NO LIMITE DO ATRITO

9 O Menino Que Não Queria Crescer


Notas iniciais
Há momentos em que a maior corrida deixa de acontecer no circuito. Em O Menino Que Não Queria Crescer, Bella e Edward finalmente encontram um raro instante longe da rivalidade, da pressão das equipes e dos cronômetros. Mas sentimentos verdadeiros costumam ser muito mais difíceis de controlar do que um carro de Fórmula 1. E, quando o coração acelera mais do que o motor... talvez não exista mais linha de chegada. 🏎️❤️

Capítulo 9: O Menino Que Não Queria Crescer

🏎️ POV Edward

O ponteiro digital do relógio de cabeceira do meu quarto de hotel mudou para 19h55, e eu me peguei ajustando a gola da minha jaqueta de alfaiataria escura pela quinta vez diante do espelho. O tecido fino da minha camisa preta de linho roçava levemente nas marcas quase invisíveis que as unhas de Bella Swan haviam deixado nas minhas costelas durante a madrugada anterior. Minha mente, que por anos operou com a precisão cirúrgica de um relógio suíço programado para buscar milésimos de segundo nas pistas, estava completamente desgovernada. Jasper e Garrett achavam que eu estava jogando o campeonato no lixo, mas a verdade era que eu nunca me senti tão vivo. A adrenalina do asfalto anti-horário de Interlagos parecia um anestésico perto da queimação que subia pelo meu peito toda vez que eu pensava na Lince da Ferrari vermelha.

Às 20h em ponto, eu cruzei o pequeno corredor atapetado e parei diante da porta do quarto dela. Dei três batidas firmes na madeira maciça, sentindo meus batimentos cardíacos baterem no limite do giro do motor.

Quando a porta se abriu, o ar sumiu dos meus pulmões com a força de um impacto a trezentos quilômetros por hora.

Bella Swan estava deslumbrante. Ela havia abandonado o macacão de corrida e o rabo de cavalo técnico. Seus cabelos castanhos caíam em ondas selvagens e volumosas pelos ombros, emoldurando o rosto perfeito que carregava um batom vermelho escuro provocativo. Ela vestia uma saia de couro preta, extremamente justa, que moldava de forma impecável a curva dos seus quadris e terminava na metade das suas coxas torneadas. Mas o verdadeiro teste para o meu autocontrole era a blusa vermelha de seda pura: o tecido fluido moldava o contorno dos seus seios e descia em um decote tentador, profundo o suficiente para fazer qualquer homem perder a capacidade de raciocínio lógico.

— Vai ficar aí parado com cara de quem bateu no S do Senna, Cullen? — ela provocou, a voz saindo naquele tom baixo, rouco e cortante que me enlouquecia. Ela ergueu uma sobrancelha, cruzando os braços e deixando que o decote se acentuasse ainda mais.

— Você está covardemente linda, Swan — respondi, a minha voz saindo mais grave do que eu pretendia. Dei um passo à frente, deixando que meus olhos escaneassem cada milímetro do seu corpo antes de focar nas suas pupilas dilatadas. — Quase me faz esquecer que você passou a tarde inteira me humilhando na telemetria.

— Essa é a ideia — ela deu um sorriso de lado, pegando uma pequena bolsa preta de cima da mesa. — Vamos logo antes que a Alice ou a Leah resolvam aparecer no corredor e estragar o meu humor.

Saímos discretamente pelos fundos do hotel, pegando o elevador de serviço para evitar os fotógrafos e paparazzi que montavam guarda na entrada principal da Avenida Paulista. No segundo em que o sedã escuro que eu havia alugado ganhou as ruas molhadas de São Paulo, o silêncio confortável de quem compartilhava um segredo perigoso se instalou entre nós.

🏎️ POV Bella

O restaurante A Figueira Rubaiyat parecia um refúgio de luxo isolado do caos urbano de São Paulo. Sob os galhos imensos e iluminados por centenas de pequenas luzes douradas da árvore centenária que dava nome ao salão principal, a atmosfera de rivalidade destrutiva que nos cercava no paddock começou a evaporar. O som ambiente do tilintar de taças de cristal e o murmúrio baixo da elite paulistana serviam como uma blindagem perfeita.

Pedimos um vinho tinto argentino encorpado e duas porções dos cortes de carne impecáveis da casa. Para a minha completa surpresa, o jantar fluiu com uma leveza surreal. Sem os engenheiros de dados, sem as cobranças do Charlie ou as pressões corporativas da Volturi Energy, Edward Cullen desarmou-se por completo. Ele não era o lorde britânico intocável e arrogante das coletivas; era um homem incrivelmente magnético, inteligente e dono de um senso de humor que me fazia rir abertamente de um jeito que eu não fazia desde a perda do Emmett.

— Espera aí... — dei um gole no meu vinho, olhando para ele com os olhos semicerrados e um sorriso divertido nos lábios. — Você está me dizendo que o seu filme favorito da infância é o clássico da Disney, Peter Pan? O garoto de ouro da Cullen Racing, criado em berço de ouro na Inglaterra, assistia ao menino que não queria crescer?

Edward soltou uma gargalhada alta e genuína, o som rouco fazendo o meu estômago dar uma volta completa. Ele se inclinou sobre a mesa de madeira escura, os olhos verdes brilhando com uma nostalgia terna sob a luz difusa da figueira.

— Absolutamente, Bella. Eu era obcecado — ele admitiu, passando os dedos longos pelos cabelos bronzeados de um jeito perfeitamente desalinhado. — Eu costumava correr pelo jardim da casa do Carlisle em Londres com uma espada de plástico preta, jurando que ia caçar o Capitão Gancho. Há algo muito forte naquela história... a ideia de apenas voar, de ter um lugar onde o tempo não dita as regras e onde a pressão de virar o que os adultos esperam de você simplesmente não existe.

Eu parei por um segundo, o sorriso diminuindo e se transformando em algo mais profundo. Olhei para o fundo da minha taça, sentindo a conexão entre nós se tornar quase palpável, uma sintonia que ia muito além do atrito físico.

— É o meu filme favorito também — confessei em um sussurro, erguendo os olhos castanhos para encontrar os dele. — Eu e o Emmett assistíamos em um looping infinito quando éramos crianças em Seattle. Eu achava que a pista de corrida era a nossa Terra do Nunca. O único lugar onde a gente podia voar de verdade, sem amarras, sem o peso da realidade. Quando eu fecho a viseira do meu capacete e o motor racha a treze mil rotações, eu sinto que sou o menino que nunca vai crescer. É o único momento em que eu sou verdadeiramente livre.

Edward me observou em silêncio por longos segundos. A admiração no olhar dele era tão crua e despida de defesas que o meu peito se apertou com uma intensidade avassaladora. Ele estendeu a mão sobre a mesa, os seus dedos quentes e calejados cobrindo os meus com uma firmeza que me transmitiu uma segurança absurda.

Ao fundo do salão, a trilha sonora ambiente mudou suavemente. Os primeiros acordes melódicos e íntimos de "Coming Up Roses" do Harry Styles começaram a flutuar pelo ar, misturando-se com o aroma amadeirado do restaurante. Edward se levantou da cadeira em um movimento lento, estendendo a mão na minha direção com um cavalheirismo que me fez sorrir.

— Dança comigo, Swan — ele pediu, a voz baixa, quase um comando íntimo.

Eu aceitei a mão dele, deixando que ele me guiasse até o pequeno espaço mais afastado da área das mesas, perto do tronco imenso da figueira. Quando os corpos se tocaram, a eletricidade estática nos envolveu. Edward colocou as duas mãos na minha cintura, puxando-me para perto com uma firmeza possessiva, enquanto apoiei minhas mãos nos ombros largos dele. Começamos a nos mover em um ritmo lento e sincronizado, nossos passos perfeitamente alinhados como se estivéssemos desenhando as trajetórias mais limpas da pista.

Enterrei o rosto no peito dele, sentindo o aroma marcante de sândalo misturado ao calor da sua pele através do linho da camisa. Edward inclinou a cabeça, colando a bochecha contra os meus cabelos, seus braços me apertando contra si como se o mundo inteiro pudesse desabar ao redor e nós dois continuaríamos flutuando na nossa própria Terra do Nunca. Foi um momento de puro romance, uma entrega tão genuína que esqueci completamente que éramos os maiores rivais do automobilismo mundial.

🏎️ POV Edward

O clima perfeito do jantar começou a mudar de rota quando decidimos estender a noite. Movidos pelo álcool do vinho e por aquela faísca de adrenalina que nunca nos abandonava, pegamos o carro e fomos até a Bagatelle, uma boate de elite nos Jardins onde sabíamos que o resto do grid da Fórmula 1 estava reunido para comemorar o início da semana de Interlagos.

O ambiente da boate era o oposto da calmaria da Figueira. O som dos graves dos alto-falantes de última geração fazia as paredes de espelho vibrarem, as luzes estroboscópicas cortavam a fumaça de gelo seco em feixes roxos e azuis, e o camarote VIP estava lotado de champanhe de marca e rostos conhecidos do paddock. No segundo em que Bella entrou no recinto com a sua saia de couro preta e a blusa vermelha de seda, os olhares de metade dos pilotos se cravaram nela como sensores de telemetria.

Fomos para a pista de dança, misturando-nos à multidão. A batida eletrônica explodiu quando o DJ soltou "Summer" do Calvin Harris. A energia do lugar foi para o teto, as luzes piscando de forma frenética enquanto a massa humana se movia.

Foi quando eu vi Mike Newton se aproximar.

O piloto americano da Haas estava visivelmente alterado pela bebida, com a camisa desabotoada e um sorrisinho de lado que fez o meu sangue ferver instantaneamente. Ele se infiltrou na pista, parando logo atrás de Bella e tentando colocar as mãos na cintura dela de um jeito inconveniente, gesticulando algo no ouvido dela que eu não consegui ouvir por causa do som alto, mas a expressão de incômodo no rosto da minha lince foi o suficiente para que o restante do meu autocontrole fosse pulverizado.

"Ninguém toca no que é meu" ,o pensamento puramente territorialista e animal rugiu na minha mente.

Eu avancei antes que Newton pudesse dar o próximo passo. Envelei o corpo de Bella com o meu, segurando a sua cintura com uma força brutal e puxando-a contra o meu peito com tanta violência que o decote da sua blusa roçou na minha camisa. Antes que ela pudesse esboçar qualquer reação de protesto, eu segurei a sua nuca com os dedos calejados e ataquei a sua boca com um beijo devastador, feroz e profundamente cinematográfico ali mesmo, bem no centro da pista de dança iluminada.

Eu a calei com a minha língua, invadindo a sua boca com uma fome possessiva que vinha sendo alimentada pelo ciúme cego. Queria marcar território de forma explícita na frente do Mike Newton, na frente do Riley Biers, de todos os fotógrafos infiltrados e de qualquer homem que ousasse olhar para ela. Bella arquejou contra os meus lábios, o choque inicial durando apenas uma fração de segundo antes de ela prender as unhas nos meus ombros e corresponder ao beijo com uma intensidade agressiva. Nossas bocas travaram uma batalha selvagem sob as luzes estroboscópicas roxas, os corpos colados pelo suor e pelo calor da pista.

🏎️ POV Bella

Quando Edward finalmente afastou a boca da minha, os meus lábios estavam inchados, vermelhos pelo atrito, e a minha respiração saía em estalos curtos e falhados. Olhei para o lado e vi Mike Newton se afastar com as mãos para cima em sinal de rendição, enquanto Riley Biers soltava um assobio alto no camarote acima de nós.

Por dentro, uma fúria fria e calculista começou a tomar o lugar do prazer. Eu percebi exatamente o que o Edward tinha feito. Ele não havia me beijado apenas pelo desejo; ele tinha feito aquilo para marcar território, para tirar o Newton de cima como se eu fosse uma propriedade dele ou uma garotinha indefesa que precisava da proteção do grande lorde britânico. A arrogância dele de me expor publicamente daquela maneira me deu náuseas de irritação.

"Você acha que pode me dominar, Cullen?" pensei, os meus dentes cravados de fúria interna enquanto eu sustentava o seu olhar verde, que exibia uma satisfação masculina insuportável. "Você jogou a sua jogada. Agora assiste à Lince jogar a dela."

Eu não ia armar um barraco, não ia gritar e nem dar outro tapa na cara dele. Uma briga no meio da boate seria tudo o que a mídia queria para confirmar o boato de Beward. Eu decidi me vingar de um jeito muito mais cruel. Uma vingança silenciosa que ia deixar Edward Cullen completamente louco, de joelhos e implorando por controle.

Abri o meu melhor sorriso enigmático, um sorriso de lado que exalava uma sedução mortal, e dei um passo para dentro do espaço dele. Segurei o colarinho da sua camisa preta de linho, puxando o seu rosto para baixo até que os meus lábios ficassem colados ao seu ouvido.

— Sabe, Edward... — sussurrei, a minha voz saindo em um tom aveludado, úmido e terrivelmente pausado que fez o corpo dele tensionar no mesmo segundo. — Eu adorei a sua audácia na pista de dança. E confesso que... esse seu lado possessivo e selvagem me deixa incrivelmente excitada. Eu sempre tive a fantasia secreta de fazer certas coisas em um local público, com o risco de sermos pegos a qualquer momento.

Senti a respiração dele travar contra o meu pescoço, as mãos dele apertando a minha saia de couro com uma urgência latente.

— Eu perdoo essa sua ceninha ridícula de marcação de território se você me compensar agora mesmo — continuei, descendo a minha mão pelo peito dele até arranhar de leve a barreira do seu abdômen. — Eu quero que você me leve para um lugar afastado dessa boate e me faça gozar. Quero que você use essa sua boca perfeita para fazer sexo oral em mim ali dentro, enquanto a festa rola do outro lado. Se você fizer isso por mim... eu sou toda sua quando voltarmos para o hotel.

Edward olhou nos meus olhos na penumbra roxa, as pupilas dele tão dilatadas que o verde das suas íris quase sumiu por completo. O desejo bruto e o tesão reprimido que ele sentia por mim obliteraram qualquer resquício de racionalidade na sua mente de engenharia. Ele estava completamente cego, capturado pela teia que a Lince havia tecido.

Ele segurou a minha mão e me arrastou para fora da pista de dança com passos rápidos. Guiados pelo meu instinto, contornamos o corredor escuro dos fundos da boate, passando por uma porta de emergência que dava acesso a uma área técnica desativada, um pequeno depósito de caixas de bebidas e fiação que ficava flanqueado por uma divisória de drywall bem atrás dos camarotes VIPs. O som ensurdecedor da música eletrônica batia contra a parede como um terremoto contínuo, e as luzes roxas entravam em feixes finos pelas frestas da madeira. Era um local afastado, mas ainda terrivelmente público; qualquer funcionário ou piloto que errasse o caminho do banheiro poderia abrir aquela porta a qualquer segundo.

O risco de sermos pegos deixou a atmosfera sufocante. Eu me escorei contra a parede de drywall, abrindo as pernas devagar enquanto levantava o tecido preto da minha saia de couro até a altura da minha cintura, revelando a calcinha de renda vermelha que Alice havia me obrigado a usar.

Edward caiu de joelhos no chão de cimento frio no mesmo milésimo de segundo, como um homem faminto diante de um banquete. Suas mãos longas e trêmulas agarraram as minhas coxas expostas com uma força que deixaria marcas vermelhas, e com um movimento rápido dos dentes, ele puxou a lateral da minha calcinha para o lado, expondo a minha intimidade completamente úmida para a penumbra do depósito.

Quando a língua dele encontrou o meu centro, eu tive que morder o meu próprio lábio inferior com força para conter o grito de puro prazer que subiu pela minha garganta. Edward começou a fazer sexo oral em mim com uma habilidade e uma urgência insanas, a sua língua descrevendo movimentos rápidos, firmes e úmidos contra o meu clitóris, enquanto dois dos seus dedos longos se afundavam em mim por completo, explorando o meu calor com um ritmo frenético que acompanhava a batida eletrônica do outro lado da parede.

Eu segurei os fios bronzeados do cabelo dele com força, puxando-os enquanto o meu corpo começava a arquear na parede, o prazer se acumulando de forma insustentável em uma velocidade absurda provocada pelo risco do local público. Edward aumentou o ritmo, sugando-me com uma fome doentia, a sua boca trabalhando perfeitamente para me levar ao limite. Quando a sobrecarga dos sentidos me atingiu, eu travei os dedos na nuca dele em um espasmo violento, liberando todo o meu orgasmo direto na boca dele. Eu gozei de forma intensa, contínua e desesperada, o meu corpo inteiro tremendo enquanto eu soltava um gemido abafado contra o som da boate. Não fomos pegos. Fomos perfeitos.

Edward continuou ali por dois segundos, recolhendo cada gota do meu prazer com os lábios, antes de começar a se levantar devagar, limpando o canto da boca com as costas da mão esquerda, com os olhos verdes brilhando de orgulho e luxúria, totalmente convicto de que havia ganho o jogo e de que eu cumpriria a promessa de levá-lo para a cama do hotel. A calça de moletom azul dele exibia um volume absurdo e rígido, deixando claro o quanto ele estava duro e necessitado do troco.

Fiquei ereta na parede, ajeitando o tecido da minha saia de couro preta para baixo com uma calmaria assustadora, puxando a blusa de seda vermelha de volta para o lugar. Olhei bem no fundo dos olhos dele, deixando que toda a frieza da Lince retornasse para a minha expressão.

Conforme estabelecido em, o diálogo de impacto aconteceu exatamente como a minha vingança havia planejado:

— Obrigada,Cullen — digo, com a mesma emoção de quem agradece por um copo d'água enquanto ele se levanta.

O olhar dele muda na hora. O desejo vira uma confusão indignada.

— Isabella... você não é louca de me deixar aqui desse jeito — ele sibilou, a voz saindo em um tom de puro desespero e incompreensão, os passos vacilando enquanto ele olhava para o próprio membro rígido por baixo da calça.

Eu dei um passo em direção à porta de emergência, segurando a maçaneta com firmeza e olhando por cima do ombro com o meu sorriso mais cruel e cortante.

— Aprende uma coisa, babaca: nem todo jogo termina na vitória para você.

Abri a porta e saí como um raio pelo corredor iluminado, misturando-me à multidão da boate e deixando Edward Cullen completamente sozinho na escuridão do depósito, duro, na mão e humilhado pelo troco que a Lince da Ferrari havia acabado de desferir contra o seu orgulho.

O eco dos graves da boate Bagatelle começou a diminuir à medida que eu apressava os meus passos pelo asfalto úmido e frio dos Jardins. A adrenalina do troco que eu havia acabado de dar no Edward ainda corria pelas minhas veias, mas a fúria fria logo deu lugar a um cansaço físico absurdo. Parei embaixo da marquise de um prédio comercial, encolhendo os ombros sob o vento gelado de São Paulo, enquanto encarava a tela do meu celular. A umidade da madrugada e a saída em massa das baladas de elite transformaram a tarefa de conseguir um Uber em um verdadeiro teste de paciência; o aplicativo exibia mensagens de erro de conexão e o tempo de espera mudava a cada minuto. Demorei uma eternidade, quase uma hora inteira batendo os dentes na calçada, até que um sedã prata finalmente aceitasse a corrida para me levar de volta ao hotel na Avenida Paulista.

Quando finalmente saí do elevador no quinto andar, a única coisa que a minha mente processava era a imagem de uma cama confortável e um banho quente. Caminhei até a porta do meu quarto e comecei a revirar a pequena bolsa preta à procura da chave magnética. Vasculhei cada centímetro do tecido, mas o cartão simplesmente havia sumido.

— Droga... — resmunguei entre dentes, sentindo o cansaço pesar ainda mais nos meus ombros.

Foi quando apoiei a mão na madeira e notei que a porta estava entreaberta, apenas encostada no batente. Senti um leve sobressalto, mas logo relaxei os músculos, acreditando que na minha pressa absurda de sair correndo na madrugada anterior eu devesse ter deixado a trava mal encaixada. Empurrei a porta e entrei no ambiente escuro. Tateei a parede e acendi as luzes principais do quarto. A primeira coisa que notei foi o cartão magnético espetado perfeitamente no interruptor de energia geral da parede.

Franzi o cenho, confusa, convicta de que a minha memória estava me pregando peças por causa do sono. No entanto, quando os meus olhos finalmente se direcionaram para o centro do quarto, o ar sumiu dos meus pulmões no mesmo milésimo de segundo.

Edward Cullen estava deitado na minha cama.

Ele estava escorado contra os travesseiros, com os braços cruzados atrás da cabeça, vestindo apenas a mesma calça de moletom azul. A jaqueta de alfaiataria e a camisa de linho preta estavam dobradas de qualquer jeito na poltrona ao lado. Os olhos verdes dele me encaravam fixamente na claridade repentina, exibindo um brilho perigoso, predatório e intensamente focado que me fez travar os calcanhares no chão.

— Como diabos você entrou aqui, Cullen?! — disparei, a voz subindo um tom enquanto eu batia a porta atrás de mim com violência, trancando nós dois naquele cubículo de tensão. — Você perdeu a noção do perigo de vez? Dá o fora do meu quarto agora antes que eu chame a segurança do hotel ou o meu pai!

Edward não se moveu um milímetro. Um sorriso lento, cínico e absurdamente safado começou a desenhar-se nos lábios dele enquanto ele descruzava os braços, sentando-se na borda do colchão com uma calmaria que só servia para estourar o meu giro interno.

— Chamar a segurança para o seu futuro marido, Swan? Isso seria um péssimo começo para o nosso noivado de paddock — ele debochou, a voz saindo naquela tonalidade rouca e arrastada que me dava nós no estômago. Ele estendeu os dedos longos, apontando para o interruptor na parede. — Se você está se perguntando sobre o cartão, eu peguei ele do chão da boate. Você deixou cair bem na soleira daquela porta de emergência, na hora em que estava fugindo de mim feito uma loba assustada depois de ter feito o que fez. Você achou mesmo que ia me deixar duro, na mão e no escuro daquele depósito sem sofrer as consequências, Bella?

— Você é um babaca, Edward! Um babaca pretensioso e obsessivo! — caminhei na direção dele, gesticulando com fúria, a saia de couro preta estalando contra as minhas coxas. — Aquilo na boate foi para você aprender que comigo não tem essa palhaçada de marcar território na pista de dança! Eu não sou sua propriedade e nem uma das suas fofocas de laboratório!

— Eu sei muito bem que você não é de ninguém, Lince... — Edward se levantou da cama num movimento rápido e felino, eliminando o espaço entre nós antes que eu pudesse recuar.

Num reflexo brutal, ele envolveu a minha cintura com os dois braços, erguendo o meu corpo com facilidade e me jogando de costas contra o colchão macio da minha cama. Eu soltei um arquejo de surpresa, mas antes que eu pudesse chutar o peito dele ou me esquivar, o corpo pesado de Edward se posicionou entre as minhas coxas, prendendo os meus pulsos contra os travesseiros com uma força possessiva que pulverizou o restante da minha resistência.

— ...mas você é a única mulher que consegue me deixar completamente fora de controle — ele sussurrou contra os meus lábios, a respiração quente dele misturando-se à minha enquanto os seus olhos verdes queimavam a minha alma. — E eu vim buscar o resto do meu pagamento.

Edward não me deu tempo para responder. Ele atacou a minha boca com um super amasso, um beijo devastador, profundo e carregado de um tesão reprimido que parecia ter quadruplicado de intensidade após a humilhação no depósito da boate. Minha língua se enroscou na dele em uma batalha feroz por dominância, a raiva e o desejo se fundindo em uma explosão de necessidade biológica. Minhas mãos se libertaram do aperto dele e cravaram-se nos ombros musculosos de Edward, rasgando o tecido imaginário que nos separava enquanto eu puxava o corpo dele ainda mais contra o meu vestido improvisado.

A noite transformou-se em um cenário de luxúria pura, selvagem e extremamente quente na minha cama. Edward arrancou a minha blusa vermelha de seda com uma urgência febril, os dedos dele tateando e apertando a minha pele com uma fome que me fazia soltar gemidos agudos e contínuos que preenchiam cada canto do quarto escuro. Deslizei as minhas mãos pela calça de moletom dele, ajudando-o a se livrar do último obstáculo mecânico até que os nossos corpos ficassem completamente nus, colados pelo suor e pela eletricidade estática de um sentimento que já não conseguíamos mais conter.

O ritmo que ele impôs no colchão era implacável, ditado pela mesma agressividade cirúrgica com que contornávamos as ondulações anti-horárias de Interlagos. Cada estocada profunda e certeira dele arrancava de mim gritos abafados contra o pescoço dele, as minhas pernas presas com força ao redor da sua cintura, puxando-o para dentro do meu calor em uma entrega total que desafiava qualquer senso de preservação. Nossas respirações eram um som único de pecado e exaustão física, a cama rangendo contra a cabeceira enquanto o prazer se acumulava no centro do meu ser como uma sobrecarga termodinâmica prestes a explodir o motor.

Quando o ápice nos atingiu de forma simultânea, foi como uma colisão frontal a trezentos quilômetros por hora contra um muro de concreto; meu corpo inteiro travou em um espasmo violento, e eu gritei o nome dele contra o travesseiro enquanto as contrações do orgasmo me puxavam para a escuridão do prazer puro. Edward soltou um rosnado alto, rouco e desgovernado, afundando-se uma última vez antes de se derramar por completo dentro de mim, desabando o peso do seu peito arfante contra as minhas costelas.

Longos minutos se passaram no silêncio do quarto, quebrados apenas pelo som das nossas respirações diminuindo o ritmo lentamente. A chuva lá fora continuava a desabar sobre São Paulo, mas ali dentro, a tempestade havia dado espaço a uma calmaria terna e assustadora.

Edward rolou devagar para o lado, mas não se afastou. Ele estendeu o braço esquerdo e me puxou para o seu peito, envolvendo a minha cintura com um carinho que desarmou completamente a Lince que morava em mim. Apoiei a minha cabeça no ombro dele, sentindo o bater constante e forte do seu coração contra a minha bochecha, enquanto os nossos dedos se entrelaçavam por cima do lençol bagunçado.

Ele ficou em silêncio por um tempo, olhando para o teto do quarto, até que soltou um suspiro longo e virou o rosto na minha direção, os olhos verdes despidos de qualquer arrogância britânica, carregados de uma verdade nua e crua que me fez prender a respiração.

— Eu gosto de você, Swan... Entende isso de uma vez por todas — Edward assumiu, a voz saindo baixa, rouca pelo esforço e profundamente sincera, os dedos dele acariciando a pele da minha costela com uma ternura que me deu vertigem. — Eu tentei lutar contra isso em Mônaco, tentei focar apenas nos dados do simulador e colocar na minha cabeça que você era apenas a minha maior rival na pista... mas não dá mais. Eu tô completamente apaixonado por você, Bella. E não tem engenharia no mundo que consiga consertar o estrago que você fez no meu coração.

Notas finais
Nem todas as vitórias são conquistadas com uma ultrapassagem. Depois de tantas provocações, disputas e segredos, Edward finalmente colocou as cartas na mesa e admitiu aquilo que vinha tentando esconder desde Mônaco. O problema é que amar a maior rival do campeonato pode ser muito mais perigoso do que qualquer curva de Interlagos. Obrigada por acompanharem mais um capítulo de No Limite do Atrito! Deixem seus comentários e teorias. E agora eu quero saber: Bella está pronta para admitir o que sente... ou vai acelerar ainda mais para fugir desse sentimento? 🏁❤️