Na mira do inimigo
10 Capítulo 10 - É esse o nosso 'gran finale'?
Notas iniciais
...
Alice havia dormido mal naquela noite. Tudo bem que ela tinha pesadelos com aquele grupo constantemente, mas, por alguma razão, naquele dia, havia sido bem mais intenso. Ela desceu as escadas e chegou até o refeitório, porém apenas Simon estava sentado á mesa. Ela serviu-se de ovos mexidos, um pedaço de torta de maçã e um copo de suco de laranja e se sentou com ele.
– Bom dia.
– Bom dia.
– Dormiu bem?
– Não muito, e você?
– Quase não dormi essa noite – Simon não conteve o riso – Mas estou bem.
– Ué, o que aconteceu? – Alice parecia intrigada.
– Ah, o Gael não me deixou dormir.
– Ah, entendi – Alice deu uma risada maldosa.
Simon riu de volta.
– Vou acordar ele, por falar nisso. – disse ele.
– Ok – disse Alice.
Simon caminhou até a escada e desapareceu na sombra, deixando Alice sozinha. Ela apoiou a cabeça nas mãos, cobrindo os olhos. Acabou tento um leve devaneio, e, em poucos segundos, lembrou de tudo o que havia passado: o sequestro, as ameaças e as torturas. Ela voltou à consciência assustada com o próprio grito. Meio tonta, levantou-se e caminhou até a vidraça do refeitório, que dava vista para a cidade. Alice olhou para as pessoas que andavam pelas ruas, fazendo compras, se divertindo com os amigos, namorando e pensou em como seria bom se ela pudesse viver aquilo.
Alice Scott sempre foi uma garota amigável, mas era bastante tímida. Embora chamasse bastante atenção, com seu corpo em forma, cabelos loiros e olhos verdes, ela nunca havia se envolvido romanticamente com ninguém. Alice deu mais uma olhada, e, ao enxergar o estacionamento, percebeu a presença de dois homens mascarados do lado de fora do muro. Assustada, ela se afastou de súbito da janela, crendo que eles não haviam a visto. Ela correu até o quarto, mas ao subir os degraus esbarrou com Gael, derrubando seus óculos.
– Alice? – Gael estava meio desnorteado – Tá tudo bem?
– Desculpa, Gael – disse ela, abaixando para pegar seus óculos.
– Tudo bem – disse ele, colocando-os no rosto – Você não viu o Simon por aí?
– O Simon? – Alice ficou confusa – ele tomou o café comigo hoje. Subiu há uns 15 minutos, disse que ia te acordar.
– Sério? Ele nem chegou perto do quarto.
Gael e Alice se olharam e tiveram a mesma ideia. Desceram até a academia, e procuraram Simon por lá. Porém, tudo o que encontraram foi as facas de arremesso dele espalhadas no chão.
Gael se abaixou e pegou uma delas.
– Alice – a voz dele soava preocupada – não estou gostando disso.
Alice passou uma mecha de cabelo para trás da orelha e se abaixou também. Porém, ao tocar em uma das facas, os dois ouviram um grito:
– Argh! – a voz de Simon soou dolorosa.
– Simon! – Gael correu em direção ao simulador, pegou o arco e as flechas e correu em direção ás escadas, de onde o barulho vinha.
– Gael, espera! – Alice correu atrás dele.
– Simon! – Gael continuava correndo.
Alice não conseguiu acompanhar Gael e ficou para trás. Um curto silêncio se alastrou pelas escadas, até que ela escutou um gemido. Seguindo o som, Alice parou em frente ao mesmo corredor onde havia conversado com Simon, e escutou outro gemido.
– Simon? – sussurrou a garota, caminhando cautelosamente em passos suaves para não chamar atenção – Simon, você está aqui?
Nada. Alice continuou caminhando, apertando os olhos para tentar enxergar. Foi quando, de súbito, sentiu algo forte agarrar seu pulso e puxá-la para baixo. Seu grito foi abafado por uma mão, e ela começou a se debater, mas a voz de Simon acabou com seu desespero.
– Ouch! – exclamou ele – Sou eu!
– Simon? – Alice parecia aliviada.
– Shh! – Simon levou o dedo indicador direito aos lábios, fazendo um sinal para ela ficar em silêncio. Ela obedeceu. Os dois estavam abaixados atrás de um balcão, e Simon se inclinou para ver se havia alguém ali. Ao certificar-se de que estava tudo bem, ele puxou a mão dela e os dois caminharam abaixados pelo corredor, até a sala de computação. Simon trancou a porta. Ele olhou em volta e viu uma saída no teto.
– Alice, precisamos escalar até a claraboia.
– Tudo bem, mas você não vai me dizer o que está acontecendo?
– Alguém invadiu o prédio e matou alguns soldados. Não estamos preparados, então disseram para nos esconder.
– E quanto a Anna, Will e Gael?
– Anna e Will estão escondidos. Gael está no quarto, ele já deve ter sido avisado.
Nesse momento, Alice ficou meio atordoada. Percebendo a expressão da garota, Simon perguntou:
– Alice, o que foi?
– Ele não está no quarto.
– Como?
– Ele não está no quarto – afirmou ela.
– Como você sabe?
Alice fez uma breve pausa antes de continuar.
– Eu e o Gael encontramos suas facas na academia e ouvimos você gritar. Ele correu pela escada e eu não consegui alcança-lo. Aí eu vi esse lugar e te achei.
– Droga. – exclamou Simon.
De repente, começaram a bater na porta.
– Alice, abaixe-se.
Obedecendo, ela se apertou debaixo de uma escrivaninha. Simon pegou uma faca e, com cautela, abriu a porta. E, para o seu alívio, era Gael quem estava do outro lado. Os dois se abraçaram e Gael fechou a porta, trancando-a.
– Precisamos sair daqui.
– Eu sei, a Alice está aqui comigo.
Gael se inclinou e viu Alice ainda encolhida embaixo da mesa. Ela acenou pra ele. Ele franziu a testa e acenou de volta, sorrindo. Nesse momento começaram a forçar a porta.
– Droga, estamos cercados. E a claraboia? – disse Simon.
– É tudo o que temos. – Respondeu Gael.
– Podemos usar a mesa para escalar – sugeriu Alice.
Simon e Gael empurraram a escrivaninha até embaixo da claraboia e subiram em cima dela.
– Simon, você primeiro. Precisamos de você em cima para nos puxar. Vem, eu te dou um impulso.
Gael empurrou Simon para cima e ele escalou a claraboia. Deitou-se sobre o teto e estendeu a mão.
– Ok, venham!
– Alice, vem!
Alice subiu na escrivaninha e tomou um impulso de Gael. A mesa começou a ranger e a se rachar. Quando Alice finalmente subiu, e Simon foi puxar Gael, a mesa se partiu, e Gael ficou pendurado.
– Merda! – exclamou Simon, fazendo força para puxá-lo – Alice, socorro!
Alice se deitou sobre o teto e segurou a outra mão de Gael.
– Vamos, força!
Nesse momento, a porta foi arrombada e um homem entrou na sala. Ele puxou o pé de Gael, forçando seu peso pra baixo.
– Vai Alice! Força! – Simon continuava puxando. Gael chutou o rosto do homem com o pé direito, fazendo-o recuar. Foi o tempo de eles o puxarem pra cima.
– Temos que ir.
– Simon...
– Agora!
Os três pularam e caíram no chão de asfalto do estacionamento. Em seguida, correram até perto dos carros.
– Temos que achar Anna e Will. Venham.
...
– Will, temos que sair daqui.
– Eu sei. Venha logo atrás de mim.
Anna e Will estavam escondidos na academia. O dois desceram as escadas e pararam novamente num vão. O celular de Anna apitou, e era uma mensagem de Simon.
‘‘Estamos no estacionamento. Rápido.’’
Os dois correram até o estacionamento juntos. Ao chegar lá, viram Simon e Gael, mas não viram Alice.
– Gente, onde está Alice?
– Ela não veio com vocês? Ela disse que ia encontrar vocês na porta.
Os quatro se entreolharam. Foi então que o celular de Simon apitou.
‘‘S.O.S. Estou perto dos carros. Preciso de ajuda’’
Os quatro correram até perto dos carros, mas não avistaram ninguém. Continuaram procurando com as lanternas dos celulares acesas.
Alice estava abaixada atrás de um carro, observando os dois homens que haviam invadido o prédio. Eram os mesmos que estavam sondando o prédio mais cedo. Ela estava apavorada demais pra ter qualquer reação. Foi quando um dos homens a viu.
– Tem uma ali!
Alice correu o mais rápido que pode, sem olhar para trás. Quando ela finalmente parou, se abaixou atrás de outro carro, e não viu mais ninguém. Então, ouviu a voz de Anna.
– Alice?
As lanternas iluminaram o rosto da garota. Aliviada, ela começou a correr até eles. Porém, antes de chegar, Anna exclamou:
– Alice!
Luzes de faróis iluminaram o rosto dela. Ela se virou e viu um carro em alta velocidade a poucos centímetros dela.
– Não! – Anna correu até a amiga, mas foi contida por Will.
– Alice! – Simon tentou impedir.
Mas antes que pudessem fazer qualquer coisa, o carro veio com tudo para cima da garota, atropelando-a. Ela rolou por cima do teto do carro e caiu no asfalto. Abriu os olhos, a imagem estava meio embaçada, mas ela podia ouvir o desespero dos amigos.
– Ligue para o 911!
Os vultos se aproximaram dela. Mas sem que pudesse responder, apagou.
...
Quando abriu os olhos novamente se viu num quarto de hospital. Alice estava meio tonta, olhou para a mesinha do lado e viu um ursinho de pelúcia e algumas flores. Os pensamentos dela não paravam. Ela havia visto o rosto daqueles homens. Poderiam encontrar o resto do grupo e acabar com aquele inferno de uma vez. Porém, seus pensamentos foram interrompidos por uma voz conhecida:
– Olá Alice – uma voz aterrorizante e muito familiar fez a garota gelar a espinha – é bom vê-la novamente.
**** THE END****
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