Na Real
35 Capítulo 35 - Conhece a verdade e a verdade te libertará!
Notas iniciais
Na Real — Capitulo 35
Enquanto se decidia por onde sairia, uma porta se abriu e Camus automaticamente deu uns passos para trás, mas seu coração gelou assim que viu quem estava entrando no recinto.
— Camus! Finalmente eu te achei. — Disse o loiro emocionado.
— Milo! – Sussurrou Camus assustado.
Milo tentou chegar mais perto, mas parou quando percebeu que o namorado estava andando para trás com expressão de medo em seu rosto. — Camus!
— SEU MALUCO DOENTE! O QUE VOCÊ AINDA QUER DE MIM? — Camus gritou colocando para fora tudo que pensava ser verdade. — NÃO BASTOU ME SEDUZIR, NÃO BASTOU MANDAR AQUELE CARA ME... — Camus não conseguiu dizer aquela palavra. — ATÉ MEUS IRMÃOS VOCÊ TIROU DE MIM! O QUE MAIS VOCÊ QUER?
Milo estava se desesperando ouvindo aquelas coisas, seu medo se tornando real, Camus realmente acreditou nas mentiras de Saga. — Camus, me escuta, não é nada disso!
Camus olhou para a arma que estava na mão de Milo e olhando em seus olhos falou tão desamparado que Milo sentiu o peito doer. – Eu não tenho mais nada Milo, nada! Nem dignidade, nem liberdade, eu já morri por dentro, se você veio me matar é um favor que você vai fazer para mim. — Neste momento as lágrimas começaram a rolar no rosto do ruivo que sucumbiu ao pranto, caindo de joelhos no chão, abriu os braços e pediu. — Vamos seu maldito, me mata de uma vez, acaba logo com isso, eu já estou morto por dentro faz tempo.
Milo guardou a arma na cintura e também se entregou as lágrimas se ajoelhando para ficar na altura dos olhos de Camus e segurou em sua mão. — Camus, pelos Deuses! Você não pode acreditar nestas mentiras que o Saga te falou, aquele canalha armou tudo! Ele sempre armou para tentar separar a gente, aliás, ele sempre armou para te manter junto dele, Camus, por favor, acredite em mim.
Camus queria acreditar, mesmo que fosse mentira de Milo, o ruivo queria poder morrer nos braços dele, mas seu coração não conseguiria mais acreditar no amor, em nenhum tipo de amor, por isso baixou os olhos, olhar nos olhos de Milo machucava.
— Camus eu NUNCA faria uma coisa daquelas com você! Eu jamais contrataria alguém para... — Milo também não conseguiu dizer a palavra "estupro" — Aquela cara está preso, o canalha que fez aquilo com você, ele já está na cadeia por esse crime.
Neste momento Milo conseguiu a atenção de Camus.
— Eu levei aquele vídeo para a delegacia, dei queixa e o bastardo confirmou que foi o Saga quem armou tudo aquilo para nós. — Milo revelou percebendo que Camus agora olhava em seus olhos. – Ele queira acabar com o nosso amor, com nosso relacionamento, eu sei sobre sua vida, ele teria que acabar com a gente de outra forma.
Mas não seria fácil, Camus estava muito ferido e desconfiado, haviam muitas barreiras para serem quebradas.
— Meus irmãos, o seu amigo falou que você mandou tirar eles de mim. Eu ouvi tudo! – Tornou Camus acusatório.
Milo suspirou cansado, sabia que teria que explicar esse mal entendido também.
— Meu Amor, você sabe que quando eu me aproximei de você eu queria me vingar pelo que aconteceu em Paris, eu não te conhecia e não fazia ideia de que você era essa pessoa maravilhosa. – Milo continuou pesaroso. – Quando fiquei sabendo da sua profissão, e que você cuidava de duas crianças, eu imaginei que elas poderiam correr algum risco, foi por isso que falei com Aioria NAQUELA época, para levar os meninos para um lugar seguro, longe de você.
Milo notou que os olhos de Camus marejaram e se apressou a dizer. – Mas depois eu te conheci, vi a forma que você cuidava deles, como você é maravilhoso com eles. – O Jovem Kapino esticou a mão com cuidado para tocar nos cabelos de seu namorado. – Eu nem me lembrava mais dessa ordem que eu havia dado, e o Aioria só fez o que fez porque ele descobriu... – Milo parou um instante, pensando se deveria ou não contar toda a verdade sobre Zaíra e Saga para o namorado naquele momento, quando Camus falou com uma tristeza profunda.
— Não importa, eles estão perdidos para mim, Isaak morto e Hyoga abandonado a própria sorte. — Falou Camus voltando a se render ao choro de desespero.
Milo segurou o rosto do namorado o fazendo olhar para ele. — Camus, o Isaak está vivo e o Hyoga está bem, os dois estão comigo, eu estou cuidando deles pra você.
Camus o olhou incrédulo como se tivesse ouvido errado.
— O Isaak está vivo? Eles estão com você? – Perguntou Inseguro.
— Eles estão ótimos, só não estão melhores porque sentem a sua falta, aliás, sentem muito a sua falta, mas eles estão bem e seguros. — Milo revelou percebendo a expressão de alívio do rosto do namorado.
— O Isaak está vivo? — Pela primeira vez Camus sorriu. – Ele está vivo!
— Vivo e bem, as pesquisas do seu pai, o tratamento sugerido por ele, eu as coloquei em prática, ele não só está bem como não está mais precisando das muletas ou cadeira de rodas. — Informou Milo sorrindo.
Camus piscou algumas vezes tentando absorver tudo que Milo havia dito sobre o irmão, então voltou a olhar o loiro nos olhos, o namorado sorria com olhar sincero, e o ruivo precisava tanto acreditar naquelas palavras.
— Milo! — Camus disse antes de abraçar o namorado, uma breve sensação de segurança invadiu sua alma ao sentir os braços de Milo retribuindo o abraço.
— Camus, meu amor, eu nunca desisti de você, nunca! Eu te amo Camus, eu te amo.
Camus não respondeu, expressar seus sentimentos confusos em palavras já era difícil antes, agora então parecia impossível, então apenas se deixou ser beijado pelo namorado e sentir as energias revitalizantes do amor invadir sua alma.
Mas seu corpo congelou quando ouviu a voz de Saga atrás deles.
— Maldito seja você Camus! Quando vai entender que você é meu, somente meu?
Os dois amantes se separaram e Milo se colocou na frente de Camus. – Saga seu canalha, a casa caiu pra você. – Disse com a mão na cintura encostando na arma que havia colocado ali para não assustar Camus.
— Kapino Júnior, eu te deixei vivo até hoje por causa do teu pai, com quem eu tenho negócios, mas tudo tem limite. — Falou Saga com a voz carregada de ódio e olhando para o ruivo perguntou. – Você ama esse desgraçado Camus? Ama esse riquinho que só quer brincar com você mesmo depois de tudo que ele te fez?
— Você armou pra gente Saga! – Bradou Milo.
— Eu armei? Eu te perguntei o que você queria para deixar o Camus em paz e você me respondeu que queria ver ele humilhado, destruído! – Saga sorriu olhando para Milo. – Foi o que eu fiz, deixei ele humilhado e destruído, minha parte do acordo foi feita, agora suma daqui.
Se Saga tivesse atirado em seu peito, com certeza não teria doido tanto, Camus não conseguia entender como ainda conseguia respirar sentindo tanta dor.
Milo se virou para Camus e desesperado falou. – Não acredite nele Camus, eu jamais pediria uma coisa dessas!
— Ah sim! Decerto você não foi explícito no seu pedido, mas levando em conta a vida do Camus e o trabalho dele, não tinha como ser algo leve, como filmar uma trepada escondida, como ele fez com você. – Saga sorriu maldoso. – E também ele já faz isso com maestria em frente às câmeras.
Naquele momento, Camus se sentiu novamente sujo, Saga tinha razão, ele não merecia se relacionar com ninguém, era sujo e levaria aquela sujeira com ele para sempre.
As palavras duras de Isaak voltaram a martelar sua mente, e ele se sentiu tão indigno.
Mas Milo não se importou com as coisas que Saga dizia, não se importava mais com nada daquilo, já não estava se importando antes, mas agora que sabia toda a verdade sobre a forma que o ruivo foi aliciado, sendo apenas um garoto, sabendo em como Camus foi manipulado e chantageado por aquele homem. Milo jamais colocaria em xeque seu amor por Camus por causa do passado do namorado.
— CANALHA! Você não vai conseguir destruir o nosso amor, eu amo o Camus e o amo com o pacote completo passado, presente e com o futuro que construiremos juntos!
Camus estava com os olhos baixos, inseguro, mas seu coração batia acelerado ao ouvir as palavras de Milo.
— Não há nada que você possa fazer ou dizer que me faça desistir do Camus, eu o amo! E agora ele está livre de você, livre! – Cuspiu o Kapino.
Camus finalmente o olhou nos olhos novamente, e Milo que não estava aguentando mais esconder as coisas do namorado revelou.
— Você precisa saber Camus, esse canalha do Saga esteve envenenando o Isaak durante todo esse tempo, sempre para manter você preso a ele.
Camus atônito perguntou. — O que?
Saga ficou sem reação num primeiro momento, mas assim que se recuperou do susto em ter sido desmascarado tentou. — Isso é um absurdo! O Camus sabe que eu nunca encostei no garoto.
Camus nada disse para defender o ex agente, mas o que ele disse fazia sentido, Saga nunca teve contato com os seus irmãos.
— Bastardo cínico! Ele estava usando a babá para fazer o trabalho sujo para ele. — Milo despejou nervoso pelo cinismo do outro.
— Não, Milo, não pode ser. — Começou Camus, afinal conhecia dona Zaíra, ela não iria fazer algo do tipo, envenenar o Isaak? Não, impossível!
— Ele manteve o filho dela preso, e a chantageou para que ela cumprisse as ordens dele.
— Isso é mentira! Não percebe que esse engomadinho quer tirar você de mim? E pra que? Pra brincar um pouco com você e te largar na merda como ele fez recentemente? — Saga jogou sujo.
— Camus, a Babá já está com a polícia, ela contou tudo para eles, foi o Saga que a contratou, não foi? Pois bem, no início ele falava que ia trazer o filho dela da Síria, e depois quando ele o trouxe ele manteve o rapaz refém para que ela fizesse as vontades dele, o objetivo era sempre te manter dependente dele. — Milo revelou tudo que sabia, Camus escutou tudo petrificado.
Todo esse tempo Saga estava fazendo meu irmão ficar doente? Sim, veio em sua mente todas as vezes que pensou em sair daquela vida, quantas vezes tentou largar tudo, mas Isaak sempre piorava nessas ocasiões o fazendo desistir e voltar cada vez mais submisso às vontades de Saga.
Camus então olhou para Saga com uma expressão de raiva e nojo que o aliciador nunca tinha visto na face do ruivo
Mas Saga ainda tinha cartas na manga, precisava destruir o amor daqueles dois. – Camus, você sabia que foi o pai dele quem mandou matar o seu pai?
— O que? — Disseram Milo e Camus juntos.
Milo tinha desconfiança de que seu pai talvez tivesse algo a ver com a morte de Crystal, mas ter essa confirmação naquele momento e pela boca de Saga não era nada confiável.
— Que sandice é essa? Você perdeu Saga, apenas se renda. — Disse Milo que de certa forma temia o que Saga tinha a dizer.
— Não é sandice, é o fato, você não quer ouvir toda a verdade Camus? Pois agora você vai saber de tudo. — Saga começou a despejar toda a verdade, se Camus queria ficar com Milo, Saga contaria toda a verdade a ele e depois que matasse o Kapino Júnior, Camus voltaria submisso, com rebeldia no primeiro momento, mas seria domado com o tempo.
— Seu pai trabalhava para o pai do Kapino Júnior aqui, quando ele fez algumas descobertas que poderia acabar com a empresa deles, foi então que o Kapino Pai mandou executar seu pai. — Revelou Saga vendo o choque nos olhos do ruivo.
— Conta toda a verdade Saga. — Aldebaran surgiu por trás de uma porta com a arma em punho. — Conta para o Camus que foi você quem matou o pai dele, foi você quem colocou a bomba no carro!
— Maldito! — Disse Saga ao ver o policial com a arma apontada para si. — Traidor!
Camus sentiu uma forte pontada na cabeça.
"Saga matou meu pai?"
"Saga o homem que me levou para aquela vida degradante, foi o responsável pela morte de meu pai?"
"Durante todos esses anos eu estive transando com o assassino do meu pai?"
"O homem que matou meu pai e envenenou meu irmão, Saga é essa pessoa?"
Camus gritou enfurecido.
— MALDITO!!! SEU MALDITO! — Camus berrou indo na direção do Aliciador enfurecido.
— Camus não! — Milo correu para segurar seu namorado que estava fora de si.
— Camus, calma, esse canalha vai ser preso. — Milo tentava conter o ruivo que se debatia em seus braços, duvidava que o namorado estivesse escutando alguma coisa que ele dizia naquele momento, mas ainda assim continuou. — Meu amor, esse crápula vai pra cadeia, vai pagar por todos os crimes que ele cometeu. Se acalma, por favor.
— MONSTRO! CANALHA! EU ODEIO VOCÊ SAGA, ODEIO VOCÊ. — Camus berrava se debatendo nos braços de Milo. — EU TENHO ASCO DE VOCÊ! MALDITO SEJA O DIA EM QUE VOCÊ CRUZOU NA MINHA VIDA!
Camus parou de gritar e se debater quando se lembrou das coisas que Saga disse recentemente, sobre se lembrar dele voltar da escola com o uniforme escolar.
— Meu Deus! Você estava me observando antes do meu pai morrer! – Foi quando a lembrança daquela noite voltou a mente de Camus que lembrou dos homens que ficaram olhando para sua casa, o olhar daqueles homens foi o que despertou o medo em Camus e resultou na sua coragem de fugir ainda naquela noite, mas o que antes era uma lembrança embaçada, agora tomava forma. — Sim, eu me lembro na noite da explosão, eu vi você e o Kanon na frente da minha casa, vocês estavam lá, olhando para mim. Meu Deus Saga, como você pôde? COMO VOCÊ PÔDE!
Saga fixou seus olhos em Camus e por fim confessou. — Você era a parte principal do meu pagamento por aquele trabalho, eu poderia ter pego você e seus irmãos e ter trazido todos para cá desde o início, mas eu me encantei por você, eu deixei você ficar com as duas crianças, e paguei pra você muito dinheiro. — Saga falava como sempre, tentado se colocar como o grande salvador. — Eu permiti que você ficasse com eles, mesmo com o do meio sempre ficando doente, como pode não reconhecer tudo que eu fiz por você?
— MALTIDO SEJA VOCÊ SAGA!
O ruivo tentou avançar mais uma vez em Saga, quando Milo o segurou firme e o fez olhar em seus olhos
— Camus, meu amor, ele vai ter o que merece, ele não vale a pena, por favor. — Pediu Milo preocupado com o namorado, que por aquele breve momento se esqueceu do inimigo armado atrás de si.
— Milo, eu dormi com o assassino do meu pai. — Camus disse com tanta dor que o jovem Kapino abraçou o namorado. – Meu Deus Milo! Esses anos todos eu estava transando com o assassino do meu pai! Eu estou com tanto nojo de mim.
— Não diga isso Camus, você é uma vítima, acho que a maior vítima desse canalha, mas agora acabou, agora nós vamos ficar junto e eu não vou deixar que nada de ruim aconteça com você, eu vou te proteger Camus.
O ruivo abraçou o namorado forte, seu corpo tremia e ele soluçava entre as lagrimas de desespero.
Aldebaran também olhou para o ruivo penalizado, só o fato de ser sequestrado ainda adolescente para ser escravo sexual já era desesperador, mas ser escravo sexual dos assassinos do pai, era algo inconcebível.
Todos levaram um choque quando o barulho de um tiro foi ouvido.
Aldebaran foi rápido e atirou em Saga antes que ele pudesse desferir outro tiro, o gêmeo de Kanon caiu desacordado no chão e Aldebaran olhou na direção do casal que ainda estavam abraçados, mas percebeu que havia algo errado.
— Milo. – Camus chamou ao sentir o peso do corpo do namorado. – Milo pelo amor de Deus fala comigo.
— Porra! – Gemeu Milo, já deitado no chão. — Esse filho da puta atirou em mim pelas costas.
Aldebaran correu ao auxílio de Milo, o gigante percebeu que o tiro entrou pelo ombro atrás e saiu pela frente atingindo o braço de Camus de raspão, coisa que o ruivo nem ao menos sentiu tamanho era seu desespero.
— Atenção aqui é o Touro, preciso de médicos aqui tenho três homens baleados, estamos no acesso aos quartos, vindo pela entrada “secreta” da sala três da primeira entrada. Rápido, ele está perdendo muito sangue. – Avisou Aldebaran pelo rádio.
— Milo, fica comigo, por favor, eu não consigo sem você, por favor fica comigo. — Camus pedia com a voz trêmula percebendo que o namorado estava perdendo os sentidos. — MILO PELOS DEUSES ACORDA! MILO NÃO FAZ ISSO COMIGO.
Camus olhou para Aldebaran em súplica e começou a gritar. — SOCORRO, ALGUÉM AJUDE! SOCORRO!
....
Shura estava ajudando o namorado e colega de trabalho a resgatar algumas mulheres que estavam presas em um dos quartos.
Carlo passava com as moças e Shura com o pé em cima da cabeça de um dia capangas de Saga, quando ouviram a voz de Aldebaran pelo rádio, os dois trocaram olhares tenso, pois a tal sala foi o ligar em que deixaram Milo.
Entregaram o capanga para outro policial e correram para o local indicado por Aldebaran.
....
— Camus, se acalme, eu tô bem. — Disse Milo com a voz fraca tentando acalmar o namorado. — Não foi nada sério.
— Milo a culpa foi minha. — Camus disse entre as lágrimas. — Eu te distrai.
Aldebaran observava o casal de longe, enquanto checava os sinais vitais de Saga, torcendo para que o socorro chegasse rápido, o loiro estava perdendo muito sangue e Saga, apesar de ainda estar vivo, estava inconsciente.
O socorro chegou junto com Shura e Carlo, que foram direto para perto do amigo
Camus se afastou para dar espaço os médicos e ficou sentado em silêncio abraçado aos seus joelhos o olhando assustado para os médicos trabalhando.
— Como foi que isso aconteceu? — Shura perguntou a Aldebaran, ele se sentia culpado pelo ocorrido com o amigo.
— Amadorismo e imperícia, ele deu as costas para o Saga. — Explicou o gigante que precisava passar algumas informações para os colegas antes de ir conversar com Camus. — Foi imprudência deixar um civil participar de uma ação como essa.
— Sim, isso a gente sabe, o difícil é colocar alguma coisa sensata na cabeça desse idiota! — Explicou Carlo, tentando desviar a atenção da bronca do Touro, sabia que Shura já estava se sentindo mal com todo o ocorrido.
Milo gemeu alto quando o colocaram na maca. — Camus. — Chamou fraco.
— Milo seu idiota, eu não mandei que nos esperasse naquela sala! — Bronqueou Shura ponderando a voz.
— Shura, o Camus... — Milo disse antes de perder os sentidos.
Shura entendeu o pedido do amigo, Milo queria que tomasse conta do seu ruivo.
Seus olhos foram para o rapaz, que estava com o olhar apreensivo, observando Milo sendo levado pelos médicos, o jovem estava vestido apenas com um micro shorts, que em outra pessoa sem o mesmo porte nobre de Camus, ficaria vulgar ao invés de sexy.
— Deixa que eu falo com ele, preciso explicar algumas coisas. — Pediu Aldebaran olhando para o ruivo e acrescentou. — Se é que ele vai conseguir assimilar alguma coisa depois de tudo que aconteceu com ele nos últimos tempos.
Aldebaran e Shura olharam para Camus que ainda estava imóvel sentado abraçado os joelhos com o olhar perdido.
— Certo você cuida do garoto e eu vou para o hospital acompanhar o Milo, eu o trouxe aqui ele é minha responsabilidade.
Carlo que estava perto dos dois se comunicou com Shura por olhar, sinalizando que cuidaria de tudo por ali.
Assim que Shura saiu para encontar Milo, Aldebaran se aproximou do ruivo.
— Camus, o médico precisa te examinar, venha. — pediu o policial, ajudando a se levantar. — Você consegue andar?
Camus assentiu com a cabeça ainda em silêncio.
....
Já na ambulância o médico limpava o ferimento causado pelo tiro de raspão , Aldebaran contava sua história.
— Há anos nós aguardávamos uma oportunidade de nos infiltrarmos na organização do Saga, estávamos perto de conseguirmos provas contundentes contra eles, por isso eu não pude me revelar e te ajudar antes, me perdoe.
Camus ouviu tudo em silêncio, não por nutrir algum rancor pelo policial, mas porque sua mente não parava de pensar em Saga e em descobrir que transou com o assassino de seu pai durante anos, chegou até mesmo a se apaixonar por ele no início de tudo.
Pensava que havia colocado os irmãos em risco durante todos esses anos, dependendo exclusivamente da vontade de Saga em os deixar livres.
E pensar em Milo que levou um tiro por sua culpa.
Tudo havia acontecido por sua culpa, tudo porque Saga o quis em sua cama.
Era muita coisa em sua mente, começou a se sentir enojado, enjoado, sentir sujo, muito sujo.
Os policiais estavam juntos do lado de fora, já haviam feito uma varredura no local, não havia mais ninguém lá dentro, neste momento começaram retirar os corpos, alguns de capangas, outros de possíveis clientes, por sorte ninguém da equipe se definiu.
Camus viu as macas saindo com os corpos em um saco preto, o desespero tomou conta do seu ser.
Camus começou a tossir, e tentar puxar o ar com dificuldade, por algum motivo o ar não estava chegando aos seus pulmões.
— Camus? — Chamou o policial vendo o jovem se contorcer com as mãos no pescoço. — Eu calma, calma! Respire, apenas respire devagar.
— Eu não consigo, não consigo respirar!
— O que está acontecendo? — Perguntou o médico sem entender o que estava acontecendo, em sua visão o ferimento de Camus não causaria falta de ar.
— Ele está tendo um ataque de Pânico, não é a primeira vez, mas depois de tudo que ele passou hoje, não sei se ele consegue sair disso sozinho.
Em posso daquela informação o médico pegou uma seringa e um medicamento que estava em um frasco. Ao colocar o líquido na seringa o médico, pegou o braço de Camus que se debatia e aplicou a injeção, o ruivo perdeu os sentidos na hora.
O médico se virou para o policial e disse. — Apliquei um forte calmante para ele, vamos leva-lo ao hospital, esse tipo de crise é perigosa, a mente engana o corpo.
Aldebaran foi com Camus para o hospital.
....
— Boa Noite senhoras e senhores, eu preciso dizer que vocês estão livres. — Anunciou Carlo aos resgatados daquela noite.
Palmas e gritos de vivas e choros se alívio foram ouvidos, mas o policial continuou.
— Mas por medida de segurança e por termos que colher o depoimento de todo aqui, preciso avisar que vocês ficaram nos nossos alojamentos até que seja seguro e que seus depoimentos sejam recolhido.
Após distribuir as mais de vinte pessoas em seus alojamentos e ceder algumas roupa limpas, um uniforme verde distribuído para todos, Carlo iria se dirigir para a sala que estava servindo de escritório, quando Afrodite pegou em seu braço.
— Você é um herói. — O loiro abraçou com uma quase devoção.
Sem graça o policial ficou com receio de corresponder ao abraço. — Não, não belo eu não sou nenhum herói só fiz o meu trabalho, Aliás peço desculpas a você, por não ter revelado antes, eu realmente não podia.
Carlo falou acariciando o rosto de Afrodite, gesto que não passou despercebido por Dohko que estava ao seu lado.
— Você salvou a gente eu não sei como vou fazer para te agradecer.
— Não precisa agradecer, como eu disse fiz o meu trabalho, lamento não ter podido tirar vocês de lá antes. — Tornou o policial mais uma vez.
— Senhor, por favor, nosso amigo Camus, o que houve com ele? Um rapaz de cabelos vermelhos, ele ficava na mesma cela que a gente e eu não o encontrei. — Mu perguntou aflito.
— Sim, eu sei quem é o rapaz, ele foi levado ao hospital. — Avisou Carlo e observado a reação de preocupação dos dois rapazes acrescentou. — Acalmem-se! Ele não está ferido, não fisicamente ao menos, mas ele teve uma crise nervosa e precisou ser hospitalizado.
— Pobre Camus. — Murmurou Mu triste. — Alguém vai ficar com ele? O pobre não está bem.
— Nós achamos que ele está enlouquecendo, o que não é pra menos, ter que dormir com o Saga depois de tudo que aquele monstro fez com ele. — Acrescentou Afrodite.
"Vocês não sabem da missa a metade" — Pensou o polícial.
*_*_*_*_*_*
Shura estava sentado na sala de espera, acompanhava as notícias sobre as prisões pelo celular, Carlo havia acabado de avisar que os reféns já estavam no alojamento o juiz iria lavrar o auto de prisão em flagrante, os presos.
No dia seguinte pela manhã começariam as oitivas e os depoimentos teriam muito trabalho.
O policial olhou para a porta por onde seu amigo foi levado desacordado, e a única informação que teve é a que ele estava em cirurgia.
Olhando para a recepção viu quando Klaus Kapino chegou ao hospital e praguejou baixo. — Mas que bosta.
Klaus reconheceu Shura, amigo de Milo, um policial sério, que muito provavelmente já deveria ter tido alguma coisa com o filho, pois não fazia sentido um policial ser amigo de um maricas assim do nada, pensou.
— Sr. Kapino. – Shura foi cumprimentar o recém-chegado, pois apesar dos pesares aquele homem era pai de seu amigo. – Como soube?
Apertando a mão do policial o empresário respondeu. – Eu sou o contato de emergência do meu filho. – E olhando nos olhos do policial perguntou. – Você não iria me avisar sobre ele? E o que aconteceu afinal?
— O Milo foi baleado, pelo cafetão Saga Nikolos, conhece ele? – Shura soltou para ver a reação do homem a sua frente. – E sim, obviamente eu iria avisar ao senhor, só não o fiz ainda, pois estou aguardando o retorno dos médicos sobre o estado de saúde dele.
— É grave? Meu filho corre risco? – Klaus perguntou com real preocupação e culpa, deveria ter sido mais incisivo para afastar Milo de Saga, poderia comprar o tal rapaz, afinal com Saga tudo tem preço e apesar da viadagem, Milo é seu único filho e o amava.
— Não tenho como dizer a gravidade, estou aguardando os médicos. – Respondeu Shura quando dois policiais entraram e ele foi conversar com eles. – Por favor, com licença.
Klaus sentiu seu celular vibrando e retirou o aparelho do bolso, era uma mensagem de seu gerente de operações avisando que a polícia estava na fábrica onde eram incinerados os “lixos” de Saga. Logo após recebeu outra mensagem avisando sobre a operação policial na boate de Saga e a prisão de todos.
O Dono das Industrias Kapino olhou para o amigo de seu filho e os demais policiais desconfiado de que o que houve com seu filho tinha alguma coisa a ver com os demais acontecimentos daquela noite.
Klaus se afastou um pouco pegou o celular e ligou para o médico da família. – Dr. Julian aqui é o Klaus, Milo tomou um tiro e está no centro cirúrgico do seu hospital, preciso que venha aqui e prepare tudo vou leva-lo para o hospital de Londres, preciso do máximo sigilo, temo que o idiota tenha se metido em alguma grande confusão há três policiais aqui no hospital. Ok te aguardo.
Klaus ignorava o fato de que Saga havia sido baleado e também estava passando por cirurgia no mesmo hospital, o empresário pensou que os policiais estavam ali para prender a ele e a seu filho que mesmo inocente, poderia ser preso, caso a polícia achasse que ele era seu cúmplice.
Mandou uma mensagem para o piloto de seu jatinho particular, para que deixasse tudo pronto, deixaria o pais com seu filho antes do amanhecer.
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