Nacht Des Jagers
4 Capítulo III - Um pai para todos.
Notas iniciais
Agradecimentos: Obrigada por lerem e comentarem o capítulo anterior LadyShelley, Sweet e Cantmylittle. E obrigada por favoritar a fic Sra Biersack.
- Já tomei minha decisão, a partir de agora, serei eu quem irá treinar Christa Rohrmann! Depois daquilo, lembro-me vagamente do que aconteceu. Fiquei surpresa com aquela decisão, um tanto assustada também, imaginando como seriam rígidos os treinos com ela. Senti um cheiro adocicado, minha cabeça latejava, meus olhos doíam e tudo ao meu redor girava, uma náusea repentina fez com que eu vomitasse e desmaiasse logo em seguida. Um tempo depois, não sei quanto, eu acordei. Ainda estávamos naquele mesmo sobrado, estava caída ao chão enquanto os outros me observavam, numa roda ao meu redor. — Donzela! — Petra a chamou — Ela acordou! — Que seja, vamos logo. — ouvi-a responder — Depressa, levante chihuahua inútil, temos que voltar e nem pense que iremos carregá-la. Pra isso você tem pernas. Chihuahua inútil? Mas o que diabos é isso? Algum tipo de apelido carinhoso? Dei de ombros, isso tão pouco importava. Esforcei-me para levantar, sendo auxiliada por Petra. Minhas pernas tremiam, mas não deixaria com que meus joelhos cedessem, não na frente de Donzela, isso iria apenas aborrecê-la mais. Acompanhei os outros para fora do sobrado, entramos no veículo estacionado logo em frente da casa e seguimos de volta ao quartel general. Ao chegarmos ao quartel, ordenaram que eu ficasse na sala de estar e me entregaram um copo com água. Depois disso, os outros quatro sumiram quartel a fora, nem me importei em procura-los, afinal, tinham mais com que se preocupar além de um estorvo inútil, ou melhor, uma chihuahua inútil. Tampouco me importei com a água que havia sido entregue, não estava com cede. Apenas fiquei observando os ponteiros do relógio de parede moverem-se, tudo era branco demais, entediada e inerte naquele local, sem nenhum pensamento rondando minha mente, pude perceber isso. Toda aquela brancura estava fazendo com que eu me sentisse tonta. Minutos depois o quarteto retornou a sala, estavam rindo – exceto Donzela, que continuava com sua mesma expressão indiferente de sempre –, estranhei. — Qual é a graça? – perguntei. — Ah sim, só estávamos brincando um pouco com a cara da Donzela. – respondeu James – Não é mesmo, líder? Ela o encarou por um momento, não alterando sua expressão. Estranhei novamente. Sabendo que tratava-se de Donzela, imaginei que ela fosse usar algum golpe de luta contra James, mas não, ela manteve-se imóvel. — Por que estavam zombando dela? – perguntei. — Por que... Ora, bolas! Olhe para ela! – disse James – Ela é nanica, dezesseis anos e um metro e cinquenta e cinco! Donzela revirou os olhos. — Por que não zombam da Christa? – falou – Afinal, ela é mais baixa que eu. Os outros me olharam da cabeça aos pés. — É verdade... – concordou James – Quanto você mede? Abaixei a cabeça, estava um tanto constrangida, pude sentir minhas bochechas esquentarem. — Ahn... A-Ah... – gaguejei – Um metro e quarenta e sete. Fez-se alguns breves segundos de silêncio, levantei minha cabeça novamente para olhá-los. Eles se entreolharam e depois começaram a rir. Constrangi-me novamente. Analisei-os por um momento. Petra deveria ter uns setenta e sete centímetros, Ezio deveria ter oitenta e quatro e James noventa e três. Todos altos, enquanto eu e Donzela éramos baixas. — Qual apelido iremos dar a nossa querida Christa? – perguntou Petra. — Que tal pintora de rodapé? – sugeriu Ezio – Pigmeia? — Não, não, galera. – disse James – Parem de zoar a goleira de pebolim, isso é golpe baixo. Afinal, que culpa ela tem se a mãe dela se esqueceu do fermento? Desviei meu olhar para o chão, mantendo a cabeça erguida. Sorri timidamente para não parecer tão ranzinza, mas na verdade, apesar de sempre levar na esportiva, odiava essas piadas sobre minha altura. Ficava tão envergonhada, não sabia como reagir à situação. — Tá bom, chega. – interferiu Donzela – Recomponham-se, logo o Doutor Richardson irá chegar e não quero minha equipe parecendo um entretenimento de circo. – ordenou – Somos caçadores ou palhaços?! — Palhaços! – respondeu James, recebendo um tapa de Petra. — Caçadores! – respondemos. Os três respiraram fundo, recompondo-se, e assumiram uma postura apresentável. Pouco depois uma sineta tocou, provavelmente a campainha. Ezio subiu as escadas, indo ao andar-solo atender a porta. Poucos minutos depois ele ressurgiu, acompanhado por um homem. Esse homem aparentava ter uns cinquenta anos, usava óculos e um terno formal, com seus cabelos grisalhos penteados impecavelmente para trás, barba feita – deixando apenas um bigode – e consigo carregava uma maleta preta. Alto assim como James. — Seja bem-vindo, doutor Richardson. – Donzela o cumprimentou formalmente, sendo atropelada por Petra logo em seguida. A primeira impressão que tive de doutor Richardson foi de que ele era um homem muito importante, respeitável e sério. Mas a reação dos outros membros acabou contrariando-me. — Tio Richardson! – gritou Petra, abraçando-o. — E aí, Godofredo. – disse James. — Olá minhas crianças. – ele riu – Como têm passado? Têm dormido bem à noite? — Não graças a você. – brincou Petra. Ele olhou para Donzela, abraçando-a e depois desajeitando seu cabelo com a mão serrada em um pinho. — Ah, minha pequena poodle! Que saudade, como vai você? – cumprimentou com um sorriso brincalhão. — P-Poodle?! – rosnou – Já disse para não me chamar assim! — Desculpe, não pude evitar. – ele riu. Então, Richardson percebeu minha presença – E quem é você, minha cara? — Ela é a novata. – respondeu Donzela. — Sabe que te adoro, minha pequena, mas quero ouvir dela. – falou – Qual o seu nome? — Ahn, Christa Rohrmann. – respondi – Novata. — É a nossa chihuahua. – disse Petra. — Ah sim, seja bem vinda, minha cara. – falou, abraçando-me. — Obrigada. – sorri. — Bem, gostaria que me acompanhassem até o escritório, irei apresentar os projetos encomendados a vocês. – falou – Peço a presença de Christa também, para que ela não fique por fora dos planos. Assenti em concordância. Os segui por uma das portas da qual ainda não tinha visto o que continha em seu interior, acreditava que iria me deparar com um escritório, invés de disso, deparei-me com um corredor. Seguimos até o fim do corredor, passando pela ultima porta e entrando numa sala. Era um escritório comum. Poltronas, escrivaninhas, entre outros. Richardson colocou sua maleta sobre a escrivaninha, abrindo-a e retirando alguns papeis. — Aqui está o que você pediu, Donzela. – falou, entregando a ela um papel azul – Havia me pedido uma metralhadora para essas balas especiais, certo? — Sim. – Donzela o respondeu – Porque apenas pistolas não bastam, metralhadoras seriam mais eficientes. Ele assentiu. — Então, estou tentando encontrar um material que seja leve, porém, resistente. – começou. — Qual o problema de um material mais pesado? – ela perguntou. — Oh, só acho que isso irá afetar no desempenho da equipe, seria mais difícil movimentar-se portando uma arma pesada. – explicou. — Não vejo diferença alguma, é necessário apenas treinamento para que se acostumem com o peso, nada de mais. – argumentou. — Bem, creio que nem todos iriam conseguir carregar peso extra. – Godofredo olhou para mim, entendi a indireta – Mas, de toda forma, sabe que as balas especiais são mais pesadas e necessitam de mais pressão que as balas normais, claro. Então, precisaria revestir toda a arma para que ela aguentasse e não se desmontasse e para equilibrar, precisaria alonga-la. – falou – Aí que está o problema. Com uma arma maior, precisaria mexer em toda sua estrutura para que impulsionasse a munição com mais força, estaria praticamente criando uma nova arma e fabricá-la em grande escala, além de custar muito, iria ser um tanto complicado. — Entendi. – disse Donzela – E qual a estimativa para o custo e tempo de preparo? Godofredo surpreendeu-se, arregalando seus olhos, ela parecia não se importar com custo e outros componentes. — Bem, se puder negociar com uma fábrica, eu diria que uns seis meses, ainda preciso elaborar a arma. – respondeu – Já com o custo não sei bem, apenas posso dizer que custará caro. — Certo, negocie, veja o que pode fazer e depois penso a respeito disso. – falou – Ah, isso é um tanto aborrecedor, minha cabeça está doendo. Olhei para Donzela, ela parecia estar cansada, como se não descansasse há um bom tempo. Ser líder deveria ser algo realmente complicado, apenas não entendia o que ela tinha contra mim para que implicasse comigo, talvez fosse apenas algo da minha cabeça ou talvez ela realmente não gostasse de mim. Um motivo plausível é que sou desastrada, desajeitada e inexperiente, isso deve aborrecê-la. — Por favor, deem atenção ao doutor Richardson e me deixem descansar por um momento. – pediu. — Certo. – disse Petra – Christa, poderia ir para sala de treinos enquanto conversamos com o doutor Richardson? Assenti e saí do escritório, seguindo pelo corredor até estar de volta à sala de estar. Abri cada uma das portas à procura da sala de treinamento, não me recordava de qual porta era. Ao encontra-la, adentrei-a de imediato e fiquei caminhando pelo espaço. Observei os sacos de pancada, os bonecos com enchimento, as silhuetas de madeira e papelão e as pintadas nas paredes e os alvos, nunca havia visto equipamentos de tão boa qualidade, apenas na televisão. O que não havia ali eram armas, tanto brancas quanto de fogo, deveriam estar em outra sala. Sem mais o que fazer, sentei-me no chão e abracei meus joelhos, deixando com que um longo e pesaroso suspiro escapasse por meus lábios, fiquei apenas observando o vazio. Apenas minha respiração preenchia o local silencioso. Minutos depois a porta foi aberta. — Olá, desculpe por incomodá-la. – disse doutor Richardson – Com licença, queria conversar um pouco com você. — Ah, claro. – concordei, levantando-me. — Os outros três falaram bastante de você. – sorriu – Parece ser uma boa garota. Também me contaram sobre aquele momento desconfortável entre você e Donzela, parece que não estão se dando muito bem. — É... – concordei – Ela até passou a me chamar de Chihuahua. Richardson arregalou os olhos e depois riu. — E isso seria algo ruim? – falou, deixando-me confusa – Ela adora cães, principalmente chihuahuas. Foi realmente uma resposta inesperada. — Enfim... – continuou – Conheço aquela garota desde que ela era criança, fui como um pai pra ela. – contou – Sei que ela pode ter um gênio difícil de lidar, pode parecer assustadora, mas ela é uma boa garota, só tenta ser forte, afinal, se ela não for, ninguém será. A vida exigiu muito dela, entenda isso. – ele suspirou – Aquilo que ela fez foi apenas para te reforçar, como um incentivo. Já que estaria com medo de aborrecê-la, se esforçaria ao máximo, certo? – eu assenti – Então. Os acontecimentos passados passaram a fazer mais sentido, ficou tudo mais claro. Bem, teria de concordar com Donzela e aprovar seu comportamento, ela havia feito aquilo apenas para melhorar meu desempenho, realmente sou muito fraca e medrosa. — Ahn... Posso lhe perguntar uma coisa? – perguntei. — À vontade. – sorriu. — Por que ela se recusa a revelar seu nome? – perguntei. — Ah, ela tem seus motivos. – respondeu – Nem eu mesmo sei o porquê. Talvez seja para não associar-se a sua natureza, ela odeia o fato de ser uma híbrida. – justificou – Eu até sei qual o nome dela, mas prefiro manter em segredo por sua vontade. — Entendo. – murmurei. — Algo mais a me perguntar? – perguntou. Parei por um momento, pegando meu próprio queixo, pensativa. — Hum, não... Acho que não. – respondi – Obrigada. — Eu que agradeço. – falou – Bem, eu queria conversar mais com você, Christa, para conhecê-la, mas estou atrasado. Sinto muito. — Tudo bem, podemos conversar outro dia. – falei. Ele saiu da sala e eu o segui, estavam todos reunidos na porta para despedirem-se dele. — Já vai? – perguntou Petra numa voz melódica. — Desculpe, tenho que ir. – respondeu, bagunçando os cabelos brancos da garota. — Tá, adeus tio Richardson. – choramingou. — Adeus não, até logo. – sorriu. — Falou, Godofredo. – despediu-se James, dando uns tapas nas costas do mais velho. — Até logo, Richardson. – despediu-se Ezio. — Até logo, minhas crianças. – respondeu Richardson – E até logo, minha pequena poodle. — Não me chame assim novamente. – ordenou – Adeus, doutor Richardson. E assim o doutor subiu novamente as escadas, acompanhado por Ezio e foi embora. Donzela puxou levemente uma mecha de meu cabelo, para chamar minha atenção e seguiu até o escritório. Entendi como se ela quisesse que eu a seguisse. Então o fiz. — Feche a porta. – ordenou. Fechei a porta logo atrás de mim, aproximando-me da escrivaninha. Donzela estava virada de costas para mim, observando um quadro que estava dependurado na parede. — Quero dar um aviso a você. – falou, virando-se para mim. — Diga. – pedi. — Petra não gosta de você e provavelmente vai armar alguma para te ferrar. – contou, arregalei os olhos, fiquei surpresa – E não pense que irei te defender, mesmo sabendo da verdade. Então apenas tome cuidado. — Certo... – assenti – E por que está me contando isso? — Não gosto de Petra, nem sequer confio nela. – respondeu – Ela apenas está aqui porque o avô dela era o líder da Hunter Vanguard, mas após sua morte, passou a liderança para mim. Até hoje Petra me odeia por isso. — Como pode trabalhar com pessoas das quais não confia? – perguntei indignada. — O importante é qualificação e não confiança, laços afetivos, entre outros. – respondeu. — Mesmo assim, como pode trabalhar com alguém que pode te trair a qualquer momento? – perguntei. — Isso não te diz respeito. – respondeu, abaixei a cabeça – E não pense que estou te dando algum voto de confiança ou que estamos tendo um momento de intimidade, começando uma amizade e outros. – falou – Prepare-se para amanhã, iremos começar o seu treino e quero que dê tudo de si, não tolerarei falhas. — Certo. – assenti. — Está dispensada. Saí do escritório, despedindo-me dos demais e sendo acompanhada por Ezio até minha casa. Fiquei praticamente a noite inteira pensando nos acontecimentos, até que dormi sem ao menos perceber.
Notas finais
Beijos, até o próximo o/
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