Na Real

6 Capitulo 6 - Verdades e Mentiras


Notas iniciais
Olá pessoal! Atualização saindo rapidinho, não é? Meu irmão está com alguns problemas de saúde e eu tive que acompanhá-lo no medico algumas vezes, mas é SUS então já viram é o dia todo na sala de espera, como tudo tem um lado bom eu aproveitei para escrever, era o que me restava. Então consegui terminar esse capitulo e já comecei Além do Tempo que logo logo ta pronto também. Mas essa rapidez em atualizar não é só mérito meu, a Vivi também se empenhou para betar o capitulo mega rápido! Obrigado Vivi!! ^^ Quero muito agradecer a todos que deixaram um review, vocês fazem tudo valer a pena. Obrigado! Sobre a Capa do capitulo eu não achei nenhuma informação sobre a artista, mas se alguém souber quem é por favor me avise para que eu possa dar os devidos créditos. Chega de papo e boa leitura

Na Real — Capítulo 6

Aioria estava sentado à mesa do mais luxuoso restaurante de Atenas, o Le Mason, tomando uma dose de whisky dezoito anos, seu chefe e pai de seu melhor amigo havia marcado uma reunião com ele naquele lugar.

O advogado achava o local cinco estrelas totalmente exagerado para uma simples reunião, mas lembrou-se que o Sr. Klaus Kapino era um homem que gostava de ostentar, principalmente quando queria impressionar ou intimidar alguém, Aioria só não sabia em qual dos dois motivos ele se encaixava naquele momento.

Com poucos minutos de atraso, o presidente das Indústrias Farmacêuticas Kapino entrou no recinto e acompanhado pela simpática hostess do local, foi guiado até a mesa onde Aioria o aguardava.

— Aioria, meu caro, sua pontualidade é uma das coisas que mais admiro em você. — Comentou o homem ao apertar a mão do advogado que se levantou em sinal de respeito.

O advogado sabia que o arrogante Kapino não gostava de ficar esperando, principalmente funcionários, por este motivo preferiu chegar cedo ao local e aguardar o tempo que fosse necessário.

— Imagine, Sr. Kapino a pontualidade é um dever, não deve me agradecer por isso. — Respondeu o leonino ainda intrigado com aquele convite, havia comentado com Milo que o pai havia o convidado para jantar, contudo tentaria filtrar tudo que se passasse ali para depois, se houvesse necessidade, comentar com Milo.

— Bom dia, senhores, posso anotar os pedidos? — O garçom muito simpático, como pareciam ser todos os funcionários ali, perguntou.

O empresário pediu um drink para abrir o apetite, e Aioria pediu outro whisky e fizeram os pedidos do jantar, logo Klaus Kapino começou a falar. — Você deve estar perguntando por que o chamei aqui, não é?

— Na realidade sim, estou com essa pergunta em mente, Sr. Kapino.

— Sabe, Aioria, quando Milo o levou para trabalhar na minha empresa, fiquei com um pé atrás, não por duvidar de sua capacidade profissional, visto que seu currículo era invejável, mesmo para um recém-formado como você era na época...

— Obrigado pela observação, senhor. — Agradeceu Aioria, mais por educação do que por qualquer outro motivo.

— ...Mas meu receio se dava ao fato de eu achar que você era o macho do Milo. — Kapino soltou como se Aioria não tivesse o interrompido, e o teor das palavras fez Aioria engasgar.

— Sr. Kapino, eu e Milo somos amigos desde antes da faculdade, nunca tivemos nenhum tipo de relacionamento amoroso, por Deus! — Aioria respondeu, não por homofobia, mas por ver Milo como um irmão.

— Eu sei, Aioria, hoje em dia sei que o relacionamento de vocês é apenas de amizade e sei que você é hétero, coisa que me tranquilizou muito. — Continuou o patrão, de uma forma que estava incomodando o jovem advogado.

— Mas, para minha infelicidade e eterno desgosto o meu filho é viado, meu único filho é viado! — Repetiu o homem com voz de nojo para surpresa e revolta do leonino.

— Sr. Kapino, o Milo é o cara mais bom caráter, responsável e competente que eu conheço. Acho que sua orientação sexual nada acrescenta ou diminui suas qualidades. — Defendeu seu amigo.

— Eu construí um império, Aioria, um império, e não tenho para quem deixar porque meu filho gosta de dar a bunda! E não vai ter uma família. É lamentável que um pai tenha que passar por isso. — Lamentou o pai de Milo.

Aioria chocou-se com o comentário homofóbico do pai de seu melhor amigo.

— Não sei a quem aquele menino puxou, eu sou macho! Nunca tivemos viados na família, mas para minha eterna vergonha meu único filho nasceu assim. — Continuava o chefe.

— Eu tive observando você, você sim deve dar orgulho a sua família.

Naquele momento o garçom chegou trazendo os pedidos.

— Meu irmão também é gay, Sr. Kapino. — Aioria comentou sério sem tocar na comida, alertando que não estava gostando do rumo da conversa.

— Sim, eu sei, nem toda família é perfeita. — Declarou o chefe surpreendendo Aioria, pois este não imaginava que tinha sido investigado.

— Mas eu vou direto ao assunto, sei que Milo contratou um puto, de certo pra comer ele.

— Sr. Kapino, por favor, estes termos são horríveis. — Falou Aioria realmente incomodado.

— Eu sei que são, mas por que o Milo contrataria um puto se não fosse para dar a bunda a ele? Se fosse pra comer, ele comeria uma mulher, não é? — Kapino falou de forma pejorativa, mas apenas aquilo que realmente acreditava ser verdade.

Aioria tomou um gole de sua bebida, aquela conversa está sendo completamente indigesta para ele.

— Eu vi como o viado do meu filho olhou para o garoto do Saga. Sabe Aioria, o Saga tem no seu leque de agenciados as mais belas mulheres que você possa imaginar, loiras, orientais, negras, ruivas... eu mesmo já saí com várias delas, já contratei três de uma vez e dei conta de todas, mas ver que meu filho se encantou por um rapaz...

Klaus Kapino continuava a falar e Aioria ainda não tinha conseguido identificar onde o pai de seu amigo queria chegar.

— Bom, enfim eu sei que o Milo está pagando pelos serviços desse rapaz, e não acho ruim, não, ao contrário, antes um puto que ele possa pagar e se livrar quando terminar de fazer as nojeiras dele, do que me aparecer com um barbado dizendo que é namorado ou coisa pior.

Aioria mantinha a mandíbula rígida e as narinas dilatadas tentando digerir cada palavra do velho preconceituoso a sua frente.

— Sr. Kapino não estou conseguindo atinar o que tenho a ver com tudo isso, o que quer de mim? — Aioria questionou tentando ir direto ao ponto, pois já estava com receio de que talvez não aguentasse ficar até o final do jantar sem dar uma surra no chefe.

Mastigando umas bruschettas que faziam parte do couver, o dono das indústrias farmacêuticas Kapino respondeu sério. — Não me importo que o meu filho tenha uma vida dupla, desde que tudo fique no mais absoluto sigilo. Não me importaria que o Milo tivesse de fato uma vida dupla, uma esposa com filhos para a sociedade e um rapaz para seus desejos estranhos.

— Senhor, o Milo jamais faria uma coisa assim, ele preza sua liberdade e não se envergonha de ser gay. — Explicou Aioria pacientemente.

— Ele não se envergonha, mas envergonha a família dele! — Tornou o homem ríspido.

— Aioria como pai eu te peço, converse com ele, tente colocar na cabeça dele que um homem de negócios não pode ser viado, é preciso pulso e é preciso que os outros respeitem ele. Convença-o sei que são amigos e sei que você tem um poder de persuasão ou “manipulação”, incrível, já te vi nos tribunais. Convença-o e você será muito bem remunerado. — Ofertou Kapino.

Aioria tinha ganas de voar do pescoço do homem a sua frente, dizer umas verdades, contudo conteve-se e respirou fundo antes de dizer. — Farei o possível Sr. Kapino.

O homem a sua frente sorriu e perguntou. — Milo já encontrou aquele garoto de programa por duas ou três vezes pelo que sei, devo me preocupar?

Aioria ficou confuso, o pai de seu amigo realmente o vigiava de forma literal, “claro deve ter informantes no prédio” — pensou antes de responder. — Senhor, é só um michê, não há com o que se preocupar.

Klaus Kapino sorriu, — Milo o está recebendo em casa, o que eu aprovei, o rapaz entra pela entrada de serviço e não levanta suspeita, foi inteligente da parte dele. Não me oponho que ele tenha um puto fixo, desde que não se apaixone por ele e queria coisa séria, ai não respondo por mim.

— Não acho que o Milo corre o risco de se apaixonar por este cara, pode ficar tranquilo. — Respondeu Aioria, que de fato acreditava em suas palavras.

...

— E aí, como foi com o velho? — Milo quis saber assim que o amigo chegou ao seu apartamento. Aioria se dirigiu para lá imediatamente após o jantar com o poderoso Klaus Kapino.

Aioria e Milo sempre foram muito amigos e o leonino jamais iria ter com o pai de Milo sem que avisasse ao amigo sobre tal convite.

— O de sempre, transforme meu filho em hetero, quero herdeiros blá blá blá e mais um monte de bosta preconceituosa, cara não bati nele porque ele é seu pai, mas se fosse qualquer outra pessoa... juro que teria dado uma boa surra! — Aioria comentou ainda irritado.

Rindo Milo respondeu triste. — Mentira! Você não bateu nele para não ficar sem emprego isso sim.

— Claro isso pesou muito na decisão de ficar na minha. — Respondeu Aioria agora sorrindo como o amigo, tinha pena de Milo que se fazia de forte, mas ficava magoado com o tratamento do pai a dia orientação sexual.

— Milo precisa tomar cuidado, ele te espiona, ele sabe do ruivo, não do seu filme, só dos seus encontros. — Aioria falou rápido para tranquilizar o amigo que ficou branco de repente. — Ele sabe quantas vezes você transou com o ruivo, e também sabe que ele está frequentando seu apartamento.

— Mas que filho da puta! Ele não tem esse direito, Aioria. — Reclamou Milo andando pela casa. — Eu sou adulto, maior de idade ele não tem esse direito.

— Milo, ele disse que tudo bem, você pode continuar se encontrando com o ruivo, desde que não queria nada sério com ele, evidentemente. — Acrescentou Aioria recebendo um careta do amigo.

— Eu me apaixonar por aquele cara? Até parece. — Comentou Milo com desdém.

— Em suma, ele quer um neto, quer a continuidade da família e quer que você se case, disse que você pode manter uma vida dupla, ele não se importa que tenha amantes por debaixo dos panos, desde que para a sociedade você seja um respeitável homem casado. — Resumiu o amigo sem mencionar os termos pejorativos usados pelo pai do outro.

— Ele que vá sonhando! Não vou viver uma vida de mentiras só para deixar o velho Kapino feliz, quero ser pai, mas não vou fazer isso agora, quero estar com alguém que eu amo para juntos construímos uma família. — Respondeu Milo convicto.

— Olha Milo, é bom que saiba que ele não pode nem sonhar com o fato de você apresentando alguém como namorado ou coisa pior, palavras dele. — Aioria achou por bem esclarecer este fato.

Disfarçando a tristeza ao ouvir aquilo Milo balançou a cabeça em sinal de incredulidade e depois fazendo um gesto com a mão resolveu mudar de assunto. — Vamos deixar meu pai e seus preconceitos de lado, está confirmado a reunião com seu irmão amanhã?

Aioria levou alguns segundos para perceber que o amigo havia mudado de assunto tão abruptamente, mas sorrindo respondeu: — Sim, amanhã almoçaremos juntos, Aioros contou que o responsável pelo paciente que está testando nosso produto vai estar lá amanhã, ele vai pegar o resultado dos exames recentes para uma melhor avaliação antes da nossa reunião.

— Excelente! — Disse Milo, o escorpiano sabia que não estava no cargo que ocupava apenas por ser o “filho do dono” e sim por ser um profissional responsável com seu trabalho e investimento.

As Indústrias Farmacêuticas Kapino eram uma das grandes provedoras do hospital infantil, em troca os médicos sempre se comprometiam a testarem seus medicamentos que estavam em fase experimental.

*-*-*-*-*-*

— Sonia, por favor, providencie dois sucos de laranja, um para mim e outro para o Camus. — Pediu Aioros para sua secretaria.

— Olha só Camus, veja a regressão da doença por esses exames, estou muito otimista com esse novo tratamento. — Aioros explicava a Camus os resultados dos exames de Isaak.

Desta vez o ruivo não havia levado os irmãos, Isaak se cansava muito nestas visitas ao médico e Camus queria que o irmão usasse as energias para ir à escola.

— Será que podemos sonhar com a cura? — Camus perguntou esperançoso.

Aioros ficou sério antes de responder. — Camus, sabe que seu irmão sofre de uma doença degenerativa, e que ela não tem cura, estamos testando alguns medicamentos, mas ainda não temos nada de concreto, ok?
Os olhos de Camus lacrimejaram, contudo, ele não deixou nem uma gota de lágrima cair. — Eu posso ter esperança, não posso?

Aioros o olhou condescendente, se sentindo mal por não dar esperanças a Camus, uma vez que este se mostrava um irmão muito dedicado. — Sim, esperança nunca é demais.

O médico respondeu acariciando o rosto do ruivo de forma fraternal.

— Tenho medo de perder meu irmão, os dois são tudo o que tenho na vida, sem eles eu...

Camus queria dizer que sem os irmãos não haveria motivos para continuar, para seguir em frente.

Aioros o abraçou com carinho. — Vamos fazer de tudo para que ele fique bem.


...



— Achei excelente a ideia de enviar lotes do medicamento para que Aioros tratasse seus pacientes, sentirei mais credibilidade com um médico conhecido, e sério, como ele me passando os resultados. — Milo comentava com Aioria, ambos estavam indo ao consultório do médico haviam combinado de almoçarem juntos.

— Sim, meu irmão é super sério e comprometido com o trabalho, ele me disse que está testando o medicamento em algumas crianças e os resultados estão sendo melhor que o esperado, mas que ainda é cedo para comemorações. — comentou Aioria, sobre a observação do amigo.

— Claro que ainda é cedo, estamos testando este medicamento há uns seis, sete meses, precisamos de mais informações antes que possamos comercializá-lo. Mas, estou bem otimista! — Respondeu Milo chegando à antessala do consultório de Aioros.

— Será que a secretária já saiu para o almoço? — Aioria se questionou ao ver que a moça não estava em sua mesa, ele deve estar nos aguardando lá dentro, vamos. — E assim o advogado deu duas batidinhas leves e abriu-a, acompanhado por Milo que vinha logo atrás.

— Que porra é essa? — Milo perguntou ao reconhecer o ruivo que estava abraçado ao médico.

Ao ouvir a indagação de Milo, Aioros e Camus se soltaram por reflexo, não por estarem em delito.

— Milo, Aioria o que é isso? — Aioros indagou sobre a invasão ao seu consultório.

— Mano, perdão, a secretária não estava pensamos que estivesse só, foi mal. — Aioria respondeu sem graça, reconheceu o ruivo e não fazia ideia o que seu irmão tinha a ver com aquele rapaz.

— Bom, já viram que estou acompanhando, por favor, me esperem lá fora. — Tornou Aioros irritado.

Milo, contudo não tirava os olhos de Camus que o encarava de volta com apreensão.

Camus queria sinalizar para que Milo não revelasse nada a Aioros, o médico fora aluno e amigo de seu pai e apesar do pouco contado íntimo que tinham, Camus via o médico como uma referência paterna.

— É isso que você fica fazendo no seu consultório? — Milo continuou falando em tom ríspido entrando na sala olhando irritado para Camus.

— Milo, não, por favor... — Camus tentou, mas sua voz saiu tão baixa como um sussurro e não foi ouvida no meio daquela confusão.

Aioros encarou Milo sem entender, não estava gostando do tom do rapaz, se Milo estava pensando coisas sobre sua conduta só por que o viu consolando um familiar de paciente, Milo iria ouvir poucas e boas. — Do que está falando, Milo?

— Estou falando de você trazer um maldito rameiro para o seu consultório em pleno horário de expediente! Acha bonito isso? — Continuou o loiro em tom ríspido.

— Milo, acalme-se! — Aioria tentou colocar panos quentes, mas a confusão já estava armada.

— Cala a boca, Milo! — Camus pediu elevando a voz pela primeira vez desde que a confusão começou.

— Não calo, não, seu puto, você está num hospital infantil! Seu imoral! Tudo tem limite! Seu rameiro sujo. — Tornou Milo mordido pelo ciúme, ciúme esse que nem estava se dando conta que sentia.

— Milo, já chega! O que pensa que está fazendo? — Aioros questionou irritado, Milo podia estar patrocinando aquelas pesquisas, doando dinheiro ao hospital, mas não tinha o direito de agredir as pessoas daquela forma.

— Que decepção, Aioros, eu achando que você era um médico sério, e você traz um maldito michê! Um maldito garoto de programa para trepar no seu consultório?

— Milo... Não... — Camus pediu fraco se sentando em uma cadeira cobrindo seu rosto, não queria olhar para Aioros.

— O quê? Do que está falando Milo.

— Esse merdinha aí é um garoto de programa, faz filme pornô e michê nas horas vagas, vai dizer que não sabia? É claro que ele está aqui para fazer seu michê, não é Camus? — Milo despejou ainda irritado.

Aioros ficou sem reação por alguns segundos, sua mente ia tomando ciência das coisas, de muitas coisas, Camus dizia estar sob os cuidados de um tio, mas esse tio nunca apareceu em uma consulta de Isaak.

Claro que o médico nunca estranhou nada, Camus sempre aparecia com o dinheiro dos medicamentos e tudo mais...

— Se você não veio fazer michê, o que veio fazer aqui? Está armando para cima do Aioros também? — Milo perguntou pegando o ruivo pelos braços e sacudindo.

— Solte-o! Solte agora, Milo! — Aioros ordenou, contudo o jovem Kapino já iria fazer isso quando viu os olhos tristes de Camus.

— Aioria, leve seu amigo daqui, agora! — Aioros pediu ao irmão e virando-se para Milo falou em tom sério. — Nunca mais entre em meu consultório desta maneira, nunca mais faça insinuações sobre minha conduta, ou vou esquecer os anos de amizade que você tem com meu irmão, e Milo não queira me ver nervoso.

Milo pensou em responder, mas foi impedido por Aioria que o pegou pelo braço o levando para fora do consultório.

Mas antes de sair, Milo ainda falou. — Ele atende pelo nome de Aquário, não acredite em nada do que ele diz, não vá cair no mesmo golpe que eu.

— Vá embora daqui, Milo! — Aioros voltou a ordenar e Aioria finalmente conseguiu tirar seu amigo do consultório do irmão.

— Você tem que avisar a ele Aioria aquele puto pode estar tentando dar um golpe nele como ele fez comigo. — Milo soltou ainda bravo se soltando dos braços do amigo.

— Milo, vou conversar com meu irmão, mas em outro momento e com calma, você ouviu as coisas que você falou pra ele? — Aioria perguntou também zangado. — Cara, meu irmão é o cara mais certinho que eu conheço, e você o acusou de... Você o acusou de estar transando com um garoto de programa em horário de trabalho.

— Você viu os dois abraçados? O que queria que eu pensasse? — Tornou Milo ainda nervoso.

— Deve ter uma explicação para isso Milo.

— É bom que tenha Aioria, é bom que tenha!

....

No consultório, Camus estava sentando, seu rosto coberto com os cabelos e com as mãos, sentia-se envergonhado como nunca se sentira na vida, dentre todas as pessoas do mundo, Camus gostaria de manter sua profissão em segredo para seus irmãos e para o médico a sua frente.

— Camus. — Aioros chamou incerto.

O ruivo respirou fundo, aprendeu na vida que não adiantava se lamentar pelo que não podia mudar, sua realidade era aquela, e Aioros não poderia fazer nada a respeito.

Camus levantou a cabeça já com sua máscara de indiferença em seu rosto, apesar dos olhos vermelhos. Olhou para o médico como se nada tivesse acontecido. — Ainda vai cuidar do meu irmão? — Perguntou sério.

— Que pergunta, Camus, claro que vou cuidar do Isaak, mas quero saber o que está acontecendo com você. Quero saber que história é essa que o Milo despejou aqui, Camus. — Aioros perguntou com sincera preocupação.

Neste momento a secretária entrou com a bandeja de sucos. — Perdão pela demora, Dr. Aioros, mas tive um imprevisto e... — A moça parou de falar quando viu o clima tenso entre o médico e o rapaz.

— Não tenho nada para falar sobre minha vida privada, Dr. Aioros, com licença, ligarei para marcar o retorno. — Sem esperar uma resposta Camus saiu, deixando um atônito Aioros para trás.

*-*-*-*

Camus voltou para casa no final da tarde, preferiu andar para esfriar a cabeça, foi ao parque central, local que sempre ia quando acabava de filmar ou que atendia um cliente mais difícil, lá observou a natureza, os animais, esquilos e pássaros, andou bastante para poder se acalmar e espairecer tentava se livrar do sentimento de humilhação que sentiu ao ter sua pregressa vida exposta para o amigo de seu pai.

Quando chegou em casa foi recebido por Hyoga que carinhosamente jogou os braços em volta do pescoço do irmão, e beijou seu rosto com carinho.

Camus sentiu o peito aquecer ante ao carinho do irmão menor.

— Camus, você demorou. — Reclamou o menino.

— Estava resolvendo algumas coisas, Hyoga, me desculpe por isso. — Respondeu Camus em tom ameno.

— Sr. Camus, que bom que chegou, os meninos estão de banho tomado, e preciso dizer que estes danadinhos, traquinaram a tarde toda, Isaak está dormindo, sabe como ele se cansa fácil. — Zaíra foi logo despejando assim que viu o ruivo entrando pela sala.

Zaíra era uma mulher de meia idade, refugiada da Síria, naquele bairro era o que mais se via, ela perdeu três filhos na guerra e sua filha com os netos durante a fuga.

Camus a conheceu pouco tempo depois que havia se mudado para aquele apartamento.

O jovem michê precisava de alguém que cuidasse dos irmãos enquanto "trabalhava" ela sabia que havia algo errado com aquela reduzida família, mas não fez perguntas, o jovem a pagaria e ela poderia ajudar as crianças de alguma forma.

— Obrigado, Zaíra, preciso falar com você. — Camus pediu assim que colocou o irmão no chão. — Este final de semana terei que trabalhar, sairei sexta-feira pela manhã e só retornarei segunda à tarde, preciso que fique com os meninos neste período.

A babá o olhou analisando o ruivo antes de responder. — Camus, este tempo todo? É muita responsabilidade.

— Eu sei, vou pagar um extra por isso, vou pedir a Marin que te ajude. — Neste momento a ruiva abria a porta do apartamento de Camus, ela tinha intimidade para isso e o fez ao ouvir a voz do amigo.

— Opa, o que tem eu?

— Olá, Marin, eu estava falando com a Sra. Zaíra que vou precisar dele neste fim de semana, tenho uma viajem para fazer a trabalho. — O amigo explicava. — Eu quero saber se você pode ajudar?

A moça fitou o amigo antes de responder. — Camus sabe que eu trabalho nos fins de semanas, é quando eu mais faturo, não posso dar bolo na boate.

— Eu sei, e nem pediria isso, só peço que passe aqui veja se tudo está ok? Por favor! — Pediu o ruivo, não gostava de pedir este tipo de coisa, sabia que a amiga tinha seu trabalho, mas Camus não tinha muito a quem recorrer na vida.

Marin suspirou antes de concordar. — Tudo bem, Camus, farei o possível está bem?

— Mas segunda tenho que ir ao posto de cadastramento da fronteira, sei que chegaram outra leva de refugiados, meu filho pode estar entre eles. — Respondeu a mulher torcendo os dedos. — Tenho que ir cedo, madrugar na fila se quiser ter alguma resposta. Sabe que não estão deixando mais ninguém entrar antes de fazer o cadastramento, se ele estiver lá, posso trazê-lo comigo.

Camus e Marin olharam com piedade para a mulher.

— O Isaak está melhorando, não creio que ele vá ter algum problema. Não gosto de deixá-los sozinhos, mas eles já tiveram que ficar só quando eram mais novos, farei o possível para não me demorar muito na segunda está bem? — Camus falou.

De fato quando chegou à Grécia com apenas quinze anos, precisou deixar os irmãos a sós muitas vezes antes de encontrar Zaíra.

— Eu venho direto pra cá na segunda, durmo na sua cama até que chegue tudo bem? — Marin ofereceu, e Camus a olhou agradecido.

— Eu já sou um homem não preciso de ninguém cuidando de mim. — Reclamou Hyoga no alto de seus nove anos.

Camus girou os olhos e Marin sorriu indo beijar o menino e apertar suas bochechas. — Claro que não precisa, venho dormir aqui para que você possa me proteger, entendeu?

Ela respondeu e o menino ficou rindo.

Marin olhou para o amigo percebendo seu olhar triste. — Vou entrar tomar um banho, mas mais tarde volto pra gente conversar, tudo bem?

Camus concordou, logo depois Zaíra foi embora.

Não tardou e Isaak se juntou a eles após ter descansado um pouco, Camus preparou o jantar para eles, e os irmãos ficaram vendo TV e jogando um pouco de videogame.

Quando deu a hora de dormir, Camus acomodou os irmãos no quarto, o ruivo seguia uma rotina séria nos horários deles.

O mais velho foi até a sala, sentou no sofá abraçando as pernas relembrando tudo que tinha acontecido naquele dia, até que Marin voltou com uma garrafa de vodka e uns aperitivos. — Meu amigo, hoje vamos afogar as mágoas, tô vendo que você tá precisando.

Camus tentou esboçar um sorriso.

Marin foi até a cozinha estilo americana, que se separava o outro cômodo da sala por um balcão, e preparou a bebida adicionando gelo e morangos. — Tome, sei que está precisando.

O ruivo pegou o copo e experimentou seu conteúdo. — Está muito bom, obrigado.

— Quer me dizer o que houve com você? Este seu semblante triste está me preocupando. — Perguntou a amiga.

— Não houve nada, estou bem. — Mentiu o ruivo.

— Camus! — Insistiu Marin.

Camus olhou para o copo em suas mãos observou o gelo e os morangos e falou triste. — O Dr. Aioros, médico do Isaak e ex-aluno do meu pai descobriu sobre mim, minha profissão, o que faço para viver.

Marin olhou para o amigo com olhos piedosos. — Mas você nunca teve problemas com isso, não é? Sempre andou de cabeça erguida.

— Mas é diferente, ele era amigo do meu pai, era como se... Como se meu pai estivesse sabendo de tudo. — Camus falou com a voz trêmula pela emoção. — De todo mundo ele era uma das pessoas que eu jamais gostaria que soubesse de algo.

— Camus... — Tentou consolar a amiga, mas foi cortada pelos desabafos o outro.

— Eu fico pensando no quanto meu pai está desapontado comigo, como ele sentiria desgosto ao ver no que me tornei. Marin ele pediu para que eu não o desapontasse, mas olha só pra mim. — Camus prosseguiu agora sem mais conter a emoção. — Mas ao mesmo tempo em que sinto vergonha, também sinto tanto ódio... Eu o odeio Marin, odeio o fato de ele ter morrido e me deixado sozinho com meus irmãos, tão novo e com tantas responsabilidades...

“Me fazendo fugir para outro país, nos deixando à própria sorte, porque ele queria salvar as pessoas" — As lágrimas rolavam fácil de seu belo rosto alvo. — Ele queria salvar as pessoas, e acabou condenando a mim.

Marin abraçou o amigo, que já se sentia mais leve por ter colocado para fora sua mágoa contida há anos, Camus ainda deixava algumas lágrimas caírem silenciosamente.

Marin acomodou a cabeça do amigo em seu colo e passou a acariciar seus cabelos.

— Eu teria muito orgulho de você se eu fosse seu pai, Camus. — Começou a moça enquanto o amigo levantou a cabeça e a olhou incrédulo.

— Sim, é verdade, como você diz, olha só pra você! Em nenhum momento pensou em abandonar seus irmãos, sem eles tudo seria mais fácil pra você. Todo o dinheiro que você ganha é para o bem-estar deles. — Continuou a moça fazendo o rapaz voltar a se emocionar e colocar a cabeça em seu colo. — Não importa como você consegue seu dinheiro, você não mata e não rouba, seu pai teria muito orgulho de você sim, meu amigo.

— Você acha?

— Tenho certeza. — Ela sorriu para ele. — Mas como foi que esse médico descobriu? Não vai me dizer que ele era um cliente ou assistiu a um filme?

— Não, foi um cliente que nos pegou conversando no consultório dele, pensou bobagens e acabou falando demais. — Explicou Camus.

— Que babaca! — Soltou Marin.

— Esse cara, esse cliente, ele não gosta de mim... Fiz mal a ele e acho que ele não vai me perdoar nunca. — Comentou Camus com tristeza, no caso de Milo, estava apenas plantando o que colheu.

— Não vamos mais pensar em coisas tristes, vamos beber, vamos falar bobagens e vamos assistir "RuPaul's Drag Race" que hoje vai estar bombando. — Marin sugeriu e Camus sorriu, eram raros os dias ou noites em que podia se dar ao luxo de ter momentos como aquele, no dia seguinte não teria que trabalhar. Por ordem de Saga teria que guardar energias para o aniversário de Radamanthys.

*-*-*-*

— Camus, eu vou sentir sua falta. — Hyoga choramingou abraçado a cintura do irmão mais velho.

— Não demora muito, tá mano. — Isaak pediu também abraçado ao irmão.

— Vou fazer o possível para voltar logo. Hyoga e Isaak vocês sabem que devem obedecer a Sra. Zaíra, a Marin vem dar um beijo em vocês assim que possível, por favor, não aprontem nada, ok?

Os meninos confirmaram com a cabeça e Camus virou-se para Zaíra que estava na sala observando os irmãos. — Por favor, qualquer problema me avise não os deixe brincar na rua, a dispensa está cheio tem um dinheiro extra em cima da geladeira, podem pedir uma pizza amanhã.

As crianças gritaram vivas ao ouvir o irmão falando sobre a pizza.

— Nada de muita comida antes de dormir, ok?

— Pode ficar sossegado Camus, vou cuidar bem dos seus irmãos, somente na segunda sairei bem cedo, mas a Marin disse que estará por aqui. — Respondeu Zaíra.

— Farei o possível para estar em casa domingo à noite. — Camus avisou quando sentiu o celular vibrar.

“Venha para minha casa, eu o levo até o cais."— dizia a mensagem de Saga.

Camus despediu-se de todos e seguiu em seu carro até casa de Saga.

Ao chegar encontrou o moreno em pé ao lado da janela, tomando whisky com o olhar compenetrado para algo lá fora que Camus não podia ver.

— Não está um pouco cedo para beber? — Comentou o ruivo, pois se Saga estava bebendo àquela hora como o levaria de carro até o porto?

O homem olhou para o ruivo e sorriu de canto. — Acha cedo?

— É cedo, Saga.

— Você vai para um passeio em que isso acontecerá com frequência, ou acha que Radamanthys vai tomar leite ao amanhecer? — Comentou o moreno analisando Camus.

— É diferente, mas enfim, faça o que quiser. A que horas sairemos? — Perguntou Camus evitando entrar em uma discussão com Saga.

— Está ansioso? É vontade de reencontrar alguém, suponho. — O moreno falou novamente indo na direção de Camus.

Quando a compreensão chegou a Camus ele tentou dar uns passos para trás, mas Kanon o segurou pelo pescoço o encurralando contra a parede. — Já avisei para você ficar afastado. — O moreno falou colocando um canivete contra o pescoço de Camus.

— Kanon eu não tenho culpa... — Camus argumentou em meio ao pavor com a voz sufocada pelo aperto do outro.

— Vou dar um jeitinho neste seu rosto, aí vamos ver se ele vai continuar te querendo desse jeito. — Kanon ameaçou, mas sentiu uma dor no pescoço quando levou uma chave de braço inesperada.

— Que porra você pensa que está fazendo, Kanon? — A voz de Saga se fez presente.

Com um golpe Saga conseguiu desarmar Kanon, que revoltado começou a discutir com o irmão. — Você sempre fica ao lado dele, sempre o prefere, sempre! — Acusou.

— Camus, espere no meu quarto. — Ordenou Saga.

O michê se apressou em obedecer, saiu correndo e se trancou no quarto de Saga ainda com o coração acelerado pelo que havia acabado de acontecer.

Na sala Saga e Kanon continuaram a discussão.

— Eu já pedi pra você dar um fim neste cara! — Explodiu Kanon nervoso.

— E eu já te falei que não vou fazer isso! — Respondeu Saga monocórdio.

— Saga, por que você faz isso comigo? — Perguntou Kanon já se rendendo as lágrimas.

— Pelos deuses, uma hora dessas e você já está bêbado? Olhe pra você, homem! Entenda, não me importa o que você e o Radamanthys têm, se ele quiser pegar para ter o Camus, ele o terá e não vou abrir mão da minha galinha dos ovos de ouro por conta dos seus chiliques por causa de homem. — Bronqueou Saga. — O Camus me rende uma boa grana, e você quase acaba com tudo por causa desse ciúme ridículo. Lamentável Kanon, lamentável!

— Saga, você não entende, não é? — Kanon perguntou entre as lágrimas.

— Não entendo, e nem quero entender, saia da minha frente agora, e só volte a falar comigo quando estiver sóbrio. E nunca mais ameace meu garoto ou acabo com você! — Tornou Saga sério antes de sair e deixar Kanon no chão se lamentando sobre algo que só os bêbados entendem.

...

No carro Camus continuava em silêncio, não havia questionado Saga no quarto, preferiu o silêncio.

— Esqueça o que aconteceu, Camus. — Pediu Saga quebrando o silêncio finalmente.

— Você prometeu dar um jeito do Kanon, mantê-lo longe de mim. — Camus falou em tom de acusação. — Ele ia me desfigurar ou sei lá, me matar.

— Ele não vai fazer nada contra você, prometo! — Tranquilizou Saga com a voz carinhosa, acariciando as mãos do ruivo enquanto dirigia.

— Camus, vamos ter dois novatos e eu gostaria que você desse suporte a eles, ok? — Pediu Saga mudando de assunto como era de seu feitio.

Camus fechou os olhos respirando fundo para não demonstrar o quanto essas mudanças súbitas de assunto o irritavam. — Dois novatos? Saga, você vai me enviar para o aniversário de Radamanthys com dois novatos? Vai traumatizá-los!

Saga riu com gosto antes de dizer. — Eles já atuam na área, mas nunca foram a um evento desse porte, posso contar com você?

Camus encarou o moreno ao seu lado, que aproveitou o sinal vermelho para o olhar de volta e perguntou. — Não são menores de idade, são?

Saga sustentou o olhar de Camus com semblante sério, mas logo sorriu para o ruivo ao seu lado. — Não, meu querido, os dois são maiores de idade.

Camus continuou a olhar Saga com a sobrancelha arqueada.

— Confie em mim, os dois são maiores de idade, apesar de parecerem mais novos do que são, assim como você. — Saga respondeu antes que Camus fizesse outra pergunta. — A Pandora vai estar no comando de tudo, você só vai auxiliá-la, ok?

— Tudo bem.

— Bom garoto!

*-*-*-*

— Pandie, você está maravilhosa! — Disse Saga cortês ao se aproximar da jovem que trajava um vestido preto com decote abusado, e como resultado a deixava extremamente sexy.

— São seus olhos, Saga querido, — respondeu a moça sorrindo para o moreno, — Aquário, como vai? Pronto para o fim de semana?

Aquele era o momento em que Camus deveria despir-se de todos os seus sentimentos, blindar seu coração e sua alma, vestir sua máscara de indiferença e impessoalidade, era a hora de virar Aquário.

— Sempre! — Respondeu Camus que trajava uma bermuda de sarja branca com uma camisa regata de listras azuis e brancas, no rosto um Ray Ban completava o visual casual.

— Você está muito bonito, mas o Sr. Radamanthys tem planos para nós, infelizmente teremos que trocar de roupas.

— Ok. — Respondeu Camus que reparou quando em um sinal de Pandora, dois jovens rapazes se aproximaram.

— Estes são Afrodite e Mu, são os novatos que falei, ajude-os, ok? — Saga voltou a pedir a Camus.

O ruivo analisou os rapazes que tinham no rosto expressões assustadas apesar do olhar baixo, eram novatos de fato, Camus reconheceu neles o mesmo olhar que havia em seu rosto quando começou a viver aquela vida.

“Novatos e a festa de Radamanthys, este final de semana vai ser bem difícil” — Pensou Camus antes de se despedir de Saga, que fez questão de beijá-lo na boca na frente de todos os presentes, ao findar o beijo Camus seguiu com Pandora e os novatos Afrodite e Mu.

Haviam algumas garotas, mas delas Pandora cuidaria.

BEM VINDOS AO INFERNO — dizia a faixa de boas vindas à entrada do iate. Camus pensou que nunca uma frase caíra tão bem em uma ocasião como aquela.

Notas finais
Eita o que será que vai rolar neste festa de aniversario? Prevejo ventos e tempestades neste iate! Novo Garotos ops digo personagens foram apresentados, saberemos mais sobre eles nos próximos capítulos. Comentários são sempre bem vindos e esperados! Fantasminhas não se acanhem comentem!!! Até o próximo, beijooooo