominique apertar meu corpo. E comecei a andar para sair dali.

Sentia o coração de Dominique bater rápido, contra mim. E me deu pena por ela passar por esse susto. Logo cheguei no corredor dos camarins, com Juan me acompanhando, falando com alguém no rádio. Ainda muito bravo.

:- Oh meu Deus. Dominique. Meu amor. – Dulce foi a primeira a vê-la e assim que ela se aproximou com uma expressão de alívio no rosto, eu entreguei Dominique nos braços dela. – Obrigada. – Falou apertando a filha nos braços.

:- Que bom que ela voltou bem. Viram. – Maite ficou feliz. Assim como Dona Blanca e que exclamou um graças a Deus.

:- Vamos, Gonzalo. – Juan chamou o segurança que estava ainda no camarim. – A menina foi encontrada por Poncho, e está tudo bem com ela?

Dulce foi até o sofá onde Dona Blanca estava sentada e sentou Dominique, que quando sentou começou a enxugar as lágrimas.

“Está tudo bem meu amor? Fiquei tão preocupada.”

“Está mamá, fiquei com medo quando perdi o celular e não consegui acha-lo. Estava no escuro, e não conseguia ver nada. Até Poncho chegar.”

“Está tudo bem agora, foi só um susto. Tudo bem agora.” Voltou a abraça-la e repetia está tudo bem, não só para Dominique, como para ela também.

:- Está tudo bem, Juan foi só susto.

:- Certo. Vamos Gonzalo. – ele se juntou com ele e os dois foram embora.

:- Onde você a achou, Poncho? – Maite me perguntou.

:- Ela estava numa sala, sem energia, no antigo corredor J. Lá está em reforma e por isso não tem câmera de segurança. Por isso ninguém a achava, e quando cheguei o seu celular estava muito longe. Enfim, agora está tudo bem e todos podem ficar tranquilos.

:- Obrigada, Poncho. – Dulce me olhou agradecida, e eu apenas balancei a cabeça.

:- Alguém, por favor, seja meu intérprete. – Maite falou indo ao encontro de Dominique, que a olhava. – Oi pequena, eu sou Maite. – e sorriu para menina.

“Dominique essa é a Maite, ela está falando oi.” Dulce começou a conversar com Dominique, sendo a intérprete dela.

“Oi, Maite, já te conheço por foto.” E a loirinha sorriu fechado para a morena.

:- Ela já te conhece por foto, May. – Eu falei ajudando na interpretação.

:- Ah sim, eu também a conheço por foto, é um prazer conhece-la pessoalmente pena que no começo foi no susto, mas agora esta tudo bem. Não faça mais isso viu. Não sabe como sua mãe ficou.

“Ela também te conhece por foto Nique, que está encantada por conhecer você, mas ela ficou preocupada como todo mundo, por isso não faça mais isso, viu minha filha.”

“Desculpa mamá. Não faço mais. E ela é a mãe da Lisa, e daquele bebê da foto?”

:- Está perguntando se você é a mãe da Lisa e do Henry, May.

Maite sorriu antes de abrir a bolsa e tirar o celular dela, mostrando para Dominique a foto da família dela, que ela mostra para todo mundo, orgulhosa.

“Ahhhh que lindos. O bebê é bonito. Mamá agora falta eu conhecer, os outros né? Quando a gente vai vê-los?”

Eu, Dulce e até Dona Blanca rimos.

:- O que foi, o que ela disse? – Maite perguntou confusa.

:- Ela achou todos lindos, mas agora falta ela conhecer os outros, Rbd’s, ela só conhece nós dois. – eu expliquei para May.

:- Ah agora vai ser difícil, Christian está Los Angeles, Anahí e Christopher vocês sabem. – ela riu e eu também.

:- Eu não sei o que têm eles? – Dulce perguntou curiosa.

:- Anahí se separou do marido há algum tempo, ela estava viajando com Vitor Hugo, para a Disney e pelos Estados Unidos.

:- Vitor Hugo é o filho dela, Dulce. – eu comentei.

:- E depois ela viajou com ele para visitar Érica na Suécia, como ela e Vitor são unha e carne são muito amigos, ela é filha de Christopher com Eloísa, ex-noiva de Chris, eles estavam preste a casar, mas se separaram e a menina ficou com ele.. Da última vez que tive notícias, Any e Chris estavam na França, com os filhos.

:- Nossa que confusão. – Dulce riu.

:- E a melhor é que Any me ligou falando que estava conhecendo melhor um cara legal e que gostava do Vitor Hugo e tudo mais, quando eu perguntei quem era ele, ela me conta rindo que era o Christopher mesmo. – Maite contou arrancando risadas de Dulce e eu.

:- Estão ficando a essa altura do campeonato? Só aqueles dois mesmo, depois logo se separam. – Dulce riu.

:- Talvez não, sabe se lá, tudo é possível. O que parece é que o tempo passa e passa, mas certas coisas não mudam. – Maite riu fazendo alguma brincadeira com Dominique, que estava abraçada a avó. Dona Blanca que estava calada esse tempo todo após o comentário de Maite, ficou olhando de Dulce para mim.

:- Ai ai, mas com todo esse tempo aqui eu tenho que ir, Jessy está me esperando. – Maite não levantou antes de fazer um carinho no joelho de Dominique. – Você vai agora Poncho?

:- Vou sim, quero descansar hoje foi um dia agitado. – eu procurei e fui pegar minha mochila, esperando Maite se despedi delas. Lembrei do que entregaria para Dominique.

“Hei mocinha, elas são para você, aproveita a leitura.” Sorri para ela entregando.

“Oh, são aquelas que faltavam. Finalmente vou saber o que acontecerá com o bebê e a Mulher Esquilo.” Dominique pegou as revistas em quadrinhos antigas, com o maior cuidado do mundo.

Eu encomendei com seu Inácio e assim que ele entregou as minhas, eu estava louco para entregar as de Dominique. Ela era louca pela Squirrel Girl, e eu confesso que foi primeiro por influência minha toda essa loucura.

:- Nossa, revista em quadrinhos assim não vejo a um bom tempo, só eletrônica. Essa é de quando?

:- Dos anos 80. – Eu respondi.

:- Há quase 40 anos atrás? – as revistas são mais velhas que eu. Ela riu

assombrada. Agora vamos Poncho, antes que eu me atrase mais, Jessy já deve está louca.

:- Poncho? – a voz dela me fez parar ainda mais dela que ficou calada tanto tempo.

:- Sim.

:- Obrigada por ter achado, minha neta. – ela sorriu para mim.

:- Não por isso, não tem que agradecer, qualquer um teria feito o mesmo. – sorri, olhando para as três gerações ali presentes.

“Tchau, Poncho depois eu te mando sms.” Dominique deixou as revistas no sofá, e veio me abraçar. “Obrigada por ter me achado, e pelas revistas.” Ela sorriu.

“Não foi nada, pequenina.” Sorri para ela.

Acenei para as três me despedindo e meu olhar se focou em Dulce que me olhava ainda agradecida, por mais que ela não falasse e vê-la bem, assim como Dominique já fez tudo valer a pena.

Quando fui andar para encontrar Maite e sair da sala, encontrei seu olhar malicioso e sua boca reprimindo um sorriso também, tinha certeza que ela me zoaria pela cena que viu.

...

Dulce

... Deixa eu mimar você, adorar você, agora só agora, por que um dia eu sei vou ter que deixa-lo ir...

“O contraste está bom assim, niña?”

Ela apenas balançou a cabeça com os olhos azuis para fora estava toda coberta. E eu programei a tv para que desligasse assim que o filme acabar, tinha certeza que Dominique não ficaria acordada até o final.

Aquele foi um dia terrível, tudo o que aconteceu com ela, comigo. Acho que nunca passei tanto nervoso e aflição ao mesmo tempo. E o alívio inexplicável que me tomou quando vi Poncho entrar no camarim com ela nos braços.

E me surpreender quando ela de um momento para outro, graças à conversa com Maite, esquecer tudo que passou, como se realmente não tivesse acontecido.

Eu estava com tanta vontade de mimá-la e está com ela, que dispensei Cris e tranquilizei Man, que estava culpada pelo acontecido.

Depois da tv programada voltei para minha cama, onde ela estava deitada assistindo filme de algum desenho animado. Essa noite Dominique dormiria comigo, nada mais justo do que escutar meu coração que pedia isso.

“Nique?”

Algum tempo assistindo o filme com ela, não podia deixar de perguntá-la, e toquei seu braço mexendo o polegar, ela se virou sabendo que eu queria conversar.

“Oi.”

“Por que essa admiração, por ela de uma hora para outra?” Eu me referia a Squirrel Girl, e ela sabia por que sorriu com minha pergunta. “Ela não é muito famosa entre as heroínas, e dependendo do quadrinho nem tão bonita.”

Me lembrei de umas revistas em quadrinhos que eu andei dando uma folheada, a primeiras versões da personagem, não era uma das melhores. Como nos anos dois mil em diante.

“Não sei mamá, eu gosto dela. Mas, não sei porque.”

“Foi Poncho que apresentou ela para você?” Perguntei antes que ela se virasse para o filme.

“Foi mamá, ele também contou do seu apelido de esquila.” Ela riu brevemente, me fazendo rir também. “Já sei por que gosto dela.”

“Porque, me conta.”

“Por que ela gosta de esquilo, e sabe falar com eles, e por que ela me lembra você.”

“Eu? Mas, eu não pareço nada com ela.” Pensei na personagem fisicamente, até calda ela tinha, da onde Dominique tirou aquilo.

“Ah não sei, só sei que me lembra. Gosto quando ela fala com os esquilos. Sabia que ela até voar, voa?” Ela me contou como se fosse uma novidade. “Não com essas mochilas que estão vendendo que voam. Ela voa de verdade”

“Ah é, mais ela é uma heroína, ela pode voar.”

“Sim, mais ela não tem esse dom, mamá. No episódio ela voa com os esquilos voadores, ai ela me lembrou você, por que você tem uma música assim, não é? Eu lembro da letra.”

“Tenho sim, ela tem uma letra muito bonita.”

“Então deve ser por isso, que gosto da Squirrel Girl.” Ela parou de falar, e as mãos foram parar no rosto, ela estava pensando, já tinha esquecido total o filme. “E também gosto dela por que ela me salvou.”

Fiquei confusa, como uma personagem de história em quadrinhos poderia ter salvado Dominique, me lembrei da Man, comentando que Dominique tinha uma imaginação pior que a minha quando tinha a sua idade.

“Como assim Dominique?!”

“Na escola tinha a Angélica, que implicava comigo, ela sabia que eu sou surda e ficava me mandando bilhetinhos zombando de mim.” Prestei mais atenção no que Dominique me dizia, estava começando a ficar preocupada. “Eu não sabia o por que e nem Nicole e Francesca, sabiam.” Ela falou de suas amigas surdas que estudam com ela. “Ai eu descobri o por que.”

“Por que ela zomba de você?” Perguntei querendo saber tudo sobre aquela história.

“Por que sou sua filha.” Eu fiz uma careta, processando o que ela me dizia. “Que eu era filha de Dulce Maria e por isso eu era famosa, por que ela me via na tv, e todo mundo por isso gostava de mim.”

Então era por isso que Dominique tinha mudado de comportamento uma época atrás, eu estranhei quando ela mudou, mas ela voltou ao o que era antes então, não conversei com ela a esse respeito.

“Mamá, eu nem sabia o que era famosa, ela devia está confundindo com surda.” Ela fez uma cara confusa. “Eu pedi para ela parar com isso por que senão chamaria a Squirrel, para me salvar. Ai ela não sabia quem era, então emprestei meu quadrinho de papel para ela. Que não tinha visto antes, ela foi gostando das histórias e não zombou mais de mim.”

“Niña, por que não me contou isso antes, tem que me contar essas coisas, se ela não tivesse parado?”

“A Squirrel Girl, tinha me salvado. Oras” Me olhou revirando os olhos, certa do que dizia.

“Ok, mas se a Squirrel Girl estivesse ocupada salvando outra pessoa, quem te salvaria? Então deve me contar, para que eu te salve também. Oras.”

“Mamá, mais você também é minha heroína, só que você não tem poderes desses e não voa como ela, faz diferente. Assim como tio Pedro falou.”

“O que ele falou?”

“Que você voava, e também tinha poderes sobre as pessoas. Ou foi o que a vovó disse. Mamá como que faz para ter um exército, eu também quero um?” Ela me perguntou feliz com a ideia me fazendo rir.

“Pedro que te falou isso, ele estava certo eu voava de uma forma diferente, e o exército eram formado por meus fãs.”

“O que é fã?” Ela me perguntou.

“Pessoas que admiram tanto o seu trabalho quanto você como pessoa. Que compartilha o seu lado melhor com você, um amor intenso.”

“Eu também quero ter um exército de fã, mamá. Posso?”

“Pode Dominique, isso não vai demorar tanto do jeito que é talentosa para desenhar e tirar fotos, vai ganhar muitos fãs por ai.” Sorri para ela, man estava certa talento era de família.

Dominique começou a piscar lentamente, o sono estava se manifestando, mas a cada vez que ela abria os olhos lutava contra o sono. Eu ficava olhando para ela e fazendo cafuné no seu cabelo, totalmente ligada a ela compartilhando esse laço.

“Mamá?”

Ela me chamou depois de tirar a mão da minha orelha, ela tinha essa mania de ficar pegando nela antes de dormir, quando era bebê e sempre que dormia comigo, voltada com a mania.

“Sim.” Fiz um cafuné maior e ela fechou os olhos e demorou a abrir.

“Você e Poncho já namoraram?”

Parei o que eu fazia vendo ela me olhar e voltar a mexer com seus dedinhos na minha orelha ela só deixava quando falava alguma coisa, eu sabia no fundo que mais dia ou menos dia ela me perguntaria algo assim, na verdade com a amizade dela com Poncho, pensei que ele já tivesse deixado escapar algo. Mas, não ele sempre respeitou.

Então vem de novo aquela coisa, de menina curiosa e internet juntas não dava certo.

“Sim, Dominique, há muito tempo atrás. Bem antes de formamos a banda.” Ela abriu a boca surpresa.

“Mamá, por que você dizia que ele era seu irmão? Eu li numa entrevista. Namorado depois que termina vira irmão?”

“Não Dominique. Nós falávamos isso por que convivíamos feito irmão, na época da banda éramos uma família e nos dizíamos irmãos.”

“Ah, entendi. Ele era o seu príncipe encantado?” Ela se aproximou mais de mim. E eu voltei a fazer cafuné nela mesmo conversando em língua de sinais.

“Eu já cheguei a pensar que sim. Mas, na verdade não ele não era. Por que não existe príncipe encantado na vida real, Dominique. Só os sapos.”

“Não existe príncipe encantado?”

“Não, príncipes são pessoas perfeitas, e na vida real não existem pessoas perfeitas, só idealizações. E quando fazemos isso nos decepcionamos. Entendeu?”

Ela estava me olhando sonolenta, pensando no que eu disse.

“Entendi.” E eu ri negando, sabia que não tinha entendido pela cara que fez. “Estou com sono, mamá.”

“Então dorme bebê.”

Ela fechou os olhos e quando respiração começou a ficar mais calma e ela já deixava de mexer na minha orelha, ela me surpreendeu abrindo os olhos e se afastou para falar a conclusão que ela teve com toda a conversa.

“Mamá, então Poncho foi seu sapo encantado?” Ela não dormiria por mais sonolenta que estivesse se eu não respondesse.

“Meu esquilo encantado, Dominique.” Sorri para ela enquanto ela se virou para ficar de costas para mim.

Eu a abracei e ela colocou a mão sobre a minha que estava na sua cintura, agora sim ela dormiria.

... Que mais posso fazer só te olhar dormir, agora, só agora, correndo pelo campo antes de deixá-lo ir...

Hoje o meu esquilo encantado salvou minha pequena, e eu sequer o agradeci direito. Apesar de tudo, tinha momentos que eu não sabia como agir com ele, e estava com vontade imensa de abraçar Dominique e saber que tudo estava bem.

Pela reação que ela teve agora, até ela não se importaria se eu e Poncho voltássemos, já tenho recebido indiretas de várias pessoas, mas eu não sabia o que fazer. Fazia tanto tempo que eu não arriscava assim, no amor.

Eu olhei para a Tv que estava no final do filme, e ri quando apareceu a cena que Dominique comentou sobre a heroína dela voar com os esquilos, e voltei uma lembrança ainda maior de quando estávamos na Itália.

Dominique estava maiorzinha com dois anos e alguns meses, ela tinha uma audição ainda. E lembro-me de Man, está lá na Itália com a gente, Clara vivia vendo os desenhos dela e num daqueles tinha duendes e fadas, Dominique vendo aquilo.

Veio pedir para que eu a levasse num jardim por que ela fazer um pedido para os duendes.

Man me disse que eu passei por algo parecido quando eu era criança, diferente de mim. Dominique não queria um duende de verdade, e sim fazer um pedido. Nós a levamos num parque e demorou para que ela me contasse qual foi o seu pedido.

Me revelou quando tinha cinco anos, sem mais nem menos, um dia ela estava assistindo Dvd do Rbd, com línguas de sinais, na casa da avó dela na França e ela me chamou para assistimos juntas, e assim que acabou No pares, ela me contou que o pedido que ela tinha feito tinha se realizado.

O maior sonho dela, quando ela nem sabia que desejava, se tornou realidade.

“Qual foi esse sonho Dominique?”

“Escutar sua voz, mamá. Eu escutei sua voz cantando No pares para mim. Antes de ficar surda totalmente. Esse foi meu sonho realizado.”

Ela me fez chorar esse dia, me mostrando como algo tão simples e normal para muitas pessoas podia se torna inesquecível para ela. Abracei aquele pingo de anjo, que tinha me ensinado muito, me fez me tornar uma pessoa melhor. Ela era uma guerreira.

O que eu sentia por ela, sim era o verdadeiro amor, no estado mais incondicional que poderia existir.

Nada puede detenerte si tu tiene fe, no te quedes con tu nombre escrito en la pared, la pared. Si censuran tus ideas ten valor, no te rindas nunca, siempre alza la voz. Lucha fuerte y sin medidas, no dejes de creer. No pares, no pares no, no pares nunca de soñar, no pares, no pares no, no pares nunca de soñar, no tengas miedo a volar

Vive tu vida

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Notas finais
Citação musical final é da música No Pares, sugestão para que escutem e vejam é essa: https://www.youtube.com/watch?v=4uHed37QwGg Até próximo cap :)