Nada Fácil
2 Capítulo 2
Notas iniciais
México, DF
*Empresas San Román — Escritório de Estevão*
Estevão estava reunido com Heitor e Leonel, fazendo um balanço de tudo o que tinha ocorrido na ausência do presidente.
– Todos os contratos iniciados antes de sua prisão estão em perfeita ordem, deixei todos papéis em sua mesa – explicou Leonel.
–Eu vi quando cheguei. Revisei-os e fiquei muito satisfeito com seu trabalho – comentou Estevão.
–Os números estão superiores ao que esparavámos apesar da fraude que sofremos – concluiu Heitor.
–Tenho a impressão que me aposentarei mais cedo –disse Estevão.
–Não diga isso papai, ainda falta muito pra isso.
–Não que seja agora filho, mas não penso em demorar muito. Você, Ângelo e Leonel serão ótimos sucessores. Penso em Maria e quero aproveitar ao máximo essa nova chance e quero ainda aproveitar muito meus netos.
–Então assim falta muito pra isso, o Heitor ainda vai com o primeiro – disse Leonel.
–O primeiro de muitos – afirmou Estevão.
–Posso entrar? – perguntou Maria que acabava de chegar a empresa.
–Claro que sim,meu amor.
–Como estão todos? – cumprimentando-os.
–Terminamos a reunião e estamos jogando conversa fora – respondeu Leonel.
–E como já terminamos, deixamos vocês a sós – falou Heitor deixando a sala junto com Leonel.
Quando já estavam sozinhos, sentados um de frente ao outro, Maria contou a Estevão tudo o que ela e Estrela compraram para o neto. Já que com os dias passados em Aruba acabou não dando tempo para comprar o restante do enxoval e Vivian estando no final da gestação ficou impossibilitada de tal tarefa.
– Está tudo tão lindo, é como se estivesse fazendo novamente o enxoval do Heitor – comentou Maria nostálgica.
–Pela sua emoção ao contar eu posso imaginar. Mudando de assunto o Heitor voltou a comentar que desejar sair lá de casa.
–Mas é muito cedo pra pensar nisso, o bebê nem nasceu e eles vão precisar de ajudar no início.
– Não fique assim – caminhando até ela e abraçando-a – não sofra por antecipação.
– Você está certo.
E dessa vez Maria que o puxou para o beijo que a cada minuto formam ficando mais intensos, Estevão já ia no terceiro botão do blazer de Maria quando Lupita bateu na porta, se ajeitaram como puderam e autorizaram a sua entrada.
–Desculpe o incômodo, mas vim entregar alguns currículos das candidatas ao cargo de secretária que começam a ser entrevistadas amanhã.
–Deixe em minha mesa Lupita – disse Estevão.
–Não Lupita, leve pra minha sala Estevão já tem muito trabalho. Eu assumo a responsabilidade de arranja-lhe outra secretária – disse Maria olhando para o marido.
–Sim senhora, eu separei cinco candidatas para amanhã. Com licença – disse Lupita se retirando da sala.
–Onde estávamos? – perguntou Estevão.
–Lhe dizia que te já estou indo e que te espero para jantar – brincou Maria.
–Não Maria, não foi isso...
–Até a noite – interrompendo-o.
Deram um beijo de despedida e Estevão voltou a trabalhar.
Aruba
Adriana era uma jovem de 18 anos, cabelos escuros e olhos castanhos. Apesar de tão jovem amadureceu muito cedo, seus pais morreram quando tinha apenas 2 anos e desde então vive no colégio pago por seus padrinhos.
Augusto era um senhor de 75 anos, que vivia com sua empregada Flora à mais de 10 anos, desde que sua esposa faleceu. Era vizinho de um casal de jovens que tinha uma filha e que em uma noite acabaram falecendo em um acidente de carro, e ele e sua esposa acompanharam o crescimento dessa menina que foi internada em um colégio interno.
Chegando em frente a casa de Seu Augusto, Adriana deu um suspiro o dia que ela tanto esperou tinha chegado. Quando entrou em casa, encontrou-o sentado no sofá assistindo TV e aproximando-se falou:
–Seu Augusto?
–Filha – virando-se para ela muito emocionado – Como vai?
– Muito bem – abraçando-o com o carinho que sempre tiveram um pelo outro.
– Eu iria lhe buscar mais a rabugenta da Flora me impediu, alegando que minha pressão estava alta.
– Não se preocupe a Tia Sofia me falou que ela ligou para avisar – disse a jovem rindo porque ele não tinha mudado nada, sempre dizia que estava bem e que toda a preocupação de Flora era exagero – Estou tão feliz.
–Eu sei filha. Sua madrinha esteve aqui e deixou tudo acertado, seu passaporte e sua passagem para México.
– Ela me visitou há alguns dias e junto com meu padrinho. Me prometeu que viveria com ela assim que saísse do colégio.
–Eu nunca entendi tanta preocupação deles para com você –disse Augusto intrigado.
–Eles me apadrinharam porque era órfã, são essas pessoas que vivem para fazer o bem.
–Pode ser – disse não muito convencido.
–Seu Augusto eu queria saber tudo sobre a morte dos meus pais – foi diretamente ao que queria saber.
–Eu não sei muito. Tudo o que sei é que vocês eram muito felizes, até que naquela noite seus pais brigaram, a gente ouviu ruídos, vozes alteradas mais não entendiamos nada, e seu pai então entrou no carro e sua mãe entrou logo em seguida, e ele arrancou com o carro. Minha mulher lhe trouxe aqui pra casa, você chorava muto, até que veio a notícia do acidente. A polícia investigou como assassinato, mas de uma hora para outra o caso foi arquivado como acidente mesmo. Então seus padrinhos apareceram e disseram que conheciam seu pai do hotel que ele trabalhava e me convenceram a te internar em um colégio interno e que ali em diante cuidariam de toda sua educação e assim fizeram.
Depois de uns minutos meditando tudo que fora relatado e com os olhos lacrimejados, Adriana falou decidida:
–Eu vou investigar tudo. Não sei como vou fazer mais assim que me estabilizar no México, regressarei e descobrirei toda a verdade.
–Não fique assim, é melhor esquecer tudo e recomeçar uma nova vida.
–Não dá – pegou a passagem – meu voo é ás 19h. Amanhã estarei no México, preciso descansar. Uma nova vida me espera – sorri esperançosa.
*Mansão San Romám- Noite*
Passava das onze quando Estevão entrou no quarto, como já era tarde todos estavam dormindo. Precisou ficar até tarde na empresa revisando um contrato que seria firmado no dia seguinte.Olhou para cama e viu Maria dormindo, passou direto para o banheiro e tomou um banho. Já pronto para dormi, deitou-se na cama e virou-se para dá um beijo de boa noite e Maria , quando a mesma virou-se assustando Estevão.
–Isso são horas de chegar San Romám?
–Que susto Maria. Eu te liguei para avisar que iria demorar.
–Eu sei, mas mesmo assim é tarde.
–Eu não achei que demoraria tanto. Mas já que está desperta – olhando sua esposa maliciosamente – poderíamos continuar o que fomos interrompidos essa manhã.
Estevão não deu tempo para Maria esboçar nenhuma reação e foi logo beijando-a. Com os beijos tornando-se cada vez mais intensos e apaixonados, a mão de Estevão já estava na alça da camisola de Maria , que não impôs resistência alguma e ajudou ele a se livrar de seu pijama. Já desnudos os dois se amaram, sabiam muito bem o que fazer para dar prazer um ao outro. E como em todas as noites entregavam não só o corpo, mas a alma.
*Aeroporto de Aruba*
Adriana estava pronta para embarcar e lembrava-se da visita ao túmulo dos pais que fez horas antes. Ela chorou muito, mas prometeu regressar e descobrir toda a verdade. Ela já tinha se despedido de Seu Augusto, ele tinha lhe entregado uma caixinha que continha fotos de seus pais, documentos e uma carta que sua madrinha havia entregado a Seu Augusto para ela, junto com a passagem. Já dentro da aeronave prestes a decolar ela foi observando tudo e quando viu Aruba ficar pequena diante de seus olhos ela sorriu, sabia que de agora em diante o seu destino estava em suas mãos.
*Mansão San Román- Manhã Seguinte*
Estavam tomando café da manhã Maria, Estevão e Heitor, Vivian não fazia mais as refeições com a família. E Carmem tinha saído com as amigas à noite e não dormiu em casa.
–E Estrela onde foi? – perguntou Maria.
–Saiu cedo – respondeu Heitor –Disse que iria fazer uma surpresa para Greco e que tomariam café da manhã juntos. E agora que terminei o meu vou dá um beijo e Vivian e vou para a empresa – levantando-se e dando um beijo no pai e na mãe.
–Não entendo porque a Estrela não marca a data do casamento logo, se passa o dia na casa do Greco – falou Estevão.
–Não seja apressado Estevão – tomando um suco de laranja – Ela sabe a hora certa de fazer isso, não a pressione.
–Não é isso... – olhando Maria – O que houve?
–O suco está muito doce e não amanheci com o estômago muito bem hoje.
–O suco está normal, deve ser outra coisa. Vamos ao médico – levantando-se.
–Não é necessário Estevão, certamente foi algo que comi no jantar. Vamos para a empresa.
Estevão não se convenceu muito mais acabou concordando e foram para a empresa.
*Hotel Central*
Não podia acreditar no que ouvia do advogado que lhe recebeu no aeroporto. Sua madrinha estava morta. Todas as esperanças de recomeçar a vida ao lado do ser que tanto lhe ajudou, não existia mais. Adriana chorou, era muita coisa que estava acontecendo para tão poucas horas que estava livre do colégio, lágrimas que emocionaram o advogado Ferreira.
–Morta! – gritou Adriana – Não pode ser.
–Estava de viagem quando tudo aconteceu – começou a explicar Ferreira quando percebeu que ela se acalmava – Quando retornou de Aruba ela me procurou e acertamos os últimos detalhes de sua chegada. Ela estava nervosa e me fez prometer que cumpriria todo o combinado. Voltei ao México ontem a noite e fiquei sabendo tudo o que tinha acontecido. Ela caiu do telhado da casa dos San Román, não resistiu aos ferimentos e acabou falecendo.
–E o meu padrinho? –já mais calma.
–Eu soube que foi preso acusado de assassinar Patricia Ibanez – respondeu – Sobre isso não tenho muita informação, eu fui contratado exclusivamente por Alba San Román. Não sei se quer vê-lo...
–Claro que sim – interrompeu ela – Quero o endereço.
–Aqui está – entregando o papel – Alba lhe deixou uma boa quantia em dinheiro, já está depositada em uma conta, tudo está explicado no relatório que lhe entreguei – Como ela não disse nada ele saiu e deixando-a só com seus pensamentos.
Já sozinha no quarto Adriana voltou a chorar, encolhida na cama se perguntava porque tudo o que tinha acabava perdendo, pensava que logo agora que iria viver com sua madrinha,como tantas vezes ela tinha lhe prometido. Estirando a mão pegou o cartão que estava junto ao relatório, e leu o endereço da prisão onde se encontrava seu padrinho Demétrio. Enxugou as lágrimas, pegou a bolsa e saiu.
*Empresas San Román*
Já era a quinta e última candidata que Maria entrevistava e nenhuma delas a agradou. Estava cansada, seu estômago permanecia embrulhado e estava ficando sem paciência.
–Se sente bem, senhora? – perguntou Lupita entrando na sala.
–Não muito bem,mas já vai passar – respondeu-lhe.
–Está bem. Vim lhe trazer as fichas de candidatas para amanhã.
– Obrigada.
– Com licença – saindo ao mesmo tempo que Estevão ia entrando.
– Maria vim saber se vai comigo para o almoço para fechar contrato? – perguntou ele.
–Não, acho que vou para casa.
–Maria você está pálida. É melhor irmos ao médico.
–Não precisa já disse. Vou para casa descansar e a noite quando você chegar verá que estou bem melhor – disse tentando convencê-lo.
–E a secretária?
–Não arranjei ainda. Mais não se preocupe com isso, logo terá uma nova secretária.
Maria se despediu do marido e foi para casa.
* Prisão Oriente*
Na sala de visitas Adriana esperava ansiosamente por Demétrio, não entendia como ele poderia assassinar uma pessoa. Havia algo de errado nessa história mais logo ele lhe explicaria tudo.
Nesse momento a porta se abre, quando Demétrio a vê ali não pode evitar sorriso nos lábios, seu olhar perverso se iluminou, a peça que faltava para a sua vingança finamente chegou.
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