Na Real

4 Capítulo 4 - Segredos


Notas iniciais
Olá pessoal! Pois é olha só a atualização saindo!!! Não me xinguem eu já comecei a escrever o capítulo de Além do Tempo e quando eu terminar começarei o de E Agora? e depois voltarei para o de Na Real... quero ficar neste circulo por enquanto, vou me esforçar muito para conseguir. Quero agradecer muito a Vivi que mesmo de castigo pelo tio Mark ainda conseguiu um meio de se comunicar comigo e me enviar a fic betada! Capa - カミュ誕 Pixiv ID: 48603049 Member: piroco (Juro que é esse o nome que apareceu no SauceNao) XD Chega de papo Boa Leitura!!!

Na Real — Capítulo 4

— Eu não vou mudar de ideia, não vou me vender! Não quero os seus milhões pelo meu segredo. — Um homem falava ao telefone e era observado a distância pelo filho adolescente. — Você está me ameaçando?

Ao ouvir o teor da conversa o garoto se aproximou do pai.

— Lamento Kapino, mas essa é minha resposta final. — Crystal desligou o telefone e olhou para o filho o chamando com um gesto da mão esquerda.

O homem foi até a mesa do escritório que mantinha em casa e pegou uma pasta grossa.

— Camus, guarde esses documentos, esconda, não os entregue a ninguém! São minhas pesquisas, tenho certeza que com isso poderemos curar seu irmão. — Crystal explicava ao filho adolescente, estavam em sua casa num bairro classe média, na França.

— Pai o que tem aqui? Por que está me entregando isso? — Camus perguntou um tanto aflito vendo seu pai se arrumando para sair.

Sem responder as perguntas do filho Crystal colocava seu paletó e pegava outras coisas em uma gaveta. — Camus, aqui estão as passagens para a Grécia, consegui falar com um ex-aluno meu, Aioros. — O homem explicava as coisas ao filho um tanto aflito. — Aqui nesta pasta estão os nossos passaportes e o endereço do hotel que ficaremos lá por hora.

— Pai, estamos fugindo? — Camus perguntou inseguro.

O homem olhou para o filho e o abraçou. — Filho o que tem aqui nesta pesquisa é muito importante e pode acabar com a milionária indústria farmacêutica, eu temo sim pela minha segurança, estou tentando ver se há alguma dignidade em nossos governantes, mas se alguma coisa acontecer comigo... fuja, Camus, proteja seus irmãos e proteja essa pasta, isso pode salvar milhões de vidas.

Assim que o homem terminou de se arrumar foi até o quarto das duas crianças pequenas, as olhou com ternura, ao sair para o corredor olhou para o adolescente e pediu: — Proteja seus irmãos, se algo acontecer comigo vá para Grécia, procure meu ex-aluno que vai ajudar no tratamento do Isaak. E Camus, não confie essa pasta a ninguém. Não é seguro, estude você, aprenda você a entender o que contém aqui.

Com um mau pressentimento, Camus abraçou o pai e implorando, pediu. — Não saia pai, não vá, não hoje, por favor!

— Preciso ir Camus, eu conto com você não me decepcione. — Falou o pai antes de sair e pegar o carro numa chuvosa noite.

Camus ficou observando pela janela da sala seu pai entrar no carro e dar a partida... Foi então que o inesperado aconteceu.

O carro explodiu.

— PAI! — Gritou o garoto dentro da casa.


...

— PAI! — Camus acordou gritando sentindo o corpo molhado de suor e com a respiração ofegante tremia como se a cena de cinco anos atrás tivesse acabado de acontecer.

Não demorou Hyoga e Isaak foram até o quarto do irmão mais velho.

— Mano, você tá bem? — Perguntou o menino mais velho.

— Desculpe, acordei vocês, não foi? — Camus perguntou ainda tremendo.

— Você estava sonhando com o papai, não é? — Hyoga perguntou tolamente sabendo a resposta. — Eu quase não me lembro dele.

— Você era muito pequeno quando ele se foi. — Isaak comentou com o irmão menor. — Seus pesadelos tinham parado, o que houve, mano?

— Não houve nada, Isaak, só tive um sonho ruim. — Respondeu Camus olhando o relógio. — Ainda restam algumas horas de sono antes do horário de levantar, amanhã temos médico pela manhã.

— A gente pode ficar aqui com você? Assim você não vai ter mais pesadelos. — Sugeriu Isaak.

— Você está bem? E suas dores? — Perguntou Camus preocupado, pois sabia que muitas vezes seu irmão sentia dores horríveis e dormir amontoado numa cama não era o mais recomendado.

— Estou ótimo, não se preocupe. — Isaak respondeu, mas Camus não acreditava cem por cento na resposta, uma vez que o irmão quase nunca se queixava das dores.

— Tudo bem, venham. — O ruivo concordou e os irmãos foram contentes se deitar junto ao irmão mais velho.

— Camus, eu vou ao médico com vocês? — Hyoga perguntou ansioso.

— Vamos todos juntos. — Anunciou Camus para a alegria dos irmãos.

— Camus, depois vamos comer besteiras? — Pediu o loirinho.

— Isso, vamos comer besteiras! Concordou Isaak incentivando o irmão menor.

— Camus, diz que sim, por favor! — Voltou a falar o caçula.

Camus girou os olhos antes de responder. — Ok! Vamos às besteiras, então.

— Eba!! — Comemoraram juntos os irmãos menores de Camus fazendo festa.

Ficaram ali juntos por um tempo, até que Camus percebeu os irmãos dormindo e se levantou para deitar no sofá e assim deixar a cama mais confortável para os meninos.

O ruivo voltou a pensar em seu sonho, fazia meses que não tinha aquele sonho. Camus chacoalhou os cabelos a fim de espantar aquelas lembranças.

*-*-*-*-*-*

— Tá tudo bem mesmo? Ele teve febre ontem à noite. — Perguntou Camus ao médico, Dr. Aioros.

— Camus, não posso mentir que o estado do Isaak não seja delicado, sabe que a doença está se alastrando pelo corpo dele. — Sentenciou Dr. Aioros. — Mas, vamos deixá-lo ter uma vida normal enquanto ele puder, está bem?

Camus concordou com a cabeça pesaroso.

— Já faz alguns dias que Isaak não tem convulsões, isso é bom, como eu falei este medicamento novo apesar de muito caro parece estar ajudando bastante seu irmão. — Dr. Aioros comentou ao ver alguns exames do garoto. — Seu tio está disposto a continuar a arcar com este tratamento?

Aioros havia sido aluno do pai de Camus quando estava na faculdade de medicina na França.
Crystal se mudaria para a Grécia a fim de aperfeiçoar suas pesquisas sobre uma possível cura, mas nunca teve tempo de passar maiores informações a seu ex-aluno, foi morto antes da viagem.

Camus por sua vez, dizia ao médico que estavam sob os cuidados de um tio grego que custeava o tratamento do menino. Jamais revelou as coisas que teve que fazer na vida após a morte do pai para manter o tratamento do irmão.

— Claro que sim, se está fazendo bem ao Isaak vamos manter o tratamento. — Concordou Camus resignado sobre seu destino.

— Olha, Camus, eu queria poder ajudar mais, porém o máximo que posso fazer por enquanto é não cobrar as consultas. — O médico explicou ciente do custo alto do tratamento.

— Eu sei Dr. Aioros e te agradeço muito por isso. — Respondeu Camus, os dois conversam na sala do médico enquanto os irmãos aguardavam na antessala.

— Ah sim, prometi aos meninos que os levaria para comerem besteiras hoje, tudo bem? — Perguntou antes de sair da sala.

O médico riu antes de responder. — Claro! Um dia de besteiras faz muito bem, mas não exagere, ok?

Camus sorriu e saiu da sala encontrando os irmãos, Isaak ia de cadeira de rodas, pois não podia se esforçar muito caminhando pela rua.

*-*-*-*

Milo estava em seu escritório pensando em Camus e no encontro que teria com ele logo mais a noite.

Claro que Milo não gostou nada de saber que o ruivo não estaria a sua disposição na noite anterior, mas essa noite o faria pagar por sua ousadia em deixar Milo Kapino à espera.

Neste momento seu pai entrou em sua sala.

— Milo, você viu os números no novo medicamento? Somos um sucesso, meu filho! — O homem dizia contente, Klaus Kapino era um elegante homem de cabelos escuros e cacheados, era o presidente das indústrias farmacêuticas Kapino, tinha filiais em vários países. Um verdadeiro império.

Milo Kapino era o Vice-Presidente, tanto por mérito, como por ser a ordem natural, Milo sempre se esforçou muito para orgulhar o pai no âmbito profissional, já que em sua vida pessoal sabia que o pai não aprovaria suas escolhas e não aceitava bem sua orientação sexual.

— Vi sim, pai, estava vendo o último balancete, o sucesso nas vendas é gritante. — Concordou com o pai. — Contudo, acho que um medicamento com essa utilidade não deveria custar tanto para o consumidor final.

— Milo, meu filho não somos Deus, ele é quem cura de graça. Foram anos e mais anos de pesquisas para conseguirmos esses resultados, temos que tirar o prejuízo, essa é a regra da nossa cadeia alimentar. — Respondeu o presidente da corporação.

— Eu sei pai, mas acho que se pensarmos nos necessitados... — Começou Milo novamente, mas foi cortado pelo pai.

— Milo, você ainda tem muito que aprender, necessitados sempre irão existir, mesmo se doássemos todo nosso dinheiro pra eles, nunca acabaríamos com todos os necessitados do mundo. Não fiz a doença, meu filho, só trabalho pela cura, e cobro por isso. — Respondeu o presidente das indústrias Kapino.

— Milo, eu gostaria que você desse uma olhada nestes contratos... — Aioria entrou na sala de Milo falando sem de dar conta da presença do pai do amigo no local, contudo parou de falar quando percebeu a presença do outro. — Desculpe, não sabia que estavam em reunião.

— Tudo bem, Aioria, não vou dizer que você deveria se fazer anunciar antes de entrar na sala do Vice-Presidente da empresa, porque sei que ele lhe deu tal liberdade, não é? — Sr. Kapino comentou como uma leve alfinetada para o filho que deveria ter uma postura mais severa entre os funcionários, amigos ou não.

Milo girou os olhos e nada respondeu, seu pai sempre teria uma crítica por mais que se esforçasse nunca seria reconhecido pelo profissionalismo ou por sua competência. — Deixe-me ver os contratos, você não atrapalhou nada, meu pai estava apenas comemorando o sucesso do novo medicamento.

— Claro, realmente é um medicamente muito eficaz para o tratamento das doenças autoimune. — Comentou Airoia.

— Sim, mas, na realidade pelos resultados não conseguimos regredir as doenças, apenas estacioná-las. — Comentou Milo, que apesar de ter de se formado como advogado sempre teve o sonho de ser biomédico e fez alguns cursos nesta área enquanto estava na faculdade.

Seu pai não gostou muito da sua observação. — Milo, as pessoas deveriam agradecer de joelhos a nós da Kapino, pois só o fato de doença não avançar já é uma dádiva.

Milo não concordava com o pai, mas preferiu não discutir mais por hora.

....

— É impressionante como meu pai... — Milo reclamava com o amigo num barzinho próximo a empresa. — A gente não se entende, pra ele a única coisa que importa são os lucros, mas eu penso diferente, penso que o que fazemos ajuda as pessoas, esse devia ser o real motivo para continuarmos as pesquisas, salvar as pessoas, curá-las.

— Milo, os dois estão certos, você em querer ajudar e seu pai em pensar nos lucros, pense em tudo que você tem, você não abriria mão de seus ideais de cura grátis se isso colocasse em risco seu império? — Aioria como sempre perguntou sendo prático e objetivo fazendo o amigo se calar em seus pensamentos.

O loiro de longos cabelos rebeldes ficou pensando no que o amigo lhe disse, e chegou a conclusão que Aioria tinha razão, pois seria um hipócrita se dissesse que não gosta do luxo em que vive e de ter o dinheiro e poder que isso lhe proporciona. — Tem razão, Aioria, eu não passo de um hipócrita, decerto eu não abriria mão do meu dinheiro, não sou altruísta o suficiente pra isso.

Levantando o copo como quem faz um brinde o amigo concordou.

— E falando nas coisas que o dinheiro pode comprar, o que vai fazer com o seu ruivo delícia hoje? — Perguntou Aioria curioso sobre os passos e os caminhos que a tal vingança levaria.

Milo não gostou de ouvir Aioria falando de Camus daquela forma, então comentou com ironia. — Achei que fosse hétero.

Aioria sorriu malicioso antes de responder. — Eu abriria uma exceção para aquele ruivo.

Olhando o amigo com olhos estreitos Milo respondeu a pergunta dele. — Preciso de mais informações sobre aquele cara, como eu disse, quero acabar com ele, quero vê-lo caído diante de mim, quero destruir ele.

Sentindo um frio na espinha ao ouvir as palavras do amigo, Aioria argumentou. — Tanto ódio só por causa de um filme que nem aparece seu rosto?

Negando com a cabeça Milo apenas respondeu. — Você não entende, não é?

Aioria deixou escapar um sorriso de escárnio e nada respondeu.

— Não preciso que me entenda, só preciso da ajuda de vocês e vale lembrar que todos estão sendo pagos pra isso.

— É o mínimo, não é? Afinal estamos a sua disposição todo nosso tempo extra. — Respondeu o leonino levantando seu copo de whisky como um brinde.

— Hunf! — Soltou Milo antes de continuar a falar. — Ainda não sei o que farei com o rameirinho hoje, acho que vou improvisar por enquanto.

*-*-*-*

Camus chegou ao luxuoso condomínio num táxi, pensou em ir de carro, mas deixar seu carro popular estacionado naquela localidade era pedir para ser guinchado.

Estava bem vestido, como sempre, contudo naquela noite optou por um traje menos formal, um estilo casual, mas ainda assim por sua postura altiva o ruivo exalava um ar sofisticado, trajava calça jeans preta de modelagem reta que valorizava seu corpo, camisa social também preta, sem grava, e finalizando o look Camus escolheu um blazer azul escuro.

Conferiu o horário em seu relógio de pulso, nove e vinte da noite, estava no horário o encontro havia sido marcado para as nove e trinta analisou a portaria principal, contudo achou por bem seguir para a entrada de serviço.

— Boa Noite, tenho uma reunião na cobertura, poderia me anunciar? — Camus pediu ao porteiro. — Diga que o Aquário está aqui.

Após interfonar para a cobertura o rapaz da portaria abriu o portão liberando a passagem para o ruivo, Camus ia seguir em frente quando se deu conta de que não sabia até aquele momento qual era o nome do loiro do aeroporto. Olhou para a cabine da portaria e chamou o rapaz que estava de serviço. — Boa noite, desculpe atrapalhar seu trabalho, mas tenho uma reunião com o rapaz loiro de cabelos cacheados que mora lá e não sei o nome dele. Esqueci meu notebook e não gostaria de chegar lá sem saber o nome do homem, sabe como essas pessoas ricas são, pra eles não importa o fato de eu estar vindo atendê-lo há essa hora, se eu não souber o nome dele, então todo o resto ficará sem valor, sabe como é...

— Ah, nem me fala, se sei! Trabalhar pra gente rica é ruim demais, a grande maioria nem ao menos dá bom dia quando passam por mim. — O rapaz reclamou enquanto concordava com as palavras do ruivo. — Mas, você tem sorte o Sr. Milo é uma boa pessoa é com ele que vai falar.

— Milo. — Repetiu o ruivo, olhou para o homem simples a sua frente e agradeceu. — Muito obrigado, senhor.

Ao descer do elevador em frente a porta pela qual havia sido expulso e humilhado duas noites atrás, Camus respirou fundo antes de tocar a campainha.

....

Milo estava nervoso, agitado, ao contrário da outra vez agora estava sozinho, despediu-se de Aioria ainda no barzinho e seguiu para sua cobertura.

Pensou em não tomar banho para passar uma imagem de quem não está ligando, contudo internamente queria causar uma boa impressão no outro, mostrar o quanto podia ser bonito, cheiroso e limpo.

Estava tomando uma dose de whisky quando o interfone tocou e Milo atendeu, sorriu ao saber que o ruivo estava na entrada de serviço, mandou que o ruivo subisse.

Seu coração batia acelerado, suas mãos estavam frias. — Vamos, Milo, mantenha a calma e respire fundo.

Pedia a si quando ouviu a campainha da entrada de serviço.

Colocou no rosto a expressão mais cínica que conseguiu e foi atender a porta.

Ao abri a porta Milo engoliu seco, o ruivo estava magnificamente lindo como sempre.

Seus olhos se cruzaram e Milo deu passagem ao outro.

— Muito bem, que bom que aprendeu, deve entrar pela porta dos fundos. — Milo falou com tom depreciativo mais para se focar em seus planos de vingança do qualquer outra coisa.

— Sim, claro, nada mais natural que eu vir pela área de serviço, uma vez que estou aqui a trabalho. — Camus respondeu com um sorriso tranquilo ignorando o fato de que o outro já havia começado com as hostilidades.

Ambos seguiram para a sala e Milo começou falando de forma arrogante. — Vamos ver o que faremos hoje.

Mas, Camus que carregava uma expressão tranquila no rosto olhou sério para o loiro e começou a falar com sua altivez natural. — Sr. Milo, antes de continuarmos precisamos acertar alguns detalhes e definir algumas regras, ok?

— Ah, sim, me desculpe por ter feito você sair daquele jeito, não foi minha intenção humilhá-lo. — O vice-presidente das indústrias farmacêuticas Kapino começou a falar de forma cínica, mesmo surpreso pelo fato de Camus saber seu nome.

Os olhos de Camus faiscaram, pois, o ruivo sabia que o único objetivo de Milo vir com aquela atitude era justamente de humilhá-lo. — Sr. Milo, deixe-me continuar sim?

— Claro, perdão, continue. — Devolveu cínico se sentando em seu aconchegante sofá voltando a beber seu whisky.

— Primeira regra, o pagamento deve ser antecipado. — Começou Camus seguro, para espanto do empresário. — Segunda regra, o senhor tem todo o direito de não querer que eu tome banho em sua casa, mas deve me ceder um local para que eu me troque e me limpe de forma adequada.

— Olha, eu já me desculpei pelos meus atos, não quis ofendê-lo... — Começou Milo, mas foi cortado por Camus.

— O senhor não me ofendeu, não estou falando isso por mim, mas sim para evitar problemas para o senhor. — Começou a explicar Camus.

— Como assim, problemas para mim? Acaso está me ameaçando ou algo assim? — Esbravejou Milo se sentando na ponta do sofá e se segurando para não socar o ruivo canalha.

Dessa vez foi Camus quem sorriu cínico. — Eu? Ameaçando? Por favor, Sr. Milo, como um relés garoto de programa, ou michê como o senhor prefere me chamar, poderia ameaçar alguém tão rico e importante quanto o senhor? Estou apenas dizendo que apesar do senhor morar na cobertura desse luxuoso condomínio, creio que seus vizinhos sejam tão ricos quanto o senhor, não é?

Camus viu que Milo prestava atenção em suas palavras então prosseguiu. — Não acho que um desses seus vizinhos gostariam de ver um homem nu com o rosto esporrado descendo pelo elevador, mesmo que de serviço. As famílias daqui podem se chocar e isso pode acarretar problemas para o senhor.

Milo ficou estático, o canalha tinha razão, seu ato intempestivo poderia ter lhe causado até um processo de expulsão do condomínio, havia normas no regulamento que prezava isso.

— Estou aqui para realizar seus desejos e fetiches, se seu fetiche é me mandar embora nu, talvez possamos ir para outro lugar onde o senhor não seja prejudicado. Já que EU não tenho problemas com isso. — Concluiu Camus tirando o sorriso cínico do rosto do outro.

— Tem razão, isso não vai mais voltar a acontecer, não aqui pelo menos, e me desculpe pela outra noite. — Milo pediu mudando o tom, o ruivo não era suscetível a ofensas, como previsto por Máscara da Morte. — Bebe alguma coisa?

— Não, por hora não quero nada!

— Certo vamos para o meu quarto? — Milo pediu sem graça tomando a iniciativa, já que estava pagando, iria usar seu investimento.

— Sr. Milo, se não se importa, como eu disse antes, o pagamento deve ser feito com antecedência. — Camus lembrou falando de forma profissional como se estivesse tratando de carros ou imóveis.

Milo estudou o rosto outro "rameirinho barato, ou melhor, rameirinho caro" — pensou ao abrir a carteira e tirar o dinheiro colocando nas mãos do ruivo. — Acho que isso basta, foi o combinado, não foi?

— Na realidade, eu estraguei minha melhor camisa na outra noite, por conta do seu fetiche, gostaria que o senhor arcasse com o prejuízo. — Camus disse calmo como quem fala do tempo.

“Mercenário" — Pensou Milo antes de tirar mais dinheiro de sua carteira e entregar ao ruivo.

Camus sorriu vitorioso enquanto seguia seu cliente até o quarto.

A cobertura de Milo era enorme, ali caberiam com folga mais de dez apartamentos do tamanho do que morava, na parte de baixo havia duas salas, uma de tv e outra de visita, onde Camus realizou sexo oral em seu cliente, um escritório e a enorme cozinha, na parte de cima havia as suítes e a ala da sauna com o ofurô.

Milo era rico, disso Camus não tinha dúvidas.

— Então senhor, o que quer fazer hoje? — Camus perguntou olhando para o outro de forma provocativa.

— Me surpreenda! — Pediu Milo olhando em desafio para Camus.

O ruivo assumindo sua "postura profissional" sorriu malicioso para Milo. — Eu gostaria de beber um pouco de água é possível?

Milo apontou para o frigobar que ficava em seu quarto, aliás, o quarto de Milo era quase do tamanho do apartamento de Camus, havia uma porta que levava ao closet outra porta para o banheiro da suíte, paredes em tons cinza, branco e preto davam um ar sóbrio ao lugar.

Camus foi até o frigobar e se serviu de água mineral gelada colocando o copo no criado mudo próximo a cama.

Com seus olhos de gato presos em Milo, Camus foi até o loiro se aproximando como se fosse tomar a boca do outro, no entanto desviou o percurso no meio do caminho beijando o pescoço dele.

Sentiu que Milo ficou arrepiado e sorriu.

Maldito, deve ter me enfeitiçado!” — pensou Milo ao sentir seu membro pulsar em resposta aos toques de Camus.

Com as mãos ágeis, Camus desabotoou a camisa de seu cliente beijando cada parte que ia sendo revelada.

De quando em quando cravava seus olhos multicoloridos em Milo, como que estudando suas expressões, continha o riso quando percebia que Milo segurava os gemidos o máximo que conseguia.

O ruivo se afastou e começou a tirar sua roupa lentamente, gostava de ver as reações de Milo ao seu corpo.

Já completamente nu, Camus levou Milo até a cama e empurrou para que o loiro caísse de costas entre os lençóis, passou uma perna de cada lado e sentou-se na virilha do loiro que já estava com seu membro duro e latejante, sentindo o órgão rígido embaixo de si, passou a se remexer, se esfregando naquela região, arqueou o corpo para conseguir abrir a calça do outro, sempre com um olhar malicioso.

Milo lutou bravamente para não se entregar às sensações que aquele homem lhe despertava, mas foi vencido, o cheiro de Camus o deixava inebriado, como se fosse uma droga da qual temia ser depende.

— Que perfume está usando? — Perguntou tentando colocar limites nas reações que o ruivo estava despertando.

Aquário parou o que estava fazendo o olhando confuso. — Como?

— Seu perfume está me incomodando. — Falou Milo tentando voltar ao controle.

— Não estou usando perfume, somente desodorante sem cheiro, não sei dos seus gostos, não usei nada para não desagradá-lo. — Respondeu confuso.

“Esse cheiro que está me enlouquecendo... é natural desse filho da puta?" — pensou Milo constatando que para ter sucesso em seu plano de vingança teria que se manter mais alerta aos encantos do maldito canalha. — Só continue o que estava fazendo, ou não tem nada melhor para me mostrar?

Ao ouvir o outro falar tentando colocar o máximo de desdém em sua voz Camus sorriu, o seu repertório estava apenas começando.

Como Saga o orientou iria dar a esse cara o melhor sexo que ele já teve.

Abrindo a calça de Milo o ruivo levantou da cama e puxou a peça, deixando seu cliente apenas de boxe azul.

— Combina com seus olhos. — Comentou o Camus fazendo o outro cravar seus intensos olhos azuis em si.

Milo era bonito, isso ninguém poderia negar.

Sem quebrar o contato visual, Camus libertou o lindo membro de Milo. Sim lindo, e Camus poderia dizer com propriedade que estava diante de um dos pênis mais lindos que já vira, e ele já havia visto muitos!

Segurou o pênis pela base o sentindo latejar em suas mãos, passou a ponta da língua por toda a extensão analisando as reações do outro que suspirou jogando a cabeça pra trás, Camus então abocanhou aquele falo apetitoso ouvindo um sonoro gemido de prazer, sorrindo satisfeito com sua empreitada.

“Pelos deuses que boca é essa? Filho da puta!" — Pensava Milo se contorcendo de prazer, quando o ruivo parou a felação e foi beber um pouco da água gelada. "Isso é hora pra ter sede?" — Resmungou quase inaudível.

Sorrindo malicioso Camus voltou a ficar entre as pernas do outro e voltou a chupar aquele delicioso pirulito, mas agora com a boca gelada.

Milo urrou de prazer, não havia se preparado psicologicamente para aquela nova sensação. — CARALHO!! — soltou mordendo a mão.

Camus lubrificou os dedos em sua própria saliva e ainda sugando o outro começou a fazer movimentos circulares na entrada de Milo que gemia loucamente apreciando aquele gesto.

Camus sugava, lambia os testículos, o períneo e já estava com dois dedos estimulando a próstata de seu cliente.

Viu que Milo estava inteiramente a sua mercê naquele momento e abriu mais as pernas do loiro, tendo a visão daquele botão apertado que sugava seus dedos, tirou os dedos e começou o beijo grego circulando a língua em movimentos circulares naquela região.

— Ahhnnng, seu maldito filho da puta! — Gemeu Milo sentindo suas pernas formigarem, aquele filho da puta era realmente muito bom, mas tentando tomar rédeas da situação o loiro se afastou. — Não quero gozar rápido essa noite, essa sua boca é um perigo rapaz.

Camus sorriu. — Que bom, vamos brincar mais um pouco então? O que prefere "por baixo ou por cima"?

Milo virou o corpo pegando Camus e o derrubando de costas na cama. — Vou mostrar pra você quem é que manda aqui!

Passado o susto inicial, Camus sorriu safado.

Milo mordia o pescoço, beijava a pele alva de Camus, deixando marcas por onde deslizava a boca em fúria de excitação.

— Lubrificante, eu tenho na minha bolsa. — Camus conseguiu dizer enquanto "fugia" das tentativas do outro de alcançar sua boca.

— Acha que não sou um homem preparado? — Milo perguntou se inclinando para a gaveta do criado mudo onde guardava as camisinhas e o lubrificante, após colocar a camisinha em seu pênis ereto, pôs uma quantidade generosa do lubrificante em suas mãos e massageou seu sexo.

Camus estava na expectativa, sabia que Milo não seria "gentil" por dois motivos, primeiro por estar querendo castigá-lo pelo filme, e segundo... por estar muito afoito de excitação.

Então esperando o momento certo girou o corpo ficando por cima de Milo.

— Você acha que só os ativos comandam uma transa? — Perguntou Camus falando de forma provocante rente ao rosto do loiro. — Hoje você vai descobrir que não poderia estar mais errado.

O ruivo segurou na base do membro de Milo e o guiou para sua entrada.

Milo não conteve o gemido quando sentiu o ruivo começar a descer pelo seu sexo, Camus descia lentamente apertando o seu canal e fazendo Milo ter sensações indescritíveis.

Ao ter Milo todo dentro de si, Camus jogou os cabelos para trás deixando escapar alguns gemidos contidos e então começou a se mover lentamente, o loiro sentia seu sexo ser massageado por aquele experiente homem, estar dentro dele era uma das mais sublimes experiências que o loiro experimentou no quesito sexo.

Camus cavalgava de forma firme, rebolava, subia e descia deixando Milo maluco. O loiro olhava com fascinação a expressão de prazer que o ruivo trazia em seu rosto, como também o movimento do pênis ereto do ruivo subindo e descendo seguindo o ritmo da "cavalgada".

Quando Camus girou em seu próprio eixo deixando para Milo a perfeita visão da bunda do ruivo engolindo seu sexo foi demais para o loiro que apertando as nádegas agora vermelhas do michê estocava cada vez mais forte e cada vez mais rápido!!!

— Ahhhh, você é muito gostoso, seu bastardo! — Gritou Milo, antes de se derramar dentro de Camus preenchendo a camisinha com sua semente, deu mais algumas estocadas antes de cair exausto na cama.

Camus saiu lentamente de cima de Milo, a fim de cuidar para que o líquido armazenado na camisinha não estourasse ou algo do gênero, ajoelhou sobre seus pés e pôs-se observar o resultado de seu trabalho.

Por mais que Milo fosse um babaca consigo, havia uma coisa que fazia toda a diferença pra Camus: Fora ele quem escolhera Milo no aeroporto internacional de Paris.

Milo foi uma escolha dele e não o contrário como costuma ser.

Ainda com a respiração ofegante Milo tirou a camisinha a descartando no lixo no canto do quarto ajeitou os travesseiros atrás de sua cabeça e olhando para o ruivo comentou. — Você ainda não gozou.

— Não estou aqui para ter prazer, apenas para te dar prazer. — Respondeu Camus tranquilamente, estava ali a trabalho e não sentia falta do orgasmo quando estava trabalhando.

— Você é realmente bom no que faz, Camus.— Comentou Milo displicente olhando para o ruivo.

O ruivo sentiu uma batida de seu coração falhar ao ouvir o loiro falando seu nome verdadeiro. — D-Do que me chamou?

Notando o espanto do outro, Milo sorriu jocoso. — Ué, por que o espanto, seu nome não é Camus Le Blant mesmo?

Como quem volta respirar depois de um longo mergulho Camus sentiu certo alívio ao responder. — Sim, é meu nome, mas não gosto que me chame assim.

— Não gosta que te chame assim como? Camus? — Milo perguntou para tripudiar uma vez que conseguiu descobrir o nome do ruivo e isso ele não esperava.

Ficando de pé e indo procurar suas roupas Camus começou a se vestir.

— Camus, por que ficou nervoso? — Continuou a provocar, mas agora com legítima curiosidade.

— Não me chame de Camus, me chame apenas de Aquário! — Respondeu o ruivo sério.

Milo também se levantou sem se preocupar com sua nudez. — Gosto de Camus, se eu quiser sair com Camus como eu faço?

— Ele não está à venda! Contente-se com o Aquário. — Respondeu Camus, já colocando os sapatos.

— Você sabe que isso não faz o menor sentido, não sabe? — Caçoou Milo.

— Não tem que fazer sentido pra você, basta que faça sentido para mim.

— Camus, me dê o número do seu celular. — Pediu Milo provocando chamando novamente pelo nome.

O ruivo olhou confuso. — Pra que quer o meu número pessoal?

— Quero tratar direto com você, sem agenciadores, você pode ganhar mais. — Respondeu Milo fazendo a proposta.

Camus pegou seu casaco e respondeu. — Prefiro que continue negociando com Saga.

— Não faz sentido você está deixando de ganhar mais. — Rebateu Milo.

— Saga cuida da minha segurança, não me leve a mal, mas eu não confio em você para vir ao seu encontro sem que ele saiba onde eu estou.

— Seu “segurança” tem uma péssima fama, tenho certeza que se eu pagasse bem a ele, eu poderia fazer o que eu quisesse com você.

Camus nada respondeu, sabia que Milo tinha certa razão.

— Boa noite, Sr. Milo, vou sair pela porta dos fundos, não se preocupe.

— Ei, Camus, espera! Você disse que precisaria se limpar e nem tomou banho. — Observou Milo tentando fazer o ruivo ficar mais tempo.

— Me lavo em casa, já saí daqui em condições piores. — O ruivo deu de costas e seguiu em frente.

— Eu quero conhecer ele! — Milo declarou firme.

Camus parou e olhou para trás confuso, Milo estaria falando de Saga? — Você quer conhecer o Saga?

— Não, eu quero conhecer o Camus, posso?

Camus ficou sem ação por alguns segundos.

— Ele me parece uma pessoa interessante, quero conhecê-lo. — Insistiu Milo.

— Ele não vale à pena, não é uma pessoa sofisticada, e não tem nada a te oferecer, é apenas um podre coitado.

— Mas mesmo assim...

— Boa noite Sr. Milo. — Camus respondeu dando as costas a seu cliente e saindo pela porta dos fundos a mesma que havia entrado horas antes.

Milo sorriu ao fechar a porta pela qual o ruivo havia saído como um foguete. – Camus, parece que descobri um ponto fraco. – Fechando o semblante o loiro declarou. – Camus ou Aquário, não importa eu vou acabar com você seu bastardo!



Notas finais
Pois é já deu pra ver que teremos mais tretas que o previsto, não é? O Milo ta mexendo com fogo e algo me diz que ele vai se queimar nesta brincadeira. Só posso dizer que tretas vem ai, tretas tretosas vem ai!!! Comentarios são sempre bem vindos, fantasminhas animem-se!! Lembrando do link do grupo no Face - https://www.facebook.com/groups/1099706026776907/ beijo até o próximo!!!