Nada Fácil
8 Capítulo 8
Notas iniciais
*Em um bairro distante*
– José, estás bem? – gritou um homem que foi o primeiro a chegar ao local que ocorreu acidente.
– Estou bem, só meu braço que está doendo. Acho que por ter suspendido todo o peso do corpo dela para a pancada não ser em sua barriga. Mas bateu muito forte com a cabeça – respondeu José.
– Eu acho que a pessoa que fez isso queria atingi-la – disse o outro que se aproximava.
– Também acho – falou José.
O local foi enchendo de curiosos, a mulher da floricultura chamou uma ambulância e também se aproximou:
– Já chamei a ambulância. Essa senhora não parece ser desses lados, é muito fina – observou ela.
– Precisamos primeiro levá-la para o hospital – falou u dos homens.
– É melhor não mexermos em nada até a ambulância chegar – disse ao ver que mexiam no corpo de Maria – Santo Deus está sangrando.
Capítulo 8
Apertava muito o volante do carro, o rosto evidenciava a frustração de não ter conseguido o que queria, o rapaz arruinou seus planos, pensava ele. Teria sido tudo perfeito, uma oportunidade que sabia que dificilmente teria outra. Precisava urgentemente se esconder e esperar algumas horas até poder se comunicar com Adriana.
No escritório Adriana esperava ansiosamente pelo regresso do chefe, tinha que preparar o discurso para a hora da conversa pendente que tinha com Estevão. Mas nem sabia se ele voltaria para a empresa aquele dia, pensou um pouco e decidiu ligar para a mansão:
– Alô – Estrela atendeu o telefone no primeiro toque.
– Boa tarde. Aqui é Adriana secretária da Empresa San Román, o Sr. Estevão saiu e não sei se regressará hoje – começou ela a falar.
– Oi, Adriana. É Estrela – falou decepcionada por não ser algo relacionado a mãe – Acredito que meu pai não voltará hoje.
– Aconteceu alguma coisa? – perguntou ela.
– Minha mãe não aparece – respondeu Estrela deixando cair uma lágrima – Ela saiu e não estamos conseguindo nos comunicar.
– Sinto muito. Se tiver algo que eu possa ajudar...
– Não precisa, obrigado – interrompeu Estrela – Todos estão procurando-a. Obrigada.
Desligou o telefone sem saber o que pensar, Maria exagerou em sua reação, era uma simples brincadeira, não precisava disso tudo, sumir sem deixar rastros só pra chamar atenção. Agora sim seria demitida sem ter ao menos a chance de se explicar, pensou ela. Sem ter o que fazer pegou suas coisas e foi para seu apartamento.
*Hospital São Rafael*
José estava na sala de espera já tinha sido atendido, precisou enfaixar o braço mas nada sério, esperava notícias da senhora que salvou. Felipe que o ajudou a chegar ao hospital tentava mais uma vez conseguir alguma informação.
– Nada – disse Felipe ao sentar-se junto a José.
– Não acha que estão demorando demais? – perguntou José preocupado.
– Só faz 1h que chegamos, além de atendê-la tem o bebê. Então deve demorar mesmo. E como iremos fazer para localizar a família da senhora?
– Não sei. Talvez devemos avisar a polícia, vamos esperar que o médico nos dê alguma notícia e vamos avisar a delegacia mais próxima – respondeu José.
– Trouxe a ficha da paciente para ser preenchida – disse a enfermeira entregando a ficha a José.
Os dois se olharam e relataram todo o ocorrido a enfermeira:
– Nesse caso eu mesma ligo para a delegacia e informo a situação. Enquanto isso esperem aqui o médico não demorará a trazer notícias – disse por fim a enfermeira ao ouvir toda a história.
Ela se retirou e eles ficaram ali a espera do médico. Eles eram trabalhadores honestos, desses que estão pronto a ajudar qualquer um, vivem uma vida simples naquele bairro. O hospital era pequeno com poucos recursos apenas atendia casos simples das pessoas humildes que ali viviam. Depois de 20min o médico apareceu:
– Vocês que trouxeram a senhora grávida? – perguntou o médico ciente de toda situação.
– Sim senhor. Como ela está? – perguntou José.
– Podemos constatar que cortou um pouco a cabeça, não apresenta nenhuma fratura. Nesse instante a ginecologista está fazendo um ultrassom para saber como está a criança.
– Ela falou alguma coisa? – perguntou Felipe.
– Ela ainda se encontra inconsciente. Precisaria faze-lhe uma tomografia mais aqui não dispomos de tal exame. O que pode ser feito já fizemos. Com licença – disse ele retirando-se.
– Agora teremos que esperar pela polícia – concluiu José.
Poucos minutos depois a ginecologista avisou-lhes que o bebê estava muito bem. O que preocupavam era a inconsciência da paciente.
*Delegacia*
– Já avisei a todas as delegacias e hospitais, teremos que esperar alguma notícia – disse o Inspetor Monteiro.
– Esperar não, minha mulher está perdida por aí. Temos que fazer algo! – disse Estevão desesperado pela falta de notícia da esposa.
– Podemos nos dividir e procurá-la em prováveis locais que poderia haver ido – disse Heitor.
– É uma boa ideia – falou Leonel.
– Primeiro precisamos montar toda uma equipe para que possamos nos comunicar assim que tivermos alguma notícia – falou o inspetor esperando que todos sentassem para começarem a separar as equipes. Mas antes dedicou um olhar de conforto a Estevão, ele era o único naquela sala que entendia o desespero de Estevão. Demétrio estava solto e Maria corria riscos a cada minuto que passavam sem notícia.
*Hospital São Rafael*
Terminaram de contar tudo que sabiam ao delegado e ao assistente que estavam no hospital, a pouco mais de 30min.
– Não anotaram a placa do carro? – quis saber o delegado.
– Não senhor, foi tudo muito rápido apenas nos preocupamos à salvar a senhora – respondeu José.
– Nem puderam ver o condutor do veículo, se era homem ou mulher? – perguntou o delegado.
– Não doutor. O carro era escuro, era um que não vemos por ali, somos todos humildes e ninguém naquela região possuiria um modelo daquele – respondeu Felipe.
– Por enquanto teremos que aguardar que a paciente acorde e nos dê mais informações – falou o delegado.
Ele se afastou um pouco com seu assistente, fazendo algumas anotações:
– Muito estranho tudo isso. Aparentemente a vítima não pertencia aquele bairro, ainda é cedo para afirmar mais possivelmente alguém vinha seguindo-a.
– Com licença doutor – falou discretamente o assistente – Pelas características da vítima, não bate com as descrições que recebemos pouco antes de vim para cá de uma mulher desaparecida.
O delegado recordou a ligação que recebeu do colega minutos antes de partir para o hospital, as características eram as mesmas, pensou ele. Não perdeu tempo e ligou para o Inspetor Monteiro.
* Apartamento de Adriana*
Já tinha perdido as contas de quantas vezes tinha mudado os canais da TV, sentada no sofá dos seu apartamento Adriana que já tinha tomado um banho e feito um lanche, pensava no que fazer, ao fim se deu conta do quão só estava, não tinha amigos, conhecia muito pouco aquela cidade, mas principalmente no que faria se realmente fosse demitida, aquele emprego além de mantê-la tinha o propósito, vingar à morte dos pais. Os dias passavam e não via um futuro em toda essa história, tinha que fazer alguma coisa precisava de mais algum tempo. Seus pensamentos foram interrompidos pelo toque do celular:
– Pronto.
– Sou eu.
– Padrinho! – falou assustada.
– Sim. Apenas quero saber o que aconteceu com Maria?– perguntou ele.
– Ela simplesmente desapareceu – respondeu ela recordando o que houve na empresa – Pela manhã discutiu com o marido, saiu correndo e até onde sei não apareceu mais.
–Sumiu!? – Demétrio não evitou a risada.
– Por que está rindo? – perguntou confusa – Sabe onde ela está?
– Onde está não, mas o que pode ter lhe acontecido sim.
– O quê? Fale – perguntou ela.
– Vi quando Maria saiu correndo da empresa a segui-la e a atropelei em um bairro distante daqui – disse ele friamente – Quando liguei pra você queria saber o que tinha acontecido com ela, deduzir que as pessoas que a socorreram teriam localizado mais por algum motivo não o fizeram. Adriana, está aí? – perguntou ele quando a menina não disse nada.
– Sim estou. Te pedi que não fizesse nada enquanto ela estivesse grávida – gritou Adriana.
– Não grite comigo. Não lhe prometi nada, você que não quis fazer nada e eu concordei – disse ele.
– Essa criança não tem culpa de nada – falou ela.
– Agora está feito, assim que souber de algo me avise. E por favor nada de sentimentalismo, talvez não aconteceu nada um imbecil acabou salvando-a.
– Não é sentimentalismo. Mas não quero que nada aconteça com a criança, está feito e pronto – conformou-se com a situação –Então vamos ter que esperar, te aviso assim que der – desligou o telefone.
Deixou-se cair no sofá, era sincera quando dizia que não queria o mal do bebê, era um ser indefeso e não tinha culpa de nada. Mais uma vez ligou para a mansão, dessa vez quem atendeu foi Alma e disse que não havia notícias. Um sentimento de culpa a invadiu. Não! Gritou alto, a culpa não é minha.
*Delegacia*
– Estamos todos prontos? – perguntou o inspetor e vendo todos assentirem – Então vamos. Só um minuto – falou enquanto viu seu celular tocar.
Todos ficaram esperando a chamada terminar para seguirem em busca de Maria.
– Muito obrigado. Partiremos para lá agora mesmo – terminou a ligação – Encontraram uma mulher em um hospital vítima de atropelamento e pelas informações pode ser Maria.
– Como? – perguntou Estevão muito angustiado depois de ouvir hospital.
– Precisamos ir para lá imediatamente – falou Heitor.
– Heitor vem comigo no meu carro e Estevão vai com o senhor – propôs Leonel.
– Está bem. Vamos – disse o inspetor.
– Como ela está? – perguntou Estevão ao inspetor segurando-o pelo braço.
– Não tenho essa informação – respondeu ele compreendendo sua atitude – Mas logo saberemos. Vamos.
E assim foi, Estevão e o inspetor foram em um carro e Leonel junto a Heitor seguiam eles. Decidiram não avisar a família até ter a certeza de que era realmente Maria.
Entraram correndo no hospital e encontraram dois homens na sala de espera. O inspetor viu seu colega e aproximou-se. Conversaram e logo em seguida foram até os dois homens:
– Boa Tarde – falou o inspetor – Meu colega já me informou tudo. Esse é Estevão San Román, seu filho Heitor e o amigo Leonel. Poderia repeti tudo por favor.
Os dois rapazes assentiram e começaram a relatar tudo. Estevão estava impaciente queria saber se era Maria, mas foram informados que o médico estava atendendo um paciente e logo iriam vê-los.
– Boa tarde – disse o médico que acabava de entrar.
– Boa tarde doutor – respondeu Estevão – Me chamo Estevão San Romám.
– Vou acompanhá-lo para ver a paciente.
Eles saíram e o médico guiou ele a um quarto que tinha várias camas que eram separadas por cortinas haviam alguns pacientes. Mas foi na segunda cama daquele quarto que o coração de Estevão voltou a bater novamente, era ela.
– É minha esposa – disse ele se aproximando e tocando sua mão – Como ela está?
– Ela está bem. Não há fraturas, o bebê está bem, só um pequeno corte na cabeça. O que me preocupa é que ela até agora não recobrou a consciência – explicou o médico.
– Podemos transferi-la para um outro hospital?
– Podem sim. Lá ela terá uma melhor avaliação, aqui fizemos todo o atendimento disponível.
– Eu estou muito agradecido – disse Estevão apertando a mão do doutor.
Estevão saiu da sala para confirmar que era Maria que estava internada ali. Ligou para o hospital e solicitou uma ambulância urgente para a transferência de sua mulher. Enquanto aguardavam, Estevão se dirigiu aos dois homens que ainda permaneciam ali:
– Eu não tenho palavras para agradecer o que fizeram por minha esposa. Muito obrigado.
– Não tem o que agradecer doutor. Espero que fique tudo bem com ela – disse José.
– Agora que ela está entregue a sua família precisamos ir, né José? – falou Felipe – Nem pense nisso doutor – disse ao perceber o que Estevão pretendia fazer.
– Quero apenas gratificá-los – disse ele – Não quis ofendê-los
– Não nos ofendeu, mas não precisa mesmo – disse José apertando a mão de Estevão – Com licença.
E se retiraram. Um tempo depois a ambulância chegou, Heitor ficou responsável por informar a todos na mansão que Maria havia sido encontrada. Sabendo disso todos partiram para o hospital.
O inspetor ia para a delegacia junto ao seu companheiro:
– Foi um atentado.
– Que disse? – perguntou o companheiro um pouco confuso.
– Esse caso de Maria – respondeu Monteiro – É muita coincidência que Maria seja atropelada no mesmo dia que Demétrio saiu da prisão. Temos que ficar de olhos bem abertos, o alvo dele a gente já sabe ele não pensa em fugir até conseguir o que quer.
– Toda a família precisa tomar muito cuidado. Ele é muito perigoso e pelo que parece veio para o Tudo ou Nada.
* Hospital Central*
Estavam todos na sala de espera ansiosos por notícias. Maria iria refazer alguns exames e se submeter a outros. De todos os presentes naquela sala Estevão era o que mais estava preocupado, ele sabia o que tinha acontecido. Foi ele, pensou Estevão. Mais uma vez Demétrio entrava em suas vidas para lhes fazer mal, não havia comentado com ninguém, primeiro precisava saber como Maria estava e então contar tudo a ela e juntos decidiriam o que fazer, estava decidido a contar, mas antes ela teria que está em casa calma e em segurança, Maria e seus filhos.
– Familiares da Sra. San Román? – perguntou o médico.
– Aqui estamos – respondeu Estrela que se encontrava mais próxima dele.
– O quadro da paciente é estável, ela e o bebê estão ótimos – disse o doutor tranquilizando a família.
– Já recuperou os sentidos? – perguntou Estevão.
– Ainda não. Teve um pequeno trauma na cabeça mais os exames não detectaram nada grave, logo ela despertará. Permitiremos uma visita por vez.
Todos concordaram que o primeiro que deveria passar era Estevão. Ele entrou no quarto, que diferentemente do outro era bem amplo, confortável e com privacidade. Trazia um ramo de tulipas vermelhas que tinha mandado Arnaldo comprar, Maria tinha um pequeno curativo na testa e dormia tranquilamente, havia dois equipamentos monitorando a pressão, um era de Maria e o outro deduziu que seria o da sua filha. Uma lágrima desceu no rosto de Estevão, uma lágrima de alívio e principalmente de agradecimento por Deus permitir que nada de mau sucedesse as duas, se aproximou de sua esposa e depositou um pequeno beijo em seus lábios. Passou alguns minutos contemplando-a dormir sem soltar sua mão, até que seu celular tocou se afastou um pouco e de costas para Maria atendeu:
– Alô.
– Estevão sou eu Daniela – disse ela muito nervosa – acabo de saber que Demétrio fugiu da prisão e estou apavorada.
– Fique calma nada de mal irá lhe acontecer.
– Eu não sei tenho muito medo, ele é um monstro – disse chorando, os nervos de Daniela estavam à flor da pele – Acabei de saber o que houve com Maria, você acha que existe a possibilidade de Demétrio está por trás disso.
– Sim. Tenho quase certeza.
– Pretende dizer a ela?
– Sim, quero esperar um pouco para contar, antes de dizer aos meus filhos. Tenho que achar um bom momento para contar a ela.
– Porque não conta tudo agora Estevão.
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