Na Palma da Mão de Deus
1 Anos passados
Notas iniciais
Capítulo 1: Anos passados
- Sabe o que é mais engraçado em nós? – ela perguntou. – Quando se para pra analisar toda a nossa vida juntos, o quando a gente se conheceu, o tempo que convivemos... É impossível dizer que nós teríamos algum relacionamento! – ela falou com propriedade.
- Talvez... Mas sei lá... O impossível é... O impossível, difícil de definir... – ele falou de modo meio desconexo, ela entendeu o que ele quis dizer e sorriu, o beijou novamente, porém o barulho das explosões se levantou aos ceus e os separou.
- Feliz ano novo senhor Grosso!
- Feliz ano novo Maria Chatonilda! – falaram trocando olhares e risadas diante daquele ceu colorido pelos fogos.
- Maria... – Jaime falou abrindo seus olhos, foi só um sonho, uma lembrança de uma época há muito passada.
Olhou ao arredor pra ter certeza se realmente estava em seu quarto, sim estava, seu quarto, sua cama, seus pôsteres, respirou aliviado e recostou sua cabeça no travesseiro novamente.
- Sonhos inconvenientes que vem quando a gente não quer... Inconvenientes... Naquela época eu não falava coisas assim. – falou com um leve sorriso fechando seus olhos vagarosamente.
O sol brilhava forte quando ele abriu os olhos novamente, se levantou, se preparou pra mais um dia, vestiu seu uniforme, colocou um boné e foi até sua oficina, abriu a porta indicando que seu dia de trabalho acabara de começar.
- Vamos ver, esse carro aqui é mais urgente... Vamos começar por ele. – falou pra si mesmo abrindo o capô do veículo em questão. – Deve ser esse o defeito...
- Licença moço, o senhor tem uma bomba pra encher o pneu da minha bicicleta? – uma voz infantil chega aos ouvidos de Jaime o assustando e o fazendo bater a cabeça no capô que havia aberto.
- Ai! Filha da p...! – não chegou a terminar o palavrão.
- Desculpa moço, não queria te assustar... – o menino na bicicleta falou com medo, Jaime era bem alto, grande, tentou bastante mas não perdeu a forma arredondada de seu corpo, além de ter aquela barba a fazer, um conjunto de características que amedrontava o garotinho a porta da oficina.
- Sem problemas garoto! Ai... – o mecânico falou com sua mão na cabeça, estava de olhos fechados devido à dor, ao abri-los se assustou muito, pensou ter visto um fantasma. – Ni-Nicholas...?! – gaguejou.
A sua frente viu seu antigo colega de escola numa bicicleta, os mesmos olhos, cabelo cacheado e a mesma inconfundível cartola, mas...
- Eu não me chamo Nicholas, eu sou Pablo, me mudei aqui pra rua esses dias. – o garoto respondeu sem jeito.
Jaime limpou seus olhos e enxergou corretamente, não, o garoto não era o Nicholas, não tem como ser, Nicholas hoje é um homem formado, mas o garotinho usava uma cartola, era impossível não se lembrar de Nicholas vendo uma cartola daquelas.
- Foi mal moleque, eu to meio de ressaca, eu vou pegar a bomba pra você... – Jaime falou e foi pra dentro de sua casa, foi procurar a tal bomba.
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- Acho que agora ta perfeito! – uma voz feminina se pronuncia em meio aquele grande jardim, uma mulher bonita, cabelos castanhos claros longos, olhos verdes, pintava sua visão daquele jardim numa tela, a precisão das formas e cores era impressionante.
- Ta incrível mãe, você é muito boa nisso! – uma voz adolescente chega aos ouvidos dela a surpreendendo.
- Oi meu menino, há quanto tempo ta aí? – a moça pergunta.
- Não faz muito...
- Senhorita Maria Joaquina, com licença, tem visita pra senhorita. – uma outra voz se pronuncia adentrando o jardim. – Eu pedi pro Lavi te avisar...
- Pois é... Mãe tem visita... A Rute não sabe esperar! – o garoto falou em tom de piada, as duas mulheres no jardim riram.
- Eu te entendo garoto, os desenhos da sua mãe são incríveis! É fácil esquecer tudo olhando pra eles. – Rute falou.
- Tomara que a visita não tenha esperado muito então né? Lavi, gostei do seu corte de cabelo. – a mãe falou sorrindo.
- Acho que esse estilo reflete mais o que eu sou, um porco espinho, redondo e espetado. – o menino falou em tom de brincadeira batendo em sua barriga. Lavi é um garoto alto, loiro penteado espetado, olhos bem verdes muito parecidos com o de sua mãe, alto, gordinho e de pele clara, tem doze anos.
- Será que posso usar suas tintas mãe? – ele pergunta.
- Fica a vontade, só não usa tudo. – falou andando até o jovem, o abraçou e beijou no rosto carinhosamente.
- Na frente dos outros não... – o garoto falou repreendendo, a mãe riu, em seguida seguiu Rute até onde a visita estava.
- Você sabe quem é essa visita? – Maria Joaquina perguntou.
- Ela disse que é uma conhecida sua, mas não falou o nome, disse que queria te fazer uma surpresa. – Rute respondeu.
- Quem será então? – Maria ficou muito curiosa.
- Ela é uma mulher diferente, usa umas roupas mais largas, tem um cabelo preto curto, e tinha um... Eu não sei como se chama aquilo que ela tava carregando, mas o Lavi tem um... – palavras de Rute que fizeram Maria ficar ainda mais curiosa.
Na sala da residência a tal mulher olhava tudo ao arredor, admirava os desenhos expostos em molduras, os achava espetaculares, entretanto não parecia gostar dos móveis do lugar.
- Uma vez paty, sempre paty... – a mulher falou com um leve sorriso.
- Eu não acredito! – a voz de Maria chega aos ouvidos da outra mulher.
- Há quanto tempo não é? – a outra respondeu.
- Alicia! – Maria falou num tom de felicidade misturado com surpresa, se aproximou de sua colega e a abraçou.
- É bom te ver também... Sabe que você ta ótima!? – Alicia elogiou sua antiga amiga.
- Trinta e três anos bem vividos! – Maria respondeu. – Mas você não mudou nada, suas roupas, e esse skate nas costas... A mesma molecona!
- Skate é minha vida Maria Joaquina, eu ganho a vida em competições, mas e você o que tem feito?
- Competições?! Uou, bem que eu li que tinha uma competição de skate acontecendo por aqui, você realmente leva isso a sério.
- Muito a sério, quando eu vi que teria um torneio aqui eu falei: Vou ter que passar na casa da “Maria Chatonilda” pra zuar ela! Mas conta aí, o que tem feito da vida? Desvia o assunto não! – a skatista falou em tom de piada.
- Bom eu sou dona de uma empresa e... É muito estressante!
- Imagino.
- Eu tava uma pilha há alguns anos, mas aí comecei a desenhar, pintar, é muito bom sabe?
- Não me diga que esses quadros são seus?! – Alicia perguntou muito surpresa.
- Todos eles, bonitos não são?
- São incríveis!
- Mãe... – aquela voz adolescente invadiu o recinto, uma palavra estrondosa na mente de Alicia: “Mãe?!”, seus olhos se voltaram para o garoto que adentrava. – A tinta amarela, eu preciso dela e não achei...
- Eu ouvi mãe?! – Alicia falou coberta pela surpresa, porém sua surpresa não era exatamente pelo fato de Maria ser mãe, mas pela imagem da pessoa que veio a mente dela no momento exato que ela olhou aquele menino.
- Desculpa o mau jeito, meu nome é Lavi Medsen, prazer... – o menino se aproximou e cumprimentou. – Gostei da roupa e do skate! – ele falou sorrindo.
- Obrigada... – ela falou sem jeito. – Você se parece muito com um conhecido meu. – a feição de Maria começou a mudar, se sentiu incomodada.
- Sério?! Sabe eu não conheço meu pai e... – o garoto foi interrompido por sua mãe.
- Lavi, por favor, eu preciso que você me deixe conversar com a Alicia sozinha. – Maria falou séria.
- Ta bom, eu só quero o amarelo, eu procuro lá de novo, aposto que tava na minha cara e eu não vi! – o menino falou saindo.
- Maria Joaquina, ele não conhece o pai?! – Alicia falou, o tom sério parecia ter tomado conta do local.
- A história é longa e complicada. – Maria falou.
- Imagino, mas não precisa me contar, não é da minha conta afinal, mas espero que saiba o que ta fazendo! A gente não se viu muito por esses anos, mas te considero minha amiga, espero que entenda isso.
- A gente sempre foi tão diferente... Também te considero minha amiga, apareça sempre quando quiser. – Maria Joaquina falou segurando pra não chorar.
“Pelo que será que ela passou?” Alicia se perguntou em pensamentos, imaginava ser algo grave, afinal Maria não lacrimejaria por algum motivo fútil.
- Com licença senhoritas?! Maria Joaquina, chegou uma carta pra você... – palavras de Rute que chamou a atenção das jovens.
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- Aqui, prontinho, pneus de sua bicicleta completamente cheios! – Jaime falou.
- Valeu senhor! – o menino agradeceu e saiu pedalando.
- Moleques, quando que eu imaginar ver um usando uma cartola igual a do Nicholas... Acho que eu não ia servir pra ser pai, sou muito estabanado pra isso! – falou pra si mesmo, aquele garoto parecia ter levado sua mente pra longe. – Volte pra esse mundo Jaime, deixe esse momento Adriano porque ele não te pertence! O Nicholas, se tivesse aqui, ia falar algo desse tipo... – riu de si mesmo.
- Olá Jaime... – uma voz adulta cumprimenta o mecânico.
- E aí senhor carteiro? Alguma conta pra mim hoje? – Jaime cumprimenta de volta já perguntando.
- Na verdade... Tem uma carta... Olha só. – o homem falou entregando a correspondência ao jovem.
- Legal, acho que nunca recebi uma carta antes! – Jaime falou feliz, uma carta, seria esse um motivo suficiente pra deixar alguém feliz? Talvez, porém Jaime está prestes a ler algo que mudará sua realidade, um momento de força se aproxima, tomara que esteja capaz de passar por ele.
Notas finais
Quando eu tiver a ideia pra uma capa legal a farei, vai ter capa, só não sei quando.
até a próxima!
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