Notas iniciais
Olha quem retornou! Boa Leitura.

II

— Por favor... – A voz levemente suplicante causava certo aperto no coração do mais alto. — Eu preciso muito desse emprego, faço qualquer coisa!

— Já conversamos sobre isso. Já disse que não é tão simp- Fora interrompido mais uma vez, com a voz mais uma vez suplicante do outro.

— Mas está tudo bem! Não tem porque se preocupar, de verdade.

— Ah, certo, certo. Lhe dou o trabalho. – Falou cansado, colocando as mãos na cabeça, um pouco agoniado. –Mas não reclame e nem diga que não avisei.

— Não irei decepcionar, prometo. – A empolgação era nítida, mesmo que não pudesse saber qual expressão o outro fazia. — E quando eu posso começar? – Perguntou, ansioso.

—Você pode começar agora mesmo, mas Aoi qualquer pessoa que passar dos limites ou fizer algo que não esteja nas normas do estabelecimento, me fale imediatamente. Sabe que me preocupo com a segurança de todos, principalmente a sua.

Shiroyama Yuu ou Aoi, como normalmente o chamavam, era um rapaz de 21 anos que sofrera um acidente três anos atrás, este que, infelizmente, o impossibilitou de voltar a enxergar.... Dada as consequências, esta atrás de um emprego. Há muito era um fardo para o primo, se conseguisse ajuda-lo, de alguma forma, seria motivo suficiente para reconfortar seu coração. No entanto, não conseguia fazer muita coisa por conta de sua deficiência visual. Porém, mesmo com esta particularidade, era dono de uma qualidade a qual lhe enchia de orgulho. E era exatamente disso que precisaria para conseguir se estabelecer em seu novo ofício.

— E como seus clientes gostam? –Perguntou, não escondendo sua curiosidade ao se dirigir loiro.

—Em sua grande maioria eles são exigentes, sempre vêm aqui atrás de diversão, são milionários e donos de grandes nomes; mas temos um cliente em questão que nós sempre fazemos de tudo para agradá-lo.

—Oh! E quem seria esse cliente? – Continuou com as perguntas, enquanto caminhavam pelo corredor que levava à entrada da casa.

— O nome dele é...

—Ai!

Nesse momento, não tão comum quanto antes, Aoi tropeçara, indo de encontro ao chão sem sua vontade.

— Você está bem? – A pergunta saiu aflita dos lábios do primo. — Machucou alguma coisa? Está sentindo dor?

— Calma Kou. Estou bem. – Respondeu sorrindo, uma coisa que Aoi nunca deixou de fazer.

Takashima Kouyou ou Kou, como era chamado carinhosamente pelo primo, era muito atraente, sempre de paletó cobrindo os braços, estes que carregavam cicatrizes do acidente que sofrera junto ao Aoi. Ele era o dono de um bordel japonês, conhecido por ser muito educado e protetor quando se tratava do moreno. Mesmo que soubesse que não, achava-se culpado pelo acidente que tirou a visão daquele a qual tinha tanto apreço. E como se já não bastasse, sentia-se ainda mais culpado por aceita-lo ali. Entretanto, depois do mesmo insistir tanto, não tinha como não aceitar; de todo modo, ao menos poderia ficar de olho no menor.

– Você tem certeza de que vai conseguir dançar com aquele kimono?

— Posso não enxergar, mas sei dançar e muito bem.

— Tudo bem, não está mais aqui quem falou. – O loiro levantou as mãos exageradamente.

—Idiota!

—Você ama esse idiota, né? – Ao dizer isso, aproximou-se do primo e começou a lhe fazer cócegas.

— Ei! Para Kou... Estou ficando... sem... ar — Pedia entre risadas.

—A sua sorte é que já estamos em horário de trabalho. – Parou, assumindo uma posição séria que não condizia com o sorriso divertido em seus lábios. — Está pronto para incorporar a gueixa? – Perguntou, um pouco mais sério, realmente preocupado.

—Sim, senhor! – Bateu continência para o primo que riu com a inocência do outro.

R&A

— Onde estão minhas flores?! – Um rapaz alto, loiro, meio excêntrico e muito bonito entrou perguntando para ninguém em particular, com um copo de saquê na mão, andava tranquilamente em meio aos homens espalhados pelo salão. Não demorou muito até se acomodar em frente ao palco, pensando na possível companhia daquela noite. Ao notar que o show iria começar, tomou um gole longo de sua bebida, impaciente pelo show que se desenrolaria.

— Bem vindos senhores à casa INSIDE. – Uruha aparecera no palco dando boas-vindas a todos que estavam presentes. — Hoje teremos uma atração nova. – Imediatamente foram ouvidos um alvoroço de aplausos. – Mas primeiro escolham sua diversão de hoje.

A música ambiente voltou a tocar e foram entrando, um por um, rapazes vestidos de gueixas. Os kimonos eram curtos, estrategicamente deixando as pernas de fora para que os homens ali presentes ficassem mais “animados”.

O primeiro a entrar foi um rapaz moreno com um adorável sorriso de covinhas, seus cabelos curtos e a pele pálida eram-lhe um atrativo à parte; o que ninguém sabia, porém, é que aquele garoto tão belo chorava por dentro diante de sua situação. Ele fora escolhido pelo cantor Miyavi, este que se encontrava apaixonado pelo garoto e pretendia tira-lo dali.

A música ambiente voltou a tocar e foram entrando, um por um, rapazes vestidos de gueixas. Os kimonos eram curtos, estrategicamente deixando as pernas de fora para que os homens ali presentes ficassem mais “animados”.

O primeiro a entrar foi um rapaz moreno com um adorável sorriso de covinhas, seus cabelos curtos e a pele pálida eram-lhe um atrativo à parte; o que ninguém sabia, porém, é que aquele garoto tão belo chorava por dentro diante de sua situação. Ele fora escolhido pelo cantor Miyavi, este que se encontrava apaixonado pelo garoto e pretendia tira-lo dali.

E assim foram entrando, cada qual com suas particularidades. Para onde quer que olhassem, eram rapazes loiros, morenos, baixos, altos. Definitivamente, para todos os gostos. Até que todos fossem escolhidos pelos senhores, a música continuava a tocar, conciliando o desfile das gueixas até seus companheiros de noite; quando o menor de todos iria entrar, Kouyou o impediu...

— Algum problema Uruha-sama? – Pronunciara o apelido de Kouyou de forma lenta e baixa.

— Hoje você me fará companhia. – Falou o loiro, presenteando o menor com um sorriso.

— Sim, senhor. – E o pequeno podia estar aparentemente sério, mas por dentro não podia negar sua alegria. Enfim estaria com o primeiro e único amor de sua vida durante uma noite inteira.

Depois de todos terem escolhido suas diversões da noite, Uruha foi atrás de Aoi que se encontrava no camarim atrás do palco.

— Pronto?

— Sim.

Quando Aoi se virou, Uruha ficou estático; seu primo estava lindo, parecia um anjo naquele kimono branco com detalhes vermelhos, a maquiagem perfeitamente elaborada e...

— Quem fez essa maquiagem em você? – Perguntou confuso.

— Ah, foi o Matsumoto-san.

— Matsumoto-san?

— É um rapaz com uma voz linda e...

— Ah, sim. É o Ruki. – E mesmo que Aoi não pudesse ver, estranhou o tom ao qual seu primo falou do outro.

— Agora vamos, nossos clientes não podem esperar. – O loiro pegou o leque que fazia parte do figurino do moreno e o guiou até o palco. Deixou-o atrás da cortina e não menos animado, chamou a atenção de seus clientes.

— Como prometido... Com vocês, a nova atração da casa...

As luzes apagaram, deixando que apenas uma ficasse exclusivamente em cima do palco. A música por nome de Fairy Tale* começou a tocar, ao fundo se via um rapaz com um kimono branco em detalhes vermelho cor de sangue acompanhado de um leque. Tinha os cabelos negros soltos e seu corpo coberto deixava curiosos àqueles que olhavam, ao anseio de ver tamanha perfeição.

Suas pernas estavam parcialmente escondidas, porém, dava para ver, mesmo que não nitidamente, os músculos bem definidos quando fazia algum movimento. Era inegável o quanto todos os senhores presentes ficaram boquiabertos com tamanha beleza.

Aoi começara a dançar no ritmo da música; seus movimentos com sincronia e delicadeza eram invejáveis. Se movia com tanta facilidade e destreza que até os mais arrogantes dos homens derreteria frente a tamanha perfeição.

Reita, que observava atentamente, sem que fosse capaz de desviar os olhos, ficou pasmo com tanta beleza. O moreno dançava de olhos abertos e aquelas pérolas prateadas chamaram a sua atenção; até mesmo o copo de saquê fora esquecido. Por um momento, dado a peculiaridade da cor daqueles olhos, pensou que podiam ser lentes, mas não só pela cor exótica como também pelo brilho morto que eles transmitiam, como se algo os impedissem de brilhar.

O moreno, assim como instruiu Kouyou anteriormente, posicionou-se um pouco mais à frente do centro do palco. Andando de forma graciosa, até que estivesse mais próximo da plateia, o quadril mexia-se levemente ainda seguindo a melodia da música. Todos estavam hipnotizados diante de sua performance.

Aoi, dado o final próximo de sua apresentação, ajoelhou-se no palco, mexendo as mãos em volta do corpo, quando estava prestes a terminar a música, não se deu conta da aproximação de alguém, devido sua concentração na dança; Reita, por outro lado, tinha sua atenção exclusivamente no corpo a sua frente. Tão rápido foi ao seu encontro, que mal fora percebido subindo pela lateral do palco. Ansioso por tocar naquela pele a qual lhe parecia tão macia e convidativa, a música se findou. Aoi terminou a dança ajoelhado em frente ao rapaz que, por questão de frações de segundos, o puxara pelo braço.

As pessoas ao redor se tornaram insignificantes aos seus olhos, nada lhe parecia fazer sentido se não suas mãos no corpo curvilíneo à sua frente. Ao puxar o moreno, suas mãos foram afoitas para o laço do kimono, desesperado por tirá-lo. Sem se importar com nada, seu maior objetivo era ter aquele corpo para si.

Sendo pego de surpresa, Aoi inicialmente ficara estático, sem saber o que estava acontecendo. Ao sentir o kimono sendo puxado do seu corpo, um arrepio subiu pela espinha seguido do desespero.

Kouyou, imediatamente, correu de encontro ao garoto, talvez tão desesperado quanto o primo.

—Me solte! – Pediu Aoi tentando, mesmo que inutilmente, soltar-se dos braços que prendiam-no. As mãos afoitas de Reita já se encontravam entre suas pernas tentando, habilmente, arrancar sua roupa intima.

— Calma, você vai gostar. – O loiro, ainda em transe, dizia em êxtase.

— Solte-o, Reita-san! –Inquiriu Uruha, sua voz alta e forte preencheu o salão, deixando uma atmosfera densa no ar. As pessoas ao redor só observavam, quietas. Em um movimento rápido, tirou Aoi dos braços do loiro e acolheu o primo nos seus, abraçando-o protetoramente.

— Quanto você quer por ele? – A expressão, mesmo divertida, tinha certa dose de seriedade, fazendo com que Kouyou precisasse respirar fundo. — Eu pago o preço que for. Quero ele pra mim! –A medida que falava, aumentava um tom, até chegar ao ponto que estava quase gritando. Segurando o copo de bebida, seus olhos permaneciam fixos em Aoi.

O garoto se agarrou na camisa do primo e começou a chorar, ainda sem entender o que estava acontecendo. Era nítido o seu medo, e estando tão entregue aos braços de Kouyou enquanto deixava seu pranto toma-lo, era notório a sua fragilidade. E Reita, em nenhum momento, deixou de observá-lo. Aoi poderia não ver, mas sentia que aquele homem o encarava pelo peso do seu olhar.

— O garoto é especial, Reita-san. Aqui ele só dança; se o senhor quer diversão adicional a apresentação, sugiro que procure outro garoto. – De forma firme, deixou o palco com Aoi ainda protetoramente entre seus braços e permitiu que seus subordinados tomassem conta do resto.

Sua noite com Ruki fora arruinada, mas estava tratando de assuntos mais sérios agora.

R&A

— Por que ele fez aquilo? – Um pouco acuado, perguntara o moreno com a voz trêmula.

Aoi encontrava-se sentando, as pernas descobertas sendo analisadas cuidadosamente pelo primo. O kimono pendia em seu ombro, a maquiagem levemente borrada pelo choro recente e os cabelos negros amarrados em um coque frouxo compunham o estado atual do garoto.

— Não sei, mas prometo que não irá se repetir. – O loiro falou, concentrado nos arranhões que haviam ficado nas pernas do menor. Com delicadeza, passou o pano úmido, limpando os ferimentos.

— Tudo bem, Kou. – Sorriu, mesmo que suas sobrancelhas estivessem levemente franzidas pelo ardor que sentia. — Acho que ele só fez aquilo porque estava bêbado.

— É, pode ser. Mas, do mesmo jeito, eu não confio nele. E de agora em diante não te deixarei sozinho. Ok?

— Obrigado.

Naquele momento tudo parecia bem, porém, Reita tinha um plano em mente e que colocaria em prática no dia seguinte, um plano que mudaria a vida de todos...Para sempre...

— Você será meu, Aoi...

Notas finais
A música que o Aoi dança é da banda Shaman – Fairy tale. Espero que tenham gostado, até o proximo beijos
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.