Na manhã seguinte, quando Daniel apareceu no hotel para buscá-la:

— Você parece ter dormido melhor — Daniel notou, abrindo a porta do carro. — O café de Vegas enviou boas notícias?

— Ele enviou... algumas teorias interessantes — Sara respondeu, tentando esconder o sorriso ao lembrar da "simetria mandibular".

Daniel: Me explique isso durante o café.

Em Las Vegas...

Heather estava acordada quando Anthony chegou. Abriu a porta com a expressão tensa de quem já teve uma noite longa demais.

AH: (entrou sem ser convidado, foi direto para a sala) Precisamos conversar sobre o cronograma.

LH: (fechou a porta devagar) Você também? Porque já tive conversa suficiente essa noite.

Anthony parou. Olhou para ela com mais atenção.

Heather estava diferente. A postura de sempre estava lá, ereta e controlada, mas havia algo nos olhos que ele não tinha visto antes.

AH: O que aconteceu?

LH: (foi até a bandeja de drinks, serviu dois sem perguntar) Fui levada ao cassino de Sanchez hoje à noite. Dois homens dele apareceram aqui no início da noite com um convite que não era convite.

Anthony ficou completamente imóvel.

AH: Sanchez te chamou pessoalmente?

LH: (entregou o copo, foi sentar) Pessoalmente. Sala privativa no fundo do cassino, sem câmeras, com dois seguranças na porta. O tipo de reunião que você não recusa e não comenta depois.

AH: (sentou devagar) O que ele quis saber?

LH: Sobre você. (olhou diretamente para Anthony) Queria saber porque você frequenta minha casa. O que planejamos juntos.

AH: (a voz ficou mais baixa) O que você disse?

LH: Disse que você era um cliente. Nada mais. (pausa) Ele não acreditou, mas não pressionou. Por enquanto. (girou o copo devagar) Sanchez é paciente quando quer alguma coisa, Anthony. Isso é mais perigoso do que quando ele grita.

Anthony ficou em silêncio processando.

AH: Tivemos uma complicação também aqui fora essa noite. Um dos homens dele estava na rua quando eu ia sair. Tentou ligar, mas não chegou a completar a ligação.

LH: Como você sabe disso?

AH: Porque sei que este homem não vai aparecer.

LH: (se levantou, foi até a janela) Você entende o que isso significa? Quando Sanchez perceber que o homem sumiu, vai ligar os pontos rápido.

AH: (se levantou também, a voz mais dura) Por isso preciso que você acelere as coisas com Grissom. Divórcio. Agora.

LH: (virou para ele com uma expressão que misturava irritação e descrença) Grissom não é um homem que se empurra, Anthony. Você deveria saber disso a essa altura.

AH: Então seja criativa. (colocou o copo na mesa com mais força do que necessário) Mas seja rápida. Estamos sem tempo.

LH: (estudou ele por um momento) E o Ted?

AH: Ted está sob controle.

LH: (deu uma risada pequena e sem humor) Ted é um covarde que vai rachar na primeira pressão real. (pausa) Assim como esse plano todo vai rachar se Sanchez chegar antes de terminarmos.

AH: (foi até a porta, parou) Heather. (se virou) Eu sei que você quer o Grissom. Sei que acredita que se o casamento acabar ele vai escolher você.

Heather não respondeu.

AH: Eu sinceramente não acredito nisso.

LH: É melhor mudarmos de assunto.

AH: Por que não conversamos um pouco nos seus aposentos?

A Dominatrix só deu uma risadinha que era sinal de que havia concordado.

O tilintar das colheres nas xícaras de porcelana e o burburinho suave da cafeteria em Washington serviam de trilha sonora para o café matinal de Sara. Quando Daniel se levantou, pedindo licença com um sorriso impecável para ir ao banheiro, o celular de Sara vibrou. Era ele. Novamente.

— Bom dia, Sara. Espero que o ar úmido da capital não tenha embotado seus sentidos — a voz de Grissom soou baixa, mas antes que ela pudesse responder, ele fez uma pausa dramática. — Espere... eu ouvi uma voz. Uma voz masculina com uma ressonância excessivamente projetada. Você está com o "Grilo Mandibular"?

Sara não conseguiu evitar. Soltou uma risada cristalina que fez algumas pessoas nas mesas próximas olharem.

— Sim, Gil. Eu estou tomando café com o Daniel. Ele é um cavalheiro e, ao contrário de certos supervisores, sabe quando alguém precisa de cafeína e não de um sermão sobre umidade — ela provocou, recostando-se na cadeira.

— Café... — Grissom repetiu, e Sara podia sentir o desdém dele atravessando o país. — O café é um estimulante, Sara. Mas o tipo de estímulo que ele te oferece é puramente químico, superficial.

— E qual seria o seu diferencial, Sr. Grissom? — ela perguntou, o tom de voz baixando, entrando no jogo dele.

— O meu? — Grissom fez uma pausa, e sua voz mudou. A ironia do ciúme deu lugar a uma cadência lenta, quase um sussurro que parecia vibrar diretamente no ouvido dela. — Eu não ofereço apenas cafeína. Eu ofereço o tipo de calor que você sente quando eu me aproximo por trás de você no laboratório, sem dizer nada, apenas para sentir o perfume do seu cabelo misturado ao cheiro dos reagentes. Lembra, Sara? De como a sua respiração muda antes mesmo de eu te tocar?

Sara sentiu o rosto esquentar. Ela olhou para o corredor por onde Daniel tinha ido, sentindo-se subitamente culpada e, ao mesmo tempo, completamente hipnotizada.

— Gil, isso é golpe baixo... — ela murmurou.

— Não é golpe, é memória — Grissom continuou, a voz carregada de sedução. — Esse agente pode te dar um café artesanal, mas ele sabe como a sua pele arrepia quando eu sussurro termos "interessantes" perto do seu ouvido? Ele conhece a curva exata da sua cintura que se encaixa na minha mão como se tivesse sido desenhada para isso? Eu sei que você está sentindo falta disso, Sara. Eu sinto o seu silêncio daqui.

Sara fechou os olhos por um segundo. Grissom sabia exatamente quais botões apertar. Ele estava usando a conexão profunda deles para desarmar qualquer barreira que Daniel estivesse tentando construir.

— Eu preciso desligar, Gil. Ele está voltando — ela disse, a voz um pouco mais trêmula do que gostaria.

— Vá. Tome o seu café — Grissom disse, agora com um tom de vitória contido. — Mas enquanto você olha para esse rosto simétrico, tente não imaginar a minha mão no seu rosto. E lembre-se: eu ligo amanhã. E depois. Até você perceber que grilos são apenas ruído de fundo, Sara. Eu sou a música.

Quando Daniel se sentou novamente à mesa, ele notou as bochechas de Sara levemente coradas e o brilho intenso em seus olhos.

— Tudo bem, Sara? Você parece... inspirada — Daniel comentou, curioso.

— Só um telefonema de Las Vegas sobre... a biologia do comportamento — ela respondeu, tomando um gole rápido do café, tentando acalmar o coração que Grissom, mesmo a milhares de quilômetros, conseguira acelerar.

Grissom desligou o telefone com um sorriso quase predatório. O ciúme ainda queimava, mas ele sentia que estava recuperando o território.

Warrick e Artch entram no escritorio de Grissom e o avisam que conseguiram achar o ip de onde foi enviado o video para Sara e Catherine.

GG: De onde?

WB: Veio da recepção de um motel perto da strip que vem a ser o mesmo onde esta residindo o Ted.

Grissom sentiu um nó se apertar no estômago. O quebra-cabeça, que antes parecia um caos de peças soltas, estava finalmente revelando um padrão sinistro, mas que trazia uma ponta de traição interna que ele não esperava.

— O motel do Ted? — Grissom repetiu, levantando-se da cadeira. Ele olhou para o monitor onde Archie exibia o mapa de geolocalização. — O Ted da manutenção? Aquele que vive tentando falar com a Sara pelos corredores?

— O próprio — confirmou Warrick, cruzando os braços com uma expressão de desgosto. — O sinal veio da recepção do motel onde ele está morando desde que chegou a Las Vegas. Alguém usou a rede do local para disparar os vídeos para a Sara e para a Catherine no horário exato em que o turno dele acabava aqui no laboratório.

Como funcionário da manutenção, Ted circulava pelo prédio sem levantar suspeitas. Ele poderia ter ouvido conversas, visto Grissom saindo com Heather ou até mesmo ter tido acesso a áreas restritas.

Ted nunca aceitou o fato de Sara ter construído uma vida com Grissom. Ele era uma ferida aberta no passado dela que agora parecia estar supurando.

— Archie — Grissom disse, a voz fria e cortante. — Quero os registros de acesso do cartão do Ted no laboratório nas últimas 48 horas. Quero saber se ele entrou na sala dos servidores ou perto do meu escritório enquanto eu estava fora.

— Já estou nisso, chefe — respondeu Archie, os dedos voando pelo teclado. — E Warrick, consiga as imagens das câmeras do motel. Se o Ted enviou isso, eu quero a prova visual de que foi ele quem apertou o "enviar".

WB: Vou solicitar um mandado solicitando as imagens.

— Vamos até esse motel. Eu quero olhar nos olhos do homem que acha que pode usar a minha vida pessoal como ferramenta de manutenção. Warrick, chame o Brass. Se o Ted tiver qualquer prova física ou digital, nós vamos encontrar.

Warrick colocou a mão no ombro de Grissom, exercendo uma pressão firme, impedindo que o supervisor desse mais um passo em direção à saída. O olhar de Warrick era de pura razão contra o impulso de Grissom.

— Grissom, para. Respira — disse Warrick, a voz baixa mas autoritária. — Se você aparecer naquele motel agora, sem um mandado e com sangue nos olhos, qualquer evidência que encontrarmos vai ser derrubada no tribunal. O Ted é um rato, mas ele conhece o sistema por trabalhar aqui.

Grissom apertou o maxilar, o rosto tenso.

GG: Ele me filmou com Heather, burro foi eu de fazer aquela merda, mas enviar para Sara foi cruel...

— E é por isso que vamos pegá-lo — rebateu Warrick. — Agora são seis e meia da manhã. O turno da manutenção começou faz vinte minutos. O Ted já bateu o cartão e está em algum lugar deste prédio com um esfregão na mão, achando que é invisível.

Warrick apontou para a porta. — Vai para casa. O Augusto deve estar acordando agora. Leve seu filho para a escola, tome um café de verdade e tente agir como se nada tivesse acontecido. No próximo plantão, quando o mandado para o quarto do motel estiver assinado e o Ted baixar a guarda aqui no laboratório, nós pegamos o "bonitinho" com tudo o que temos direito.

Grissom relaxou os ombros minimamente, embora o fogo interno ainda estivesse aceso. Ele sabia que Warrick tinha razão. A melhor arma contra um sabotador interno era o elemento surpresa.

Grissom chegou em casa e encontrou Augusto já vestido, sentado à mesa com Beth. O menino olhou para o pai com curiosidade.

— Papai? Você não ia trabalhar até tarde?

— Mudei de ideia, filho — Grissom forçou um sorriso, aproximando-se e bagunçando o cabelo do menino. — Achei que o meu ajudante favorito precisava de uma carona especial para a escola hoje.

O corredor do laboratório, normalmente um lugar de segurança, tornou-se um campo minado para Ted. Ele segurava o carrinho de limpeza, tentando se misturar às sombras, quando o eco das vozes de Hodges e Mandy o fez congelar.

— ...e o Archie não é de errar, Mandy — dizia Hodges, com aquele tom de superioridade de sempre. — Ele rastreou o IP direto para aquele motel fuleiro na Strip. O Grissom está uma fera. Parece que o culpado está com os minutos contados antes do Brass derrubar a porta.

Ted sentiu um suor frio escorrer pelas costas. O pânico, que ele vinha tentando conter desde que enviara os arquivos, explodiu. Ele largou o carrinho no meio do corredor e caminhou apressado em direção aos fundos, entrando em uma sala de suprimentos vazia. Com as mãos trêmulas, ele discou o número de Anthony.

— Anthony! Eles sabem! — Ted sussurrou, a voz embargada pelo medo. — O Archie rastreou o sinal do motel. O Hodges está espalhando pelo laboratório que o Grissom já sabe de tudo. Eu preciso sair daqui agora!

Do outro lado, a voz de Anthony Hentz soou fria e calculista, sem qualquer traço de surpresa.

— Mantenha a calma, Ted. Se você correr agora, vai parecer culpado antes mesmo de eles chegarem perto de você. Mas, se o rastro já chegou ao motel, sua utilidade lá acabou. Largue tudo e venha para a casa da Heather. Aqui você está sob proteção. Saia pelos fundos, pegue a saída de serviço. Eu mando um carro te buscar no posto da esquina. Venha para cá. Temos que decidir o que fazer com as "outras provas" que você guardou.

Ted desligou, limpando o suor da testa. Ele tirou o uniforme de serviço, revelando uma roupa comum por baixo, e deixou o crachá sobre um balde de limpeza. Ele sabia que, assim que cruzasse aquela porta, não haveria mais volta.

Enquanto isso, na sala de monitoramento, Warrick franziu o cenho ao olhar para a tela.

— Archie, você viu o Ted? Ele acabou de abandonar o carrinho no corredor 4 e entrou no almoxarifado. Ele está demorando demais lá dentro...

A tensão na mansão de Lady Heather era palpável. O ambiente, que geralmente exalava um controle absoluto e silencioso, agora estava carregado pela urgência do crime comum, algo que Heather sempre desprezou.

Anthony desligou o celular e encarou Heather, que estava de pé junto à janela, observando os jardins impecáveis.

— O Ted está vindo para cá — anunciou Anthony, guardando o aparelho no bolso. — Ele foi exposto. O rastro do IP no motel foi descoberto pelo Archie.

Heather virou-se lentamente, a expressão gélida. O desdém em seus olhos era evidente.

— Eu não sou uma guardiã de ratos de laboratório, Anthony — disse ela, a voz baixa e perigosa. — Trazer um funcionário da manutenção, um viciado instável, para dentro da minha casa é cruzar uma linha que eu não autorizei. Ele é um amador. E amadores cometem erros que a estética desta casa não tolera.

Anthony deu um passo à frente, mantendo o tom de voz firme. Ele sabia que precisava apelar para a única coisa que importava para ela agora: o controle sobre Grissom.

— Ele não é apenas um amador, Heather. Ele é o homem que segurou o esfregão enquanto eu enviava o vídeo bomba naquele laboratório. Ele sabe exatamente como o exame do Grissom foi adulterado. Ele viu o acesso, ele conhece os horários, todo o plano. Se o Brass colocar as mãos no Ted, em dez minutos de interrogatório ele entrega a fraude, e em vinte minutos a polícia derruba esses portões com um mandado de prisão para nós dois.

Heather estreitou os olhos. O risco era real. A ciência de Grissom era a base da fé dele; se a prova de que a "fé" foi manipulada caísse nas mãos de Sara Sidle, o plano de separação desmoronaria... ou não, dependendo das merdas que Grissom falou para ela, mas...

— Ele sabe demais — continuou Anthony. — Ted é a prova física da mentira que você contou para o Grissom. Se ele cair, o Grissom volta para a Sara antes mesmo dela terminar o curso em Washington.

Heather respirou fundo, o peito subindo e descendo com uma indignação contida. Ela caminhou até o bar e serviu-se de um xerez.

— Que ele entre pelos fundos — ela sentenciou, sem olhar para Anthony. — E deixe claro para ele: se ele abrir a boca para qualquer pessoa que não seja você, eu mesma farei com que ele sinta o peso de uma punição que nenhum manual de perícia consegue descrever.

Warrick percebe que Ted está tentando fugir e avisa Nick. Eles precisam interceptá-lo antes que ele saia do perímetro do laboratório, mas sem causar um escândalo na frente de outros funcionários.

O clima de urgência dentro da viatura era sufocante. Nick Stokes socou o volante com frustração enquanto o caminhão de lixo terminava de manobrar lentamente, bloqueando a visão da saída de serviço por onde o carro velho de Ted havia desaparecido.

— Droga! — Nick exclamou, os olhos percorrendo freneticamente as ruas laterais. — Ele planejou isso. Ele sabia exatamente o horário da coleta. Parece que ele seguiu pela sul da Drive, Vartan!

Vartan já estava com o rádio na mão, a voz firme e profissional, mas carregada de tensão:

— Central, aqui é Vartan. Suspeito em fuga em um sedan cinza, placa de Nevada, saindo do perímetro do laboratório pela Sul. Ele é um funcionário da manutenção, possivelmente armado de informações sensíveis. Iniciem o monitoramento das câmeras de tráfego na zona 4.

Ted, enquanto isso, dirigia suando frio, o coração batendo na garganta. Ele pegou o celular e mandou uma mensagem curta para Anthony:

"Estou na Sul. O caminho está limpo. Pode me buscar."

O tabuleiro de xadrez em Las Vegas sofreu uma reviravolta técnica que nem o mais otimista dos peritos esperava. Enquanto Ted era resgatado por Anthony e levado para o refúgio na mansão de Heather, o rastro deixado para trás era uma armadilha ou talvez, um ato falho de um homem desesperado.

Nick e Vartan chegaram ao local onde o sedan cinza foi abandonado: um beco sem saída no extremo norte da cidade, exatamente na direção oposta à zona residencial de luxo.

O carro estava com a porta do motorista entreaberta e o motor ainda quente. Nick aproximou-se com a lanterna, enquanto Vartan garantia o perímetro.

— Ele não fugiu por aqui, Vartan. Isso foi uma manobra de despiste — Nick observou, apontando para o banco do carona. — Mas olha o que o "bonitinho" esqueceu na pressa.

Sobre o banco, havia um tablet e um drive USB com uma etiqueta escrita à mão: "Seguro". Nick não esperou. Conectou o dispositivo ao seu laptop de campo sob a supervisão remota de Archie.

No laboratório, Archie processou os arquivos e o que apareceu na tela fez o ar sumir da sala de Grissom. Era o vídeo bruto, sem as edições, cortes ou efeitos de sombra que Anthony havia inserido para Sara e Catherine.

Grissom e Heather apareciam em um momento de intensa proximidade. Os amassos eram reais, carregados de uma tensão antiga e mal resolvida.

No momento em que a cena parecia caminhar para o ato final, o vídeo mostrava Grissom se afastando abruptamente. Ele passava as mãos no rosto, visivelmente perturbado, e dizia algo que o áudio original agora captava com clareza: "Eu não posso fazer isso. Eu não sou esse homem, Heather. E você sabe disso."

Heather permanecia estática, observando Grissom pegar o casaco e sair pela porta. O vídeo continuava por mais cinco minutos, mostrando Heather sozinha, com um olhar que misturava fúria e humilhação.

Grissom olhou para a tela, sentindo um peso colossal ser retirado de seus ombros, seguido imediatamente por uma onda de fúria por ter sido tão facilmente manipulado por uma edição bem feita.

Grissom sussurrou para si mesmo, mas todos na sala ouviram. — Eu sabia... meu instinto me dizia que eu não tinha ido até o fim, mas o vídeo editado me fez duvidar da minha própria memória.

Warrick bateu no ombro do amigo. — Você foi vítima de um "deepfake" de baixa tecnologia e alta psicologia, Grissom. O Ted guardou o original para chantagear depois.

O balde de água fria jogado por Catherine trouxe Grissom de volta à realidade técnica e jurídica. Na sala de perícia, enquanto as imagens do vídeo verdadeiro ainda brilhavam no monitor, a voz de Catherine soou firme e pragmática, como a de uma supervisora que não pode se dar ao luxo de ser emocional.

— Grissom, olhe para a evidência com os olhos de um perito, não de um marido — disse Catherine, apontando para a tela. — O vídeo prova que você não dormiu com ela, mas prova que você trocou saliva e mãozinhas bobas com ela. Porém, legalmente, ele não coloca uma algema sequer na Heather.

Catherine começou a listar as lacunas que o vídeo não preenchia:

O vídeo estava no carro do Ted. O IP do envio era do motel do Ted. Para um juiz, isso aponta apenas para uma vingança pessoal de um ex-namorado obcecado e amargurado.

O fato de Heather estar no vídeo não a torna cúmplice de quem o editou ou enviou. Ela pode alegar que também foi vítima de uma gravação clandestina feita pelo "limpador" do laboratório.

— Até agora, não temos uma mensagem, um pagamento ou um registro de chamada que ligue a Heather ao Ted — continuou Catherine. — Sem o depoimento dele ou uma prova de transação financeira, ela continua sendo apenas a mulher que você beijou e que, por "acaso", teve sua privacidade invadida por um funcionário da manutenção.

Grissom apertou os olhos, sentindo a frustração borbulhar. No tribunal da lei, Heather permanecia intocável em seu castelo.

— O Ted não agiria sozinho, Cath — Grissom insistiu. — Ele é um técnico de manutenção, não um gênio da edição digital. Ele não teria os meios para criar aquele deepfake sem ajuda.

— Nós sabemos disso — rebateu Catherine. — Mas o Ted agora é um fugitivo. Ele sumiu do mapa. Se ele chegar ao esconderijo de quem o está protegendo, ele será silenciado ou enviado para fora do estado.

GG: Então o certo agora é esperar e ver o próximo passo.