NOSTALGIA (VERSÃO 2026)
8 Quando os Monstros "quase" se Encontram
— Reno — Hotel de Beira de Estrada — Horas Antes
A estrada havia sido longa o suficiente para que o silêncio dentro do carro deixasse de ser confortável e passasse a ser o tipo que pesa.
Augusto havia dormido a maior parte do trajeto, o cansaço do dia, da despedida apressada tendo cobrado seu preço com a naturalidade da infância que ainda não aprendeu a fingir que está bem quando não está.
Mary olhava pela janela.
Anthony dirigia.
O hotel de beira de estrada apareceu como aparecem todos os hotéis de beira de estrada sem aviso, com um letreiro que prometia mais do que o prédio entregava. Anthony entrou no estacionamento sem consultar Mary, e ela não fez perguntas.
Já havia passado da hora de fazer perguntas cujas respostas ela não queria ouvir.
O quarto era o que era: duas camas, uma televisão, o cheiro padrão de lugar que recebe muita gente e não guarda nenhuma delas.
Augusto jogou a mochila na cama com a energia de criança que dormiu no carro e acordou desorientada mas disposta.
— Tem piscina aqui?
— Amanhã a gente vê, filho. — Anthony já estava com o casaco de volta. — Vou até a farmácia. Você quer alguma coisa, Mary?
Ela estava sentada na beira da cama, as mãos no colo.
— Não. — Uma pausa. — Aliás, traz um remédio para dor de cabeça.
— Certo. Algo para comer? Está com fome?
— Eu não. — Ela olhou para Augusto, que estava examinando o controle remoto com interesse desproporcional. — Mas traz um lanche para o Augusto. Ele não comeu nada direito hoje.
Anthony saiu.
A farmácia ficava a dois quarteirões.
Ele comprou o remédio para dor de cabeça de Mary.
Comprou um lanche.
E comprou sedativos — com a praticidade de quem adiciona um item à lista sem deixar que o peso do que está fazendo apareça no rosto.
Na lanchonete ao lado, Mark já estava numa mesa do fundo, com dois copos na frente e aquela postura de quem chegou antes para garantir que ninguém sentasse perto.
Anthony se sentou sem cumprimentar.
— Nosso esquema foi descoberto. — Mark foi direto, a voz baixíssima. — Destruíram o escritório. Foi recado claro — eles sabem quem somos e estão nos dizendo que sabem.
— E o que estamos fazendo, Mark?? Entendemos o recado — Anthony tamborilou os dedos na mesa. — Estamos saindo de Vegas.
— Não é suficiente. Precisam de mais do que distância. — Mark o olhou. — Precisamos desaparecer de verdade.
O silêncio durou um momento.
Anthony olhou para o copo na sua frente.
— Tem como você levar esse shake de chocolate para o Augusto? — A voz saiu casual, como se estivesse pedindo um favor pequeno. — É o lanche dele.
Mark ergueu uma sobrancelha.
— Levo. — Pegou o copo sem questionar. — E a Mary?
— Aproveita e me faz um favor — chama ela aqui.
Mark se levantou com o shake de chocolate e foi em direção ao hotel.
Augusto recebeu o shake com a satisfação de quem não havia comido desde o almoço e não estava mais no humor de reclamar disso.
Mary foi chamada por Mark — Anthony quer que você vá à lanchonete — e foi, deixando Augusto no quarto com Mark.
Na lanchonete, Mary sentou em frente ao marido.
Anthony a olhou por um momento — e havia algo no jeito que ele olhava que ela não reconheceu completamente. Algo calculado que não estava lá quando se casaram.
Ou estava, e ela havia escolhido não ver.
— Vamos precisar fazer adaptações na viagem. — Ele começou, devagar, pesando cada palavra. — Não sei se conseguiremos seguir com Augusto nos acompanhando.
Mary ficou imóvel.
— O quê?
— É uma situação complicada, Mary. Com ele, somos mais visíveis. Mais fáceis de rastrear. Uma família chama atenção de um jeito que dois adultos não chamam.
— Ele é nosso filho. — A voz saiu baixa, com uma contenção que era mais assustadora do que grito teria sido. — Não é um material descartável, Anthony.
— Não estou dizendo isso.
— Está dizendo exatamente isso.
Anthony olhou para a mesa por um momento.
— Entrei nessa de adoção por você. — A frase saiu com uma frieza que fez Mary prender a respiração. — Mas chegamos num momento em que temos que fazer escolhas dolorosas.
O silêncio que se seguiu tinha a qualidade de algo quebrando — não de uma vez, mas com aquele estalo lento e irreversível de estrutura que cede.
— Não acredito que estou ouvindo isso. — Mary se levantou levemente, as mãos na mesa. — Você não ama ninguém, Anthony? Ama só a sua conta bancária?
— Amo você. — Ele foi direto, sem hesitar. — Por isso embarquei na questão da adoção. Foi por amor a você, Mary. Nunca foi por mais nada.
Ela ficou parada com aquelas palavras — processando o que havia de honesto nelas e o que havia de cruel, porque às vezes as duas coisas moram na mesma frase.
Anthony empurrou um copo em direção a ela pela mesa.
— Bebe alguma coisa. Você está nervosa.
Mary olhou para o copo.
Estava nervosa. Havia passado o dia inteiro nervosa — e o cansaço e a tensão e as palavras que o marido havia acabado de dizer estavam fazendo o espaço ao redor parecer menor do que deveria.
Ela pegou o copo.
Bebeu.
E continuou de pé, andando de um lado para o outro da pequena lanchonete, a cabeça latejando com tudo que havia sido dito e tudo que ainda precisava ser dito.
Não percebeu quando o latejo começou a ficar mais pesado.
Não percebeu quando os passos começaram a perder a certeza.
Não percebeu porque Anthony havia calculado para que ela não percebesse.
No quarto do hotel, Augusto havia terminado o shake. Estava com o controle remoto na mão, os olhos já pesados, achando que era o cansaço do dia. Não era.
O celular de Anthony vibrou na mesa.
Mark.
Ele atendeu virando levemente o rosto, a voz automáticamente baixando.
— Fala.
— Anthony. — A voz do outro lado tinha aquela qualidade específica de urgência controlada que significa problema real. — Os homens de Sanches estão na cidade. Recebi confirmação agora. Logo, logo chegam ao hotel.
O espaço ao redor de Anthony encolheu um centímetro.
— Sai sem ser visto. — A voz saiu baixa, direta, sem hesitação. — Nos encontra atrás da farmácia. Vamos embora agora.
— Anthony. — Uma pausa. — O garoto está no quarto. Se eu voltar ao hotel pra buscá-lo, vou ser visto por eles.
Silêncio de dois segundos.
— Se quiser viver, vem embora agora. — A voz não tinha tremor nenhum. — Deixa ele pra trás.
— Mas...
Ele desligou.
Ficou com o celular na mão por um momento olhando para a tela apagada com a expressão de quem acabou de tomar uma decisão e está verificando internamente se há algum peso a carregar.
Aparentemente não havia.
Guardou o celular e se levantou.
Mary ainda estava do outro lado da mesa, os olhos levemente pesados sem que ela soubesse ainda o porquê, andando de um lado para o outro havia parado, a tontura chegando em ondas que ela estava atribuindo ao cansaço e à tensão do dia.
— O que aconteceu? — Ela segurou na beirada da mesa para se firmar.
— Vamos precisar ir embora agora. — Ele já estava se movendo em direção à saída. — Mark está vindo pra cá.
— Mas Augusto está no quarto...
— Vamos, Mary!!!!
O carro estava no estacionamento dos fundos.
Mary entrou no banco do passageiro com os movimentos de quem está lutando contra algo que não consegue nomear, os braços pesados, a cabeça latejando de um jeito que havia deixado de ser tensão e estava ficando outra coisa.
Ela olhou pela janela.
Mark vinha em direção ao carro — sozinho.
Sozinho.
— Augusto. — A palavra saiu rouca. — Augusto ainda está no quarto.
— Mary!!!
— Anthony. — Ela se virou para ele com os olhos que ainda focavam, ainda funcionavam, ainda tinham a clareza necessária para ver o que precisava ser visto. — Augusto está no quarto. Não podemos...
Ela colocou a mão na maçaneta.
Ele segurou o braço dela.
Ela lutou com o que havia sobrado de força, com tudo que tinha, tentando abrir a porta, tentando voltar, tentando fazer o que o corpo estava deixando de ter condição de fazer.
— Augusto—
E então o sedativo fez o que havia sido calculado para fazer.
Mary apagou.
O silêncio no carro era do tipo que não tem nome.
Mark entrou no banco de trás ofegante, fechou a porta e olhou para Anthony e para Mary inconsciente no banco do passageiro com uma expressão que era incredulidade e raiva e medo em proporções iguais.
— Você deu sedativos para os dois?? — A voz saiu em fio, controlada pelo esforço de não gritar num estacionamento. — Para ela também??
— Não posso ser atrasado. — Anthony já estava dando a partida. — Precisamos sair daqui rapidamente.
— Anthony. — Mark olhou pela janela traseira em direção ao hotel. — Você largou a criança no quarto. Para o Sanches pegar.
— E dopou sua própria mulher pra ela não conseguir voltar buscá-lo. — A voz de Mark ficou mais baixa, mais pesada. — Você está ouvindo o que está dizendo?
— Estou ouvindo. — Anthony manobrou o carro em direção à saída com a calma de quem está fazendo algo completamente razoável. — E estou saindo daqui com vida, que era o plano.
— O garoto tem sete anos.
— E não é meu filho. — A frase saiu sem volume, sem drama, com a frieza de uma conclusão já tirada há tempo. — Não tem problema o Sanches ficar com ele. Não é minha responsabilidade.
Mark ficou olhando para o perfil de Anthony por um momento longo.
E pela primeira vez em anos de parceria — esquemas, cassinos, dinheiro trocado em lugares discretos, decisões que não eram exatamente limpas mas eram humanas o suficiente para serem carregadas. Sentiu que estava num carro com alguém que não conhecia tão bem quanto havia pensado.
— Você é louco. — A frase saiu baixa, sem raiva. Era constatação.
Anthony não respondeu.
O carro saiu do estacionamento e entrou na estrada escura.
Os homens de Sanches vasculham a cidade até chegarem ao hotel.
A porta do quarto 675 não havia sido arrombada, havia sido aberta com uma chave obtida de um recepcionista que havia tomado a decisão mais inteligente da noite ao não fazer perguntas.
Três homens entraram.
O quarto estava exatamente como Anthony havia deixado: camas desarrumadas, mochila no chão, o controle remoto na beirada da cama e um copo de shake de chocolate vazio na mesa de cabeceira.
E Augusto.
Pequeno demais para a cama grande, os olhos entreabertos com aquela luta específica de quem está tentando acordar e o próprio corpo não está cooperando — o sedativo ainda trabalhando, mas não completamente vitorioso.
O menino os viu entrar.
Assustou — o corpo tentou se mover para trás, para longe, com o instinto de criança que reconhece perigo antes de conseguir nomeá-lo.
— Chefe. — Um dos homens se virou para a porta. — O pai foi embora o deixando.
Augusto piscou. Olhou de um para outro com os olhos que estavam perdendo a batalha contra o sedativo mas ainda — ainda — funcionavam o suficiente para o que precisava.
Ele conhecia uma coisa sobre situações difíceis.
Havia aprendido cedo.
— Moço. — A voz saiu pequena, arrastada, mas direta. — Chama minha tia Sara Sidle. — Uma pausa, a respiração pesada. — Ela trabalha no Laboratório Criminalístico de Las Vegas. Ela... ela vem me buscar.
E então os olhos fecharam.
O silêncio no quarto teve uma qualidade que nenhum dos três homens havia antecipado.
— Lo chico apagou. — O que estava mais perto da cama falou baixo, olhando para o menino com uma expressão que não era de trabalho. — ¿Cómo un padre abandona así a su hijo? ¡Ni siquiera le importaba lo que haríamos con él.
A pergunta ficou no ar sem resposta porque não havia resposta razoável para ela.
Sanches entrou pelo corredor com os passos lentos. Ficou parado na porta do quarto por um momento, olhando para a cama.
Para o menino.
Para o copo vazio.
Para a mochila com o caderno de anotações ainda visível pelo zíper meio aberto.
— Tito. — A voz saiu diferente do que havia sido na estrada — mais pesada, mais séria, com uma camada que não era raiva de homem de negócios mas algo mais próximo de indignação humana. — Existem muitas pessoas horríveis neste mundo.
Ele se virou para os outros dois.
— Vocês. Liguem para o traste do pai do menino.
A ligação foi rápida de conectar.
— Hentz!!
Do outro lado da estrada escura, dentro de um carro com uma mulher sedada no banco do passageiro e um sócio que havia parado de falar, Anthony ouviu a voz e fechou os olhos por um segundo.
Atendeu.
— Estrupício. — A voz de Sanches não era grito — era pior. Era calma com dentes. — Estou com seu filho. Vamos conversar feito homens. Faça o favor de vir buscá-lo.
— Ele é filho da Mary. — A resposta saiu imediata, sem hesitação. — Não meu. Então, obviamente, não vou voltar. — Uma pausa. — Por mim pode ficar com ele.
O silêncio do outro lado durou três segundos.
— Você me deu um prejuízo grande, Anthony. — A voz estava mais baixa agora. — Seja homem. Assuma seu erro. Venha buscar a criança e conversemos.
— Sanches. — Anthony olhou para a estrada à frente. — Eu sei muito bem o que você vai fazer comigo se eu voltar. — Uma pausa. — Então não vou voltar de jeito nenhum. Adeus.
Desligou.
Jogou o celular no painel. E continuou dirigindo.
No quarto 675, Sanches ficou olhando para o telefone desligado por um momento.
Depois olhou para Augusto.
— Chefe. — Tito se aproximou, a voz baixa. — Consegui colocar um rastreador no carro de Hentz antes de sairmos. Com sorte saberemos para onde está indo. — Uma pausa. — E pelo que ouvi antes de chegarmos... Anthony sedou a criança. E a esposa.
Sanches ficou imóvel por um momento.
A expressão que havia no rosto não era de homem que havia perdido dinheiro.
Era de algo mais antigo, mais direto, o tipo de coisa que aparece quando uma linha é cruzada que não tem a ver com negócios.
— A tia que a criança chamou. — Ele virou para Tito. — Sara Sidle. Perita do Laboratório Criminal de Las Vegas.
— Sim, chefe.
— Liga para eles. — A voz saiu decisiva, sem margem. — Chama ela aqui.
Tito piscou.
— Chefe?
— A criança não tem nada a ver com essa história. — Sanches olhou uma última vez para a cama onde Augusto dormia. — Não foi ele que me deu prejuízo. Não foi ele que fez escolha nenhuma. — Ele se virou para a porta. — Ligue para a perita. E cuide do menino até ela chegar.
— E Hentz?
Sanches abotoou o casaco com movimentos calmos.
— Temos rastreador, temos tempo e temos motivo. — A voz estava fria, organizada, de volta ao modo de negócios, mas um negócio diferente agora. — Vamos atrás deste crápula.
Caminhou em direção à saída e parou uma última vez na soleira olhando para o quarto, para o menino.
— Eu não sou igual a ele. — Disse, para ninguém em particular.
E saiu.
— Cabana nas Montanhas — Arredores de Reno —
O rastreador havia funcionado com precisão.
O sinal levou o grupo de Sanches por estradas que foram ficando progressivamente mais estreitas e mais escuras saindo da cidade, subindo pela serra, entrando num tipo de silêncio que Las Vegas nunca tinha e que a noite amplificava.
A cabana apareceu numa curva fechada, luzes acesas, carro estacionado de qualquer jeito na frente, a fumaça fina de uma lareira que alguém havia acendido com a pressa de quem chegou sem planejar ficar.
Anthony havia parado ali.
Sanches fez sinal para os outros sem precisar falar.
Os homens se posicionaram.
O tiroteio começou antes que qualquer negociação fosse tentada e isso dizia tudo sobre o estado de Anthony Hentz naquele momento. Um homem que ainda tivesse algum cálculo racional funcionando teria tentado conversar, comprar tempo, usar Mary como barganha ou Mark como escudo.
Anthony simplesmente atirou.
O que se seguiu durou menos tempo do que pareceu. Tiros de dentro, tiros de fora, a madeira velha da cabana absorvendo impactos com o som específico de estrutura sendo destruída, vidros quebrando, o silêncio súbito que acontece quando munição acaba e os instintos param de mandar.
A quantidade de tiros havia sido absurda.
Sanches ficou parado do lado de fora por um momento depois que o silêncio se instalou — olhando para a cabana que havia recebido impactos suficientes para tornar a sobrevivência de qualquer pessoa lá dentro uma questão de milagre ou matemática muito favorável.
— Entrem. — A voz saiu baixa, cuidadosa.
Os homens entraram.
Sanches esperou do lado de fora.
Ouviu.
Nada.
Depois passos. Depois a voz de Tito, chegando pelo corredor destruído da cabana com um tom que era surpresa e frustração em partes iguais:
— Chefe.
Sanches entrou.
O que encontrou respondeu algumas perguntas e criou outras.
Mary estava no chão. O sedativo que Anthony havia administrado no carro havia feito seu trabalho até o fim. Ela não havia sofrido o tiroteio consciente. Essa era, talvez, a única misericórdia involuntária que Anthony Hentz havia distribuído naquela noite.
Mark estava do outro lado da sala, esse sim havia encontrado o tiroteio da forma mais direta possível.
E Anthony.
Anthony não estava.
Sanches percorreu o cômodo com os olhos, janela dos fundos aberta, cortina se movendo com o vento da serra, o rastro de alguém que havia calculado a saída enquanto todos os outros calculavam a entrada.
— O desgraçado conseguiu fugir. — A frase saiu baixa, quase incrédula — não pela raiva, mas pelo fato genuíno de que havia subestimado. — Não acredito nisso.
Ficou parado no meio da cabana destruída por um momento, olhando para a janela aberta, para a noite lá fora, para a serra que escondia qualquer direção possível com a mesma indiferença.
— Chefe, e agora?
Sanches ajeitou o casaco.
— Liguem para a polícia. — A voz estava de volta ao tom de quem organiza consequências com a praticidade de quem já fez isso antes. — Eles que façam a limpeza.
— Sim, chefe.
— E Tito. — Sanches se virou para a janela uma última vez. — Aumenta o perímetro de busca. Ele está a pé numa serra à noite, sem equipamento e sem ninguém. — O tom tinha algo que não era bem satisfação, mas era próximo. — Não vai durar muito tempo nessas condições.
Caminhou em direção à saída passando pela sala destruída, pelos vidros no chão, pelas paredes que contavam a história de uma noite que havia saído do controle de todo mundo envolvido.
Parou na porta.
— Esse estrume vai aparecer. — Disse, para a noite lá fora. — E quando aparecer, vamos estar esperando.
Saiu.
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