Na Sombra Da Arte
4 Estranha Semelhança
Notas iniciais
A galeria ficava na cobertura do cassino.
GS – Coitado do David. Às vezes investimos alto em uma garota para acabar não dando certo, isso é uma droga, você não acha Grissom?
Grissom sabia a quem ele estava se referindo. Era melhor não dar asas á imaginação de Greg.
GG – Descubra de quem é as obras expostas, a lista de convidados também.
GS – Certo. Greg saiu na sua missão enquanto Grissom observava a galeria.
Na entrada haviam esculturas. Uma delas era uma imitação da Venus de Millus, com a diferença que tinha braços, cabelos esticados e por sobre os ombros nus, rosto fino de traços delicados. Aguçou os instintos dele.
A primeira tela que viu era de uma mulher de corpo delgado, cabelos escorridos e semelhantes à escultura, com os cabelos tocando os ombros, de costa com um lençol que cobria até um pouco acima das nádegas, perto de duas covinhas no final da coluna.
Um detalhe chamou a atenção de Grissom: uma pequena parte de um desenho que ela tinha nas costas e estava descoberto. Era uma borboleta. Uma lembrança de anos atrás povoou sua mente.
“Não pode ser... “ ele lembrou. Debbie.
“GG — É triste, não é, doutor? Caras como nós... Homens de meia idade que permitiram que o seu trabalho consumisse as suas vidas. A única hora que tocamos outras pessoas é quando estamos usando nossas luvas de látex. Acordamos um dia e nos damos conta de que para 50 anos não vivemos nada...Mas então, de repente... Temos uma segunda chance. Alguém jovem e linda aparece. Alguém... que poderíamos nos importar! Ela nos oferece uma nova vida com ela...
Mas nós temos uma grande decisão para fazer, certo? Porque nós temos que arriscar tudo que trabalhamos para poder tê-la. Eu não poderia fazer isso! Mas você fez... Você arriscou tudo! E ela te mostrou uma vida maravilhosa, não mostrou? Então, ela tirou isso e deu a outra pessoa... e você estava perdido! Então você tirou a vida dela...Você matou os dois e agora você não tem nada!
DR. LURIE — Eu ainda estou aqui!
GG — Está?”
Na época o juiz considerou que as evidencias eram fracas e não provavam nada e Dr. Lurie, considerado suspeito, foi solto.
Soube depois que ele havia se afastado do Hospital Desert Palm alegando questões pessoais.
GS – Uau!!
Grissom admirou-se da expressão do jovem Greg.
GS – Nossa! Sara anda muito misteriosa e feliz ultimamente, cheguei a pensar que ela tinha arranjado um namorado e não que estivesse pousando pra um artista.
GG – Então você vai ter que continuar achando que é um namorado. Essa não a Sara é Debbie.
GS – Há algum grau de parentesco entre elas?
GG – Não. Debbie era enfermeira no Desert Palm e foi assassinada junto com o namorado em sua casa. Na época eu impedi Sara de vê-la, tentei manter Sara o mais distante possível do caso, ela é muito emotiva e isso poderia prejudicar o andamento do caso.
Greg não sabia o que falar. Jamais ouvira seu supervisor demonstrar tanto cuidado com um perito, ou melhor, com Sara. Sabia inclusive que ele havia recusado todos os convites dela para saírem juntos.
GS – Ah, certo. Eu descobri o pseudônimo do artista, Butterfly. A assinatura dele é um desenho de uma borboleta de forma subliminar ou não como aquela ali nas costas da mulher do quadro.
GG – Mais uma vez você se enganou. Debbie tinha mesmo uma tatuagem de borboleta nessa parte do corpo.
GS – Isso parece obsessão. Vai ver ele ficou paranóico com a morte dela e agora reproduz a imagem dela em todas as obras que faz.
GG – Pode ser, é cedo pra afirmar. O celular de Grissom toca.
GG – Grissom.
SS – Griss, a nossa vitima já tem identificação, ela esta no sistema.
GG – Certo.
SS – E não é tudo, lembra de Debbie Marlin? A enfermeira morta junto com o namorado?
GG – Sim, qual a ligação?
SS – A nossa vítima era Kelly McNeil, a amiga que achou o corpo na casa de Debbie.
GG – Sara me espere na autópsia, ok?
SS – Certo, vou pedir para o doutor Robins esperar mais um pouco.
GG – Greg, vamos falar com o Bráss. É hora de rever um velho conhecido.
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