Nada é o que Parece.
3 Capítulo 2
Notas iniciais

CAPÍTULO 2
Acordo num pulo ao sentir algo gelado ser jogado contra o meu corpo. Pisco por alguns segundos tentando me recuperar do susto.
Olho em volta procurando o infeliz que me acordou e dou de cara com ninguém mais, ninguém menos que minha adorável irmã segurando um balde, que, provavelmente, possuía água.
—Eu não acredito que você fez isso! – Exclamo irritada.
—Relembrando os velhos tempos – Fala rindo – Mas falando serio agora. Levanta dessa droga que alguém chamado Thomas esta aqui e Dona Helena esta quase o enlouquecendo de tanta pergunta. Sério! Eu já ouvi umas vinte, no mínimo.
Levanto da cama resmungando como o quanto mamãe é chata com Thomas mesmo depois de dois anos de namoro, porque toda vez é a mesma coisa. Basta deixar os dois sozinhos que ela começa a falar, às vezes contando histórias de família, outras fazendo perguntas extremamente constrangedoras.
—Você sabe que ela é assim com todos não sabe? – Pergunta Luna escorada na porta me olhando escovar os dentes. Apenas assinto – Então pare de reclamar ué!
—Mas ela não fez isso com o Erick. – Respondo enquanto seco minha boca com uma toalha.
—Claro! Ele é seu amigo – Percebi ela ficar tensa.
—Irmão – Corrigi – Ele é meu irmão.
—Como...
—Fala sério Luna! Você não lembra que a gente se conhece desde criança? Ele é muito mais que um amigo pra mim. Não sei por que você esta tão surpresa.
—Eu não estou surpresa!
Eu pensei em retrucar, mas lembrei de que Thomas estava lá embaixo e, rapidamente, sai do “meu quarto” e atravessei o corredor onde minha irmã encheu de porta retratos. Chegando na sala encontro Pablo, noivo de Luna, e Thomas completamente vermelhos.
—Então depois que batemos essa foto...
Ai meu DEUS! Essa foto não!
—MÃE!
Eu e Luna nos encaramos. Não era possível! Da onde ela achou essa foto.
—Oi meninas estávamos falando de vocês.
—Luna ela não estava fazendo perguntas? – Sussurrei.
—E estava, mas parece que essa fase passou. – Respondeu baixo.
—Então... – Tentei quebrar aquele clima constrangedor. – Que tal a gente dar uma volta pela cidade? – disse sentando perto de Pablo.
—Adorei essa ideia maninha, afinal você esta devendo dez Euros pro meu carinhosíssimo noivo e futuro marido — Disse se sentando no colo do mesmo, ficando de frente pra mim.
—Eu não lembro disso.
—Mas eu lembro, foi quando eu os apresentei pessoalmente. Vocês apostaram quem desceria primeiro aquele pequeno declive lembra? Ele acabou ganhando e você, no meio do caminho, tropeçou e rolou até o final. O que resultou em dois idiotas no chão.
Todos, menos Thomas, riram quando eu fiquei vermelha e tentei arranjar alguma desculpa para não pagar.
***
—Meu Deus! Que lugar Lindo!
—Eu disse pra você, poderíamos ter vindo aqui antes, mas não achou que era tão belo. Não nega que é igual à irmã.
—Pablo!
Ficamos à tarde inteira andando por Madrid, e, depois de insistir tanto, chegamos ao Plaza Mayor. Que é uma praça cercada por prédios que parecem palácios e hotéis antigos, restaurantes, bares e lojas de artesanato.
O lugar era lindo, ainda mais agora que o sol estava se pondo. Aproveitamos esse momento para batermos uma foto com todos reunidos, menos Thomas que estava emburrado e não quis participar.
Depois de tirar algumas fotos nos sentamos, no chão mesmo, e começamos a falar sobre qualquer merda que viesse na cabeça. Até que eu deitei no colo de Pablo ocupando a parte que não estava sendo ocupada pela minha irmã.
—Sério, se vocês tivessem a mesma idade e o mesmo cabelo eu juro que ia pirar.
—A gente nem é tão parecida assim né mãe?
—Como não Angel? Quantas vezes te confundiram com tua irmã?
—Poucas.
—Poucas? Eu vi o Erick se confundir no mínimo umas 50 vezes, por dia, quando vocês estavam juntas.
Eu ia falar algo, mas percebi que Thomas estava meio quieto.
—Thomas? Você esta bem?
—Estou sim, mas eu vou pro hotel viu?
Ele se levantou e saiu à procura de um taxi. Rapidamente me levantei e corri em sua direção, conseguindo chegar antes que ele entrasse.
—O que houve com você?
—Nada pode voltar para ele.
De quem que ele esta falando....
Não, não pode ser!
-Ele é o noivo da minha irmã! Da onde que você tirou isso.
—Vocês pareciam bem íntimos.
—Claro ele passou seis meses com a gente e é o noivo da minha irmã.
—Mas isso não te impediu.
—Me impediu do que?
—De ficar com ele. Você acha que eu sou cego né? – E entrou no carro.
O que eu acabei de ouvir foi de verdade? Ele disse que peguei o noivo da minha irmã?
Voltei para a roda de cabeça baixa e isso não passou despercebido.
—Você ta bem mana?
—To sim, é apenas cansaço.
—Então vamos pra casa que a madame aqui – Disse Luna passando os braços pelos ombros de nossa mãe. – Vai fazer aquela macarronada.
E depois disso fomos pra casa em silencio, cada um perdido em seus próprios pensamentos.
Eu não acredito que ele achou que eu fosse capaz de fazer algo desse tipo.
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