Nada é o que parece
1 O começo de um pesadelo
O que é a vida? O que existe na vida? Não acredito em Deus, em Papai Noel e nem em coelho da Páscoa, acho que a vida é o que é. Mas o que pode ter no Centro da Terra, nas profundezas dos oceanos e no Universo só um completo idiota e mesquinho diria que nada!
Minha vida sempre foi muito boa, meu medo é perder ela, como toda adolescente tenho minhas crises, mas sempre passa! Às vezes penso em quão inútil minha vida é, o quão sem importância é, por quê nela não fazemos tudo que temos vontade? Um dia ela vai acabar! Mas os homens têm razão, temos que coloca-la em ordem.
Sempre pensei que mais nada poderia me surpreender na vida, nunca eliminei qualquer hipótese, ETs, sereias, dinossauros no núcleo da Terra, mas, isso, bem isso foi mais que surpreendente...
O que importa é que na minha vida tudo mudou para sempre, e quando eu digo mudou, quer dizer que mudou mesmo, desde aquele dia:
– Não acredito que não rolou nada no cinema, nem um climinha? – Natasha insiste pela milésima vez, sua pele é clara e ela tem cabelos longos, encaracolados e ruivos, porém, são artificiais e olhos castanhos.
– Já disse que não, para falar a verdade foi uma bela porcaria, todos eram muito idiotas – respondo
– Mas e ele?
– Já te disse que ele não sentou perto de mim, porcaria!
O sinal toca e agradeço por ser poupada a repetir tudo mais e mais vezes. Vou para casa com Natasha continuando a querer saber mais onde não há mais para saber! Eu e os amigos dele fomos no cinema e foi um saco, simples assim, quando digo ele já dá para saber que é meu paquerinha!
Chego em casa e encontro minha mãe lendo o jornal e minha irmã fazendo o almoço.
– E ai, Gabrielle, o que tu está fazendo de bom? – Pergunto me referindo a minha irmã, ela é meu oposto, loira de olhos cor de mel, é mais velha que eu, 19 anos.
– Massa ao molho branco – responde ela distraída
Só de pensar na massa dela já me dá água na boca. Me sento para almoçar e minha mãe larga o jornal, 40 anos e continua uma linda loira de olhos verdes bem pouquinho acima do peso, namora um rapaz de 28.
Meu pai, 49 anos de pura belezura, cabelos negros como os olhos, mora do outro lado do país, não é nenhuma história muito triste, ele e mamãe se separaram, minha mãe arranjou um emprego aqui no Rio, levou as filhas e meu pai continuou em Porto Alegre. Eu tinha 3 anos e desde aquela época meu pai não troca uma frase com minha mãe, ele é muito rancoroso com isso de ficar longe das filhas, todas as férias encontramos com ele, e para mim, minha vida lá parece ser uma vida completamente diferente de minha aqui, sempre estranha a vida...
Almoço com Gabrielle e mamãe, escovo os dentes e vou ler um livro, me surpreendo quando vejo que já se passaram 2 horas, estranho a moça que trabalha aqui em casa não ter me avisado do horário! Saio do quarto e dou uma olhada em mim no espelho, sempre fui muito vaidosa, posso me considerar bonita, morena de olhos verdes, bem diferente, eu sei! Nunca sei se isso é bom ou ruim, porque acho que as pessoas podem gostar de mim pela minha beleza e não pelo meu caráter e posso parecer esnobe, mas quero alguém com meu nível de beleza, e pode ser difícil de encontrar um cara legal e bonito... Mas, enfim, meu lema é “Deixa a vida te levar”. Ah, e quase me esqueci, tenho 13 anos!
Vou até a cozinha distraída e não dá nem tempo de berrar ao me deparar com minha família toda amarrada se contorcendo, alguém coloca algo sobre minha boca antes disso, fico grogue e ouço minha mãe berrando “HANNAH”
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