Nada é o que parece

2 A escuridão é só o começo


Acordo confusa e com uma dor de cabeça do diabo. Depois de 5 minutos tentando raciocinar nada me vem à mente, tudo que sei é que estou sentada no chão de um quartinho sem absolutamente nada, a não ser por uma porta, e completamente branco. Uma luz forte pendurada no teto ilumina o quarto causando mais ainda o efeito branco.

Me sinto sufocada e enjoada, toda essa brancura e aspecto do quarto me dão tontura, quero sair, agora.

Me dirijo até a porta com meus pés formigando a cada passo e me surpreendo quando a maçaneta gira e a porta se abre para fora, porém nesse momento a luz do quarto se apaga e vejo escuridão total, fico paralisada por um tempo tentando enxergar alguma coisa, mas nada. Então, de repente o medo do escuro me atormenta, fecho a porta rapidamente e corro para dentro do quarto, mas nada adianta, a escuridão continua a me perseguir. Tento respirar lentamente e me acalmar, mas não consigo. E se alguém estiver dentro do quarto, do meu lado, nesse instante? Qualquer um poderia ter entrado naqueles poucos segundos pela porta.

Lágrimas de pânico escorrem e imploro misericórdia pro breu total, me encolho em um canto fazendo silêncio, tudo que consigo escutar são os batimentos do meu coração acelerado. A crise de pânico dentro de mim não passa, quero me levantar e encarar meu medo, mas não consigo, ficar ali chorando e esperando parece ser bem mais fácil. De repente um lampejo vem a cabeça, minha família, minha belíssima vida, quero afastar essas lembranças que vão piorar tudo! Tenho que me concentrar no que está acontecendo agora, mas ah, sinto tantas saudades...

Depois de muito tempo tentando me acalmar, consigo me levantar e ir até a porta, hesitando em cada passo que eu dava, abro-a e a escuridão permanece.

Inspiro segurando o ar dentro de mim e pensando se não vale bem mais a pena continuar no quarto.

“Seja forte” eu penso e consigo arranjar forças para continuar a caminhar, sigo em frente e bato com a parede, percebo que estou em um corredor e decido seguir a esquerda, ando cautelosamente, encostando em tudo até que chego no fim do corredor percebendo que não tem nada, dou meia-volta e continuo reto achando meio estranho não ter nem uma mísera porta! Onde diabos eu estou? E o que diabos está acontecendo? Minha cabeça já está latejando.

Ninguém para num quarto branco fechado a quatro paredes de repente onde as luzes apagam do nada, onde um corredor é... Volto a realidade percebendo que encontrei uma porta no fim do corredor, fico um pouco trêmula, ansiosa, esperançosa e ao mesmo tempo com medo. Giro a maçaneta e...