Nada - Delma

1 Único - Barzinho De Esquina


Notas iniciais
AVISO(S):
1. A história se passa no mundo atual, no qual os personagens são adultos e já estão na faculdade - diria que elas têm entre os 19 e 21 anos!
2. A história não foi betada, então com certeza terão alguns erros;
3. A sinopse não está lá essas coisas, mas vai fazer mais sentido depois do final kkkk;
4. Fanfic de MINHA autoria, originalmente publicada no Spirit Fanfics;

Bem, desejo a todos uma boa leitura^^

A mulher de longos cabelos ruivos suspirou ao ter outro copinho pequeno cheio de alguma bebida alcoólica — provavelmente whisky — posicionado na sua frente, acompanhamento de um breve olhar compadecido da balconista.

Daphne apenas pode revirar os seus olhos em resposta, antes de virar de uma só vez todo o líquido gelado em sua boca. Não estava mais queimando tanto quanto os outros três — ou seriam quatro? — copos que já tinha tomado. Ela não era de beber, e inclusive odiava qualquer coisa com álcool, mas estava tão triste que o gosto de todas essas bebidas não poderiam lhe incomodar menos.

— Posso me juntar a você? — Uma voz suave, apesar de rouca e abalada, perguntou. Dafnne reconhecia essa voz de algum lugar, mas precisou se virar para encarar a sua dona e enfim descobrir que se tratava de Velma Dinkley, a estudante estrela do curso de computação.

— Ah...Claro… — A ruiva respondeu de uma forma meio arrastada, o álcool definitivamente já estava fazendo algum efeito em seu corpo. Ela viu a menor se sentar do seu lado no balcão, usando uma blusa laranja rendanda e uma longa saia vermelha — e em uma ocasião normal, a estudante de moda teria pensando em como essa roupa já estava passada, mas no momento, ela não poderia se importar menos com a moda. E não era como se Dafhne estivesse exatamente bem vestida, já que estava usando a mesma roupa desde o começodo dia — no caso uma mini-saia roxa e uma blusinha lilás de alças finas bastante amarrotadas.

Velma tratou de pedir o mesmo que a ruiva tomava para a balconista, antes de se virar e encarar a maior com certa intensidade.

— O que trouxe a princesa do curso de moda para esse barzinho de esquina? — A Dinkley foi direta em perguntar. Ela normalmente não falava com a Blake, e não se mostrava tão enxerida e insensível ao fazer esse tipo de pergunta tão pessoal, mas não estava com cabeça para rodeios agora — e queria muito se distrair.

Dafnne pensou seriamente por alguns segundos se realmente queria falar o que tinha acontecido para a mulher do seu lado, e no final, não viu qualquer problema nisso, afinal, a sua situação não se tornaria pior por isso.

— Eu e o Fred terminanos. — Ela tratou de responder sem enrolação, afiada como uma faca. — Ele é gay. — Disse seriamente, prevendo que a mais nova iria perguntar o motivo.

— Nossa. — Velma murmurou, sem palavras. Fred e Dafnne eram como os casais perfeitos dos filmes que os americanos ostentavam com orgulho para outros países. — Vocês estão juntos a meses.

— Desde o começo do namoro, eu e ele sempre soubemos que essa possibilidade existia, até porque, dá pra ver que ele não olha pra garotas com qualquer interesse romântico ou sexual, mas eu estava tão apaixonada que eu convenci ele que a melhor forma dele descobrir se realmente não sentia atração por mulheres era se relacionando com uma, e obviamente eu era a melhor pra ajuda-lo. — A Blake murmurou, sentindo os seus olhos azuis se encherem de lágrimas mais uma vez. — Bom, nos descobrimos que ele realmente não gosta de garotas. — Falou secamente, enxugando as lágrimas nos cantos dos seus olhos antes que elas realmente caíssem. Ela não culpava o aluno de arquitetura por esse termino precoce e doloroso, afinal, ele nunca quis realmente esse namoro e nunca escondeu isso, mas ainda assim doía muito. Saber que ela e o seu amor nunca seriam o bastante doía como os cortes de um gilete.

— Ah… — Velma murmurou desconcertada, essa era realmente uma situação complicada, com a qual ela não estava nem um pouco habituada a lidar.

— E o que traz a estrela da computação até aqui? — Dafhne tratou de devolver a pergunta, normalmente ela faria isso de uma forma mais gentil e discreta, mas não estava nenhum um pouco interessada em se fingir de gentil nesse momento.

— Eu...Eu descobri que o Salsicha é gay. — Contou baixinho, após alguns minutos reunindo coragem. Mas a ruiva apenas murmurou um "Quem?", um tanto confusa. — O garoto do curso de culinária com calça boca de cino e blusa verde.

— Ahhh sim. Eu conheço ele! — Dafnne comentou bem humorada e um tanto sorridente, o que fez Velma arquear uma sobrancelha, um pouco confusa com a reação. — Os alunos de culinária precisam de pessoas pra testar as suas receitas, e nada melhor do que fofocar comendo. — Disse como se fosse óbvio, e isso só serviu para confirmar para a outra mulher o quanto pessoas do curso de moda realmente podiam ser fofoqueiras.

Depois disso, um silêncio estranho se instalou entre ambas. Elas nunca estiveram perto uma da outra por mais de cinco minutos, e definitivamente nunca tiveram uma conversa com mais de vinte palavras — Velma inclusive duvidava que elas já tivessem chegado a realmente conversar.

— Bem, e você não está brava com o Fred ou algo do tipo pelo termino? — A de cabelos castanhos perguntou, não sabia se realmente queria continuar falando disso, mas também não queria continuar em silêncio ou ir embora. De alguma forma, Dafnne parecia ser a pessoa que mais poderia compreende-lá agora.

Dafnne piscou algumas vezes em silêncio, demorando alguns segundos para processar a pergunta da outra.

— Claro que eu não estou brava!Eu só estou triste, porque lá no fundo, mesmo que fosse improvável, eu ainda tinha uma esperança que pudesse dar certo. Eu realmente amo o Fred, mesmo que ele não possa devolver o que eu sinto da mesma forma. — Ela respondeu, a voz normalmente melódica carregava um pouco de tristeza e indignação — o que Velma realmente não entendeu. — Mas no final das contas, eu o entendo e nunca vou poder julga-lo, até porque, eu também tenho sentimentos por pessoas do mesmo gênero.

— Então você-

— Eu sou pan. — Dafnne a cortou, não estava com cabeça para perguntas repetitivas, os seus pais e irmãs já a tinham deixado enjoada de tanto ter que reafirmar a mesma coisa um milhão de vezes.

E por um segundo a Blake procurou qualquer indício de julgamento ou nojo na face da mais baixa, mas se deparou apenas com surpresa.

— Eu sou bi. — Velma disse baixinho e meio tímida ao perceber o olhar analisador da maior em si. A ruiva arregalou levemente os olhos pela confissão, era estranho estar tendo uma conversa tão direta com uma pessoa que mal trocava duas palavras.

— Então vamos fazer um brinde ao nosso sofrimento por dois homens gays! — Dafnne cantarolou com um sorriso ladino após alguns segundos de silêncio e troca de olhares, pedindo mais dois copinhos de whisky para ambas, e Velma a seguiu sem questionar ou reclamar.

Elas não eram amigas ou mesmo colegas, mas isso não impedia que elas se divertissem um pouco juntas, tirando sarro de suas próprias tristezas e desilusões.

E não impediu que elas acabassem se beijando do lado de fora daquele bar de esquina depois de conversarem sobre tudo o que era possível para duas mulheres com as línguas bastante soltas.

Não impediu que elas gostassem daquela troca desleixada de carinhos e beijos. Da sensação gostosa de enfim ter alguém correspondendo de verdade os seus toques.

Elas não eram substitutas para amores não correspondidos. Elas não tinham rótulos uma para a outra, nunca tiveram.

Elas eram, uma para a outra, como o nada.

E essa noite, elas seriam nada juntas.

Sem arrependimentos. Sem corações partidos. E sem Fred ou Salsicha.

Dafhne e Velma definitivamente gostavam de ser nada juntas.

Notas finais
Enfim, o que vocês acharam da história?Curtiram?Eu espero e muito que sim^^
Comentem tudo aí!!!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!