Na Real
24 Capítulo 24 - O Plano
Notas iniciais
Na Real — Capítulo 24
— Hnnng, Milo! — Gemeu Camus num sussurro.
Estavam se amando no quarto do jovem Kapino, os corpos juntos faziam movimentos cadenciados, deitados de lado, sem pressa, sem urgência, apenas curtindo as sensações que um dava ao outro.
Camus agora compreendia a diferença entre fazer sexo por dinheiro e fazer amor, como estava fazendo naquele momento.
Ao fazer amor seu prazer importava tanto quanto o prazer do seu parceiro, Milo se preocupava em dar prazer a Camus que também queria que Milo sentisse prazer, e assim a troca era feita de uma forma única.
Milo intercalava os beijos nas costas do namorado, com o beijo em sua boca quando este virava o rosto para trás.
O loiro alcançou o membro pulsante do ruivo e começou a manipular conforme a cadência das estocadas que dava. – Ahhhh, Camus isso é tão bom.
— Sim, Milo... isso é... Hnnng.
Milo já conhecia o namorado o suficiente para saber que ele estava próximo ao orgasmo, então acelerou seus movimentos para que os dois pudessem alcançar o clímax juntos. – Pelos Deuses, Camus, como você consegue ser tão quente e apertado desse jeito?
— Milo, por tudo que é mais sagrado.... Eu vou... — Camus até tentou segurar o clímax, mas o namorado estava acertando seu ponto mágico há algum tempo.
— Camus, vamos gozar juntos. — Dizendo isso o loiro acelerou os movimentos e procurou a boca do ruivo, que virou a cabeça para trás se deixando beijar.
Camus findou o beijo quando sentiu o orgasmo explodir em seu corpo, Milo veio quase ao mesmo tempo abraçando o namorado pelas costas com firmeza quando os espasmos começaram a tomar conta de seu corpo.
Gemidos e urros foram ouvidos no quarto do jovem Kapino.
Somente a respiração pesada de ambos era ouvida, Milo ainda conectado ao namorado o mantinha preso em seus braços, e Camus não fazia o menor esforço para sair daquela posição.
— Camus, você é incrível. — Disse Milo após algum tempo, se levantando para descartar a camisinha no lixo e pegar algumas toalhas de papel para limpar o namorado.
O ruivo estava sonolento, curtia aquele letárgico momento pós-sexo.
— Ei, mocinho, vamos tomar um banho. — Convidou Milo.
Camus abriu os olhos pesados e sorriu preguiçoso para o namorado. Para Milo visão daquele homem deitado em sua cama o olhando daquela forma era perfeita. Se fosse um artista pintaria um quadro daquele momento para guarda-lo para a eternidade.
— Vamos, eu preciso me lavar, fizemos uma sujeira danada aqui. — Respondeu Camus se levantando alheio ao que se passava na cabeça do namorado.
...
Algum tempo depois, já deitados na cama, conversavam.
— Eu realmente queria que fosse comigo, Camus, podemos levar os meninos, que tal? Vocês ficam no hotel enquanto eu vou trabalhar, hum? O que me diz?
Milo havia contado a Camus que precisaria viajar e ficaria muito tempo fora, um mês ou mais, então queria que seu namorado fosse consigo. Camus sorriu acariciando o rosto do loiro.
— Meu amor, como eu poderia ir com você? Acabei de conseguir um emprego, e os meninos têm aula, Isaak já perdeu muitos dias de aula enquanto esteve doente e Hyoga também não pode faltar às aulas. Impossível, meu amor.
— Eu não quero ficar longe de você, nem dos meninos, vocês já são parte de mim. Eu vou morrer de saudades. — Reclamou Milo, fazendo bico.
— Eu também vou morrer de saudades, não tem como outra pessoa ir no seu lugar? — Questionou Camus.
— Não tem como, meu pai está me infernizando com isso há meses, ele diz que é obrigação do vice-presidente estar presente em locais onde ele não pode estar. — Reclamou Milo.
— É, ele deve ter razão, e, apesar de ser seu pai, ele também é seu chefe, tem que obedecer.
Milo suspirou cansado e perguntou mudando de assunto. — Me conta mais do seu trabalho, como está indo lá?
Camus sentou na cama e começou a contar sobre seus dias e no quanto estava aprendendo. Em como aos poucos começou o reconhecimento de seu chefe com organização, relatórios precisos, informações pertinentes.
No começo Camus estranhou seu chefe Orfeu, pois que não lhe delegava nada: Camus passava o dia sem ter o que fazer de fato. Orfeu dizia que estava sem tempo para treiná-lo, até que, por sugestão de Milo, fato que Camus ignorava, Orfeu resolveu fazer de Camus uma espécie de trainee, o objetivo era dar uma ocupação para o ruivo e com isso Orfeu analisaria onde melhor o ruivo se encaixava.
Milo escutava o relato de Camus com o olhar completamente apaixonado, era lindo ver o entusiasmo legítimo do namorado.
— Então essa semana ficarei no laboratório, vai ser bem legal ver a química em ação. – Concluiu Camus. — O que? Que foi? — Perguntou ao notar o olhar do namorado fixo em si.
— Nada, só que...
— Só que? — Perguntou novamente o ruivo arqueando a sobrancelha.
— Só que eu tenho o namorado mais lindo do mundo. — Disse Milo, avançando para o namorado e beijando sua boca. Camus sorriu, aquela noite ainda estava só no começo.
*-*-*-*
— Quer dizer que o infeliz do Kapino Júnior viajou? Quanto tempo ele vai ficar fora? – Saga conversava pelo celular com a babá dos irmãos de Camus, que relatava os últimos acontecimentos ao aliciador de menores.
— Não sei quanto tempo ele ficará fora, Saga, eu estou fazendo tudo que me pede, mas quero meu filho perto de mim. — Respondeu Zaíra, tentando não sucumbir ao desespero.
— Acalme-se, em breve terá seu filho com você, mas antes pode ser que eu precise dos seus serviços, fique a postos. — Respondeu Saga desligando o aparelho.
Acendeu um cigarro enquanto olhava pensativo para a imagem de Camus na tela do seu notebook em seu escritório. — Camus... Camus... já está na hora das suas férias acabarem, quero você de volta para mim. — Disse Saga, tragando seu cigarro e com olhos alucinados acariciando o rosto do ruivo.
Pegou o celular de cima da mesa e digitou a mensagem no WhatsApp:
“Quero falar com você, ou você vem até mim ou eu vou até você. ”
Saga guardou o aparelho no bolso e saiu do escritório. Foi atrás de seu irmão, que ainda estava dormindo.
— Kanon, seu imprestável acorde! — Disse o gêmeo abrindo as janelas e fazendo a claridade entrar.
— Puta merda, Saga, me deixa dormir! — Resmungou Kanon, cobrindo a cabeça com um travesseiro.
— Sabe aquele meu plano para trazer o Camus de volta? — Perguntou Saga, esperando a confirmação do irmão.
Kanon então tirou o travesseiro da cabeça e encarou o irmão.
— Você já tem a pessoa? — Continuou Saga.
— Sim, tenho, você vai mesmo fazer isso? — Perguntou Kanon, com real dúvida sobre o plano do irmão.
— Eu não gosto do ruivo, os Deuses sabem que eu não gosto dele, mas se você fizer o que está pensando, creio que ele não vai perdoar você.
Saga sorriu com deboche cínico antes de falar. — Faça como mandei e o Camus vai voltar com o rabinho entre as pernas nos fazendo lucrar muito com aquele corpo.
Kanon observou o irmão, analítico, antes de perguntar. — E quando vai ser?
*-*-*-*-*
— Então, Camus, aqui, todos os dias, recolhemos amostras dos produtos para que sejam testadas. – Shinna, chefe do laboratório de insumos, explicava ao novo funcionário sobre os procedimentos e rotina do laboratório.
— Todos os dias fazemos os mesmos procedimentos? — Questionou Camus com real interesse.
— Sim, sim, mais de uma vez ao dia, para falar a verdade, fazemos três testes em cada lote, prezamos muito pela qualidade dos nossos produtos.
Camus anotava todas as explicações e procedimentos, estava realmente se sentindo feliz, o clima e o cheiro do laboratório lhe traziam lembranças há muito esquecidas, quando sentiu seu celular vibrar; não pegou o aparelho de imediato, esperou as explicações da chefe do laboratório, havia combinado com Zaíra que se houvesse alguma emergência que ela ligasse, mensagens de texto poderiam esperar, mesmo que fosse de Milo, ele entenderia.
— Bom, vamos fazer uma pausa para um cafezinho? — Perguntou Shinna e Camus concordou.
— Quer que eu pegue?
— Não, quero que você faça! — Respondeu a moça.
Camus a olhou confuso. — Sim, mas onde?
Shinna sorriu ante a confusão do colega e respondeu. — Ao contrário dos simples mortais que trabalham nesta fábrica, nós do laboratório temos nossa cafeteira e fazemos café fresquinho sempre que quisermos, e também temos uma sala para isso.
Concluiu a moça levando Camus até o local e mostrando onde ficava cada coisa. — Você faz o café enquanto vou até minha sala despachar alguns papéis te encontro aqui em cinco minutos.
Dizendo isso, Shinna saiu fechando a porta atrás de si, deixando Camus na pequena copa.
O ruivo não se fez de rogado e logo colocou o pó do café e a quantidade de água necessária na máquina e a ligou, só então pegou seu celular para checar as mensagens.
Foi quando viu a mensagem de Saga e seu sangue congelou o deixando pálido.
Sabia que este dia chegaria, só não imaginava que seria tão rápido. Analisando friamente, chegava à conclusão de que, na verdadde, não fora tão rápido assim, Saga havia sido até bem paciente.
Não havia como fugir, precisava encarar seus problemas de frente. Com certeza Saga o entenderia, Saga sempre o apoiou, não seria diferente agora, tinha certeza disso.
“Sim, Saga precisamos conversar, irei à sua casa sábado, ok? ”
Apesar de tentar mostra confiança em seus pensamentos, Camus estava apreensivo.
— Hum, o cheiro do café está maravilhoso. — Disse Shinna ao entrar na sala. – Camus, aconteceu alguma coisa? Você me parece preocupado.
— Eu? Não, não houve nada, eu estava apenas repassando mentalmente as suas explicações. – Respondeu Camus, polido, servindo sua chefe com o café recém-coado.
.....
— Qual é a desse cara? Esse ruivo? Por que será que ele tá aqui passando por todos os departamentos? — Questionou Valentine, primeiro auxiliar do laboratório técnico.
— Não faço a menor ideia, nunca tivemos um trainee antes por aqui. — Respondeu Mozar do almoxarifado.
Os funcionários da Medusa estavam no refeitório em horário de almoço, comentaram quando viram Camus chegando com Shinna para o almoço. Como o novato ainda não havia se enturmado com ninguém, a chefe do laboratório o convidou para se sentar com ela, gesto este que aumentou ainda mais os burburinhos sobre o novato e o ciúme dos mais antigos que nunca tiveram tal oportunidade.
— Será que esse bosta é formado em quê? — Continuou Valentine invejoso.
— Deve ter um currículo melhor que o seu para estar onde ele está. — Respondeu Zeros implicante.
— Pois é, mas é estranho o Sr. Orfeu ter contratado ele sem mais nem menos, e, sinceramente, esse cara não me parece ser tão qualificado assim, mas sabe usar o Excel. — Continuou Valentine. – E o pior é que eu tenho quase certeza de que conheço esse cara de algum lugar, só não lembro de onde.
— Agora você disse uma verdade, eu tenho a impressão de que já vi esse cara antes, mas bonito do jeito que ele é, com certeza eu não deixaria passar assim sem tentar me aproximar. De onde eu conheço esse gato? — Comentou Lune, para desgosto de Valentine, que se sentiu mais enciumado que antes.
*-*-*-*-*
Shura estava na delegacia, analisando alguns casos que Donko havia lhe enviado de um IP seguro.
Não era novidade a ninguém da polícia grega que o país era uma das rotas mais comuns dos traficantes de pessoas, coisa que se tornara facilitada pela chegada em massa dos refugiados das guerras dos países próximos; antigamente era muito mais fácil notar um estrangeiro perdido e aflito no meio da rua.
Sim, era possível diferenciar quem era turista e quem estava perdido precisando de ajuda, mas agora, com centenas de milhares de refugiados que conseguiam entrar legalmente, os que estavam no país ilegalmente, sem contar com os que estavam presos nas fronteiras, era muita gente para se controlar, muita gente mal, pronta para abusar dessas pessoas.
Mulheres e homens jovens bonitos, muitas vezes adolescentes e crianças, eram usados por essas máfias, para serem escravos sexuais, ou para que vendessem seus órgãos no mercado negro.
Claro que com a guerra era muito mais fácil conseguir as vítimas perfeitas, mas infelizmente não era a única maneira: muitas pessoas, entre homens e mulheres, eram enganadas por esses criminosos, aliciadas com promessas de bolsa de estudo ou emprego digno.
Alguns nem sabiam que viriam parar na Grécia, essa rede internacional, em geral, mandava pessoas que ignoravam o idioma grego, se tornando assim quase impossível de se comunicar com as pessoas para pedir ajuda. Com a guerra e os refugiados tudo ficou ainda pior, pois os cidadãos de bem da Grécia, não paravam mais para ouvir algum estrangeiro que julgassem pobres, acreditando que em sua grande maioria era somente um refugiado querendo esmolas.
Os sequestrados que conseguiam fugir não procuravam a polícia, pois sabiam que entre os policiais estavam muitos integrantes das máfias de traficantes de pessoas.
Shura estava chocado com tudo que lia e descobria lendo aqueles documentos, obviamente muita gente importante fazia parte da quadrilha, pois muitas coisas que deveriam ser evitadas pela segurança pública eram simplesmente ignoradas.
Verificando novamente o dossiê sobre Saga Nikolos, viu que o canalha sempre se safava provando que estava em outro lugar quando alguns desses crimes foram cometidos.
— Maldito Saga! — Resmungou Shura quando o celular fornecido por Dohko vibrou.
“Shura, vai ser hoje, se prepare conforme combinado, ok? ”
Shura sentiu seu estômago congelar antes de dizer: — Ok, estarei preparado.
Desligando o aparelho, Shura começou a apagar do sistema qualquer coisa que fornecesse alguma informação para pessoas mal-intencionadas e plantando algumas pistas frias.
Pensou em Carlo, queria falar com o namorado, mas não seria prudente naquele momento, respirou fundo. — Em breve a gente se vê, carinõ.
Olhou no relógio: 20 horas. Havia dado plantão na delegacia naquele dia, felizmente um plantão tranquilo, sem maiores ocorrências, apenas brigas de turistas bêbados ou algo deste tipo, nada que precisasse do delegado interino, cargo que assumira há poucos dias, quando o delegado titular saiu de férias.
Falou com algumas pessoas antes de sair, deu algumas ordens e orientação a outras e se encaminhou para o seu carro. Deu a partida e não notou que um veículo que estava estacionado saiu em seguida o seguindo.
Shura estava preocupado, Dohko o havia preparado para entrar na operação Zodíaco, trabalharia com Carlo na inteligência da operação. — Pelos Deuses, carinõ vamos voltar a trabalhar juntos! — Comemorou o detetive.
Shura fazia planos enquanto dirigia, parou o carro no sinal vermelho, mas não percebeu que o carro que o seguia desde que saiu da delegacia emparelhou com o dele. Foi quando Shura notou que os vidros do carro ao lado foram baixados e um homem grande apareceu segurando uma metralhadora.
— MIERDA!!
Foi o que Shura conseguiu dizer antes de tentar se proteger, logo os disparos começaram.
Mais de trinta disparos, disso Aldebaran tinha certeza quando deu sinal para que o motorista saísse dali.
Tirando o celular do bolso e enviou mensagem para dois destinatários:
“FEITO! ”
Guardou o aparelho no bolso e continuou com a cara de poucos amigos e os braços cruzados sobre o peito.
*-*-*-*-*-*
— Vai contar ao Milo? — Aioros perguntou ao irmão, haviam acabado de chegar do funeral do amigo.
Ainda muito emocionado, Aioria secou os olhos com as mãos antes de responder: — Não faria bem nenhum ao Milo saber disso estando tão longe, sem poder fazer nada. — Soluçou o leonino desolado. — Ele aqui só iria ser mais um a sofrer.
— Eu lamento muito que tudo isso tenha acontecido, mas era um risco que ele sabia que existia, ser policial nestes tempos é muito difícil. — Consolou o irmão. — Fiquei triste pelo namorado dele, o Carlo, estava tão triste e sério, ele deve ser um homem bem reservado.
— Não, ele e o Carlo tiveram um lance na faculdade, mas infelizmente terminaram há muito tempo. — Corrigiu Aioria, sem saber dos encontros atuais dos amigos.
— Não, com certeza eles estavam juntos, eu os vi juntos na casa do Shura. — Respondeu Aioros, sem pensar que o irmão acharia estranho ele estar na casa do policial.
O que se comprovou quando Aioria franziu a testa, olhando confuso para o irmão. — O que você foi fazer na casa do Shura?
Aioros ficou desconcertado, não pretendia revelar ao irmão sobre sua preocupação com Camus e o pedido que fizera ao detetive há algum tempo.
— Oras, eu fui.... Fui... — Aioros pensava em algo para dizer, mas nada saía de sua cabeça.
— Foi? Foi o quê, mano? — Questionou o leonino.
— Fui pedir a ele que investigasse quem havia aliciado o Camus, quem o levou para essa vida. — Revelou finalmente. — Eu o conheci quando ele ainda era só um menino, e quem quer que tenha o levado para essa vida, o fez enquanto ele ainda era um garoto.
— Puta que pariu, você fez o quê? Aioros, o Camus trabalha para um tal de Saga, que é um dos homens mais perigosos da Grécia, esse cara está ameaçando a vida do Milo, meu Deus! — Cuspiu Aioria nervoso andando em círculos. — Esse Saga ameaçou o velho Kapino dizendo que ia machucar o Milo se ele não largasse tal Camus.
Aioria ficou pálido, seu estômago embrulhou. — Será que foi esse Saga que mandou matar o Shura? Será que foi por causa do que eu pedi a ele? Pelos Deuses!
Aioria havia sentado segurando sua nuca, tentando controlar sua aflição.
— Mano, se o Shura estava investigando esse cara, pode ter sido ele quem matou meu amigo.
Tentando não ceder ao desespero, o médico de Isaak se justificou. — Oria, eu precisava saber, preciso saber quem colocou o Camus nisso, eu devo isso ao pai dele que foi meu professor e amigo.
— Não importa quem fez isso. Esse maldito Camus já se corrompeu, ele deve valer menos que o Saga. — O leonino despejou toda sua raiva em Camus, o culpando pela emboscada que matara o seu amigo.
— Não fale asneiras, Aioria, o Camus era um menino quando foi aliciado para esse mundo, mas sempre cuidou muito bem dos irmãos, se dedica de uma forma absurda ao Isaak e...
Aioros não terminou de falar, pois foi cortado pelo irmão que bradou furioso, — ESSE CANALHA NÃO É QUEM VOCÊ PENSA, ELE ESTA MATANDO O IRMÃO!
— Oria eu sei que você deve estar triste com a morte do seu amigo, principalmente pelas circunstâncias em que aconteceu, mas isso não te dá o direito de falar isso do Camus, ele ama os irmãos.
— Ah! Ama? Então me explica por que ele estava dando ao irmão um remédio que faz o oposto ao medicamento que você receitou? Muito provavelmente ele está tentando dar um golpe na Kapino, e não está se importando em matar o irmão no processo.
Aioros encarou o irmão sem conseguir assimilar o que o mais novo estava dizendo. — Como pode dizer uma coisa dessas? Você não imagina o que esses meninos já passaram.
— Lembra quando Milo internou o menino? — Aioros confirmou com a cabeça. — Naquela ocasião Milo pediu ao nosso chefe de laboratório que colhesse o sangue do menino para exames.
— Sim, eu sei, fui eu quem levou Shaka até o Isaak para colher o material para o exame.
— O Shaka descobriu que o menino estava tomando outro medicamento, que anulava o princípio ativo do B34, um que o deixava doente, se quiser posso trazer o Shaka aqui para provar o que estou dizendo. Ele pode te mostrar o teste. — Revelou o mais novo.
Aioros olhou abismado para o irmão, sem saber o que dizer. “Claro que tem alguma coisa errada, mas o Camus jamais faria algo que machucasse seus irmãos”, pensou o médico.
Um clima tenso pairou entre os irmãos.
Aioria percebeu que não conseguiria convencer seu irmão que o tal Camus era mesmo um bandido. — Quando eu tiver as provas, eu te mostro.
Aioria pegou a chaves do carro e saiu avisando.
— Eu preciso respirar. — Disse assim que bateu a porta, deixando o irmão parado pensando nas palavras do caçula.
*-*-*-*-*-*
Carlo estava na sala de sua casa, pensativo, com um copo de whisky nas mãos e o olhar vazio.
Sua mente só pensando no atentado que Shura sofrera, no perigo que todos estavam vivendo e no tipo de pessoas que estavam lidando.
Sabia que eram pessoas perigosas, mas nunca imaginou seus amigos envolvidos nisso, jamais imaginou que a história do Milo com o “garoto do Saga” fosse render tanto e, principalmente, nunca imaginou a caixa de Pandora que abririam ao investigarem o passado do ruivo.
Carlo foi tirado dos seus devaneios aí ouvir o toque da campainha de sua casa, no primeiro momento pensou em não atender, a pessoa estava insistindo.
Ao olhar pelo olho mágico viu que era Aioria, o amigo ainda estava com as roupas que usou no enterro, aliás, ele próprio ainda estava com a maldita roupa.
Outro toque e Aioria começou a bater na porta. – Anda, seu italiano cabeça-dura, abra a droga desta porta.
— Ma que inferno, caspita! — Reclamou Carlo indo atender a porta. — Que foi, infeliz? Por que está me perturbando uma hora dessas?
Mas para surpresa do italiano, assim que abriu a porta seu amigo o abraçou em prantos.
— Ma que diabos! — Resmungou antes de abraçar o amigo que estava inconsolável.
— Carlo, meu irmão disse que vocês estavam juntos, que os viu juntos, eu não sabia que tinham voltado, e nem consigo imaginar o que você está sentindo agora, eu sinto muito, meu amigo.
Para Carlo foi impossível não se emocionar com a emoção do amigo.
— É, a gente estava tentando novamente, mas estava tão recente que preferimos não abrir para ninguém. — Respondeu o policial. — Eu estou bem, não se preocupe.
— Eu não avisei ao Milo, ele não chegaria a tempo para o funeral e voltaria a correr riscos ficando com aquele ruivo maldito! — Cuspiu Aioria nervoso. — Eu acho que sei quem fez isso!
— Como assim? — Perguntou Carlo, confuso e receoso de que o amigo suspeitasse de alguma coisa.
— Meu irmão pediu a Shura que investigasse o ruivo, o tal ruivo da vingança do Milo, o Shura avisou que o tal cafetão era barra pesada e perigoso, o Shura morreu por culpa do meu irmão, a gente tem que fazer alguma coisa antes que o Milo volte e acabe morrendo também.
Carlo encarou o amigo sem saber direito o que dizer.
*-*-*-*-*
“E aí, o que você tá fazendo? ” Isaak perguntou à amiga pelo Whatsapp, logo veio a mensagem de resposta.
“Oi, Kraken”, Thetis respondeu, chamando o menino pelo novo apelido.
“Eu estou vendo a live do Misty D’lacor”, respondeu a menina.
“Quem? ”, perguntou Isaak confuso.
“Algum ator famoso? ”, indagou o garoto, levantando a sobrancelha.
“Não vai pensar bobagem, mas o Misty é maravilhoso, dá altas dicas de moda e ... bom, ele era da indústria pornô, mas sem preconceitos, ele é muito foda!!!”, respondeu a menina, enviando o link do Instagram do tal Misty para Isaak.
“Dá uma olhada, tem umas coisas bem bacanas lá, tem umas reportagens com alguns atores pornô, aliás, tem um lá que é a cara do seu irmão. ”
Isaak riu do que a menina acabara de dizer, imaginando seu irmão num programa desses.
“Credo sua depravada! Quer me levar pro mau caminho, eu sou um menino puro. ”, brincou Isaak, enviando um emoji de anjinho.
“Vou dar uma olhada neste cara mais tarde quando o mano for dormir. ”, respondeu o menino, sabia que não deveria usar tais redes sociais na presença de Camus, pois o irmão já havia dito várias vezes que eles não deveriam tê-las por causa da polícia da França ou dos assassinos do pai, mas Isaak pensou que criar um perfil falso evitaria esses riscos por fim.
“Kraken, eu tenho que ir jantar, mais tarde a gente se fala, ok? ”
“Blz até + tarde. ”
Respondeu o irmão do meio de Camus um tanto triste, pois gostava de conversar com a menina.
Isaak consultou a hora e viu que já estava quase na hora do seu irmão chegar do trabalho; desde que Camus começara no novo emprego, seus horários estavam fixos.
O irmão caçula estava concentrado na TV, Naruto passava na tela, ambos já tinham feito o dever de casa, então estavam relaxados.
Dona Zaíra preparava o jantar, apesar de Camus sempre dizer que ela não deveria se preocupar com aquilo, mas a senhora fazia esses gestos com carinho para os meninos e para Camus também, sabia que o jovem patrão também não tinha uma vida fácil.
Naquela semana em especial, Zaíra estava com o coração apertado, pois havia começado a dar a Isaak o remédio de Saga, ao invés do remédio correto. Já começava a notar a diferença no menino.
Isaak, que estava bem nos últimos tempos, naquela semana já mostrava um certo cansaço e Zaíra tinha certeza de que ele já havia começado a sentir dores, mas, como sempre, a criança não reclamava.
— Isaak, já está na hora de tomar seu remédio. – Avisou a babá, levando o comprimido e o copo de leite.
— Ah, não! Dona Zaíra, deixa que eu tomo depois do jantar, esse remédio me dá enjoo. – Disse Isaak fazendo careta, nas últimas semanas voltou a ficar com ânsia de vomito sempre que tomava o remédio.
— Não, vai tomar agora. Eu trouxe o leite para ajudar seu estomago. – Respondeu a babá, com o coração cheio de culpa; ao ver a expressão triste do garoto, concordou. – OK! Vou servir o jantar para vocês agora então.
— Mas tá cedo, logo o Camus chega e poderemos jantar todos juntos. – Sugeriu o menino.
— Seu irmão vai chegar cansado, não quero que ele tenha a responsabilidade de dar o jantar a vocês e ainda lembrar do remédio, o pobre já tem muita coisa na cabeça. – Disse Zaíra já indo servir a mesa, imediatamente se considerava a última das criaturas por dar aqueles remédios ao menino; deixar que o irmão mais velho lhe entregasse aquele medicamento, porém, seria muito mais cruel.
Sabia que desta vez o medicamente poderia até levar o menino à morte, se Camus havia abandonado Saga, o aliciador com certeza se vingaria e com toda certeza essa vingança seria em cima da maior fraqueza de Camus: os irmãos.
.....
Quando Camus chegou em casa, seus irmãos já haviam jantado, Zaíra já estava pronta para ir embora.
— Camus, meu querido, eu já dei o jantar para os meninos, o dever de casa está feito e o Isaak já tomou o remédio, seu prato está no forno, é só esquentar. — Disse a babá após o ruivo cumprimentar os irmãos.
— Obrigada, dona Zaíra, eu não sei o que eu faria sem a senhora. – Respondeu o rapaz, com real gratidão.
Assim que a babá saiu e Camus se sentou no sofá, Hyoga logo foi se sentar ao lado do irmão mais velho.
— Mano, eu fiz minha primeira redação hoje e, adivinha: tirei dez! — Hyoga começou a contar as coisas do seu dia e perguntar sobre o dia do irmão, o menino sentia falta dele, agora que Camus passava o dia todo fora. No emprego anterior o ruivo ficava muito mais tempo em casa durante o dia, com horários mais flexíveis.
Camus não se importava com a atenção que o menino estava querendo, mesmo estando cansado do dia de trabalho, ainda tinha disposição para dar atenção aos irmãos. Olhou para Isaak, que estava recostado no sofá com uma expressão cansada no rosto.
— Isaak, está tudo bem? – Camus perguntou, um tanto preocupado.
— Ah? Tá sim, desculpe, eu estava distraído. – Respondeu o garoto, tentando disfarçar o mal-estar que estava sentindo.
— Eu estou te achando abatido. – Comentou Camus se aproximando do irmão e colocando a mão em sua testa para verificar sua temperatura.
— Mano, eu estou bem, relaxa. – Respondeu o garoto, se esquivando. – Vai tomar banho e jantar pra VOCÊ não ficar doente, isso sim.
Camus ficou observando o irmão que havia se levantado e ido para o quarto.
— Ele tem ficado enjoado depois de tomar os remédios, mas também tá muito chato, só quer ficar conversando com aquela menina, a Thetis. – Revelou Hyoga, ressentido.
Camus sorriu para o irmão menor, Isaak estava em uma fase diferente: adolescência.
— Deixe-o quieto, é uma fase. – Disse Camus ao caçula. – Vou tomar banho e jantar, depois a gente joga um pouco, o que acha?
— Legal! – Comemorou o menor.
E assim foi feito, Camus se lavou, jantou e depois foi jogar com Hyoga. Ainda tentou chamar Isaak para jogar em eles, mas o irmão do meio estava em uma chamada de vídeo com os colegas da escola, entre eles a menina Thetis, e Camus percebeu que seu irmão realmente estava mudando.
...
Enquanto Camus e Hyoga jogavam na sala, Isaak falava com os amigos pelo celular.
— Só cabem seis pessoas no chat do Whatsapp. — Explicou Thetis pela quinta vez, mas os amigos insistiam em colocar mais pessoas e sempre acabavam caindo, até que a menina saiu do chat e ligou diretamente para Isaak.
Para atendar a amiga Isaak precisou sair do chat com os amigos, não que se importasse com isso, falar com Thetis era muito mais interessante para o garoto.
Oi, você caiu? Quer que eu peça para te colocar de volta? – Isaak perguntou tentando não corar em falar com a menina.
— Não, não precisa, esses meninos são um saco! Muito burros. – A garota comentou e os dois sorriram.
— E aí, já viu o Insta do Misty? Que eu te falei mais cedo, lembra? – Perguntou a menina, puxando assunto.
— Não, ainda não tive tempo, sabe, como eu estava cuidando do meu irmão caçula, só estou tendo um pouco de paz agora que o Camus chegou. – Mentiu o menino, fingindo ter obrigações que na realidade não tinha.
— Ah, depois segue ele, é muito legal, ele é maravilhoso. – Insistiu a menina, obviamente o conteúdo de Misty não era para ninguém da idade deles, mas quem disse que precisavam seguir essas regras? Misty falava desde looks incríveis e makes a sexo, e sem contar os bastidores da indústria pornô, o que era a maior atração para os jovens, desmistificar algumas coisas, saber detalhes de outras, entrevistas com atores e atrizes, era realmente muito bom, mas claro que Thetis jamais admitiria para Isaak que curtia o conteúdo do Misty por causa da pitada pornô, isso Isaak teria que descobrir sozinho.
....
Já passava das vinte e duas e trinta, finalmente todos estavam deitados: Hyoga felizmente dormiu rápido e Camus já estava em seu quarto, muito provavelmente conversando com Milo pelo computador fazendo sexo virtual, ao menos era isso que Isaak estava pensando quando pegou seu celular e o fone de ouvido para mexer no aparelho sem que os irmãos estivessem perto; Hyoga, por ser xereta e tagarela, com certeza contaria a Camus sobre o Instagram instalado no seu celular, talvez não de propósito, mas Isaak tinha certeza que o caçula deixaria passar em algum momento, e escondido de Camus.
Por motivos óbvios, o irmão mais velho era paranoico com essa questão de redes sociais, Internet, ele sempre disse que os assassinos do pai estavam procurando por eles e as redes sociais e a Internet eram um convite a esses bandidos. Então o jeito era fazer escondido mesmo.
O menino foi procurar o perfil do tal Misty, queria ter o que comentar com Thetis no dia seguinte. Viu alguns vídeos no perfil, sorriu com algumas tiradas sarcásticas e afiadas do loiro, o menino então começou a stalkear o influencer, viu que tinha algumas entrevistas com atores da indústria pornô, viu uma entrevista com Pandora, “Gostosa pra caramba” — pensou o menino, foi descendo mais os vídeos, até que seu coração parou.
Primeiro Isaak pensou que era alguém muito parecido com seu irmão, mas quando a pessoa começou a falar, Isaak não teve dúvidas, apesar de na descrição do entrevistado estar se referindo a um tal de Aquário: Isaak tinha certeza que era o seu irmão ali.
A certeza vinha de um machucado no canto da boca, machucado esse que Saga havia feito.
Isaak começou a pesquisar na internet sobre o tal Aquário, removeu a restrição de idade que Milo havia programado, mas isso o menino havia feito quando ganhou o aparelho.
Digitou: “Aquário ator pornô”
As imagens começaram a aparecer e o menino chocado, tentou ver um vídeo, mas não conseguiu, saiu das paginas e desligou o aparelho, não sabia o que pensar e como agir.
“O Camus faz aquilo por diversão? ”
“Meu irmão é um pervertido? “
Começou a tossir e sentir seu corpo cansado. — “Nunca pensei que meu irmão fosse capaz daquilo. ”
Sem querer pensar, Isaak cobriu a cabeça com um travesseiro.
— Mano, tá tudo bem? – Hyoga perguntou sonolento. – Você tá esquisito.
Com o leve sobressalto em ouvir a voz do irmão caçula, Isaak respondeu seco. – Tá tudo bem
Hyoga, vai dormir!
Com isso o irmão do meio virou de frente para a parede e tentou dormir coisa que só conseguiu fazer de madrugada.
....
Na manhã seguinte, como era de se esperar, Isaak estava indisposto. Quando Camus entrou no quarto para acordar os irmãos, Hyoga levantou sem reclamar muito, mas Isaak não.
— Isaak, você está sentindo alguma coisa? – Perguntou Camus um tanto preocupado, não tinha achado o irmão disposto na noite anterior, agora ele se dizia cansado e ainda apresentava algumas olheiras.
— Ele ficou se mexendo a noite toda. – Entregou Hyoga, mais por preocupação do que por fofoca.
— Que saco Hyoga, deu pra me vigiar agora? – Reclamou Isaak, irritado.
Hyoga ficou olhando para o irmão sem entender o motivo de ele estar sempre bravo agora.
— Ei, que isso, Isaak? É jeito de falar com seu irmão? Ele só está preocupado com você. – Bronqueou Camus, mas recebeu um olhar tão cheio de raiva do irmão que por um momento também ficou desconcertado.
— Eu tô cansado! Cansado dele me enchendo, tô cansado de você colocando regras e tô cansado de ficar doente! – Explodiu o menino, já se entregando ao pranto.
Camus e Hyoga trocaram olhares atônitos. Camus não sabia o que fazer, em geral Isaak era um menino doce e meigo, mas esse Isaak adolescente estava se mostrando bem diferente.
— Isaak, eu entendo que você se sinta assim, mas você não pode falar comigo dessa forma. – Começou Camus, tentando ser o mais paciente possível.
— E por que eu não posso falar com você assim? Você não é meu pai! – Replicou o menino incomplacente, com rebeldia e um certo rancor na voz.
Camus abriu a boca em choque e levou alguns instantes para se recompor e responder ao irmão, desta vez com mais seriedade. – Eu sou seu irmão mais velho, eu cuido de vocês e vocês têm que me respeitar, sim!
— Eu nunca pedi para você fazer nada por mim, nunca pedi nada! – Tornou Isaak, ainda firme em sua rebeldia, totalmente confuso com o que descobrira sobre o irmão, mas por enquanto sem coragem para dizer a verdade, dizer que descobrira tudo.
— Você pode não ter pedido, mas o papai pediu e a mamãe antes dele. – Respondeu Camus, que já estava se sentindo magoado com o jeito do irmão.
Os dois se encararam e Isaak abaixou os olhos primeiro e falando com o tom de voz menos ácida pediu:
– Eu não consegui dormir direito essa noite, estou com dor de cabeça e sei que não vou conseguir assistir a aula até o fim, me deixa ficar em casa hoje preciso descansar. – Pediu, por fim.
— Deixa eu ver se você está com febre, se não está se sentindo bem, eu não vou obrigá-lo a ir para a escola, você sabe disso. – Respondeu Camus, como se dissesse “Precisava tudo isso? ”. O ruivo se levantou e foi pegar o termômetro.
Hyoga, percebendo que os ânimos estavam exaltados, foi se arrumar sem que o irmão mais velho o mandasse.
Camus mediu a temperatura de Isaak e constatou que o irmão estava com trinta e sete e meio, estado febril, mas sem alarde.
Logo dona Zaíra chegou e olhou no relógio para ver se estava adiantada, uma vez que Camus e Isaak ainda estavam de pijamas. – Não vai trabalhar hoje, Camus?
Foi só então que o mais velho dos Versau olhou no relógio e constatou que estava muito atrasado para o trabalho.
— Droga! – Exclamou, sem saber o que fazer, era muito novo no trabalho para ter atrasos em sua ficha.
— Dona Zaíra, Isaak está com trinta e sete de febre, eu dei um antitérmico, ele não vai para a escola hoje, por favor, monitore a temperatura dele e me ligue se ele sentir qualquer coisa. – Pediu Camus, notando que o irmão revirou os olhos enquanto ele passava as recomendações para a senhora.
Sentindo o peito doer pela culpa, Zaíra respondeu. – Pode deixar meu querido, eu cuido dele.
*-*-*-*
Quando Camus finalmente chegou ao trabalho, após deixar Hyoga na escola, já passava das nove e trinta, seu horário de entrada era oito horas.
A responsável pelo Recursos Humanos estava próxima ao cartão de ponto e falou em tom de alerta. – Atrasos não são muito bem-vindos aqui, Camus.
— Me desculpe, Sra. Lara, meu irmão estava indisposto, com um pouco de febre e...
Camus não concluiu sua fala, pois logo a mulher o cortou. – Todos temos problemas pessoais o objetivo é não os trazer para o trabalho, ok?
O namorado de Milo confirmou com a cabeça e se calou, não é bom contestar a chefe do RH quando se está no erro.
Camus mal chegou ao laboratório, sentiu o celular vibrar com uma mensagem. Preocupado, tirou o aparelho do bolso e leu:
“Te aguardo aqui em minha casa amanhã as dezesseis horas, caso não venha eu irei até a sua. ”
Era uma mensagem de Saga, Camus não poderia mais adiar esse encontro, apenas escreveu:
“OK”
E enviou.
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