Na janela de seu quarto [Hiatus/Revisão]
2 Capítulo 1
Depois de tanto pensar, refletir e estourar meus tímpanos, com as músicas da minha playlist em volume mais que alto, eu cheguei na rodoviária.
Um local meio acabado, mas que não parecia ter parado no tempo como mamãe me fizera pensar durante toda nossa discussão a respeito de minha decisão.
Me sentei em um dos bancos perto da saída e tirei meu celular do bolso na calça desbloqueando e pausando a música. Tirei o fone dos ouvidos e fiquei encarando a minha tela de bloqueio que consistia em um belo Jamie Campbell Bower como rei Arthur, uma verdadeira decepção Camelot não ter continuado.
– Amara!
Uma voz feminina chamou minha atenção e meu olhar foi desviado da tela para a área descoberta da rodoviária.
Uma senhora de bermuda jeans com a bainha desfiada e uma blusa branca sem mangas acenava para mim.
Com o pouco de cabelo que saía das abas do boné eu pude perceber que ela havia descolorido o cabelo novamente, mas que agora diferente da última vez que eu a vi, ela parece ter acertado na cor.
– Oi vó. Tudo bem?
Cumprimentei-a quando cheguei até onde ela estava. A minha mochila fazia minhas costas doerem e a minhas mãos soavam segurando a alça da mala.
Os minutos a seguir foram refletos de frases como "como vai fulano?" "Vai bem" "como vai ciclano?" "Vai bem".
Minhas respostas foram sempre as mesmas até o ponto de ônibus. Parecia que minha vó estava realmente interessada sobre o que acontecia com a filha.
Não demorou muito para que um ônibus velho e com a frente cheia de lama e poeira parasse no ponto.
Minha mala foi posta em um compartimento na lateral do coletivo e finalmente subi junto a minha Vó.
– Me surpreendeu que tenha vindo morar comigo, sabe, me alegra, mas tem algum motivo especial? — Questionou Vovó quando se sentou ao meu lado após ter pago minha passagem.
Me ajeitei na cadeira desconfortável e olhei para fora vendo os últimos passageiros subirem.
– Não. — Respondi tirando meu celular do bolso e apertando no botão aleatório.
Quando love me like you do, da Ellie Goulding tocou imaginei que bug teria dado no meu velho celular para reproduzir músicas que eu sequer lembro de ter.
Então lembrei que Lília tinha pegado meu celular para baixar uma música.
– Então foi ela... — Comentei para mim mesma.
– Algum problema? — Vovó se virou para mim.
Neguei com a cabeça e passei a música dessa vez o som foi a música Hold back at the river, James Bay.
Agora sim eu estava ouvindo uma música pertencente ao meu celular. Fechei os olhos escutando a música fazer trilha sonora em mais uma história de romence criada por mim que nunca sairia fe minha mente.
Senti alguém me cutucar e quando abri os olhos estavámos em uma estrada de terra que muito me lembrava as estradas que ocorriam Rallys. Pela quantidade de poeira que se levantava eu entendi as atuais condições do ônibus.
– Desce alguém na curva? — Gritou um homem. E logo o reconheci como o homem que recolheu as passagens.
– Desce! — Gritou minha Vó.
A essa altura já deviam ter se passado umas duas ou três músicas. Tentei acomodar minha coluna de forma correta na cadeira tentando espantar o sono, infelizmente sem sucesso.
Enquanto o homem ajudava minha Vó com minha mala eu tentava deixar meus olhos abertos. A poeira me fazia lagrimar e a sonolência do meu cochilo interrompido me fizeram cambalear um pouco enquanto andavámos por uma trilha. Não demorou muito para que eu logo avistasse um portão de ferro.
– Não mudou nada hein — comentei abismada. Ouvi um riso nasal e em seguida minha Vó passou a minha frente abrindo o portão para pedrestes.
– Faz muito tempo Amara. Algumas coisas mudaram, mas quase tudo permance o mesmo. — Vovó disse enquanto eu passava pelo portão.
Não respondi nada, apenas fiquei parada olhando em volta.
Um par de balanços ficavam a sombra de uma mangueira. Nas raízes um monte de folhas se acumulavam, como em boa parte do quintal. Ao longe árvores faziam uma espécie de muro natural pelas laterais e quem andasse mais 300m a partir da parte de trás da casa veria um enorme campo destinado à criação de gados, e um pouco mais distante uma área inundada e um pomar. Um verdadeiro refúgio da cidade.
Tudo isso era o que eu me lembrava de 10 anos, agora eu não sabia mais como estava atualmente e sinceramente espero que não tenha mudado tanto.
Entrei em casa junto com Vovó. A entrada oficial ainda era pela cozinha então logo dei de cara com o cômodo mais agradável da casa. O conjunto de mesa de madeira continuava o mesmo, com a exceção de que as cadeiras.estavam estofadas, a geladeira havia sido substituida por modelo prateado de última geração, devo ressaltar, e o fogão também deve ter passado por substituição, mas isso não é algo que eu me recordo.
Os armários embutidos continuam os mesmo, a pia e torneiras tem cara de novas. Parece que boa parte continua sem mudanças.
– Parece que quase nada mudou hein — comentei me virando para Vovó que tirava o boné da cabeça.
– Sim, minha filha — ela sorriu. — Agora vá descansar, quando você acordar eu te chamo pro almoço.
Assenti pegando minha mala e minha mochila pronta para subir. Vovó passou a minha frente indo em direção as escadas a cada passo ela rangia e isso me fez pensar naqueles filmes de terror com escadas mal assombradas.
Por fim chegamos ao penúltimo quarto do corredor. Era claro, arejado, e mobiliado. Uma cama de casal próximo a janela, um guarda roupa escostado na parede e uma mesa com uma cadeira giratória bem em frente à janela do lado esquerdo da casa. Larguei a mala e a mochila no chão e me sentei na cadeira giratória fazendo o ato infantil de rodar.
– Vejo que gostou. — Vovó comentou rindo.
Me virei para a janela vendo uma muralha de árvores cobrirem uma construção não muito distante. Meu quarto era desprevilegiado para enxergar mais da casa me dando a visão somente de uma janela e metade da outra.
– Quem mora ali? — Perguntei me inclinando sobre a mesa. Vovó que havia parado na porta veio até a janela.
– Ah, é a Lurdes, o marido, o filho e o sobrinho.
– Algum gatinho? — Perguntei rindo.
– O Ricardo engravidou a menina da Gisele, esse outro aí eu não conheço. — Respondeu mal-humorada.
Fechei meu sorriso. Por mais que Vovó seja uma pessoa legal ela não dabe levar certas brincadeiras somente como brincadeiras.
– Vó já vou dormir. Até depois. — Avisei virando a cadeira e a olhando.
Ela sorriu e desejou um bom descanso.
Deitei na cama tirando o tênis e soltando o cabelo, abaixei o volume da música e adormeci ao som de Waitting for love, Avicii.
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