Na mesma casa em que... Natsu Dragneel?
10 Capítulo 10.
Notas iniciais

Raios de sol invadem o quarto iluminando-o preguiçosamente, anunciando um novo dia. Natsu pisca os olhos repetitivamente a fim de se acostumar com a claridade do cômodo, olhando em volta ele percebe as inúmeras almofadas que antes formavam uma amurada dividindo a cama agora jaziam em todos os cantos do quarto. Logo se da conta de uma mão delicada que descansava suavemente sobre seu peito.
– Lucy...
A maga repousava a cabeça em cima de seu braço. Seus fios loiros estavam desgrenhados algumas madeixas cobrindo-lhe parte do rosto. Natsu levemente tira os fios deixando o rosto de Lucy livre. Era a primeira vez que observava com atenção o rosto da maga enquanto dormia. Suas linhas traçavam uma expressão lívida, bem diferente da Lucy que conhecia. Olhando-a ali ela lhe parecia tão frágil. Ele tinha necessidade de protegê-la.
Natsu solta um ar debochado com seu pensamento, como se Lucy precisasse de sua proteção. Ele mais do que ninguém enxergava seu potencial e o quanto ela era capaz, sua determinação e coragem e o dom de colorir as coisas a sua volta. Quando ele a confortava na verdade estava buscando por um conforto próprio, sua tranquiliadade só vinha quando os olhos dela o transmitiam segurança. Mesmo assim, ele sentia a responsabilidade de protegê-la.
Afinal ela era sua melhor amiga.
Quando Natsu se deu conta estava acariciando os cabelos de Lucy, retirou logo a mão de seus fios, sentia o rosto queimar ao notar sua atitude.
Quer dizer, corar é corar. Gildarts contou-lhe o que significava quando seu rosto ficava quente de repente, no dia em que pela primeira vez isso acontecera o rosado fora correndo desesperado até ele pensando que estava se transformando em um dragão ou evaporando. Ele lhe contou que isso acontece quanto você fica constrangido, envergonhado.
Isso vinha acontecendo com certa frequência, geralmente na presença de Lucy.
Mas, porque diabos ficaria constrangido com Lucy? Que grande bobagem! Devia ter mais alguma coisa que fazia o rosto queimar, sua suposição sobre estar evaporando ou criando uma calda ainda estava de pé.
Precisava falar com alguém, talvez estivesse doente, seu estômago embrulhava sem motivo, seu coração acelerava e ficava constantemente... Como é mesmo a palavra? Ah, corado.
Atreveu-se a olhar mais uma vez para Lucy, a loira havia se mexido um pouco deixando visível boa parte de suas coxas torneadas. Cara, aquela camisola realmente era pequena.
Chamava Lucy de gorda só para irrita-la, afinal isso era uma mentira deslavada. Ela era muito bonita, belas curvas, olhos castanhos expressivos que tinham um poder apaziguador incrível e um sorriso que faziam os problemas desaparecer.
Espera, acabara de usar a expressão ‘’belas curvas’’? E opa... Ainda estava olhando para as pernas de Lucy.
Caramba, estava passando tempo demais com o rei dos hentais, Gray deve ter algum germe que faz com que você comece a usar expressões estranhas para definir coxas alheias.
Junto de um parasita que faz seu rosto esquentar e quando você percebe
‘’PUF’’
Uma calda novinha.
Natsu estremeceu com o pensamento, precisava mesmo falar com alguém.
Sobre seus braços certa loira despertou, se espreguiçando ela olha para o teto, então para Natsu. Notou que estava praticamente abraçada com ele e que aquele Muro de Berlim havia desaparecido por completo. Então olhou para si mesma suas coxas descaradamente expostas e as alças de sua camisola (será que podemos chamar aquele mísero pedaço de pano assim?) estavam caídas dando um maior volume para seus seios.
Parecia que estava se oferecendo, sua situação era praticamente a mesma em que tivesse com uma placa pendurada junto de alguns pisca-piscas dizendo ‘’ Cinco reais ‘’.
Automaticamente seu rosto assumira um tom rubro. Estava muito constrangida, mas Natsu não pareceu notar, apenas abriu um largo sorriso.
– Ohayo Luce!
– O-Ohayo Natsu.
– Eles se goxxxxxxtam – Gritou Happy com as patas na boca abafando o riso.
Lucy estava chegando à conclusão de que Happy tinha o poder de brotar do chão nas situações mais inapropriadas.
Voltando a realidade, a maga nota que ainda estava abraçada com Natsu, rapidamente ela se afasta, caindo da cama.
– NYAAAAH! !
–OH! Ela disse ‘’ Nya’’ que fofa – Falou Natsu rindo.
Logo foi interrompido por um travesseiro que lhe atingira em cheio a cara. Jogando o travesseiro para o lado, ele se depara com Lucy armada com mais dois, pronta para atacar.
– Ho ho – Zomba o rosado – Acha que pode me vencer? Vai se arrepender por ter me desafiado! Prepare-se para sentir a fúria do tão temido Rei Dra... – Natsu foi interrompido mais uma vez por uma grande almofada verde, se desiquilibrando e caindo da cama.
– Blá blá blá. Você fala muito senhor ‘’ Rei Dragão’’ – Falou Lucy, com uma imitação de sua voz.
Pela primeira vez Natsu ficara sem palavras, havia um brilho no olhar de Lucy enquanto ela debochava dele. Aquilo o deixava empolgado. Deu um sorriso desafiador em direção da loira.
– Você vai ver.
– Estou esperando.
Foi então que se iniciou uma batalha de travesseiros, penas voavam para todos os lados, as risadas ecoavam pela casa.
Depois de um tempo e vários falecidos travesseiros a fadiga os alcançou e os três deitaram exautos no chão do quarto.
– Descansem em paz soldados – Falou Natsu, abrindo os braços, em meio as penas que forravam o chão.
Isso provocou uma nova onda de risos. Lucy olhava para Natsu e Happy enquanto eles gargalhavam.
Não se lembrava da última vez que fora tão feliz.
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