Nada Fácil

4 Capítulo 4


Notas iniciais
Espero que gostem :)

*Prisão Oriente*
Demétrio andava de um lado para o outro da cela, estava impaciente. Desde que recebeu a visita de Adriana não pode ficar tranquilo, não sabia se ela viria lhe ver esse dia, sua impaciência estava irritando os companheiros:
– Será que a boneca faria o favor de ficar quieta? – perguntou com ironia um deles.
– Se a princesa quiser eu posso te acalmar – falou o outro rindo.
– Quantas vezes será necessário eu dizer que não quero que se refiram a mim desse jeito – gritou Demétrio – Já mandei me deixarem em paz.
– Não fale assim com a gente – reclamou o outro dando um soco em Demétrio.
Nesse instante o carcereiro chegou e impediu que algo maior acontecesse. Depois de um tempo já estava encolhido em um canto da cela, tinha que fugir dali o quanto antes. Tinha que assistir de camarote toda a desgraça que cairia sobre os San Román. Mas os presos que planejavam a fuga tiveram que adiar-lá porque o carcereiro que foi subornado para facilitar a fuga entrou de férias e teria que esperar mais alguns dias. Era justamente essa espera que o estava deixando louco, não dormia, nem comia e tinha alucinações que estavam ficando mais frequentes. O único consolo era Adriana.

* Casa de Socorro*
Estavam tomando café e Socorro não parava de falar em tudo que já tinha conseguido com a prataria, vendas, novas contratações, um grande crescimento:
– Fico muito feliz com tudo que conseguiram – disse Maria.
– E tudo graças a você. Não poderemos lhe pagar nunca por tudo isso – falou com muita sinceridade Socorro – Só Deus poderá lhe recompensar por tudo que fez por nós.
– Nada disso, sem o empenho e a boa vontade da gente que vive aqui, a prataria não seria o que ela é hoje.
– Muito obrigada mesmo, minha amiga.
– Socorro eu vim aqui para te falar uma coisa que eu suspeito... – começou Maria sem jeito – E que desde ontem...
– Boa tarde senhoritas – interrompeu Estrela com sua alegria inconfundível.
– Boa tarde filha – disse Maria com um certo desapontamento por não ter conseguido falar com Socorro.
– Boa tarde minha querida – cumprimentou Socorro – Maria o que ia dizendo?
– Nada de importante.
– E do que falavam? – perguntou Estrela.
– Agradecia sua mãe por tudo – disse Socorro que preferiu não insistir em saber o que Maria iria lhe contar.
– Minhã mãe merece tudo de melhor que há no mundo – disse Estrela abraçando e beijando a mãe.
– E o Greco, Estrela?
– Teve uma reunião de última hora com um empresário. E mãe quando quiser ir
, nós vamos.
– Eu acho melhor nós irmos – olhando o relógio – Quero está em casa antes que seu pai chegue.
Se despediram de Socorro e partiram. Maria ia no banco do carona e Estrela conduzia o carro, ela ia perdida em seus pensamentos não sabia o que fazer esperava que pudesse ao menos contar suas suspeitas para alguém, consultou o relógio e deduziu que a essa hora o exame estaria pronto, mas não tinha nenhuma desculpa para dar a filha e ir busca-los. Não que não confiasse em sua filha, mas Estrela não aguentaria e acabaria contando tudo a familía e até agora era só uma suspeita, e além disso o primeiro a saber deveria ser o pai. O pai. Ah, Estevão meu amor– suspirou – como reagiria ele quando soubesse que logo seria pai novamente. Estrela viu o suspiro da mãe e falou:
– Suspirando pelo papai? – riu.
– Estrela não comece.
– Foi só uma pergunta – fez cara de inocente.
Maria olhou com a cara de quem sabia que as perguntas de Estrela nunca eram inocentes. Mas como já estavam de frente para a mansão não disseram mais nada. ela passou direto para a cozinha para ver se estava tudo em ordem para o jantar, depois foi ao quarto de Vivian e por fim foi para o seu quarto precisava relaxar e preferiu tomar um banho.
Quando já estava na banheira e com os olhos fechados, não se deu conta que uma pessoa já estava no banheiro e bem devagarinho foi entrando na banheira, Maria levou um susto e ao ver de quem se tratava abriu um lindo sorriso, mudou de posição e Estevão entrou, ele já tinha contemplado por alguns minutos Maria naquela banheira, então ele ergueu a mão e tocou o rosto dela com o dedo, uma carícia tão delicada que parecia uma pluma contra a pele de Maria. No momento em que a tocou, ela fechou os olhos deixando a sensação lhe percorresse o corpo, aquecendo-lhe o pescoço e os seios. Maria se apoiou nele, sentindo o calor que vinha do corpo do seu marido, fazendo com que ele a envolvesse nos seus braços, puxou-a contra si e a beijou de leve nos lábios. Recuou um pouco a fim de olhar pra ela e depois a beijou novamente com delicadeza. Maria retribuiu o beijo, sentindo a mão dele subir por suas costas nuas até seus cabelos, no qual ele mergulhou seus dedos. Estevão beijou-lhe o pescoço e mordiscou-lhe o lóbulo da orelha, enquanto as mãos percorriam suas costas. Ela entreabriu os lábios ao sentir a ternura do toque dele. E naquela banheira seus corpos se tornaram um só, se amaram, se tocaram e reafirmaram o que já sabiam, que o que precisavam um do outro em um final de dia cansativo de trabalho eram estar juntos, a pura certeza de encontrar os braços um do outro satisfazia-os sempre.
– Te amo tanto – declarou-se Maria.
– Não mais que eu – ainda estavam na banheira, com ela deitada em seu peito – Te amo muito Maria.
– Eu também – beijando-o – Mas agora precisamos descer e jantar porque já estou morrendo de fome.
Ao entrarem na sala de jantar perceberam três par de olhos em cima deles, Maria foi a primeira a falar e se arrependeu logo em seguida:
– O que foi por que olham tanto assim para nós?
– Vocês que demoraram uma eternidade lá em cima e nós aqui esperando – respondeu Estrela – Mas como deduzimos que não iriam descer mais, nós viemos comer – riu e levou todos a mesa ao fazer o mesmo.
– Estrela eu não vejo a mínima graça em suas brincadeiras – disse Estevão porque sabia que Maria estava morrendo de vergonha.
– Tá bom, foi só uma observação.
– Quando subimos o senhor disse que não demorava – falou Heitor – Então concluímos que não desceriam mais.
– Mas já estamos aqui – falou Maria para tentar acabar com a conversa – Vamos comer? – olhando para todos que ainda queriam rir, até Carmem que preferiu ficar calada.

Dia Seguinte

O que faria hoje? Enquanto não obtivesse a confirmação da sua contratação preferia não visitar seu padrinho, não queria lhe dar falsas esperanças só iria vê-lo quando tivesse boas notícias. Ainda estava deitada, não tinha ânimo para nada. Ao virar-se viu sua caixinha que havia trazido de Aruba e que continha a carta de Alba que ainda não tinha aberto, sentou-se na cama e abriu a carta, não era grande :
Adriana,
Quando lê esse recado provavelmente estará vindo para o México. Tenho muito pra te contar, te encontrarei no Hotel Central, eu lhe procurarei. Qualquer coisa Ferreira está a sua disposição.
Alba San Román
A carta nada mais era que um recado, Alba não tinha certeza se estaria na cidade quando Adriana chegasse, muito provavelmente não. Estevão não a perdoaria por tê-lo acusado de ser o assassino de Patricia e ela teria que sair da cidade por um tempo. Adriana concluiu que o que Alba queria dizer com "Tenho muito pra te contar,..." se referia ao que Demétrio contou, guardou a carta e passou a revisar as fotos que tinha na caixinha, tinha algumas de quando era bebê, de seus pais no inicio do namoro, as únicas coisas que sobraram de seus pais como recordação. Fechou a caixinha e colocou na última gaveta do criado-mudo. Resolveu que passaria o dia na cama, o apartamento que escolheu estaria liberado no dia seguinte, faltava assinar o contrato de aluguel, e o que teria para arrumar pra mudança não levaria muito tempo já que tinha pouca coisa. Fechou os olhos e novamente dormiu.

*Empresas San Román*

Olhando para o envelope em sua frente e sem ter coragem de abri-lo.
– Maria você não é uma adolescente com medo dos pais descobrirem que está grávida – repreendeu- se a si mesmo – Se der positivo você ficará imensamente feliz e tem certeza que à Estevão passará o mesmo. E se der negativo... – não queria pensar nisso já estava muito ilusionada – Quem sabe eu não convenço o Estevão...
– Estevão o que? – perguntou Estevão assustando Maria.
– Que susto! – exclamou ela guardando o envelope na primeira pilha de papéis que encontrou – Podia ter batido a porta.
– Eu bati meu amor – rindo dela.
– Está bem, o que quer?
–É sobre secretária?
– Bom eu tenho duas candidatas, e dentre elas você escolhe a que quiser.
– Já que você não escolheu, ontem veio uma moça para ocupar a vaga. Como você não estava eu acabei atendendo-a. Ela precisa muito do emprego, não vive nesse pais, órfã ... – parou de falar quando viu a fisionomia de Maria mudar.
– Você entrevistou a moça para um cargo e ela contou sobre a triste história dela? – ironizou Maria.
– Não é bem assim. Ela não tem experiência, mas...
– E mesmo assim você quer contratá-la? – perguntou ela que já ficou com a pulga atrás da orelha, mulheres que se faziam de vítima não era de confiança.
– Uma chance apenas – respondeu ele – Mas se quiser contratar uma dessas que escolheu fique a vontade. Eu acho que deve haver algo para ela na empresa.
– Não precisa – ela sabia que Estevão se empenharia em ajudar a moça. Então que ficasse com o cargo de secretária, seria o melhor, a última coisa que queria era brigar com Estevão – chamarei Lupita e ela cuidará de tudo.
– Está bem. Ângelo me ligou hoje de manhã – mudou de assunto – Vai tudo muito bem. Alma está encantada com tudo.
– Que bom, eles merecem muito.
– Eu vou para minha sala, até logo – dando a volta na mesa e dando-lhe um beijo.
Quando Estevâo saiu, Maria pegou o envelope e guardou na bolsa, achou por bem abri em casa. Chamou Lupita a sala e deu ordens para ela ligar para Adriana e avisa-lhe que estava contratada.
*Hotel Central*
Despertou com o telefone tocando, ao atender não pode acreditar o que ouvia: Estava contratada. Tão rápido. Agora tinha uma grande oportunidade em mãos, não iria desperdiçar. Tinha que ir de compras não possuía roupas adequadas para trabalhar, ligou para o proprietário do apartamento e confirmou que assinariam o contrato na hora do almoço do dia seguinte. Correu para o banheiro, tomou banho e saiu.
* Empresas San Róman*

Os olhos estavam cheios de água, chorava de felicidade ao mesmo tempo que levava as mãos ao ventre: Grávida! Enfim a curiosidade falou mais alto e abriu o envelope, seria mãe novamente, mas um filho de Estevão. As lágrimas insistiam em cair, um bebê, daqui a alguns meses teria ele em seus braços. Um bebê, era só isso que saia da boca de Maria nesse momento. Como daria a notícia a ele? Precisava pensar em algo especial, recordou que na gravidez de Heitor e Estrela descobriram juntos, mas dessa vez ela queria fazer algo especial. Saiu da sala e perguntou a Lupita pelo marido e foi informada que ele estava em uma reunião. Maria lembrou que Estevão chegaria muito tarde, nesse dia chegaria uns empresários de Nova York, mas não tinha problema ela daria a notícia no dia seguinte. Deixou o recado com Lupita que iria para casa.
Chegou em casa no inicio da noite, estava muito cansada. Subiu para ver Vivian, Heitor e Estrela, avisou que não iria jantar, que tomaria um banho e dormiria. Após o banho ela separou o pijama de Estevão em cima da cama e borrifou um pouco de loção de bebê na roupa dele. Tentou esperá-lo pra ver sua reação mais não foi possível e acabou adormecedo.
Estevão chegou muito cansado, olhou para a esposa na cama que dormia como um anjo, estava tã linda, feliz e era assim que queria ver sempre, viveria para fazer sua mulher feliz. Pegou a roupa em cima da cama e foi pro banheiro e não percebeu nada (>>>Homens>>>) quando saiu do banheiro encontrou um bilhete : PAPAI ESTOU CHEGANDO!. Como era noite e a única luz que tinha no quarto era seu abajur não percebeu que a letra era de Maria, e pensou ser de Estrela que saia a noite com Greco. Beijou o rosto de Maria e dormiu.
Na manhã seguinte foi o primeiro a despertar, Maria ainda dormia do seu lado, tomou banho e foi até o closet e percebeu que suas roupas estavam separadas e embaixo delas havia um par de roupinhas de bebê, uma rosa e outra azul, ao lado dos seus sapatos tinha um par bem pequeno da mesma cor, recordou imediatamente do bilhete da noite anterior, logo em seguida um envelope caiu de suas roupas, abriu e leu. Seus olhos já estavam cheios de lágrimas.
Percebeu uma presença logo atrás de si, ao virar-de sua mão instintivamente pousaram no ventre de sua amada, onde crescia seu filho.