NOSTALGIA (VERSÃO 2026)
25 Vídeo Bomba
O perigo agora é invisível e tecnológico. Enquanto Grissom se lamuriava em casa tentando recuperar a dignidade, ele nem imaginava que cada toque, cada beijo e o momento em que segurou Heather no sofá haviam sido registrados pela lente fria da câmera de Anthony.
Anthony jogou o notebook na mesa e conectou a câmera. O arquivo de vídeo era longo, mas ele sabia exatamente o que precisava. Vinte minutos de trabalho e tinha o suficiente: Grissom com a camisa aberta, Heather sobre ele, o beijo, as mãos, o inicio da relação sexual... que fora interrompida, mas ele não estava nem aí. O que aconteceu antes já era conteúdo, era mais do que suficiente para o que precisava.
Na sala de Heather, o clima era de celebração sombria. Anthony saiu das sombras, guardando o equipamento com um sorriso cínico no rosto.
— Agora que o pato caiu, podemos agir para pegar o meu dinheiro — afirmou ele, já pensando no lucro que a destruição daquele casamento traria.
Heather, recompondo-se e voltando à sua postura de controle, retrucou: — A guarda definitiva do Augusto ainda não foi dada, então a Sara não pode simplesmente sair da casa agora. Mas assim que a separação for sacramentada, o caminho estará livre para nós.
— Pode ter certeza de que tenho uma ideia para apressar isso — disse Anthony, os olhos brilhando com uma malícia renovada.
— O quê? — questionou Heather, curiosa.
— Espere e verá!
Dois se passaram desde a fatídica discussão. Sara entrou em casa em silêncio, segurando a mão de Augusto com um cuidado quase automático. O menino falava alguma coisa sobre o dia, mas ela apenas respondia com pequenos acenos e sorrisos fracos, claramente distante.
Assim que a porta se fechou, ela respirou fundo, como se estivesse tentando reunir forças para não desmoronar na frente dele.
— Vai tomar um banho, meu amor… depois a gente vê um desenho, tá? — disse, forçando suavidade na voz.
Augusto assentiu e correu pelo corredor.
Grissom estava em casa, mas foi para o quarto quando ouviu a chave na porta, como se precisasse de tempo para se preparar para qualquer coisa.
Não precisou. Sara não bateu na porta. Não passou pelo corredor. Foi direto para o escritório com a mala pequena e fechou a porta com cuidado.
Sara organizou o espaço com a eficiência de quem já tinha feito isso antes em situações difíceis. Colchão inflável no canto.
Eles se encontraram sem querer. Sara foi buscar água para Augusto e Grissom estava preparando café, de costas para a porta.
Dois segundos de silêncio absoluto.
Sara abriu a geladeira, pegou a garrafinha do menino, e saiu sem dizer uma palavra. Logo se encontrariam de novo no laboratório.
Grissom ficou com a xícara na mão, olhando para o café que tinha perdido completamente o sentido.
Grissom chegou mais cedo do que o necessário. Nick notou mas não disse nada num primeiro momento. Só quando os dois estavam sozinhos na sala de evidências é que o texano falou, sem levantar os olhos do material que examinava:
NS: Tá bem?
GG: Estou trabalhando, Nick.
NS: Eu sei. Por isso perguntei.
Grissom não respondeu. Nick não insistiu. Mas trocou um olhar rápido com Warrick quando o supervisor saiu da sala.
Catherine estava em seu escritório quando o arquivo chegou. Ao dar o play, o sangue lhe fugiu do rosto. As imagens eram granuladas, mas inconfundíveis: Grissom e Heather em uma intimidade que ela jamais imaginou ver vindo de seu amigo. Tomada por uma mistura de lealdade a Sara e uma fúria protetora, ela saiu da sala como um furacão, mas Anthony já havia garantido que o estrago fosse múltiplo.
No laboratório de DNA, Sara estava debruçada sobre o computador com Ecklie, discutindo os parâmetros de uma análise técnica. O clima era profissional e focado, até que uma notificação de mensagem saltou na tela principal, espelhada no monitor de alta definição.
— O que é isso, Sara? — perguntou Ecklie, franzindo o cenho enquanto o vídeo começava a carregar automaticamente devido às configurações do sistema.
Nesse exato momento, Greg entrou correndo na sala, ofegante. Ele tinha visto Catherine saindo da sala transtornada após ver um vídeo e percebeu que algo terrível estava circulando. — Sara! Não abre isso! Ecklie, desliga o monitor! — gritou Greg, saltando em direção à mesa.
Tarde demais.
As imagens de Grissom e Heather no sofá preencheram a tela. O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor. Ecklie desviou o olhar, visivelmente desconfortável, enquanto Greg paralisou a poucos centímetros do teclado.
Sara sentiu como se o chão tivesse desaparecido. Seus olhos ficaram fixos na imagem de Gil, o homem que a acusara de traição dois dias antes, entregue aos braços da mulher que ela sempre soube ser a maior ameaça ao seu casamento. A náusea da gravidez voltou com força total, mas desta vez acompanhada de uma dor que parecia rasgar sua alma.
— Sara... eu sinto muito... — sussurrou Greg, finalmente conseguindo fechar a janela do vídeo.
Ela não respondeu. Estava pálida, com a respiração curta. Catherine entrou na sala logo em seguida, os olhos marejados, e viu pela expressão de Sara que o segredo havia explodido da pior forma possível.
Grissom, que estava no escritório de Brass, retornava ao laboratório naquele exato momento, sem ter ideia de que sua noite de fraqueza agora era de conhecimento público. Ao entrar no corredor principal, ele deu de cara com Catherine e Greg saindo da sala de DNA, amparando uma Sara que parecia prestes a desfalecer.
O olhar que Sara lançou para ele não era de raiva, mas de um vazio absoluto.
— Sara? — Grissom começou, dando um passo à frente. — O que houve?
Catherine se colocou na frente dele, com o celular na mão, exibindo a imagem congelada do vídeo. — Como você pôde, Grissom? Depois de tudo o que ela está passando... Como você teve coragem?
O clima no laboratório era de linchamento moral. O vídeo, editado por Anthony, mostrava apenas os momentos de maior entrega, cortando exatamente antes de Grissom recuperar a lucidez e ir embora. Para quem assistia, a traição era um fato consumado.
Al Robbins, com toda a sua calma e experiência, examinou Sara em uma sala reservada. Após conferir a pressão e os batimentos fetais, ele suspirou, lançando um olhar compassivo para ela.
— Fisicamente, você e o bebê estão bem, Sara. Mas o seu nível de cortisol está altíssimo. É puro estresse — diagnosticou Al, guardando o estetoscópio. — Você precisa sair daqui agora.
Ecklie, tentando manter o mínimo de ordem no departamento, foi categórico: — Nick, leve a Sara para casa. Ela está fora da escala por tempo indeterminado. E Grissom... — Ecklie olhou para o supervisor com uma mistura de decepção e autoridade — ...você fica. Temos muito o que conversar.
Nick amparou Sara pelo corredor. Ela caminhava como um autômato, recusando-se a olhar para os lados, enquanto os colegas desviavam o olhar em um silêncio constrangedor.
No centro do laboratório, Grissom estava cercado por Catherine, Greg e um Ecklie implacável. Ele tentava falar, mas as palavras pareciam vazias diante das imagens que ainda ecoavam nas telas.
— Catherine, por favor, me ouça! — Grissom suplicou, a voz trêmula. — Sim, eu fui até lá. Eu estava bêbado, estava desesperado com o resultado dos exames... mas eu não dormi com ela! Eu parei! Eu saí daquela casa logo depois do que vocês viram!
— O vídeo não mostra você saindo, Grissom — rebateu Catherine, com uma dureza gélida. — Mostra você no sofá com a mulher que tentou destruir a Sara. Você a acusou de traição por causa de um beijo que ela nem retribuiu, por causa de um exame, que tenho certeza que é falso, e agora aparece isso?
— É uma armação! Alguém filmou isso, vocês não percebem? — Grissom tentou apelar para a lógica forense.
Sério que agora que você quer meter essa depois de tudo que acusou Sara?? Falou uma irritada Catherine.
— Grissom, chega — interrompeu Ecklie. — No momento, a única evidência que temos é o seu comportamento inadequado com uma pessoa ligada a casos anteriores, dentro de um contexto de crise familiar. Vá para o meu escritório. Agora.
Nick deixou Sara em casa e insistiu em ficar até que ela se acalmasse, mas ela pediu para ficar sozinha com Augusto. Quando o filho a viu chegar mais cedo, correu para abraçá-la, sentindo que algo estava errado.
— Mamãe, você está chorando? Onde está o papai? — perguntou o menino, com a inocência que partia o coração de Sara.
— O papai está trabalhando, querido... — ela mentiu, a voz embargada. — A mamãe só precisa descansar um pouco.
Enquanto Augusto ia para o quarto brincar, Sara sentou-se à mesa da cozinha tomando chá. Estava realmente com o coração destroçado.
Grissom entrou na sala de Ecklie já com a sensação de que não seria uma conversa simples. O tom do chamado, seco e direto, dizia tudo.
Conrad Ecklie estava de pé, próximo à janela, com um documento nas mãos. Não perdeu tempo.
— Recebi um pedido do FBI — começou, virando-se lentamente. — Eles querem um dos nossos peritos em um curso de especialização. Duração: um mês.
Grissom franziu a testa, já antecipando que aquilo não era apenas uma oportunidade qualquer.
— E…?
Ecklie colocou o documento sobre a mesa.
— Vou enviar a Sara.
Grissom ficou parado na frente da mesa do diretor processando o que tinha acabado de ouvir.
GG: Você vai mandar Sara para um curso do FBI?
CE: Por um mês. É uma oportunidade real, chegou ontem o pedido. Normalmente eu mandaria você, mas nas circunstâncias atuais...
GG: Nas circunstâncias atuais você está me punindo?!
CE: (sem se alterar) Estou protegendo o meu laboratório. E uma funcionária que não merece ter sua vida pessoal discutida em cada corredor desse prédio. (pausa) Você sabe que já estão falando, Grissom.
Grissom não respondeu porque sabia que era verdade.
CE: O memorando vai sair hoje. Qualquer funcionário que for pego alimentando fofoca sobre esse assunto vai responder diretamente a mim. (juntou as mãos sobre a mesa) E você vai falar com Sara hoje mesmo sobre o curso. Não eu. Você.
GG: Conrad...
CE: Estou fazendo isso por Augusto, Grissom. (primeira vez que o olhou diretamente) Aquele menino não tem culpa de nada. E quando ele crescer, vai precisar que os dois sejam adultos funcionais. Começa agora.
Grissom respirou fundo, passando a mão pelo rosto.
— Você acha que mandar a Sara embora por um mês resolve?
— Não é “mandar embora” — corrigiu Ecklie. — É dar espaço. Para ela. Para você. Para todo mundo.
O silêncio voltou a se instalar.
— É o melhor para ela, Grissom — Ecklie interrompeu. — Sara precisa de distância de você, da Heather e de todo esse clima tóxico. No FBI, ela terá foco em algo que não seja o desmoronamento da vida pessoal dela.
Ecklei deixou para Grissom informar para a perita sobre o curso. No plantão seguinte, Grissom ficou parado no corredor com o papel do curso na mão. Quatro semanas em Quantico. Sara ia adorar em outras circunstâncias. O supervisor pediu para Hodges chama-la até seu escritório.
A morena bateu na porta do escritório onde ele estava analisando relatórios.
SS: Posso entrar?
Grissom levantou os olhos brevemente.
GG: Pode sim.
Ela entrou, fechou a porta, e ele colocou o papel na frente dela.
GG: Ecklie recebeu um pedido do FBI. Curso de um mês em Quantico. Ele quer te enviar.
Sara parou. Olhou para o papel sem tocá-lo.
GG: (mais baixo) Você não precisa aceitar se não quiser. Mas ele acha primordial que você vá.
SS: (voz neutra) Quando começa?
GG: Semana que vem.
Sara ficou em silêncio por um momento, os olhos no papel.
SS: E Augusto?
GG: Eu fico com ele com ajuda da minha mãe!!
Sara finalmente olhou para ele. Foi rápido, apenas um segundo, mas Grissom viu tudo que ela estava segurando naquele olhar.
SS: Ecklei tem razão. Preciso ficar longe daqui por um tempo.
Na manhã seguinte, Sara arrumava uma mala pequena, com movimentos lentos e olhos inchados. Augusto a observava da porta, confuso.
— Você vai viajar, mamãe? — perguntou o menino.
— É só por um tempinho, meu amor. A mamãe vai aprender coisas novas para prender os vilões — ela forçou um sorriso, ajoelhando-se para abraçá-lo. — A vovó vai cuidar de você, tá bom?
Anthony Hentz recebe a notícia da fofoca do laboratório por meio de seus contatos. Para ele, o envio de Sara para Washington era a oportunidade perfeita.
— Heather, o Ecklie mandou a Sara para o FBI por um mês — disse Anthony, rindo enquanto limpava a lente de sua câmera. — Isso é melhor do que eu planejei. Grissom vai ficar aqui sozinho.
Heather somente ri.
O confronto aconteceu no jardim da casa de Heather, sob a luz pálida dos postes de rua. Grissom não tinha mais o olhar perdido do homem embriagado de dias atrás; agora, o que restava era a frieza de um homem que foi humilhado em frente sua equipe.
Heather sustentou o olhar, mantendo uma expressão de serenidade que beirava o cinismo.
— Heather, filmar nossos amassos e enviar para a Sara foi de uma extrema baixeza — disparou Grissom, a voz vibrando com uma raiva contida. — Você cruzou uma linha que nem eu achei que você cruzaria. Eu posso estar separado, mas ainda somos casados. Ainda sou o marido da Sara e o pai do Augusto.
Heather deu um passo à frente, diminuindo a distância entre eles. — Gil, você realmente acha que eu me prestaria a um papel tão vulgar? — ela perguntou, com a voz aveludada. — Eu estava entregue ao momento... você também estava.
— Não tente me manipular de novo — Grissom interrompeu, apontando o dedo de forma acusatória. — Aquele vídeo foi editado. Ele corta no momento em que eu recuperei o juízo. Quem estava na casa, Heather? Quem você deixou entrar para nos vigiar como animais em um laboratório?
Heather soltou um suspiro entediado, caminhando até uma pequena estátua no jardim. — Você está procurando um culpado externo para aliviar sua consciência, Gil. A verdade é que você veio até mim porque ela te traiu. Você veio porque o seu corpo sabe que eu sou a única que não te cobra perfeição.
Grissom não responde, deu as costas, deixando Heather sozinha.
O som do carro de Grissom se afastando ainda ecoava na rua quando Anthony saiu das sombras da varanda, batendo palmas lentamente com um deboche evidente.
— O "Homem-Inseto" parece que criou espinhos, Heather — Anthony comentou, guardando o celular no bolso.
Heather nem sequer se virou. Ela continuou observando a escuridão por onde Grissom partira, com um olhar gélido e calculista. Ela ajeitou o roupão de seda, exibindo uma calma que contrastava violentamente com a fúria que Gil acabara de demonstrar.
— Grissom é um homem de lógica, Anthony, mas a lógica dele é escrava das evidências que nós fornecemos — ela disse, com a voz carregada de uma confiança inabalável. — Deixe que ele se sinta culpado, deixe que ele grite sobre "ser o marido da Sara". No fundo, ele está quebrado. E um homem quebrado sempre volta para quem conhece suas rachaduras.
Ela caminhou até a mesa de canto, servindo-se de mais um pouco de vinho, e olhou para Anthony com um sorriso de predadora.
— Ele pensa que recuperou a lucidez, mas ele apenas prolongou a agonia. Com a Sara em Washington, cercada pelas dúvidas que plantamos, o isolamento vai fazer o trabalho pesado por nós. Eu vou dobrá-lo, Anthony. Centímetro por centímetro.
Ela fez uma pausa, os olhos brilhando com uma obsessão antiga.
E logo, logo, ele não estará apenas batendo na minha porta para discutir. Ele estará na minha cama, procurando o consolo que a "perfeita" Sara Sidle não pode mais dar a ele.
Anthony riu, sentando-se no sofá onde, minutos antes, o escândalo fora gravado. — E enquanto você se diverte com o corpo dele, eu me divirto com as contas bancárias que a separação vai abrir. Temos um acordo.
Enquanto Grissom dirigia pela noite, atormentado pela culpa e pela dúvida, a cena na sala de Lady Heather tomava um rumo completamente diferente e muito mais sombrio.
Longe da máscara de "ombro amigo" e conselheira que usava para manipular o supervisor, Heather não perdeu tempo. A adrenalina do confronto com Grissom e o sucesso da armadilha pareciam ter despertado nela um apetite perverso por poder e controle.
Anthony, que ainda saboreava a vitória de ter gravado o vídeo, guardou o celular e aproximou-se dela com um sorriso convencido.
— Você foi brilhante lá fora, Heather. O modo como você o mantém na palma da mão é quase artístico — comentou ele, passando a mão pelo ombro dela. — Mas agora que o "marido fiel" foi embora, acho que merecemos celebrar o progresso do nosso investimento.
Heather olhou para Anthony não com afeto. Para ela, Anthony era o cúmplice necessário, o músculo e a técnica por trás da sabotagem tecnológica.
— O dinheiro é o seu combustível, Anthony. — ela respondeu, a voz rouca. — Mas você tem razão... a noite ainda é jovem.
Sem hesitação, Heather envolveu Anthony em um beijo carregado de malícia. O que se seguiu foi uma entrega puramente física e estratégica. No quarto de Heather, os dois cúmplices selavam sua aliança da forma mais carnal possível.
Tinha virado rotina não oficial. Ninguém combinou em voz alta, simplesmente aconteceu de forma automática, como só acontece entre pessoas que trabalham juntas há anos e se conhecem de verdade.
Nick levava os relatórios de campo para Sara nas segundas e quartas. Warrick nas terças. Greg, que normalmente evitava qualquer coisa que cheirasse a conflito interpessoal, surpreendeu a todos e se voluntariou para as quintas.
Greg: (para Nick, em voz baixa na sala de descanso) Alguém tinha que fazer as sextas também.
NS: Eu faço as sextas.
Greg: Você já faz segunda e quarta.
NS: (cruzou os braços) E daí?
Greg não respondeu mas anotou mentalmente que Nick Sanders quando resolvia proteger alguém, protegia de verdade.
Sara notava tudo. Sabia exatamente o que a equipe estava fazendo e por quê. Na primeira semana quis recusar, dizer que conseguia se virar, que não precisava de escudo humano.
Não disse nada.
Porque havia dias em que o simples fato de não ter que cruzar com Grissom no corredor era a diferença entre conseguir terminar o turno ou não.
Ele via o esquema da equipe e não disse nada também.
O que ia dizer?
Numa tarde de quarta feira ficou parado na janela da supervisão observando Sara conversar com Nick lá embaixo no corredor. O texano disse alguma coisa que fez ela dar uma risada rápida, o primeiro sorriso que Grissom via nela em dias.
Sentiu algo apertar no peito que não soube nomear direito.
Brass apareceu do nada ao lado dele com dois cafés, entregou um sem cerimônia.
JB: Bonita vista daqui.
GG: Jim...
JB: Estou falando do corredor em geral. (tomou um gole) Péssimo café esse aqui.
Ficaram os dois em silêncio por um momento.
JB: Você sabe que a equipe toda acha que você errou feio.
GG: Eu sei.
JB: (virou para ele) E você? O que você acha?
Grissom olhou para o café na mão sem responder imediatamente. Lá embaixo Sara tinha voltado para a sala de evidências e Nick seguia o corredor com as mãos no bolso.
GG: (baixinho) Acho que cometi um erro que não sei se tem conserto.
Brass não respondeu. Às vezes a função de um bom amigo é só não discordar.
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