Nada é real até que se acabe
13 Noite única
Notas iniciais
“Put your arms around me
What you feel is what you are
And what you are is beautiful”
“Coloque seus braços em volta de mim
O que você sente é o que você é
E o que você é, é lindo.”
Sentia as mãos dele subindo por suas costas, chegando aos seus ombros. Não sabia se era sua mente que pregava peças, mas podia jurar que tudo entre os dois estava em perfeita sintonia. Os lábios, os toques, as respirações. Tudo parecia envolver apenas os dois, os sons externos não chegavam até eles. Os dedos liam os traços dele – a musculatura do ombro, a nuca, os fios finos de cabelo entre os dedos. Num lapso de momento a racionalidade chegou até ela, que interrompeu o beijo de repente, afastando-se. Ao abrir os olhos, encontrou os dele.
— Eu.... Eu não.... Me desculpe, eu não deveria-
— Ei, se acalma, você não tem que pedir desculpas! – Naruto sorriu. Suas mãos seguraram o rosto da morena, que corava violentamente. Ele a olhava, profundamente. – Você é linda demais, sabia?
Hinata escondeu seu rosto no ombro dele, envergonhada, enquanto ele ria. Sentiu quando ele a puxou para um abraço, ainda rindo. O perfume dele era cítrico, confortante. Ele a abraçava, aumentando o contato dos dois. A noite parecia esfriar e Hinata agradeceu por estar entre os aqueles braços, pois pouco sentia o vento frio. Ele se afastou um pouco, de costas para a vista, apoiando seu corpo na grade, ficando de frente a Hinata. Abaixou um pouco suas pernas, esticando-as para frente para ficar na altura dela e em seguida a puxou pelo braço, deixando-a entre as suas pernas, colocando-a num abraço. Ainda sem reação, sorriu quando ele segurou seu rosto entre as mãos, encostando seu nariz no dela, de olhos fechados.
Não era afobado, apressado, diferente de como ele sempre se apresentou ser. Era leve, intuitivo. Seus dedos a tocavam devagar, assim como os lábios. Ele beijou sua face, depois a testa e por último os lábios. Começou lento, mas não demorou para o beijo ser aprofundado quando o abraço entre os dois forçava os corpos a se juntarem ainda mais. As mãos dele desciam até seu quadril e subiam na cintura. Ele era inteiro inebriante. Já sentia falta dos toques mesmo tendo-os ali. Afastaram-se, a procura de ar, mas Naruto logo lhe deu abrigo, não a deixando escapar. Ele tocava seu rosto, as bochechas, o queixo.
— Nós temos muito que conversar, Hina. Eu tenho muita coisa para te contar e só temos três dias.
A morena se afastou alguns centímetros, encarando-o.
— Você está contando os dias para eu ir embora?
Naruto sorriu, ficando ainda mais charmoso.
— Não. Por mim você nunca mais saía daqui. – Ele lhe deu um selinho. – É por planejamento, entende? É um prazo apertado.
Hinata apertou os lábios.
— E depois que o prazo acabar?
Ele respirou fundo.
— Eu tenho alguns planos. Convencer você de não sair mais daqui é um deles.
— Não sei dizer se Konoha é um lar para mim.
— Eu não estou falando de Konoha. – Ele a olhou nos olhos. – Eu estou falando de mim. Eu não quero que você saia do meu lado, entende? A distância física a gente dá um jeito.
O olhar dele era fixo. Naruto não piscou. Hinata riu, sem humor algum.
— É mais bonito na teoria do que na prática.
Ele a beijou mais uma vez.
— Não vamos pensar nisso agora, tudo bem? – Ela concordou. – Aproveitando o tempo que ainda temos, o que acha de um jantar no meu apartamento? – Entre uma frase e outra ele a beijava. – Eu preciso te provar que não vivo só de comida instantânea.
Hinata corou e riu. No meio do riso, de repente, ele a beijou, surpreendo-a. Ela retribuiu.
— Você é maravilhosa.
— Obrigada. – Não sabia como, mas ainda se sentia tímida. – Me fale mais sobre esse jantar.
— Ah é. Voltando. – Sorriu. Os olhos dele brilhavam. – Preciso te levar a um encontro de verdade. Não vai ser em um restaurante chique, mas vai ser legal, te garanto. Você aceita?
— Aceito. Fique tranquilo porque na verdade nós temos cinco dias. – A expressão de surpresa dele era linda. – Adiei minha volta para estar na abertura da clínica de Kiba.
O sorriso que ele deu eliminou o último resquício de Hinata para tentar resistir. Tudo a atraía.
— Essa era a melhor notícia que eu poderia ter.
Os dois continuaram ali, por bastante tempo, entre beijos e carícias. Quando o horário já avançava a madrugada, Hinata pediu que ele a levasse para a casa de seu pai. No caminho ele sempre alcançava seus dedos até os dela. A Hyuuga retribuía, dando a mão para ele.
Seus olhos se encontraram assim que o carro parou. Ela abriu a boca para falar algo, mas ele roubou um beijo, rapidamente.
— Eu não consigo parar te beijar!
Ela sorriu, encabulada.
— Então nos vemos depois de amanhã, certo?
— Sim. – Ele lhe deu outro beijo rápido. – Eu venho te buscar.
— Combinado.
Naruto sorriu, beijando-a. Dessa vez um beijo mais profundo, íntimo. As mãos dele foram até seus braços. Hinata o abraçou em seguida. A única coisa que mantinha uma certa distância um do outro era o câmbio do carro. Ela interrompeu o beijo, encarando-o. Ele sorriu.
— Você tem um sorriso muito bonito.
— Sei que é brega dizer que você é o motivo, mas é verdade.
Trocaram alguns beijos rápidos.
— Boa noite, Naruto.
— Boa noite, Hina.
O sorriso dele era brando, sincero.
Entrou rapidamente na casa. Sabia que sua face provavelmente estava corada, que tudo nela sorria. Sentia seu coração batendo forte, descompassado.
No dia seguinte Hinata acordou com uma fresta de sua cortina aberta, em que a luz do sol acabava batendo em seus olhos. Espreguiçou-se, demoradamente. Alcançou seu celular no criado mudo e sorriu. Havia recebido diversas mensagens de Naruto, que ele lhe enviara ainda de madrugada.
Naruto Uzumaki: Esqueci de perguntar
Naruto Uzumaki: Do que vc gosta de comer? Tem alguma preferência?
Ela visualizou e decidiu pensar melhor no que responder. Porém, outra mensagem lhe chamou a atenção. Era de Toneri. Abriu, decidindo conversar com ele sinceramente sobre os últimos acontecimentos. Ele a chamava para outro encontro, à noite, em algum lugar que ela nunca ouvira falar.
Hinata: Podemos sair para um café amanhã à tarde. Pode ser?
Toneri visualizou e não respondeu.
Ao descer as escadas e ir tomar seu café-da-manhã, encontrou seu pai e sua irmã já sentados à mesa. Desejou bom dia a todos e o silêncio que se seguiu não disfarçou os olhares de seu pai e Hanabi a ela. Voltou o olhar a eles esperando o que queriam dizer. O sorriso de Hanabi não passou despercebido.
— Então Hina, conte como foi sua noite ontem.
A mais velha tomou um gole de seu chá, observando sua irmã.
— Foi tudo bem, Hanabi.
— Mas rolou beijo? Vocês se declararam um para o outro?
De repente, sentiu seu rosto todo queimar.
— Deixe sua irmã, Hanabi! – Seu pai disse, sem a olhar.
— Vai fingir que não tá curioso, pai? A mim você não engana! – Hanabi se inclinou à mesa, encarando sua irmã. – Vamos Hina, nos conte! Como foi? Ele te tratou bem? Vocês vão se ver de novo?
Ainda corada viu quando os olhos de seu pai também a olhavam, com atenção, esperando-a responder.
— Está bem. – Sentiu seu rosto esquentar mais uma vez. – Naruto é alguém muito especial. Nós conversamos muito e.... – Olhou para seu pai. – Eu realmente acredito que ele vá ganhar essa eleição.
A Hyuuga mais nova revirou os olhos.
— Não foi isso que eu perguntei.
— Eu também desconfio. – Hiashi disse, voltando sua atenção totalmente a Hinata. – Ele é um candidato muito forte aqui em Konoha.
— No evento de ontem havia bastante gente o apoiando.
— Mas ainda assim, ele deve prestar atenção a sua volta. Os outros candidatos também têm ótimos apoiadores. – Hiashi disse, desdenhoso. – Hoje, por exemplo, soube que os Ootsutsuki estarão apoiando Danzou na candidatura.
Hinata olhou para seu pai pasma.
— Toneri? – Hanabi disse, tão surpresa quanto.
— Sim. – Hiashi tomou um gole de seu chá. – Ele me enviou um relatório também me convidando a apoiá-lo. Disse que por motivos econômicos teremos mais vantagens com ele sendo Hokage. Mas eu duvido dos seus reais motivos.
— O senhor vai apoiar Danzou?
Hinata não hesitou em perguntar.
— Não. Não pretendo apoiar ninguém, não quero me envolver nisso. As empresas Hyuuga não participarão dessas manobras políticas.
De repente, perdera a fome. Pediu licença e voltou ao seu quarto.
Caminhava de um lado para outro, sem saber como agir ou pensar. Pegou seu celular ao lado de sua conta, procurou pelo contato e hesitou por alguns milésimos de segundo se iria ligar para aquele número ou não. Sem pensar mais, clicou no nome. Não demorou para atender.
— Hinata.
— Toneri, podemos conversar? – Ela se sentou a sua cama, nervosa.
— Você não precisa se dar ao trabalho. Eu já sei.
— Do que está falando?
— Eu sei que você esteve com ele. Não precisa se dar ao trabalho de se explicar para mim.
Hinata respirou fundo.
— Eu não estou te ligando para isso. É verdade que está apoiando a candidatura de Danzou?
Ela ouviu um riso ao fundo.
— Por que está fazendo isso?
— Você é ingênua. Se deixa enganar por ele quantas vezes-
— Chega, Toneri. Chega. O que está fazendo é um jogo sujo!
— Eu vou provar a você que estou certo e você vai me agradecer.
Sentia um bolo em sua garganta, seu coração acelerado. Terminou a ligação, sem despedidas. As palavras dele a incomodavam, enchiam sua cabeça com inseguranças. Teria que aprender a ignorá-lo.
—/-
Ao se sentar à mesa do restaurante escolhido por suas amigas, a primeira coisa que reparou foram os olhares de Sakura e Ino, que por coincidência era o mesmo olhar de sua irmã mais cedo. Todas se cumprimentaram, trocando alguns elogios e não demoraram para fazerem seus pedidos.
— Vocês estão bem? – Hinata disse, atenciosa.
— Estamos ótimas e curiosíssimas para saber como foi sua noite!
Ino estava mais animada que o normal. Hinata apenas sorriu de volta.
— E eu quero saber dos detalhes porque já sei o que aconteceu!
Hinata olhou para Sakura, sem entender.
— Sabe?
— Sim. Naruto sabia que eu estava de plantão e ficou me mandando mensagens me contando como a noite dele foi mágica. – Hinata enrusbeceu. Viu quando Sakura pegou seu celular e desbloqueou. – Ouve só, a primeira mensagem que me mandou foi “eu tive uma das melhores noites da minha vida” em caps lock, seguido por um monte de exclamação. Depois me mandou outras mensagens, mas eu quero ouvir a sua versão.
A Hyuuga sorriu, corada.
— Parece que ela gostou da noite tanto quanto ele, Sakura!
Hinata respirou fundo, fugindo dos olhares curiosos de suas amigas
— Foi tudo leve, lindo. Foi... – Ela parou por um momento, sorrindo. – Foi uma noite maravilhosa. Nós nos beijamos.
Nenhuma das duas disfarçaram os olhares satisfeitos. Hinata continuava a sorrir, envergonhada.
— E quando vocês vão se ver de novo?
— Vamos nos ver amanhã. Ele irá fazer um jantar para nós dois.
A loira não se aguentou.
— Então amanhã teremos o pacote completo!
— Ino! – Sakura lhe deu uma cotovelada. – Fale baixo!
A Hyuuga não entendeu de primeiro momento o que sua amiga quis dizer. Depois de alguns segundos ela percebeu ao que se referia. Hinata vai estar na casa dele. Os dois sozinhos. À noite. Sakura percebeu o silêncio repentino de sua amiga e o olhar dela.
— Hina. – Tocou a mão da morena, chamando sua atenção. – Você não tinha pensado nisso?
Sentiu seu rosto esquentar mais uma vez.
— Passou pela minha cabeça, mas.... Mas eu não pensei muito a respeito.
— Hina, você.... – Ino hesitou quando viu o olhar de Sakura. – Você já...?
O silêncio que se seguiu fez Hinata se envergonhar ainda mais. Ela nunca havia contado as suas amigas sobre qualquer experiência sexual que tivesse.
— Se você não quiser falar, não tem problema.
— Não Sakura, é que... – Hinata respirou fundo, ainda tímida. – Eu já tive alguns encontros. Bem poucos. Mas nenhum deles nós chegamos a....
Hinata tinha dificuldade em finalizar seus próprios pensamentos.
— Calma Hina, relaxa. Você não precisa se preocupar com isso. – Sakura apertou sua mão, olhando carinhosamente. – Só irá acontecer aquilo que você quiser que aconteça.
Ino também sorria complacente a ela.
Hinata retribuiu o sorriu a suas amigas. No entanto, ainda se sentia nervosa. Não apenas pelo o que podia acontecer no dia seguinte – mas também pelos seus sentimentos, pelo rumo que a história estava tomando, levando-a a lugares desconhecidos, pelos mesmos caminhos sendo cruzados novamente.
—/-
“Seus olhos não perderam a figura de Sakura fechando seu armário, colocando um livro próximo ao peito e se afastando no meio de outros alunos que perambulavam por ali. Naruto correu até ela, chamando-a, que parecia ter escolhido ignorá-lo. Alcançou sua amiga que continuava caminhando.
— Espera, Sakura-chan! Não tá ouvindo eu te chamar?
— Tô, mas também estou com pressa. – Ela parou e se virou a ele. – O que quer?
— Eu.... Eu sei que não tenho direito de te pedir nada, mas eu preciso de sua ajuda.
Sakura suspirou alto.
— Como você mesmo disse, você não tem direito de me pedir nada.
A Haruno voltou a andar e Naruto decidiu andar ao lado dela.
— Hinata não fala comigo, não olha na minha cara! Daqui há duas semanas nós vamos nos formar e essa é a última chance que eu tenho de me redimir!
Sakura franziu a testa, virando para seu amigo, com um olhar duro.
— A culpa disso tudo é sua! Quer que eu faça o quê? Arraste ela até você?
— Não Sakura, claro que não! – Percebeu que falava alto ao ver outros alunos observando os dois. – Iruka me convidou para ser o orador da turma. E... E eu quero agradecer a ela. Eu consegui passar nas matérias por causa dela.
O olhar dele comoveu Sakura. Ela suspirou alto.
— O que quer que eu faça?
Naruto sorriu.
— Ela vai saber que eu serei o orador da nossa turma e pode ser que por isso ela não vá querer ir na colação. Só queria que você fizesse com que ela estivesse lá.
— Tá. – Ele a abraçou, apertado. – Mas eu não prometo nada!
—Valeu Sakura-chan!
Sakura não fazia ideia do que iria fazer para convencer Hinata, porém sabia que iria fazer o seu melhor. ”
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