Na Palma da Mão de Deus

21 Risos e preocupações


Notas iniciais
Capítulo 21 como prometido... A pegada aqui vai mais pro lado da comédia mesmo tom que to tentando colocar no próximo capítulo... Boa leitura!

Capítulo 21: Risos e preocupações

– Algum problema, amor? Não ta gostando do café da manhã? – Igor perguntou a Irene, ela mexia num pedaço de bolo de um lado para o outro com sua mente distante. Os dois estavam sentados em uma mesa redonda na sala de jantar, seus colegas, a maioria deles, também estavam ali em outras mesas pra ser mais exato.

– É meio difícil comer nessa situação, Igor, o Nicholas de cama, o Jaime também. O que ta acontecendo aqui afinal? – ela comentou, tinha um tom de revolta em sua voz. – Olha só, é a Tereza... – falou ao ver sua amiga descer as escadas, a chamou, queria saber sobre Nicholas.

Buongiorno. – ela cumprimentou seus colegas e se sentou com eles.

– Ai, amiga, como ta o Nicholas? Ele ta bem? – Irene perguntou de imediato.

– Sim, ta com o filho dele e os meus, o Adriano e o Renan também estão lá além do Bernardo, ele ta em boas mãos, fazendo piada, sendo ele mesmo.

– Não sei se isso é bom ou ruim, não dá pra saber o quanto ele está doente.

– Eu me sinto da mesma forma, amiga! – Tereza exclamou.

Enquanto as duas conversavam Igor apenas observava, observava Tereza, seus lábios, seus olhos, seu cabelo, era a mesma linda mulher que conheceu e namorou há tempos, como ela conseguia ainda estar tão bonita?

– ... não é, Igor? – ouviu a voz de Irene pronunciar seu nome.

– Cla-claro... – respondeu instintivamente.

– Pois é, eu também concordo. – palavras de Tereza. – Mudando de assunto, vocês viram o Rafael e a Marcelina? Não vi eles hoje... Devem estar dormindo.

– Ontem de noite, quando eu fui ver o Jaime com o Igor, eu vi os dois num banquinho debaixo de uma árvore, ela tava chorando... Eles estão juntos ou separados? Você sabe?

– No caso deles acho que nem eles sabem direito... – Tereza respondeu com sinceridade, mas as palavras pareceram uma piada aos ouvidos de Irene.

– Eles são complicados assim? – Igor pergunta.

– Pior que são, e desde a época da escola. – Tereza respondeu educadamente, ele não prestou atenção na resposta, só prestou atenção nela, no como pronunciava cada palavra.

Num outro lado do salão Evellin tomava café da manhã com sua filha, conversavam sobre algumas coisas também.

– Será que eu já posso ver o Nicholas? – a menina perguntou.

– Espera o Bernardo descer, aí a gente pergunta se pode subir pra ver ele. – a mãe respondeu.

– Mas o tio Jaime eu posso ver, não é? Os meninos até levaram café da manhã pra ele.

– Não sei, acho que pode sim, não vai fazer mal, não é? Espera um pouco, tio Jaime, você tem chamado todo mundo de tio desde que a gente chegou aqui. Por quê? Tem algum motivo?

– Foi o Nicholas que falou pra eu fazer isso, o pai do João, não o Nicholas menino filho do tio Adriano, ele falou que todo mundo ia se sentir mais querido se eu chamasse de tio e tia. – as palavras de Antônia fizeram Evellin rir.

– Não, ele falou pra você chamar todo mundo de tio e tia pra gente se sentir velho! É a cara dele! – Evellin elucidou, sua filha riu.

– Mãe, mudando de assunto, mas não totalmente, você e o tio Jaime já namoraram? – pergunta que pegou a mãe de surpresa.

– Bom, já, mas faz muito tempo, ele foi meu primeiro namorado, o primeiro garoto que eu beijei... Quem te contou sobre ele e eu?

– Foi ele mesmo, ele disse que você gostava muito de sorvete, e que você era delicada, gentil, e que jogava bolinhas de papel nele... Não entendi o que uma coisa tem a ver com a outra... – Evellin riu novamente.

– Lógica do Jaime, não se preocupa com isso.

– Ele também disse que você não aguentava ganhar uma dele no vídeo game, que você tentava, mas sempre perdia pra ele. – a feição de Evellin mudou diante daquela afirmação.

– O quê?! Aquele gordo, manco virou mentiroso depois de velho?! Ele que não aguentava ganhar de mim! Ninguém naquela turma aguentava ganhar de mim! Pra você ter ideia, se o jogo era futebol ele escolhia o meu time e o dele e se eu ganhasse de menos de cinco gols de diferença pra mim era derrota! – havia muito ímpeto na voz de Evellin. – Se o jogo era de luta, pelo menos um round era de perfect, ele podia até escolher o jogo que eu ganhava do mesmo jeito! O único na sala que me dava um pouco mais de trabalho era o Adriano, ele era bom, mas eu era melhor, e o Jaime... Tadinho do Jaime! – Antônia ria muito da situação.

– Eu vou ter que dar uns fights naquele gordo desgraçado pra ele aprender, espancar ele tanto na vida real quando no vídeo game! Como ele tem coragem de espalhar essas mentiras?! – Evellin se pronunciou, agora era óbvio que fazia piada.

– Não queria que a conversa tomasse esse rumo. – Antônia falou limpando seus olhos, chorou de tanto rir. – Na verdade eu queria te perguntar como as coisas aconteceram, por que ficaram juntos, por que terminaram, afinal ele é tão diferente do... meu pai... – tinha muito pesar nas últimas palavras.

– O Jaime foi muito gentil comigo, atencioso, ficava me enchendo a paciência mas não era por maldade, ele só tentava fazer com que eu me sentisse especial, ele tem esse dom, eu me sentia especial perto dele. Eu fui muito apaixonada por ele, mas ficou no passado, hoje eu só sinto um carinho muito grande por ele como eu sinto por todos aqui, não necessariamente por que a gente terminou a gente tem que se odiar, concorda?

– Falando de mim, garotas? – Paulo falou se aproximando e se sentando com elas.

– Oi, tio Paulo! – Antônia cumprimentou efusivamente.

– Tio pra cá, tio pra lá... Por que você ta chamando todo mundo de tio? – ele perguntou, ela riu de leve.

– Foi o Nicholas, ele falou que se eu chamasse todo mundo assim todo mundo ia se sentir mais querido.

– O Nicholas falou isso é? Na verdade ele te falou pra fazer isso pra gente se sentir mais velho isso sim! – ele exclamou.

– Foi o que eu falei pra ela... – Evellin concordou. – Escuta só, Paulo, o Jaime contou pra minha filha que ele ganhava de mim no vídeo game, acredita? Só nos melhores sonhos dele! Conta pra Antônia como eu era no vídeo game, fala aí. – ele sorriu de forma maldosa.

– O Jaime falou mais que a verdade! A Evellin era muito ruim, eu cansei de ganhar dela e fácil! – a feição de Evellin mudou completamente enquanto Antônia tentava disfarçar, mas não conseguia parar de rir.

– Já chega! Paulo, eu, você, na sala de jogos em uma hora! Vamos ver quem é o melhor, vamos ver quem ta mentindo aqui! – ela desafiou, ele sorria, porém... – E quem perder vai pagar todo o sorvete que o outro puder tomar!

– Vai com calma, Evellin, eu tava só brincando. – agora a face dele se tornara preocupação pura.

– Você vai ser a primeira vítima, o Jaime que me aguarde, aquele gordo manco!

– Vocês são muito divertidos! – Antônia falou. – Todos vocês, acho que os mais divertidos são o Nicholas e o tio Lúcio, olha como a tia Valéria quase morre de rir perto dele, mas também, quem não morre de rir perto dele? – Antônia falou inocentemente, ela apontava pra mesa onde Valéria e Lúcio estavam e, como ela citara, eles riam muito um do outro. Obviamente Paulo não se divertiu com o comentário e muito menos com a cena.

– A Valéria não desgruda do Lúcio! Ela gosta de rir das coisas que ele faz, igual na época de escola. Aposto que ele deve ta contando como é divertido a vida na Austrália, sobre todos os instrumentos que ele sabe tocar, sobre todas as construções que ele desenha porque ele é um grande arquiteto e tals! – comentário de Paulo, Antônia e Evellin se entreolharam.

– Bom, se te incomoda tanto acho que vocês deveriam voltar. – palavras da mãe.

– E quem disse que eu to incomodado com alguma coisa? – ele retrucou.

– Você queria que tivesse uma placa na sua cabeça escrito: “estou com ciúmes”? Com umas lusinhas neon ainda? – Evellin falou novamente, ele ficou sem graça.

– Tio, o que aconteceu pra você e a tia Valéria terminarem? – Antônia perguntou.

– Bom, foi... – Paulo fez uma pausa, pensou, puxou de sua mente. – Isso é mal, não lembro o que aconteceu dessa vez, só lembro da raiva que senti... Não lembro mais os motivos da briga, mas ainda sinto as consequências... Isso é mal mesmo! – falou se levantando e saindo dali, Antônia não entendeu.

– Não tente entender o Paulo e a Valéria, eles são complicados demais... Na verdade, quem não é? – a mãe tentou explicar, contudo as coisas ainda eram muito nebulosas pra menina.

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A região onde ficam as menores construções, que são os quartos, um silêncio pairava, afinal Maria Joaquina dormia, Jaime estava em repouso, a maioria dos outros estava tomando café da manhã, contudo um abrir de porta e um fechar cortaram esse silêncio, se tratava de Rafael, ele saía silenciosamente de um quarto que não era o seu.

– Devagar, pra não acordar ninguém. – falava pra si mesmo, sua camisa mal abotoada, seu cabelo não penteado, seus calçados em mãos, uma cena notável.

– E aí, de menor? – aquela voz conhecida chega até os ouvidos dele o fazendo levantar suas mãos assustado, ostentava uma face de culpado que chegava a ser engraçada.

– A noite foi longa, de menor? – a voz perguntou sorrindo bastante.

– Que susto, Daniel! Quer me matar do coração, caramba?!

– Se eu não me engano esse é o quarto da Marcelina, to certo? – Daniel não se segurava de tanto rir.

– É sim, velho, eu to muito enrolado...

– Você e a Marcelina vivem enrolados... Vai tomar café agora? Eu acabei de acordar e to morrendo de fome, imagino que você deve estar com mais fome ainda.

– Ah, com certeza! Eu vou só tomar um banho, me recompor... Eu agradeceria muito se você não falasse pra ninguém sobre “isso”.

– Como se alguém não soubesse que você e a Marcelina juntos não ia dar nisso.

– Foi só um acidente, não estamos mais juntos... Eu não tenho que dar explicações! – começou a alterar sua voz, mas se lembrou que a jovem com quem passara a noite estava dormindo e a abaixou novamente. -... Não tenho que dar explicações, não que eu esteja sendo grosso, é que é complicado mesmo! – ele olhou pra Daniel com a mesma feição como quando diz: “tem que lembrar que sou baixinho?!” o que o fez rir mais.

– Ô Rafael, não precisa me explicar nada, você devia dar graças a Deus da garota que você gosta também gostar de você. Talvez você não saiba o quanto tem sorte.

– O que eu tenho é complicação isso sim, mas, mudando de assunto, como estão o Jaime e o Nicholas? Sabe alguma coisa deles?

– Não, velho, como falei acabei de acordar, mas se algo ruim tivesse acontecendo a gente saberia, notícia ruim corre.

– Tem razão... Que fome, vai me esperar tomar banho pra depois ir tomar café?

– Sem problemas, na verdade não to com tanta fome assim. – Daniel respondeu sorrindo, Rafael também riu da situação, pensou em si mesmo no contexto, se colocou na posição de Daniel e por isso riu.

– Velho, eu devo ser uma grande comédia!

– Eu não diria “grande”, uma comédia pequena, talvez?

– Isso mesmo! Lembra que eu sou baixinho! – eles falaram enquanto caminhavam sentido ao quarto de Rafael.

Notas finais
Buongiorno = Bom dia Então, to com muita dificuldade pra deixar aceitável o próximo capítulo, mas tentarei ao máximo postar semana que vem. Até a próxima!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.