Nada é tão normal assim

3 eu tenho uma bússola, só que não


Quando eu acordei estava em um beco escuro de lixo em cima de uma coberta descartada, olhei para a direita, lá estava Nico encostado em uma lixeira olhando pra mim, quando se deparou que eu acordei ele se levantou e foi até mim dizendo:

– Eu falei que não era para me seguir...-eu ainda estava meio zonza mas respondi-

– Eu não ia ficar parada lá, você é esperto o suficiente para ter percebido aquilo -ele viu que eu olhei triste para ele, sei lá, ele me lembrava do jeito que a minha avó falava comigo-

– O que foi ? -ele perguntou pra mim com cara de preocupado-

– Eu sei que isso é estranho, mas você fala com a minha avó -ele olhou assustado pra mim e falou:

–Então ela deve ser alguém muito sábia!

– Ela morreu...

– Ah, me desculpe, eu não quis...

– tudo bem, temos que lidar com a morte as vezes... -ele olhou pra mim cabisbaixo, sabia que ele queria falar algo -

– Err...minha irmã...ela... morreu também

– Desculpe, eu também não devia... -e assim nossa conversa acabou, de uma forma triste-

Eu tirei a minha bússola antiga do meu bolso, minha tia que me deu pouco antes de morrer, ela estava no hospital depois de sofrer um acidente horrível de carro, suas últimas palavras foram pra mim: "eu só fiz isso para te proteger",

Estranho, a gente não tinha uma ligação forte, ela era uma mulher irresponsável, trabalhava como mulher do tempo, começou a namorar um cara que só usava paletó, ela teve 2 filhos com ele, um menino e uma menina, o garoto sumiu quando tinha um ano, e a garota fugiu de casa depois.

Nico olhou para a minha bússola pasmo, e perguntou:

– isso é bronze?

– como você sabe?

–permita-me -ele tirou a bússola da minha mão, e a abriu-

– o que foi? — perguntei-

– essa bússola não está quebrada

– como assim? ela não aponta nem para o norte, nem pra nada! — ele apertou uma espécime de botão debaixo do objeto e saiu toda a água de dentro-

– pronto!

– ei!! você quebrou minha bússola!! — eu arranquei da mão dele, a minha bússola começou a puxar vento de todas as direções, sem querer eu girei a agulha e minha querida lembrança virou uma espada linda, com uma rosa dos ventos encravada, ela era feita de um bronze reluzente que se adaptava perfeitamente na minha mão-

– meus deuses — Nico olhou pasmo para ela -

– cara!! ela não é linda? -minha espada começou a tremer e caiu um raio nela, e apareceu a forma de um raio moldado na lâmina.

Nico começou a contar uma história de que os deuses gregos ainda existiam, e pela primeira vez, eu acreditei que não era um sonho.