Victória olhou bem para aquela faca.

Brilhava com o reflexo do Sol. E ela via seu reflexo.

Victória estava com medo de voltar a fazer isso. Mas ela se sentia bem fazendo isso.

Ela segurou a faca bem firme, e encostou a lâmina em seu pulso.

Antes de se automutilar, ela olhou para sua gaveta da escrivaninha, aberta, com poeira, e papéis, com letras de músicas.

Entre elas, Victória viu lá no fundo, um papel, que estava escrito "I am not afraid to keep on living, I am not afraid to walk this world alone.", e sem querer, afundou a lâmina da faca em sua pele.

Ela sentia uma sensação de dor, queimação, enquanto o seu sangue escorria pela sua mão, fazendo uma poça no chão de seu quarto.

O sangue estava quente, bem quente. Victória pegou uma camiseta, ragou-a e enrolou em seu braço.

Ela vestiu o blusão, guardou a faca ensanguentada em sua gaveta e saiu do quarto, segurando o máximo que podia para não chorar de dor.

Passou pela sala, — onde sua mãe e sua irmã ainda estavam brigando — segurou na maçaneta gelada, olhou para trás — onde estavam Bianca e sua mãe discutindo — falou "tchau" e fechou a porta.

Saindo de seu prédio, Rafael estava lá, a esperando:

- Por que você demorou tanto? Está tudo bem? — perguntou Rafael parecendo entediado.

- Eu acordei atrasada — mentiu Victória — Está tudo ótimo.

- Então tabom — falou Rafael, agora com uma voz sincera. — Vamos? Não quero chegar atrasado de novo!

Victória assinalou que "sim" com a cabeça e os dois sairam andando.

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- Você realmente está bem? — perguntou Rafael preocupado. — Você sempre fala comigo durante o caminho, e dessa vez não falou absolutamente nada.

- Eu... Só estou cansada. — falou Victória. — Eu não dormi muito bem essa noite.

Então entraram na escola. Chegaram na sala, sentara-se, enquanto o professor Ricardo dava aula de literatura.

Victória sentiu um cutucão no ombro e olhou para trás — era Rafael, com um papel na mão, entregando-o a ela.

Victória pegou o papel e abriu.

"Seu casaco ta manchado. Você esqueceu de lavar? hahaha."

E então na hora, ela olhou para o casaco com desespero e viu uma mancha pequena — quase invisível — em seu casaco.

"é sangue." — pensou Victória.

era incrível como Rafael podia enchergar — mesmo que fosse de longe — alguns detalhes que era basicamente invisíveis.

"hahaha, esqueci sim!" Victória escreveu no papel.

Ela virou, deu o papel na mão de Rafael, enquanto ele sorria — com um sorriso macabro — para ela.

E quando ela se virou para frente, ela observava o professor explicando alguma matéria que ela não fazia idéia de qual era.

Quando sentiu um chute na sua cadeira, ela virou-se, pegou o papel, e abriu:

"eu sei que isso é sangue. não tente me enganar."

Victória por um momento, olhou para todos da sala — haviam apenas 9 pessoas na sua sala, contando com ela — e ela se voltou ao papel:

"não importa se é ou não sangue. depois a gente conversa." - escreveu no papel e jogou para trás.

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Depois de 3 horas, finalmente tocou o sinal para o recreio.

- Vic, pode me falar agora o que está acontecendo. — Rafael a olhava com um olhar preocupado.

- Eu... Não tenho nada a contar. — ela falou, mentindo para si mesma. quem ela estava querendo enganar, se nem ela mesmo se enganava?

- V... — Rafael foi continuar a falar, quando é interrompido por uma amiga de Victória, que Rafael odiava por simplesmente sempre interrompe-lo.

- Vi! — disse Letícia com um tom animado na voz.

Letícia era amiga de Victória, e ela era totalmente apaixonada por Rafael.

- Oi! — disse Victória, tentando dar um "ar" de animação na voz.

E então, ao longo do recreio — que eram apenas 20 minutos — Letícia falava sobre bandas com a Victória, como por exemplo, My Chemical Romance.

Letícia era T-O-T-A-L-M-E-N-T-E apaixonada por My Chemical Romance. E ela estava passando esse seu vício á Victória.

Então, Letícia falou que tinha um concurso de bandas, que você escrevia músicas para as pessoas que se automutilam, e falou que gostaria de formar uma banda com ela, pois o ganhador do concurso faria turnês com My Chemical Romance e The Used.

- Depois a gente fala sobre isso. — falou Victória. — Bateu o sinal.

Então, Victória e Rafael foram para a sala.

Victória sentou-se em sua cadeira, deitou a cabeça na mesa e dormiu.



Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.