Na mira do inimigo
4 Capítulo 4 - Três palavras silenciosas
Simon e Gael chegaram juntos ao refeitório. Anna estava sentada com Jones na mesa, ambos já haviam acabado de comer. Ela segurava alguns papéis na mão, o que chamou a atenção dos dois amigos. Eles se serviram e esperaram até que Jones saísse da mesa, sentando-se em seguida. Anna levantou os olhos verdes e encarou os dois, passando a papelada para eles, juntamente com um envelope.
– Aqui estão as informações sobre o grupo que atacou a boate.
Gael puxou os papéis e os abriu , lendo-os juntamente com Simon.
– Esse grupo se chama ‘‘Undead’’, foi criado em 1963 por revoltosos russos que eram contra a forma de governo naquela época. Esse grupo é investigado há um bom tempo, mas nunca conseguiram prendê-lo. O fato é que a cada ataque, os membros que o executaram morrem, e isso pode acontecer tanto por assassinato quanto por suicídio. – Anna estava bastante séria. Ela ajeitou os cabelos dourados num rabo de cavalo e passou uma mecha para atrás da orelha, o que era um sinal de que ela estava tentando pensar ou se concentrar em algo. Ou talvez o cabelo estivesse incomodando mesmo. A pele clara dela fazia um contraste belo com seus olhos e cabelos, que, quando soltos, caíam ondulados na altura das costelas.
– Isso é o tipo de coisa que se pode chamar de sinistro... – Murmurou Gael, enquanto lia um artigo sobre todos os ataques feitos pelo grupo.
Simon puxou o envelope e o abriu. Por um momento, largou-o e arredou a cadeira, assustado com as imagens que estavam ali. Depois parou para reparar bem: eram as fotos dos homens que atacaram a boate. Cada foto estava em uma ficha, com as informações sobre os assassinos, uma foto 3x4 onde o rosto era nítido, e, mais embaixo, as fotos de seus corpos mutilados, juntamente com os resultados da autópsia. Os três morreram de traumatismo craniano, certamente ocasionado pelo teto que esmagou todas as vítimas. O estômago de Simon embrulhou, e ele colocou as fotos na mesa, sem olhá-las novamente. Gael observou-as e exclamou:
– Meu Deus...
Anna olhou em volta, como se quisesse ter certeza de que ninguém estava escutando.
– Meu pai me contou uma coisa: existe mais um de nós.
– Mais um? – Gael e Simon se assustaram, exclamando quase em coro.
Anna fez um sinal para que eles falassem mais baixo.
–Sim. Alice Scott, 13 anos. Ela foi encontrada viva na boate, mas, ao receber o socorro, ela sumiu. Os terroristas mandaram uma mensagem e afirmaram que ela está com eles, e que irão mata-la. Resumindo: não temos nada mais, nada menos do que quarenta e oito horas para rastrear esse sistema e resgatar Alice.
– Não temos tempo a perder – disse Simon, se levantando.
– Espere Simon, aonde você vai? – disse Gael, segurando a mão do amigo, tentando impedir que ele avançasse.
– Para o quarto – Disse Simon – Vou pegar meus óculos.
– Vou pegar os meus também – disse Gael, seguindo –o.
...
Gael bateu a porta do quarto e segurou Simon pelo braço.
– O que está pensando em fazer?
– Eu realmente não sei.
– Simon, isso é sério.
– E em que momento eu disse que não é?
Gael se calou por um instante. Depois, continuou.
– Não sabemos mexer nessa área, Simon. Como você quer mexer nesses computadores?
– Não estou falando de computadores, Gael. – Simon pegou as facas na gaveta e os óculos de Gael, entregando-os na mão dele, e colocando as facas no bolso.
Ao se dirigir até a porta, Simon sentiu as mãos de Gael agarrando seu braço de novo. Dessa vez, ele jogou Simon contra a parede e colocou as duas mãos, uma de cada lado, na parede, bloqueando a passagem dele. Os dois se encararam, e Gael abaixou uma das mãos, tocando o peito de Simon e descendo a mão até chegar em sua calça, para então segurar sua mão e olhá-lo bem nos olhos:
– Se você for... e eu for também... vamos cuidar um do outro, não é?
Os olhos de Gael brilhavam, e Simon podia sentir uma ponta de dor neles. Sem hesitar, ele se inclinou para frente e os lábios deles se tocaram pela primeira vez.
O beijo foi ficando cada vez mais intenso, mais apaixonado. Simon podia sentir o calor e a paixão de Gael aumentando a cada segundo, tendo o mesmo efeito sobre ele. Os dois tiraram os óculos, e continuaram se beijando, até que, por infeliz acaso, bateram na porta.
– Simon? Gael? Vocês estão bem? – Era a voz rouca de Jones
Os dois reviraram os olhos.
– Infeliz... – murmurou Gael.
Simon riu. Eles abriram a porta, e Jones os levou até a academia. Anna também estava lá. Eles se posicionaram cada um em frente ao seu aparelho específico, e começaram a treinar. E assim, continuaram até tarde da noite. Simon e Gael não resistiam e se olhavam a cada minuto. Mal podiam esperar para ficar sozinhos novamente. E, dessa vez, não haveria arrombamento que os impedisse de se amar.
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