Nada Demais, Nem de Menos
1 Das cantigas de amor
Eu, meu bem, não sou infesta dos teus anjos.
O teu mero arcanjo que banha a utopia que lhe compõe
Vês que, em suas asas, este traz a ti
O meu grande desejo.
Eu, meu bem, pinto-lhe os sóis de uma manhã abrangente.
Com o furor de só Deus vivo,
alegre digo-lhe este versejo:
Cores celestiais não só dominam o teu sorriso;
O tenro de teus lábios brotam em mim
O sabor de presenciar seu ousado cortejo.
Eu, meu bem, devo te dizer que
Implo arcanjo vem a renascer nesta era.
Seu inaudito cântigo faz-me delirar,
Sua voz está presente nele.
Quando a cirene dos portões divinos apitar,
Num estridente chamado para lhe dizer
Quão bela és
Serás apenas um recado meu;
Uma cantiga de amor.
Um ínclito sonho:
Formidável será lhe reencontrar!
Enquanto os pingos castanhos das orbes
Que me domaram um dia luzirem,
As mágoas da distância que viera pairar
em meu coração mole
Hão de sempre me afagar.
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