Notas iniciais
Neste capítulo tem citação musical de Somo Aire, na versão de Mane de la Parra cantor mexicano. Aqui : https://www.youtube.com/watch?v=h0oowiGg748

Poncho

Es que es momento de encontrarte y decirte una vez mas, que somos viento y somos aire y los sueños que se van

:- É um projeto extremamente audacioso, como pode ver Poncho, atrevido. O que estou te propondo é uma oportunidade única. Veja bem...

Seguia escutando a voz de Pedro atento, de fato eu concordava com ele, mas queria entender além ainda.

:- Por que só agora? – peguei minha xícara de café e esperei um pouco antes de saboreá-la, fazia uma tarde muito agradável na cidade do México, o vento agradável vagava pelo bairro De la Condessa.

:- Demorou até para que tudo isso acontecesse, porém foi o óbvio. – Pedro voltou a chamar minha atenção. – A expansão e consolidação da internet, os canais virtuais se tornaram grandes potências e conquistaram o grande público, o conteúdo não se prendia somente ao México como também a toda América latina. O mundo todo pode ver novelas mexicanas, a qualquer momento pela internet.

Pedro me olhou sério contando toda a história.

:- Televisa, não deu o devido valor a esses concorrentes indiretos, e agora tem que correr atrás se não entrara numa crise sem tamanho mesmo com suas cartas nas mangas, e parte desse processo é o que eu venho lhe oferecer. – Por fim sorriu simpático usando toda sua lábia para me convencer, não que precisasse de muito. Entretanto é sempre bom ter o ego acariciado.

:- E você produzindo e fazendo novela? – eu pensei nos projetos que ele já realizou, reality shows de vários formatos e séries distintas também, mas novela ele não fazia.

:- Sabe como é esse meio, tudo tão interligado e me fascina aprender e fazer algo novo, eu gosto de desafios e que maior desafio quanto uma novela?!

:- E por que eu? – disse e ele me olhou assombrado.

:- Como você? Meu pupilo ora essa. – e depois riu antes de ficar sério novamente. – É muito importante que você aceite esse projeto, Poncho, por que caso contrário ele não vingará.

E agora foi minha vez de ficar assustado, estamos falando de trabalho e principalmente de um projeto muito importante.

:- Ok, sendo sincero ele ocorrerá sim, até por que já assinei um contrato, porém sabe que gosto de trabalhar com os melhores e mais talentosos atores, e entre eles, está você, Poncho.

:- Depois dessa pressão toda, não posso fazer nada além de... – Fiz uma careta de propósito, para ele pensar que o contrário que devia, e num impulso decidi. – Aceitar. – Sorri depois de dizer e gargalhei com a cara do Torres.

:- Menino, por um momento pensei que tinha gastado minha saliva por mais de duas horas a toa. Não assuste assim o careca, sabe que não posso viver tantas emoções assim, não tenho mais coração para isso. – ele riu passando a mão pelo peito esquerdo e depois pegar sua bebida para tomar.

:- Que bobagem está muito bem de saúde cuida muito bem dela. E tampouco sou menino. – ri terminando meu café.

:- Então, estamos acertados, você participará do novo projeto de Televisa?! – Ele sorriu feliz. – Apertei os lábios um no outro antes de sorrir também feliz por ter um novo e agradável trabalho em frente.

:- Ótimo, deixa eu apenas mandar uma mensagem aqui... – Ele pegou seu celular e rapidamente digitou algo e deixou o celular de lado, enviando. – Bom, tem alguns detalhes que precisa saber que eu omitir por um momento.

:- Detalhes? Que tipo de detalhes? – cruzei os braços no peito e me apoiei na mesa.

:- Alguns precisam ser definidos, como outros atores e atrizes que formaram o elenco, o nome da novela e entre outras questões que não faz parte do seu trabalho. – Ele fez uma careta, por fazer parte do dele e eu sorri por conta disso. – Mas, eu mencionei o quanto esse projeto é importante e Televisa está investindo e contando com o sucesso pelo país. Por isso não estou sozinho, lhe mencionei que tenho um parceiro, verdade?

:- Sim, que esqueci até de perguntar quem é? Afinal sei que gosta de trabalhar sozinho.

:- Pois é, mas esse caso vale a pena. – ele se interrompeu por que a mensagem foi respondida. Ele olhou o celular e balançou indicando que falava justamente com o seu parceiro. – Então, como dizia, meu parceiro é um completo desconhecido seu, não deve conhecer um xará meu, um tal de...Pedro Damián? Conhece?

:- Uau! – arregalei os olhos em surpresa – Pedro? Ele aceitou trabalhar numa novela novamente? – e depois que Torres assentiu, abri a boca em surpresa. – Isso é maravilhoso, tanto tempo Pedro está afastado das novelas. Será um retorno e tanto.

Talvez aquele fosse o primeiro momento que me dei conta da magnitude do novo projeto da Televisa, estavam investindo pesado mesmo. Imagine só uma novela que mudaria os conceitos tradicionalistas da Televisa será feita, além do mais sendo uma parceira com nada mesmo que Pedro Torres e Pedro Damián? Não daria nada mais, nada menos que sucesso mesmo, e já me sentia orgulhoso de formar parte de tudo isso.

:- Veja só! – Ele me estendeu o celular e mostrou as mensagens trocadas entre eles, em visualização de bate papo, — Que maravilha, parabéns. Acabei de finalizar minha parte e segunda começaremos com tudo. – Li em voz alta o que Damián escreveu e olhei para Torres. – Qual é a parte dele? – perguntei curioso.

:- Surpresa. Tanto para você quanto para mim. Na verdade, ficamos encarregados de conseguir os atores e atrizes que queríamos para os protagonistas, porém nem eu e nem ele sabemos qual cada um foi atrás.

:- Então ele só sabe que você conseguiu um ator novo? Mas, não sabe que sou eu?

:- Exato, mas acho que é meio obvio que viria atrás de você. Sabemos o quanto sou teimoso. – E ele riu me deixando sem graça.

Fazia muitos anos que eu não fazia novelas, meu trabalho mesmo se resumia a filmes e séries. Meu contrato com a Televisa terminou, então as séries se tornaram quase nulas, os filmes dominaram minha carreira.

Eu fui levando a maneira que me convinha melhor, que me amadurecesse como ator, e na verdade esse afastamento foi quase inconsciente de acordo com os anos. Fora esse último ano que eu passei me dedicando a minha outra paixão, a aviação. Estava completamente sumido mesmo.

Voltar agora depois de muito tempo e quando já me cobravam pela saudade que tinham de me ver na televisão, seria um bom momento.

E novamente soprou um vento na mesa do restaurante onde estávamos, mas dessa vez mais gelado e eu sorri, agradecendo e mostrando que não deixei essa oportunidade escapar. Deixei meus pensamentos e lembranças de lado quando vi Torres receber outra mensagem.

:- Novamente o Pedro? – lhe questionei.

:- Não dessa vez é minha neta. Devo me desculpar Poncho, mas se não se importa tenho outro compromisso.

:- Que isso de maneira nenhuma, eu também tenho que ir para casa agora, tenho muito que estudar. Sabe como é tenho um personagem para encarar logo mais. – sorri o vendo chamar a garçonete.

:- Desejam mais alguma coisa? – ela veio simpática.

:- Não, obrigada. Na verdade vamos fechar a conta. – ele falou com ela. – Vamos até o caixa? Ou ficará mais algum tempo aqui, estudando? – ele abriu um sorriso.

:- Vamos ao caixa. – me levantei pegando todos os papéis da mesa e fui os seguindo para nos dirigirmos ao caixa. Chegando lá, deixei Pedro ir à frente pela sua presa.

:- Desculpe os modos, Poncho. Eu me esqueci completamente a apresentação de Rosa, minha neta. – ele esperava encostado no balcão, o seu cartão de crédito.

:- Não tem problema, Pedro, vamos ter muito tempo para conversamos. Trabalho é o que não vai faltar, até por que depois que as gravações começaram você não vai ter tempo para vida familiar como sabe! – sorri gentil.

:- Nem me fale, não sabe quantas vezes eu pensei em aposentar, mas meu amor pela arte, pela ficção é tão grande que estarei envolvido nesse meio até que me expulsem. – ele falou sonhador, eu também compartilhava desse amor pela profissão, não tem algo melhor do que trabalhar por amor. E aquele era nosso caso.

:- Aqui senhor, tudo certo. Volte sempre. – o funcionário entregou a fatura a Pedro, que de tão afobado mal a olhou e já jogou na carteira.

:- Poncho, nos vemos na segunda, para assinar o contrato. – ele se aproximou para me abraçar e se despedir, — Mais uma vez obrigado, por aceitar mais essa, sabe que sem você não seria o mesmo. E bem vindo novamente.

:- Obrigado a você por acreditar em mim. Eu que agradeço, nos vemos, segunda! Agora vá antes que Rosa, arranque seus cabelos. – ri da minha piada sem graça.

:- Nesse quesito tenho sorte por ser careca. – ele foi embora rindo.

:- Por favor, acrescente mais um cappuccino com creme a minha conta antes de fechá-la? Levarei para a viagem. – Fiz meu pedido que foi gentilmente atendido.

:- Senhor aqui está seu pedido e sua fatura. – Agradeci antes de sair do restaurante com uma pasta na mão, e o cappuccino em outra, e fui caminhando para casa.

Esse foi um dos privilégios que os anos concederam no bairro, muita coisa foi realizada, construções foram destruídas, edifícios levantados, museus reformados, mais restaurantes apareceram. O fato é que depois do Panamericano feito aqui à cidade da abertura mudou para melhor e isso mudou e melhorou a vida de muita gente, eu comprovava olhando as pessoas, os lugares enquanto voltava para casa.

Yo solo quiero imaginarte, tan solo una vez mas, pues todo lo de mas se va. Como los años que se han quedado atrás

Acabei meu cappuccino e joguei a embalagem num dos vários cestos de lixo recicláveis espalhados, pelo bairro.

:- Bom fim de tarde senhor Inácio. – Cumprimentei gentil o senhor, dono da banca de jornal, fazia isso sempre que podia ou passava por ali.

:- Boa Tarde, Poncho. – ele me sorriu sempre simpático – Levará algo hoje? Saiu uma edição especial do caderno de esportes, sobre os maiores times da capital. – Ele me mostrou o jornal.

:- Vou levar sim, e como está Constância, ainda implica com o senhor pelo seu horário de trabalho? – ri ao me lembrar da Dona Constância, mulher dele que sempre que me via reclamava do marido, eles formavam um raro casal de velhinhos que estão casados há anos e anos.

Eu poderia ter escutado o que Senhor Inácio contava, provavelmente mais uma história boa da sua vida de casado, mas meus olhos estavam totalmente focados nas manchetes de praticamente todas as revistas e alguns jornais, dos principais da cidade, e meus olhos não acreditavam no que viam.

Tanto que me aproximei instintivamente e peguei algumas para ler melhor, e teve aquele momento que tudo parou. Eu só conseguia passar os olhos rápidos pelas manchetes, por mais que elas só dissessem a mesma coisa no fim das contas ou davam o mesmo destaque.

A volta de Dulce Maria!

Dulce Maria volta para seu país!

Veja detalhes e fotos exclusivas da volta de Dulce Maria.

Quem será o moreno misterioso que acompanhava, a bela morena, desembarcando no país?

:- Poncho? Poncho, você está me ouvindo? – como um estalo da realidade eu voltei, escutando seu Inácio me olhar estranho.

:- Oh, me desculpe. Eu me distraí.

:- Eu percebi, depois meus netos reclamam que eu tenho problemas de audição. – Ele parou de falar quando eu de novo não prestava mais atenção. – Poncho?

:- Sim. – respondi olhando para ele brevemente e voltando a ler as manchetes pela oitava vez só naquele instante.

:- Quer levar as revistas? Tudo bem. Mas, não precisa amassá-las.

Balancei a cabeça desnorteado, só me dando conta do que estava fazendo, eu estava realmente amaçando as revistas, e depois me veio a vergonha pelo meu estado.

:- Eu... eu, — comecei gaguejando e passei uma mão na cabeça nervoso, senti falta do meu cabelo grande por um momento, mas só senti os fios pequenos me espertarem.

Dei um passo para trás cambaleando, vendo a foto da Dulce andando no aeroporto, com óculos no rosto e os cabelos preços em um coque, roupa simples jeans e camiseta, mas ela estava linda.

:- Poncho estou começando a ficar preocupado com o seu estado, esta suando. – Inácio se aproximou colocando a mão na minha testa.

:- Não sei o que deu em mim. Não se preocupe, já passou. – eu tentei disfarçar as reações que eu tive. – Vou levar as revistas também.

:- Se você diz, tem certeza que está tudo bem? – ele colocou tudo numa sacola feita de papel, enquanto eu pegava minha carteira atrás do meu jeans. Puxei uma nota qualquer e lhe entregando.

:- Obrigado, Inácio aqui está. Pode ficar com o troco. Agora deixe-me ir. – eu peguei a sacola e fui andando.

:- Poncho espere, essa pasta é sua? – levantei meus braços e percebi a ausência da pasta, onde estavam todos os papeis que eu precisava estudar para minha nova personagem. Céus, onde eu estava com a cabeça?

:- Que pressa, vai com calma. – ele riu do meu jeito. E me devolveu a pasta. – Obrigado, até mais ver, Seu Inácio.

Apesar de ser um curto caminho até minha casa, eu não sei como conseguir chegar lá, quando fui me dar conta já estava parado em frente a minha porta e buscando minhas chaves.

Entrei e logo deixei a pasta no sofá e fui tirando meu tênis, peguei todas as revistas e comecei a ler as primeiras, mas nenhuma falava muito era mais especulações do que outra coisa. Em resumo, não sabem o por que de Dulce ter voltado apenas tem as fotos e mil e uma suposições.

E me levantei frustrado minha cabeça trabalhava fervorosamente, tanto tempo, tantos anos sem nos vermos. Sem sequer um contato, e sempre a mesma reação quando ela aparecia, sempre a mesma frustração quando ela desaparecia.

Eu precisava de mais notícias, de saber algo a mais do que estava na revista, minha dúvida foi se acessava a internet ou se ligava a tv. Decidi pelo meio mais rápido naquele instante.

Passei os olhos pela sala em busca do controle remoto.

Se tinha algo que seria mais rápido que o Google, eram os fofoqueiros da Televisa. Com certeza, a maioria dos programas de fofoca devia está falando sobre ela.

Quando achei o controle logo liguei a tv, não precisei fazer uma busca de canais o primeiro que apareceu já estava no assunto do momento. A volta de Dulce.

E sentei no sofá aumentando o volume.

:- Acabamos de descobrir o motivo da volta de Dulce, sim para você que está nos acompanhado. Temos uma quentíssima. – a apresentadora falava olhando para a câmera, e eu me arrepiei, tinha aversão a esses tipos de programa. – Dulce Maria voltou e por que será a protagonista da nova novela de Pedro Damian.

Ainda bem que eu estava sentado. Por que se tivesse em pé teria caído duro no chão. Dulce voltou por Pedro? Isso queria dizer que... Ela era a surpresa dele?

:- Meu Deus! – e todas as peças formavam um quebra-cabeça, já resolvido. – Eu e Dulce seríamos a nova ou seria velha, aposta da Televisa.

Mal conseguia digerir a informação quando veio outra bomba, sendo acesa e estourada pelos apresentadores do programa.

:- Agora vamos ver o vídeo da chegada da Dulce Maria. – A matéria começou a rolar e o repórter estava narrando. – Para nós, foi uma tremenda surpresa está no aeroporto e damos de cara com Dulce. – e apareceram as imagens dela saindo pelo portão de desembarque, à medida que Dulce passava meu coração acelerava mesmo depois de tanto tempo.

:- A Bela apesar de acenar nos cumprimentando, não falou com a imprensa. – e veio a cena narrada que mais me chocou. – Dulce, veio acompanhada da irmã e seu cunhado que moram no estrangeiro, mas para a surpresa de todos, após cumprimentar sua família que ali esperavam. Ela foi embora com uma menina nos braços. – e as imagens mostraram Dulce com uma pequena nos braços, a criança era linda. – E quando Dulce, veio em direção do seu carro, conseguimos gravar a única frase que bela morena falou.

:- Cuidado, con mi niña. – Dulce falou preocupada, a câmera virou e dava para ver a muralha que a imprensa fazia a sua volta, Dulce carregava a menina com zelo, a pequena apenas olhava para todos curiosa com o dedo na boca e parecia alheira a tudo.

:- Após sua entrada no carro, Dulce Maria e seus familiares, foram embora e sem dar sequer declarações. Eu sou Juan Antônio diretamente do aeroporto da Cidade do México, e lhes pergunto quem seria a menina que Dulce segurava nos braços? – e veio o fim da matéria.

E não deixaram tempo de sequer respirarmos, acenderam a bomba, para comentar os pedaços ou partes feridas.

:- Pois agora temos a resposta para suas perguntas. – a mesma apresentadora voltou a falar. – A menina que Dulce carregava, não se trata nada mais, nada menos que sua filha. – E mesmo surpreso com tinha acabado de escutar, seguia ouvindo as apresentadoras. – Segundo nossa fonte a pequena é filha de Dulce. – Olha, mas é uma criança bonita, essa hein. – outra apresentadora cortou a primeira e depois começou uma falando em cima da outra. – Mas onde será que está o pai dela hein?

Por um momento senti raiva, pelo olhar de malícia que as apresentadoras tinham, e peguei o controle novamente para desligar a tv, além de já saber o que eu queria, não teria paciência para escutar comentários maldosos. Pouco antes de desligar, mostraram uma foto de Dulce com a pequena nos braços, a pequena era linda mesmo.

:- E como imagina que ela vai ser? – perguntei olhando para ela.

:- Minha filha? – ela sorriu.

:- Sim.

:- Braquinha, loira e olhos azuis. – seu olhar ficou diferente – Ah, não sei, já sonhei várias vezes com ela assim. Mas, na verdade eu não tenho preferência.

:- Tem certeza? – eu ri e ela me olhou levantando as sobrancelhas. — Se vier menino? – e dessa vez eu ri da cara que ela fez, ficando vermelha, e eu sabia que não era pela maquiagem que usava.

Ela não me respondeu, talvez por que a porta do elevador se abriu e saímos abraçados para encontrar com os outros.

:- Pedro, o casal chegou já podemos ir. – Christopher gritou com a mão na boca indicando um megafone.

Depois de alguns minutos Oso veio nos chamar.

:- Bebê, vou na janela. – Anahí falou com Christopher.

Dei uma olhada neles, Christopher cedeu o lugar para Any, não sem antes de implicar com ela bagunçando seu cabelo. Maite e Christian estavam tão envolvidos numa conversa sobre não sei o que, que também sentaram juntos. Puxei então Dulce para sentarmos nos primeiros lugares.

:- Então quem vai ser o pai da criança? – voltei ao assunto bom tempo depois. – Dulce voltou de seu mundo distante e me olhou sem entender. – Por que um bebê com essas características não posso te dar, no máximo um com uns olhos claros. – arregalei os olhos para ela.

:- Não sei quem vai ser o pai da criança, já disse que não tenho preferência. – ela riu e eu fiz careta. – Mas, se algum dia eu tivesse um filho com você, queria que tivessem seus olhos. – ela se levantou mais do meu abraço e olhava meus olhos. – Verdes com café. – e ela riu da definição.

Dessa vez eu não pude responder, por que Maite chamou a atenção de Dulce para algo de sua conversa e quando nos demos conta todos estavam fazendo o mesmo, enquanto a van seguia seu caminho em direção do local do show.

Balancei a cabeça tirando a lembrança, olhando a foto da pequena na tv. Era exatamente como Dulce tinha me descrito como a imaginava. Branquinha, com uns olhos azuis impressionantes, expressivos e grandes, aqueles que chamam atenção em qualquer lugar. O cabelo loiro claro, levemente branco.

Eu fui até uma instante de livro e peguei uma caixa de madeira antiga, lembrava um pequeno baú, ganhei de Melissa em uma de nossas viagens. Voltei para o centro da sala me sentando no tapete e me encostando no sofá pegando algumas fotografias antigas que guardava ali, e soltei alguns sorrisos apenas eu tinha aquelas fotos.

E ao ver fotos minha e dela, só dela, de classe, da banda de uma época que não volta mais; ver as fotos das revistas de sua volta, uma foto que não tinha visto dela carregando a filha antes de entrar no carro, e ver a pasta onde guardada todos os dados da minha futura personagem.

A realidade veio como um baque na minha cabeça. O presente e o passado se cruzavam na minha mente. Se eu sou o protagonista de Torres e Dulce a protagonista de Damián. Então...

Dulce e eu nos veremos na próxima segunda.

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Notas finais
Eita! O que será que vai rolar?