Nada é real até que se acabe
7 Culpa
Notas iniciais
“And I tried my best
Cross my fingers for the rest
And I will find a way somehow
To be more than photos to you now
I blame myself
For when I was someone else.”
“E eu tentei o meu melhor
Cruzo os dedos para o resto
E eu vou encontrar uma maneira, de alguma forma
Para ser mais do que fotos para você agora
Eu me culpo
Por quando eu era outra pessoa.”
"Shion era realmente atraente. Tinha os olhos claros, em tom lilás, os cabelos longos e loiros e desenvolvera o corpo cedo. Estava no auge de sua adolescência. A sua expressão era de tédio, de braços cruzados, enquanto Tsunade, Shizune, Sakura e Naruto a olhavam, de forma acusadora. A loira respirou fundo, soltando o ar forçadamente.
— Eu já disse que não fiz nada!
— Shion, isso é muito sério. Se está escondendo alguma coisa, você deve falar!
Ela olhou para Naruto, rapidamente. A expressão dele estava preocupada, beirando o desespero. Ela voltou seu olhar a Tsunade, respondendo-a novamente.
— Por que eu faria isso? Para ser conhecida como a corna da escola? Depois de toda essa confusão eu aposto que a escola inteira vai achar que Naruto e Hinata têm alguma coisa! Quem vai sair humilhada serei eu!
Sakura fez questão de aparecer na frente dela, ainda raivosa.
— Só pode ter sido você ou o Naruto!
— Ela já disse que não fez nada, Sakura! – Pela primeira vez, em minutos, a voz do loiro foi ouvida.
— Então foi você! – A Haruno apontou para seu amigo. – Se você prefere acreditar nela Naruto, quem não acredita em você sou eu.
O barulho da cadeira chamou a atenção de Naruto e Sakura que viram a diretora Tsunade se levantar do seu lugar. Ela massageou as têmporas, parecendo estar raciocinando alguma coisa.
— Parem de brigar e voltem para a sala de vocês.
— Você não pode deixar assim, Tsunade-sama! Isso é injusto!
— Você continua alterada, Sakura. – A Haruno cruzou os braços. – Eu dou mais três dias a vocês, e se até lá não aparecer o culpado, a conversa será diferente. Vocês entenderam, Shion e Naruto?
Os dois concordaram. Após isso, cada um foi liberado para voltar a sala. No corredor, Naruto andava rápido tentando alcançar Sakura, que marchava furiosa.
— Eu juro que não fiz nada, Sakura-chan! A Hinata é a minha amiga!
Sakura se virou, bruscamente a ele. Continuava fechando o próprio punho. A sua frente estava Naruto, com os olhos preocupados e a alguns passos atrás estava Shion.
— Quem foi então, Naruto? Só há duas opções aqui!
— Por que a Shion faria isso? Ela também saiu humilhada dessa história!
Sakura franziu a testa, olhou mais fundo nos olhos de Naruto.
— Você não entende. Não é ela quem está despedaçada e, pior, você não está preocupado. Você só não quer culpa alguma! – Sakura apertou os lábios. – Não fale comigo mais até que tudo esteja esclarecido.
Sakura voltou ao seu caminho, em direção a sala de aula.
Naruto viu sua amiga se afastar. Ele não sabia como era que havia entrado naquela confusão. Sua melhor amiga não queria falar com ele. Hinata provavelmente o odiava. E para completar, sua namorada estava incomodada com toda a situação.
Sentiu uma mão apertar seu ombro. Ao se virar, Shion o estava encarando.
— Naruto, se acalme.
— Como eu vou me acalmar? Como isso tudo foi acontecer?
— Eu sei que você é amigo de Sakura e Hinata. – Ela pegou em uma das mãos do loiro e olhou em seus olhos. – Mas será mesmo que essa carta estava no seu armário?
Ele voltou seu olhar a Shion, sem entender.
— O que quer dizer?
— Naruto, uma mulher apaixonada é capaz de fazer muitas coisas. E não digo por mal, entende? – A loira o puxou pela mão para se sentarem a um banco próximo. – Hinata sabia que nunca teria chances com você, ainda mais depois de nós dois aparecermos juntos. Será que ela e Sakura não planejaram tudo isso para chamar a sua atenção? Assim você brigaria comigo e olharia para ela.
— A Hinata nunca faria isso. Não diga besteira.
Naruto desviou o olhar para o chão. Ouvir aquelas palavras não era agradável.
— Então quem faria? – Ela falava extremamente baixo, apertando a mão do Uzumaki. Ele continuou em silêncio. – Pelo o que eu me lembro ano passado Sakura se declarou ao Sasuke Uchiha, não é? Talvez ela não quisesse que Hinata passasse pela mesma situação e elas planejaram tudo isso.
Naruto voltou seu olhar a sua namorada. Estranhamente, ela tinha uma expressão compreensiva.
— Eu não consigo acreditar que Sakura ou Hinata pudesse fazer algo assim.
— Ninguém viu essa carta antes além das duas. Quando eu abri o seu armário não havia nada lá. – Ela o encarou mais profundamente. – Como eu disse, você não sabe do que uma mulher apaixonada é capaz.
Naruto a olhou e em seguida bagunçou seus cabelos loiros, respirando fundo. Pensar em tudo aquilo só o deixava confuso e ferido.
—/-
A porta se abriu, revelando Sakura com um leve sorriso em seus lábios. Neji retribuiu o sorriso, no entanto Hinata continuava a seu lado cabisbaixa, segurando a alça de sua mochila em seus ombros.
— Boa tarde, Neji. Hinata.
— Boa tarde, Sakura. – Hinata só olhou para a amiga, sem dizer uma palavra. – Obrigada por ficar com Hinata hoje. Hiashi-sama iria ficar fazendo perguntas sobre o que aconteceu e isso poderia trazer problemas maiores.
Sakura abraçou a amiga, apertando-a em seus braços rapidamente.
— Está tudo bem, Neji.
— Eu prometi a Hinata que não iria me meter nessa história, mas se precisar de mim, não hesite em chamar.
Hinata o olhou e forçou um sorriso.
— Amanhã estarei melhor, nii-san. Obrigada por tudo.
O mais velho apenas sorriu às duas e se despediu, voltando ao seu carro. Sakura fechou a porta, depois de Hinata entrar e a segurou pelos ombros. Aos fundos, Ino caminhava em direção as duas.
— Ficar aqui vai ser melhor, Hina.
— Eu continuo me sentindo péssima, Ino.
— Mas você vai se sentir melhor, venha na cozinha, estou fazendo um bolo de chocolate!
Ino abraçou a amiga pelos ombros, arrastando-a até a cozinha de Sakura. Enquanto isso, a Haruno estava empilhando alguns cadernos que deixara separado na sala, para que as três estudassem. Estava indo em direção à cozinha quando o barulho da campainha chamou sua atenção. Porém, ao atender, arrependeu-se.
— Naruto! O que faz aqui?
Ele logo foi entrando, sem cerimônias. Da cozinha, Ino e Hinata ouviram a voz do loiro e logo ficaram em silêncio. Hinata sentia seu coração bater rápido, deixando-a ansiosa.
— Eu quero esclarecer o que aconteceu, Sakura-chan. Você tem que acreditar em mim, eu não fiz nada!
— Eu não vou falar sobre isso com você agora, Naruto.
— Eu não posso ficar tranquilo enquanto você deve estar achando que eu fui capaz de fazer aquilo! A Hinata é a minha amiga!
Sakura se aproximou dele, com os braços cruzados.
— Como você tem tanta certeza que não foi a Shion?
Ele se sentou no sofá branco que havia na sala de sua amiga.
— Ela jurou que não foi ela. Ela também está se sentindo péssima com tudo isso.
— Só pode ter sido ela, Naruto!
O Uzumaki voltou seu olhar ao chão. Por um segundo, parecia envergonhado.
— Sakura, e se.... – Respirou fundo. – E se a Hinata planejou tudo isso?
A Haruno ficou muda, encarando Naruto, que não a olhava.
— O... O que?
— A Hinata é a minha amiga, você sabe. Mas... Mas e se.... – Naruto sentiu seu rosto esquentar. – E se ela soubesse que nunca teria chances comigo e aí criou toda essa situação para chamar a minha atenção? Para que eu e a Shion terminássemos e.... E assim-
Naruto não conseguiu concluir sua frase. Hinata aparecera a sua frente, encarando-o com os olhos cheios d’água. Sem demora, ele se arrependeu das próprias palavras e dos próprios pensamentos.
— Como você pode...?
Ele se levantou mudo, olhando para ela, que parecia travar uma luta interna, segurando inutilmente as próprias lágrimas.
— Hinata, eu não queria-
— Eu é que não queria ter sentimentos por você. – Ela limpou as lágrimas com as costas de sua mão. – E-e-eu vou lutar todos os dias para sumir com todos esses sentimentos e não te incomodar mais. Você... Você não merece.
— Hinata, me ouve, por favor!
Ele não conseguiu dizer mais nada. Sentiu seu corpo ser empurrado até a porta, que foi aberta, e em seguida ele ser empurrado para fora. Não tinha forças para lutar. A última coisa que viu foi a Haruno.
— Nunca mais, entendeu Naruto? Nunca mais se aproxime de Hinata e nunca mais fale comigo!
Não deu tempo para responder. A porta foi batida com força em sua cara."
—/-
O silêncio que se seguiu pareceu décadas para ele.
— Isso não tem graça, Naruto.
— A intenção não era que fosse engraçado.
O pensamento que a bebida estava lhe causando alucinações logo passou, o olhar de Naruto estava sério e ele ainda a olhava como se pudesse despi-la. Hinata apertou os lábios e os olhos, forte, como se pudesse apagar o que o loiro havia acabado de lhe falar.
— Hinata, eu estou falando sério.
— Não, não, isso não pode estar acontecendo.
Ele tocou o rosto dela, que se afastou dele.
— E-Eu aceitei conversar com você, voltarmos a ter contato, mas isso é demais para mim. Você não pode chegar e agir assim!
A morena levantou bruscamente, apressando seus passos sem nenhum rumo específico. Sentiu seu braço ser segurado.
— Eu não estou brincando, Hinata. Isso é sério, eu quero abrir meu coração para você, eu tenho muita coisa para te falar!
— Mas eu não quero te ouvir, entendeu? Eu não posso!
O efeito da bebida ainda não havia passado totalmente. Sentia suas mãos tremendo, sua respiração descompassada, mas decidira ser sincera com ele.
— Por que você não pode?
Naruto não parecia estar bêbado. Ele a olhava fixamente.
— Porque eu não vou me permitir sofrer por você de novo.
O Uzumaki continuava olhando-a. Ficou em silêncio em alguns segundos. Ele caminhou mais alguns passos em direção a ela, até que uma voz chamasse por Hinata. Era Sakura e Sasuke que vinham caminhando até eles. Sakura ficara muda rapidamente, podendo sentir a tensão entre seus dois amigos.
— Você já está indo, Sakura?
Hinata disse, mal podendo disfarçar o quanto estava alterada.
— Sim. Ino e Sai decidiram ficar por aqui. Você quer que eu te leve?
— Não precisa Sakura-chan, eu levo a Hinata.
A morena olhou para Naruto, fitando seus olhos, duramente.
— Obrigada Naruto, mas eu vim com ela e vou voltar com ela. Tenha uma boa noite.
A morena virou as costas e saiu caminhando rápido para o fim da rua.
O casal ficou encarando o loiro, que suspirava frustrado.
— O que você fez agora? – Sasuke disse, enquanto Sakura cruzava os braços, esperando Naruto responder.
— Nada, eu só.... Eu só fui sincero com ela.
Sakura soltou uma risada sem graça.
— Eu sei bem como a sua sinceridade funciona, Naruto.
O Uzumaki franziu a testa, desviando o olhar deles, ainda observando o caminho para onde Hinata tinha ido.
— Eu só disse queria que ela me desse uma chance.
— Então tente uma abordagem diferente. Essa não funcionou.
O loiro olhou para o seu amigo rapidamente e voltou seu olhar a rua. Dessa vez tinha que ser diferente.
—/-
O caminho para casa foi rápido. Agradeceu que nem Sasuke e Sakura haviam perguntado qualquer coisa sobre o que havia acontecido entre ela e Naruto. Agradeceu a carona dos amigos e correu em direção a casa de seu pai. Ao destrancar a porta e entrar, estranhou que algumas luzes continuavam acesas. Tirou os sapatos e calçou os chinelos na entrada, caminhando em direção ao cômodo que tinha as luzes acesas.
Seu pai estava na cozinha, preparando um chá. Agradeceu mentalmente por estar praticamente sóbria.
— O que faz acordado, pai?
— Não consegui dormir e resolvi vir tomar um chá. Você quer?
Observou o mais velho mexer a xícara lentamente, olhando-a.
— Não, obrigada.
— Podemos conversar agora?
Hinata não estranhava mais o quanto seu pai havia aberto mão da formalidade exagerada dos Hyuugas no tratamento com ela e Hanabi. A morena se sentou, pacientemente, enquanto seu pai a olhava.
— Eu estou orgulhoso de te ver de volta a Konoha, Hinata.
Ela sorriu a ela, carinhosa.
— Obrigada, pai.
— Mas ainda acho que isso deveria ser definitivo.
— Eu gosto da minha vida em Kumo. A escola onde trabalho é um ótimo lugar. Eu amo meu apartamento.
Hiashi tomou um gole de seu chá.
— Eu havia concordado que você fosse a Kumo porque Neji prometeu a mim que cuidaria de você. Que se afastar de tudo lhe faria bem.
— Pai-
— Mas Neji não está mais lá para olhar por você. – Ele a interrompeu. – Estar sozinha em um apartamento não é uma boa ideia.
Hinata preferiu ao silêncio. Não tinha forças para discutir com seu pai e tampouco estava disposta a isso.
— Por isso acho que você tem duas opções. Ou você volta a Konoha e passe a morar comigo e sua irmã, ou você pode se casar.
A morena olhou assustada a seu pai. Perguntou-se da onde vinha aquela possibilidade quando nem sequer tinha um namorado. Seu pai tinha uma expressão satisfeita.
— Do que o senhor está falando?
— Recebi um email hoje. Toneri está voltando a Konoha por esses dias e ficou bastante interessado quando disse que você estava aqui.
Engoliu a própria saliva. O ar parecia rarefeito de repente. Havia muito tempo que não ouvia aquele nome.
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