Na mira do inimigo

9 Capítulo 9 - Cada peça em seu devido lugar


...

– Sério, a Alice? – Gael parecia surpreso – eu não acredito.

– É verdade – disse Simon.

– Então quer dizer que ela não foi sequestrada antes do massacre, mas sim depois?

– Exato.

Gael se sentou no sofá do quarto, meio confuso.

– Espere um instante. Resgatamos a garota que foi sequestrada por nossa culpa?

– Eu não diria que foi nossa culpa.

– Humpf – resmungou Gael.

Anna entrou no quarto dos meninos e se sentou ao lado de Gael.

– E aí gente, perdi alguma coisa?

– Você não faz ideia – disse Simon.

...

– Alice?

– Sim?

– Posso entrar?

– Claro.

Alice penteava os cabelos na frente do espelho. Anna entrou no quarto e fechou a porta.

– Tudo bem? – perguntou Anna.

– Tudo, e você?

– Também.

– Legal.

Um longo silêncio se formou. Porém, Anna não tinha todo o tempo do mundo, e após ficar sentada na cama olhando fixamente para o chão por um bom tempo, quebrou o silêncio:

– Alice, o Simon me contou.

– Contou o quê? – disse Alice, se olhando no espelho enquanto ainda penteava os cabelos.

– Do que aconteceu com você.

Alice encarou Anna através do reflexo do espelho e abaixou a escova.

– Alice, eu sinto muito.

– Não precisa se desculpar, Anna. A culpa não foi sua.

– Assim como a culpa do que aconteceu com o meu pai também não foi sua.

Alice parou de encarar Anna pelo reflexo do espelho e se virou para olhá-la bem nos olhos.

– Anna, eu não quero falar sobre isso com você.

– Mas eu sou a única pessoa com quem você vai conseguir se livrar dessa culpa, Alice. Estamos falando do meu pai.

– Eu sei.

– Alice, você pode ser mais forte do que isso. Mas você só vai ficar bem se entender que a culpa não foi sua.

Os olhos de Alice lacrimejaram. Anna se aproximou dela e segurou suas mãos.

– Ele morreu não só para te proteger, mas para proteger todos nós. Era o trabalho dele.

– Ele poderia estar vivo se eu tivesse corrido como Simon pediu. Eu...

Anna puxou Alice para perto de si e a abraçou fortemente. As duas começaram a chorar, e assim ficaram por um bom tempo. Anna se afastou de Alice e enxugou suas lágrimas. Ambas sorriram.

– Eu... eu... ok. – Disse Alice, se sentindo bastante aliviada.

– Venha. Os meninos estão nos esperando para o jantar – disse Anna.

Alice concordou. Colocou uma presilha em forma de rosa no lado esquerdo do cabelo e seguiu Anna até o refeitório.

...

Simon estava deitado no colo de Gael, enquanto tinha o rosto e os cabelos acariciados pelas mãos suaves dele. Alice e Anna se serviram e sentaram-se de frente pros dois.

– Eu odeio estragar qualquer tipo de romantismo – a voz de Anna soava irônica – Mas nós chegamos.

Simon levantou do colo de Gael e encarou Anna com os olhos cerrados. Ela e Alice riram.

– Há-há. Sabe o nome disso? – Simon estava sorrindo ironicamente.

– Sinceridade?

– Inveja.

Ambos se encararam e começaram a rir.

– Sim Simon, eu tenho um pouco de inveja sim – encarou Gael e ele ao mesmo tempo – Mas eu também tenho minhas escapadas.

Simon, Gael e Alice olharam para Anna sem entender absolutamente nada. Ela soltou os cabelos e soltou um sorriso malicioso para os três. Em seguida se levantou com a bandeja nas mãos.

– Já já falo com vocês.

Em seguida, se virou e caminhou até o outro lado do refeitório, sentando-se numa mesa redonda com lugar para dois, onde se encontrada um rapaz um ou dois anos mais velho do que ela. Ele tinha cabelos castanho-claros, assim como seus olhos. Ele vestia o mesmo uniforme que todos, mas não fechava o zíper da blusa, exibindo um peitoral bastante definido. Anna parecia notar, mas estava tão concentrada no sorriso dele que não tinha paciência para olhar para os músculos do novo ‘‘amigo’’, por mais chamativos que fossem.

– Essa Anna... – Murmurou Simon, ainda meio surpreso.

Gael e Alice riram. Depois do almoço, eles voltaram para os quartos. Simon sentou-se na cama e ajeitou os óculos. Gael também entrou, e parou em frente a ele. Simon ficou o encarando, e Gael soltou um riso sem graça:

– O que foi?

– Nada – respondeu o garoto – é só que eu gosto de pensar que você é meu.

Gael sorriu, se aproximou de Simon e o empurrou bem devagar sobre a cama, engatinhando para cima dele. Os dois se beijaram apaixonadamente e ardentemente. Gael puxou o fecho da blusa de Simon pra baixo e beijou seu pescoço, deixando-o enlouquecido. Simon Também beijou o pescoço de Gael e lambeu e mordeu sua orelha, fazendo-o gemer de prazer. Ao retirarem as roupas e ficarem apenas de cueca, Gael sorriu e disse:

– Outro dia eu fui tomar banho e acho que tem algo de errado com o chuveiro. Quer dar uma olhada comigo?

Simon riu também. E acompanhou Gael até o chuveiro.

...

– Qual sua cor favorita?

– Verde.

– Por quê?

– É a cor dos seus olhos. E a sua?

– Hum... marrom.

– Por quê?

Anna encarou Will nos olhos e sorriu. Ambos estavam deitados lado a lado sobre a grama do Jardim, observando as estrelas. Ele sorriu de volta. O sorriso dele era tão estonteante que deixava Anna boba perto dele. Ele ficou de lado, e, antes que pudesse falar qualquer coisa, foi calado por um beijo. Os dois haviam se conhecido semanas antes na academia, ele era um recém-chegado da Califórnia. Foi então que se interessaram um pelo outro e se envolveram romanticamente.

Will tinha dezesseis anos. Ele e o pai dele vieram para New Orleans após o pai ter sido transferido. Ele era um pouco mais alto do que os outros meninos, seus olhos eram meio puxados e pequenos, e seus ombros eram largos. Ele e Anna podiam sentir uma certa química entre os dois, embora não soubessem ao certo o que era. Sabiam apenas que adoravam a companhia um do outro, adoravam ficar juntos, e, sempre que ficavam assim, havia um gostinho de ‘‘quero mais’’. Anna afastou os lábios dos de Will para poder olhá-lo nos olhos e certificar-se de que não estava sonhando. Em seguida, puxou-o para perto novamente, pois sentir o gosto do beijo dele era mais do que uma prova de que aquilo era real. E perfeito.

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