Na mira do inimigo
6 Capítulo 6 - Que a sorte esteja ao nosso lado
...
– Bom dia, bela adormecida!
Anna abriu os olhos e deu de cara com Simon. Meio atordoada, ela recuou e caiu junto com a cadeira do refeitório. Simon não aguentou segurar o riso. Anna olhou em volta para certificar que apenas ele havia visto aquela cena. Depois, ergueu a mão para que Simon pudesse levantá-la, e, feito isso, deu um tapa no ombro do amigo.
– Ai! – Exclamou Simon, ainda rindo.
– Idiota... – disse Anna, levantando a cadeira do chão.
– Pelo visto você dormiu aqui... aconteceu alguma coisa? – disse Simon.
– Acho que você deve me responder isso. Aconteceu alguma coisa na última noite, Simon? – disse Anna com um olhar malicioso.
Simon levantou os olhos por cima dos óculos. Anna continuava o encarando com um sorriso.
– O que você quer dizer com isso? — Indagou.
– Você e o Gael. – disse Anna, soltando os cabelos dourados do rabo de cavalo, que os deixou com um lindo efeito ondulado.
Simon percebeu que suas bochechas estavam bastante coradas, o que o fez se envergonhar mais ainda. Anna ria maliciosamente, sem deixar de encarar Simon, deu um leve tapa em seu ombro e o abraçou.
– Tá tudo bem, bobão. Eu quero mesmo que vocês sejam muito felizes. – disse a garota, ainda rindo.
– O-obriga-obrigado, Anna. – balbuciou Simon.
– Tá Ok — Disse Anna, virando-se para a porta. Nesse momento, Gael entrou no refeitório, os óculos na mão enquanto ele esfregava os olhos, meio fechados por causa do sono. Anna o cumprimentou com um beijo no rosto e disse para que os dois ouvissem:
– Bem, divirtam-se no café.
Em seguida, saiu do refeitório.
Gael colocou os óculos e se se sentou à mesa, segurando a mão de Simon para que ele se sentasse junto.
– O que ela quis dizer com isso? – disse ele, pegando uma xícara e enchendo-a de café.
– Ela sabe... – disse Simon, afiando uma faca.
–Sabe o que? – indagou Gael, tomando o café.
– De nós dois.
– Como?! – Gael engasgou-se com o café.
– Acho que ela nos viu na academia na última noite... – disse Simon, atirando a faca contra a madeira.
– Droga... – disse Gael, apreensivo – podemos confiar nela?
– Claro. Ela é bastante fiel. – garantiu Simon.
–Ok... – disse Gael, tirando a faca da mesa e entregando-a para Simon novamente.
– Obrigado – agradeceu.
Simon foi em direção a academia mas foi impedido por Gael de continuar.
– Quero que você veja uma coisa – disse ele, puxando a mão de Simon pelas escadas até o andar de cima.
...
Na sala do monitor havia a foto de uma menina loira, com cabelos lisos e loiros que chegavam aos ombros, acompanhados de uma franja. Ao lado da foto, uma ficha completa. Nela, dizia-se: ‘‘Nome: Alice Scott. Idade: 13. Altura: 1.78m. Peso: 57kg. Status: viva. Ultima aparição: Avenida Louisiana, número 223, aproximadamente 01:27 a.m.’’
– O que é isso? – Simon olhou para Gael, confuso.
– Olha na parte inferior da tela.
‘‘Localização rastreada. S. Galvez Street, 547.’’
– Onde fica isso? – Simon se aproximou da tela, intrigado.
– Há quinze quilômetros daqui. Podemos ir no carro do Jones.
– Melhor ir nas vans, garotos – Jones surgiu na porta, usando um colete a prova de balas com a sigla ‘‘FBI’’ gravada no peito esquerdo. O colete ainda estava equipado com várias armas. Ele entregou um colete para cada um e retirou um embrulho de um dos bolsos, entregando-os a Simon.
– Aqui estão – disse ele.
Simon abriu o pacote e viu doze facas de arremesso amarradas.
– São as facas da academia. São suas. Seja cuidadoso, isso pode salvar, assim como pode acabar com vidas.
Simon agradeceu e colocou as facas no bolso. Gael pegou o arco e as flechas na academia e as colocou nas costas. Anna desceu as escadas também vestida com o colete, os cabelos amarrados em uma trança ao invés do rabo de cavalo, e um revólver no bolso, acompanhado de cinco cartuchos.
O grupo entrou na van juntamente com outros soldados. Simon, Gael e Anna deram-se as mãos e rezaram. Pois, naquele momento, estariam decidindo o rumo da vida de não somente uma garota, mas de todos aqueles que a cercam.
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