Na Sombra Da Arte
1 A desconhecida
Notas iniciais
Espero que gostem! Essa foi minha segunda fic longa e eu tenho como meu tesouro particular, minha preferida.
Ela entrou em seu carro e dirigia lentamente pelas ruas da agitada Las Vegas. Queria mesmo que demorasse.
Olhou o relógio de pulso. “Ele ainda deve estar lá.” Pensou ao estacionar o carro num beco quase sem iluminação que ficava atrás do prédio.
Esperou quase duas horas até que a luz do apartamento se apagasse. Quando isso aconteceu ela repassou seu plano mentalmente pela décima segunda vez.
Jogou o cigarro fora, pegou a bolsa e vasculhou sem saber exatamente o que procurava.
Pegou uma câmera digital e um micro cartão de memória SD. Abriu o porta luvas e pegou luvas médicas, uma lanterna e um pequeno canivete que pretendia usar se precisasse forçar alguma entrada.
-Não tem mais volta. Suspirou nervosa.
Jogou a bolsa debaixo do banco traseiro do motorista onde tentava escondê-la.
Desceu do carro esquecendo de ativar o alarme. Procurou ao redor por algo que ajudasse a puxar as escadas de incêndio, encontrou um velho guarda-chuva e usou o cabo para puxar a escada.
As delicados sapatos scarpins não combinavam com a escada enferrujada e escorregadia. Subiu cuidadosamente para não chamar a atenção dos outros moradores do prédio. Conseguiu chegar.
Estava no 4° e ultimo andar em frente a porta dos fundos do único apartamento do andar.
Pegou a cópia da chave que havia conseguido com muito sacrifício da aba do sultian e a girou na porta. Parou assustada lembrando que havia esquecido de colocar as luvas. Colocou-as e girou o trinco, a porta não abriu. “Droga!”
Essa, definitivamente, não era uma boa hora para a porta emperrar.
Tentou outra vez e nada. A luva fazia sua mão escorregar, então retirou uma delas, forçou a fechadura com o canivete voltou a girar a maçaneta obtendo sucesso.
O lugar estava repleto de telas cobertas com lonas escuras, esculturas de barros envoltas em plásticos, quadros, pinceis, bisnagas e recipientes de tinta, jornais forrando o chão, não havia móveis.
Procurou havidamente. Levantava as lonas e olhava cada tela escondida. “Não pode ser. Tem que estar aqui em algum canto.”
Na pressa, o sapato enroscou num pedaço de lona fazendo-a se desequilibrar e cair batendo a cabeça na ponta de uma base de escultura que estava próxima.
A pancada perturbou-lhe os sentidos, a lanterna parou de funcionar, a máquina parecia intacta mas as baterias não estavam no lugar.
O local onde recebera a pancada doeu. Levou a mão até a dor e, devido ao escuro, não percebeu sangue em suas mãos.
Tateou o chão em busca da lanterna e das baterias da máquina, as mãos deixavam borras de sangue no chão.
“Preciso encontrar logo, sei que esta aqui!”
A lanterna não funcionava então transferiu as baterias para a máquina e passou a usar o flash para iluminar. Deparou-se com uma porta fechada. Tentou abrir.
“Parece que as portas por aqui não gostam de se abrir.”
Após um grande esforço a porta abriu.
O quarto era meio isolado do resto da casa, ficava no final do corredor. Também estava escuro, cheio de cavaletes com telas cobertas. Levantou uma das lonas e ligou o flash da câmera.
“Encontrei!”
Rapidamente saiu retirando as lonas de cima das telas. Os quadros mostravam uma seqüência exata dos fatos, terrivelmente detalhado pelas mãos do artista. A meticulosidade a assustou.
Fotografou todas as telas várias vezes antes de ouvir um barulho no corredor que a fez lembrar do risco que estava correndo.
Tentou recobrir as telas mas já era tarde, a chave estava sendo girada na porta da frente.
Saiu do quarto retirando o micro cartão SD da câmera num impulso.
Na fuga, tropeçou em um balde de pinceis mergulhados em um liquido. Agarrou-se a um cavalete e por baixo da lona escondeu algo entre a armação e o tecido de uma das telas que cheirava a tinta fresca.
Seus olhos espantados e seu rosto atônito foi o que ele viu ao acender a luz principal.
Na noite fria e badalada da agitada Las Vegas, um grito de horror ecoou rasgando o silencio que envolvia aquele apartamento.
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