Na Real

28 Capítulo 28 - O Outro Lado da Verdade


Notas iniciais
Olá como vai? Sempre uma honra ter você aqui comigo!!! Tentei não demorar muito pra postar dessa vez, mas se dependesse só da minha vontade tinha atualização toda semana. Continuou sem computador e escrevendo pelo celular ou dando umas escapadelas no trabalho, então é o que tem. Quero agradecer a Amelinda por betar esse capítulo em tempo Record! Obrigada amiga te amo. Chega de papo e vamos lá.

Na Real — Capítulo 28 -

— Ele deve estar lá dentro, veja, a porta está aberta. — Disse Milo para Aioria, enquanto se encaminhavam para o apartamento de Camus. — Você vai ter que consertar a merda que fez. — Ordenou ao amigo.



Ao chegar, Milo abriu a porta devagar, não queria assustar ou causar qualquer reação que fizesse seu namorado ficar mais bravo do que ele já deveria estar naquele momento.

— Camus? — Falou baixo entrando, Aioria ficou na porta, esperaria melhor hora para se juntar aos dois. — Camus? — Chamou novamente, dessa vez mais alto.

"Ele deve estar no quarto" — Pensou o loiro, fazendo menção de se dirigir até lá, mas ao ver o movimento na pequena cozinha, teve um breve sobressalto.



Hyoga saia de dentro do armário e corria para os braços do cunhado. — Milo!

— Hyoga! — Soltou Milo surpreso. — O que você está fazendo aqui sozinho? Viu seu irmão?

Os olhos do menino estavam úmidos e foi então que Milo percebeu as lágrimas que rolavam pelo rosto da criança.

— Hyoga, me conta o que aconteceu — Pediu Milo, e a esta hora Aioria também já havia entrado no apartamento.



— Como você voltou pra casa? Não tinha ido para o abrigo? — Perguntou Aioria com real interesse.

Hyoga fitou o amigo de Milo e voltou os olhos para o loiro. Começou a falar. — Eu fugi daqueles caras. — Mas o menino não queria focar em sua fuga e sim no sequestro de seu irmão. – Milo, o Saga, ele veio aqui, ele levou o Camus!

"Maldito!" — pensou Milo, achando que se tratava apenas de um passeio ou algo do tipo.

— O Camus viu você? E ele te deixou aqui sozinho para ir com o Saga? — Milo questionou, achando estranho a atitude do namorado.

Hyoga negou com a cabeça. — O Saga veio com dois trogloditas, eles pegaram o Camus à força, deram uma injeção nele e o mano desmaiou. — Revelou o menino, para o espanto dos ouvintes. – Aí eles levaram ele.

— Eles levaram o Camus desacordado? Pelos Deuses, o que está acontecendo? – Indagou Milo mais para si do que para o menino. Olhando para o amigo disse. – Nós temos que ir atrás deles agora!

Aioria fitou Milo com os olhos sombrios antes de dizer. – Milo, já esqueceu o que houve com o Shura? Da ameaça feita a seu pai?



— Você sugere que a gente deixe as coisas como estão? – Questionou Milo nervoso.

— Não, eu não disse isso, mas primeiro devemos levar o menino ao abrigo, depois vamos falar com o Carlo para tentar estudarmos algo que possamos fazer.

Ao ouvir o rapaz ao lado de Milo falar em abrigo, o pequeno se agarrou no pescoço do cunhado, pedindo entre lágrimas: – Não Milo, não me leve pra longe, eu quero o meu irmão.

Olhando nos olhos do cunhado, Milo falou carinhoso. – Não se preocupe, Hyoga, eu jamais vou deixar você em um abrigo, você vai ficar comigo, até que a gente encontre o seu irmão, OK?

O menino assentiu e depois olhou para Aioria, fazendo uma careta.



— Venha, vamos pegar algumas roupas para você. – Disse Milo colocando o menino do chão e seguindo para o quarto que Hyoga dividia com Isaak.

— Mais essa agora! – Começou Aioria. – Milo, você não pode fazer isso, existem leis, sabia?

— Exatamente! Aioria, esse menino correu sérios riscos enquanto esteve só nas ruas após fugir daqueles idiotas, cabe a você explicar isso para o juiz, e vai informar que eu cuidarei dele até segunda ordem.

Aioria apenas suspirou, vencido.

*-*-*-*-*

— Uau, Milo, que lugar grande! – Disse Hyoga assim que entraram na cobertura de Milo, o gato Scorpion veio recebê-los se esfregando nas pernas de seu tutor, estava com saudades, quase um mês havia passado.

— Que bom que gostou, esse aqui é o Scorpion. Scorpion, esse é o Hyoga, quero que vocês sejam grandes amigos. – O menino sorriu e pegou o gato no colo, que logo se mexeu para voltar ao chão — ei volte aqui! — Hyoga saiu correndo atrás do gato.

Pouco tempo depois, Jade, a secretária de Milo, chegou ao apartamento. – Sr. Kapino, vim assim que me ligou, voltou mais cedo, o que houve?

— Jade, bom dia! Sim, voltei mais cedo sim, mas por motivos pessoais. – Começou Milo, explicando seus motivos para logo após explicar o que realmente queria da moça. – Eu preciso que você tome conta de uma criança.

A secretária olhou surpresa e Milo prosseguiu:

— Claro que eu vou contratar uma babá, mas agora estou com essa emergência, não se preocupe, te pagarei um extra, por esse trabalho. Hyoga! – Chamou e o menino veio correndo, desta vez com o gato Scorpion correndo atrás dele. – Hyoga, essa é a Jade; Jade, esse é o Hyoga.

— Oi. – Cumprimentou o menino estendendo a mão para a moça.

Milo se abaixou para ficar com os olhos na altura do menino e falou. – Amigão, eu vou precisar sair com o Aioria, quero que fique com a Jade que vai cuidar de você, OK? Eu já pedi que arrumassem o quarto em que você vai dormir, prometo tentar voltar para casa o quanto antes, OK?


O menino confirmou com a cabeça e abraçou Milo. – Acha o Camus.

— Eu vou achar ele, prometo! — Milo tirou uma quantia de seu bolso e deu nas mãos da secretária. – Aqui, compre algo para que vocês possam comer, aqui em casa não tem nada, só comida de gato.

Após se despedirem do garotinho, Milo e Aioria foram para o estacionamento do prédio. – Vamos no meu carro agora. – Decretou.

— Não seria melhor irmos no meu? – Perguntou Aioria, mas Milo ignorou a pergunta do amigo e entrou em seu carro. Vencido, Aioria se acomodou no banco do carona.



— Para onde vamos agora? – Quis saber o leonino.

— Vamos falar com seu irmão!

*-*-*-*-*-*-*

Aioros já havia acabado a ronda daquela manhã, tinha visitado todos os seus pacientes que estavam internados e se preparava para as consultas que teria ao longo do dia, lia as fichas de alguns pacientes, a pasta com o caso de Isaak também estava entre as pilhas, ainda não conseguia acreditar que Camus estivesse envenenando o próprio irmão.

Escutou umas batidas na porta, mas antes de dar autorização para a entrada viu seu irmão entrando acompanhado de Milo.

— Mano, desculpe entrar assim, mas a gente precisa falar com você. – Informou Aioria sem notar a troca de olhares ríspidos entre seu amigo e o médico.

.....

— Eu consigo acreditar nesta versão de que foi a babá quem estava envenenando o Isaak, o Camus jamais faria mal aos irmãos. – Declarou Aioros, após Milo e Aioria contarem sobre suas suspeitas em relação ao caso.

— Aioros, você conheceu o Camus antes de tudo isso, pode nos contar sobre isso? – Pediu Aioria, para verificar se a versão do garoto de programa batia com a realidade.

Milo, ao ouvir a pergunta do amigo, encarou o médico atento para ouvir sua resposta. Este, que estava no seu consultório, abriu uma gaveta e dali tirou uma foto; entregou a Milo.

Na foto era possível ver alguns jovens, entre eles, Milo identificou, Aioria, em um laboratório. Um menino ruivo sentado na bancada sendo seguro por um homem mais velho.



— Essa foto foi tirada quando o Isaak nasceu e o professor Crystal levou Camus com ele para o laboratório naquela semana. — Explicou o médico, foi então que os olhos de Milo cravaram no menino de tez delicada. Seu coração apertou, pensou em como a vida de Camus teria sido diferente se o pai estivesse vivo.

— O professor Crystal, pai dos meninos, era meu professor no doutorado, trabalhávamos em algumas pesquisas no laboratório, ele foi o melhor mestre que eu tive em toda minha vida. Mas quando o Isaak nasceu doente, Crystal se pôs a pesquisar uma forma de barrar a doença, mas quando sua esposa morreu no parto do Hyoga, ele entrou em uma forte depressão.

Os dois à sua frente ouviam a história com interesse.

— Bom, eu só sei que após algum tempo o Crystal voltou a se dedicar às pesquisas para melhorar a qualidade de vida do filho. Então um dia eu recebi uma ligação dele perguntando se eu gostaria de participar da pesquisa dele, na qual ele havia tido alguns avanços em suas buscas para a cura de doenças autoimunes, e que se nossa pesquisa tivesse o resultado esperado acabaria com a indústria farmacêutica com nós a conhecemos hoje.



— E sobre o que é essa pesquisa? — Aioria indagou.

— Eu nunca cheguei a saber do que se tratava, Crystal não chegou a me dizer nada sobre ela, houve o acidente e ele faleceu. — Completou o médico olhando para os dois homens a sua frente.

Milo trocou um olhar significativo com Aioria, depois voltou os olhos para o menino ruivo da foto, seu coração apertou ao imaginar todas as coisas a que aquela criança seria submetida alguns anos depois desde o dia daquela foto.

— Aioros, obrigado pelo seu tempo. — Disse Milo, se levantando. — Sobre o Isaak, como ele está?



— Ainda muito fraco, mas agora que sabemos o que estava causando essas recaídas, já sabemos o que tratar. — Respondeu o médico.

— Ele está consciente?

— Sim, está. — Respondeu o médico, olhando Milo nos olhos.

— Eu virei visitá-lo durante a tarde. — Avisou Milo.

O médico pensou em barrar dizendo que só pessoas da família estavam autorizadas para visitar o menino, mas pensou melhor, afinal Isaak estava desamparado sem poder receber visitas do irmão. Então acenou positivamente ao amigo do irmão.

Milo não havia dito nada ao médico sobre o sequestro de Camus, quanto menos gente envolvida, melhor, ao menos por enquanto.

*.*.*.*.*.*

— E para onde nós vamos agora? — Aioria perguntou ao amigo, ambos estavam no carro de Milo, que já havia deixado o hospital para trás.



— Vamos ver o Carlo. — Avisou Milo.

Aioria ficou em silêncio por algum tempo antes de começar a falar. — Puta que pariu! Que história bizarra!

Neste momento, Aioria havia se dado conta da merda que havia feito, obviamente não estava tomando toda a responsabilidade para si, uma vez que não sabia do grau de relacionamento do amigo com o rapaz infortunado.

— O Camus é uma pessoa maravilhosa, Aioria, eu o amo! Me apaixonei por ele desde que o vi naquele aeroporto, mas aquele sentimento doentio que eu tinha foi se transformando em amor, em algo calmo, tranquilo, que me dava paz, conforme eu fui conhecendo a pessoa maravilhosa que existia por trás do Aquário. — Desabafou.

— Eu só não entendo por que não me contou!

— Porque eu sou um covarde, fiquei com vergonha do julgamento de vocês, por isso nunca disse que não existia mais vingança, que não existia mais ódio. Covardia, orgulho, vergonha, medo, sei lá. — Milo sentiu seus olhos arderem. — O crápula do Saga marcou um encontro comigo e nem pra ele eu disse que queria o Camus pra mim, como um homem, um companheiro. Menti disse que queria humilhá-lo, assim como ele havia feito comigo.



O silêncio dominou o carro por alguns instantes, Aioria entendendo o que o amigo estava dizendo e Milo com o coração corroído pela culpa.

— Eu não deveria ter dito aquilo, foi por isso que ele mandou fazer aquela atrocidade com o Camus. Foi por isso que ele filmou o Camus sendo.... porque eu falei que queria vê-lo humilhado. — Milo bateu a mão no volante, com raiva de si.

— Você não tinha como saber que aquele doente faria algo assim. Você não mandou que ele estuprasse ninguém, não é? – Ponderou Aioria. – Milo, se você tivesse enfrentado o Saga, a essa altura você poderia estar morto! Talvez a ameaça que ele fez ao seu pai tenha sido antes dessa conversa de vocês.

— Não. Eu acho que as ameaças que ele fez ao meu pai foi quando ele percebeu que estava perdendo o Camus de fato. — Respondeu Milo sombrio.



*.*.*.*.*

Camus tentava lutar contra o forte sono que lhe invadia o corpo, queria acordar, mas seus olhos teimavam em permanecer fechados.

Ouvia vozes ao fundo, seria Milo? Saga talvez? Não, aquelas eram vozes diferentes.

— Por que será que ele está aqui?

— Saga deve ter se cansado dele. É o que dá se misturar a escória.

— Afrodite, não seja mau! – Ralhou Mu ao se aproximar do jovem recém-chegado que estava deitado no chão em cima de algumas folhas de papelão.

— Ele está respirando? – Mime, o mais jovem ali questionou, encarando os outros dois preocupados.



Mu se aproximou colocando a mão na testa de Camus sentindo sua temperatura. — Ele está quente, será que está doente?

— Não importa, esse lugar é pequeno demais, já somos três aqui, quando pensamos que iríamos ter mais espaço com a saída do Sorento me chega esse aí.

— Afrodite, o Aquário não te fez nada, para de implicar com o pobre, nem ao menos sabemos o que houve com ele.


— No mínimo, o Saga se cansou dele e o mandou para cá, ele se achava esperto e acabou que se deu mal como todos nós. – Continuou a implicar o pisciano.

Mu olhou para Mime e balançou a cabeça, como que dizendo “deixa ele” então chamou baixo. – Aquário, você está bem? Aquário?

Com muita dificuldade, Camus abriu os olhos, no começo nada enxergou, pois, o lugar era escuro, mas aos poucos as pessoas foram tomando forma em seus olhos e foi então que reconheceu. – Mu?

*-*-*-*-*

— Veja, esses são os casos que foram julgados pelo juiz Wyvern, observe que esses caras tinham ligações com Saga, tanto pelo Sanctuary quanto com outros negócios dele. – Carlo comentou, quando o interfone tocou.

Carlo olhou para o outro confuso. – Não deve ser nada.

Atendeu.

— O quê? Aí embaixo? Agora? Tá, manda subir.

— Fica no meu quarto, o Milo e o Aioria estão subindo, eu não poderia dispensá-los.

O seu interlocutor concordou e entrou no quarto trancando a porta, poucos minutos depois ouviram as batidas na porta.

— Milo, o que faz aqui, não estava no Brasil? – Questionou Carlo ao abrir a porta.

Milo abraçou o amigo pesaroso, era primeira vez que via e falava com Carlo desde a morte do Shura, não saberia dizer em que pé estava o relacionamento deles, mas com toda certeza sabia que o amor nunca havia abandonado os dois.

— Eu sinto muito, Carlo, eu deveria estar aqui para você quando aconteceu, mas o cabeção do Aioria não me contou nada.

— Ei! Não é o tipo de coisa que se fale por telefone, e eu tinha meus motivos para te manter fora daqui. – Replicou o amigo.

— Tudo bem, Milo, o Aioria tinha razão, não precisava atrapalhar seus negócios. – Respondeu Carlo sem graça, dando passagem aos amigos.

— Cara, não tem essa de atrapalhar os negócios, amizade é amizade. – Respondeu Milo. – Você o Shura e o Aioria são a minha família, ao menos é assim que eu considerava ele, como um irmão. – Lamentou Milo.

Após se acomodarem no sofá de Carlo, Milo e Aioria trocaram olhares, o que não passou despercebido pelo anfitrião. – O que foi?

Milo suspirou cansado antes de começar a falar. — Carlo, não que me entenda mal, eu voltei para a Grécia assim que fiquei sabendo o que havia acontecido com Shura, mas...

Mas? – Incentivou Carlo, e então Milo revelou tudo que havia acontecido desde que colocara os pés em solo grego naquela manhã, revelou seu relacionamento com o ex-michê e todas as coisas que Camus havia lhe confidenciado e também algumas informações que pegara com Aioros.

— É isso, Carlo, o Camus foi sequestrado e eu estou desesperado, preciso de ajuda para tirar ele de lá o quanto antes, você tem contatos na polícia ainda? – Perguntou Milo, tentando segurar o desespero que sentia.

— Calma, Milo, a gente tem que agir com calma, não estamos falando de um bandidinho qualquer, estamos falando de Saga Nikolos, um dos maiores.... meu amigo, ninguém entra na casa de Saga sem que ele permita e, sinceramente, acho que ele não levou o garoto dele para lá.

— O Camus é meu namorado, não é mais o “garoto do Saga”, OK? – Corrigiu Milo irritado.

— Pois bem, se ele não matou o seu namorado, ele o escondeu, e não é chegando chutando a porta dele que vamos descobrir, não funciona assim, só serviria para que morrêssemos todos. – Tornou Carlo, sério.

— Se você não pode me ajudar, eu vou achar alguém que possa, nem que eu tenha que ir lá na casa dele sozinho, mas eu vou... – Milo não chegou a dizer o que iria fazer, pois o amigo italiano o cortou.

— Você acha que eu não quero pegar aquele filho da puta? Pois eu te digo que é o que eu mais quero fazer na minha vida, foi ele quem deu a ordem para a emboscada do Shura! – Revelou o italiano aos dois rapazes à sua frente.

Milo se deixou cair no sofá e Aioria olhou surpreso para o amigo, seu irmão tinha razão afinal das contas.

— O Saga matou o Shura porque ele estava investigando o Camus? – Perguntou o irmão de Aioros.

— Não! Ele deu a ordem para que atirassem em mim. – Disse Shura saindo do quarto de Carlo.

— PUTA QUE PARIU! – Gritou Aioria.

— EITA PORRA! – Gritou Milo pulando para o lado oposto ao que o amigo apareceu.

— Por que “cáspita" você saiu do quarto? – Questionou Carlo irritado.

— Porque eu conheço esses cabeças duras, principalmente o Milo, e ele ia acabar se metendo em encrenca e morrendo de verdade. – Respondeu Shura.

— Como assim? Que porra está acontecendo aqui? Eu chorei por sua causa, sabia? – Ralhou Aioria bravo.

— Escutem vocês dois, sem gritos. Eu estou arriscando muita coisa me revelando para vocês dois. – Enquanto Shura falava, Carlo correu até a janela da sala e fechou as cortinas.

Milo e Aioria se calaram.

— Escutem, o Saga é um homem perigoso, nós estamos tentando prendê-lo há anos sem sucesso, mas agora há uma pequena possibilidade, não podemos jogar isso fora. – Explicou Shura.

— Shura, como? Você está aqui, como sobreviveu àquela emboscada? Eu vi as fotos da perícia. – Questionou Aioria ainda sem acreditar que o amigo estava vivo.

— Eu vou contar tudo a vocês, mas lembrem-se de que se vazar que eu estou vivo, eu morro, o Carlo morre e o nosso informante morre, OK?

— Temos alguém trabalhando com o Saga, um policial disfarçado. — Começou Shura — Ele ficou sabendo do atentado que estavam armando para mim, uma vez que eu estava investigando pessoas poderosas que estão ligadas ao Saga, então decidimos forjar esse atentado, eu estava com colete à prova de balas e algumas balas eram de festim, já a questão da perícia foi tudo montado.

— Shura, a gente precisa salvar o Camus, não podemos deixar ele nas mãos desse homem. – Pediu Milo em desespero e levou um peteleco de Carlo.

— Ô idiota, não está ouvindo o que o Shura tá dizendo?

— Milo, entenda, não adianta a gente ir na casa do Saga fazer uma busca lá, o Camus não vai estar lá, não é assim que ele age. – Explicou novamente Shura. – Eu não acho que o Saga tenha matado ou planeje matar o Camus, não por enquanto.

— Como você pode ter tanta certeza? – Perguntou Milo, ainda em desespero. – Ele levou o Camus desacordado!

— Por isso mesmo, o Saga teria todo o trabalho em fazer aquele vídeo, enviar para você num momento em que o Camus estivesse junto. Ele fez tudo isso para que o Camus desacreditasse no seu amor, o Saga jamais teria tanto trabalho se visasse apenas matar o ruivo no final. Não é o jeito dele agir.

— Certo, então onde está o Camus? – Perguntou Milo nervoso.

— Milo, o Saga é um dos maiores traficantes de pessoas deste país, quiçá do mundo. – Revelou Shura, revelação essa que fez Milo e Aioria se calarem. – Existe uma rede de tráfico de pessoas e sabemos que o Saga é um dos cabeças das operações.

— Traficam pessoas para trabalhar na prostituição? – Perguntou Aioria quase em sussurro.

— Na prostituição, para doações de órgãos, mão de obra escrava, experimentos. Existe um leque muito grande, estamos investigando isso há muito tempo. – Foi Carlo quem falou agora.

— Pelos Deuses! – Lamentou Milo colocando as mãos entre a cabeça. – Eu não posso esperar o fim dessa investigação para ter o Camus de volta. – Continuou Milo já se rendendo as lagrimas. – O Camus deve estar lá agora me odiando, imaginando que eu armei tudo, ele estar achando que tudo que vivemos foi tudo uma mentira, um maldito plano de vingança.

Os amigos olharam consternados para o herdeiro da Kapino.

— Esse Saga é um crápula! Armou a coisa toda de um jeito.... Miserável! — Resmungou Aioria.

— Aioria, você disse que o Saga ameaçou Milo para o Sr. Kapino? – Perguntou Carlo trocando olhares com Shura.

— Ao menos foi o que o velho Kapino me contou.

— Ele disse de onde conhecia o Saga? – Shura perguntou.

— Vocês conhecem o pai do Milo, não é? Acham mesmo que ele iria me contar como foi essa ameaça? – Retrucou Aioria.

— O Saga sempre usa de artimanhas para afastar o Camus de possíveis namorados que o levem a escolher uma outra vida. – Milo revelou sombrio.

— Como assim? Por que diz isso? – Perguntou Shura?

Milo então revelou algo que Camus havia lhe confidenciado quando estavam no hospital acompanhado Isaak, quando o menino ficou internado da outra vez. Revelou aos presentes que Camus tentou largar a prostituição, que começou a cursar a faculdade e que o Saga havia “deixado” ele ir viver a vida dele, contou que o rapaz começou um namoro com um rapaz da faculdade, mas que infelizmente um vídeo dele vazou faculdade adentro, o tal namorado então descobriu tudo. Com pesar, Milo contou sobre a surra e o estupro sofrido e que foi o Saga quem o “salvou”.

Quando Milo terminou os três homens estavam boquiabertos com tudo que ouviram.

— O Camus deve ser alguém especial para o Saga, ele não tem tanto trabalho à toa, não bate com o perfil dele. – Shura comentou, vinha estudado o psicológico de Saga havia tempos.

— ESPECIAL? COMO ALGUÉM FAZ ESSAS BARBARIDADES COM UMA PESSOA QUE JULGA SER ESPECIAL? – Rebateu Milo, mais alto do que previra.

— Fala baixo, seu animal. – Ralhou Carlo pulando em cima do amigo tapando- lhe a boca.

— Milo, entenda, estamos falando de uma pessoa que vende crianças para o mercado paralelo, muitas vezes para prostituição ou, pior, para que usem seus órgãos! Uma pessoa dessas não vai agir como eu ou como você. Só pelo fato de ele não manter o Camus preso, de não ter sequestrado os irmãos menores, já diz muita coisa sobre os sentimentos dele pelo Camus. – Revelou Shura, deixando Milo pensativo.

*-*-*-*-*

Camus estava sonolento, com a cabeça pesada, tentando ficar ao menos sentado. – Que lugar é este?

— Acabou a lua de mel, queridinho, achou mesmo que poderia confiar num cara que trafica pessoas? – Afrodite despejou, para o rapaz Camus não passava de um comparsa de Saga.

— Quê? Quem? O Milo? – Perguntou Camus sem entender, seria mais alguma armadilha de Milo?

Ao ver a reação do ruivo, Mu se aproximou, ajudando-o a se sentar no chão. – Aquário, você está preso, como nós.

— Como assim, preso como vocês? Por que diabos vocês estão presos aqui? – O rapaz quis saber, ainda muito confuso.

— Hunf! Ele só pode estar fingindo. – Começou Afrodite, sem ter realmente certeza.

— Aquário, o que você sabe dos negócios do seu namorado? – Perguntou Mu.

— Do Milo? Ele trabalha com negócios de remédios, não sei, mas o que ele tem a ver com isso? – Quis saber Camus, achando que aquela conversa estava sem sentido. Ou seria porque ainda estava sob efeito dos remédios?

— Quem é Milo? – Quis saber Mime, finalmente entrando na conversa.

— Vocês falaram, meu namorado, o Milo! Foi ele que armou isso aqui? O que vocês vão fazer comigo agora? Já não basta tudo o que ele já fez? – Reclamou Camus, sentindo seu peito doer ao lembrar o que havia acontecido.

— A gente está falando do Saga. – Revelou Afrodite, baixando a guarda.

— O Saga?

— Garoto, acorda, olha ao redor, o seu cafetão é um traficante de pessoas, nós estamos presos aqui, sequestrados há anos! – Revelou Afrodite, deixando um atônito Camus perplexo sentado no chão.

Notas finais
Eita preula!!! Pois é o Saga é ainda pior do que pensávamos, vamos entrar na nova fase da fic onde os crimes de Saga vão ser revelados, onde o Camus vai finalmente tomar consciência de onde se meteu. Mas nem tudo está perdido o SHURA TA VIVO!!! Algum palpite sobre que é o informante??? Temos de volta Mu e Afrodite, além do Mime entre outros personagens que vão surgir neste novo eixo do submundo revelado! Comentários são sempre bem vindos!!! Comentem, comentem, comentem...