A moto negra avançou pelo asfalto como uma sombra viva, o ronco abafado do motor ecoando na noite úmida. Jacob — agora o Lobo da Noite — reduziu a velocidade ao se aproximar do bairro luxuoso onde ficava a mansão Volturi. As luzes de segurança riscavam o gramado, enquanto homens armados patrulhavam discretamente.

No comunicador interno do uniforme, a voz precisa e calma de Harry soou:

— Senhor, tenho visão total do perímetro. Quatro seguranças no lado leste, dois no terraço, e mais três fazendo ronda no jardim principal. A movimentação está sincronizada a cada três minutos.

— Não quero contato com eles — respondeu Jacob em tom baixo, ajustando o visor. — E não posso ser visto.

— Entendido, senhor. Preparando protocolo de neutralização visual… — teclas digitadas ecoaram pelo canal — … câmeras apagadas em três… dois… um. Está fora do radar.

— Quanto tempo? — perguntou o Lobo, já acelerando discretamente para contornar a mansão.

— Sessenta segundos de escuridão total no circuito. Depois, dez minutos até a varredura voltar ao normal.

Jacob sorriu por baixo da máscara.

— Eu faço em cinco.

A moto parou na sombra de um muro lateral. Ele acionou o sistema de microganchos embutido nos braços do uniforme. Os cabos se fixaram na borda do telhado com um estalo metálico, e em segundos ele escalou a fachada como se fosse parte da própria parede. Ao alcançar o segundo andar, desativou o sistema, manteve-se abaixado e seguiu até uma janela lateral.

No comunicador, Harry atualizava a situação:

— Senhor, dois guardas passando pela varanda principal agora. Mantenha-se na sombra.

Jacob ignorou o barulho distante de passos, forçou a tranca da janela e entrou no quarto amplo, mergulhado na penumbra. Silencioso, posicionou-se ao lado de uma poltrona, próximo à porta do banheiro.

O som do chuveiro cessou. O ranger da porta e o vapor quente preencheram o ar. Alec Volturi surgiu de roupão, secando o cabelo com uma toalha, alheio ao visitante invisível.

Em um único movimento, Jacob avançou e pressionou a mão enluvada sobre a boca dele, empurrando-o contra a parede. A respiração de Alec ficou irregular, e o pânico se refletiu nos olhos dele.

— Silêncio — murmurou o Lobo, prendendo-o com braçadeiras reforçadas em segundos.

Alec tentou falar, mas a fita na boca o impediu.

Jacob se aproximou, a máscara refletindo a fraca luz da rua lá fora. Sua voz saiu grave e controlada:

— Nós precisamos… conversar.


Jacob se abaixou diante de Alec, que se encolhia na cadeira, o rosto pálido e os olhos arregalados de medo. Com um movimento firme, o Lobo da Noite segurou a mão já quebrada do Volturi, apertando o suficiente para fazê-lo soltar um gemido abafado.

— Amanhã — disse Jacob em voz baixa, carregada de ameaça — você vai até a delegacia de polícia. Vai contar exatamente o que aconteceu. Vai falar a verdade… ou da próxima vez, você perde essa mão.

O olhar de Alec tremia, o suor escorria pela testa. Ele tentou balbuciar algo, mas Jacob não deu espaço.

— Pense bem… você só tem duas opções.

A tensão no ar foi quebrada apenas pelo som do tecido do roupão roçando contra a cadeira. Jacob afrouxou a pressão, e Alec respirou com dificuldade. Com um movimento preciso, aplicou nele um sonifero e o Volturi apagou instantaneamente.

Jacob o ergueu e o colocou de volta na cama, ajeitando o travesseiro e cobrindo-o com o cobertor — como se nada tivesse acontecido ali.

— Senhor, quatro minutos para o ciclo das câmeras voltar — avisou Harry no comunicador.

— O Lobo está saindo — respondeu Jacob, já se movendo.

Escalou pela mesma rota que entrou, evitando o foco dos refletores e alcançando o muro. Saltou com precisão, aterrissou silenciosamente junto à moto e deu partida.

O ronco do motor cortou a noite enquanto ele se afastava pelas ruas vazias.

— E a fase dois? — perguntou Jacob, ajustando o comunicador no capacete.

Do outro lado, Harry respondeu com calma:

— Acabei de confirmar. O Nightwolf estava em um prédio no distrito industrial de Harborview, senhor.

Um sorriso discreto surgiu sob a máscara.

— Então vamos ver o que tem lá para mim.




No silêncio do quarto, a luz amarelada do abajur caía sobre a mesa, iluminando uma pilha de jornais antigos. Renesmee passava as páginas lentamente, o olhar atento procurando qualquer detalhe, qualquer menção que pudesse guiá-la até o Lobo da Noite. Entre datas amareladas e manchetes sensacionalistas, o eco das palavras do pai insistia em voltar:

"O sobrenome Cullen pesa, filha. Pesa mais do que você imagina."

Ela franziu o cenho, apoiando o queixo na mão. Ser uma Cullen significava carregar prestígio… e algemas invisíveis.

Um som suave a tirou de seus pensamentos — três batidas na porta.

— Entre — disse, erguendo o olhar.

A porta se abriu lentamente, revelando Henry, o irmão mais novo, com os olhos marejados.

— Papai e mamãe saíram… e eu tive um pesadelo.

O coração de Nessie amoleceu instantaneamente. Ela se levantou, o abraçou forte e sussurrou:

— Está tudo bem, meu pequeno.

Levou-o até a cama, ajeitou os travesseiros e cobriu-o com o edredom. Sentou-se ao lado dele, acariciando seus cabelos até que o ritmo da respiração dele se tornasse lento e profundo.

Por um momento, apenas observou o menino dormir. Naquele rosto tranquilo, ela viu a fragilidade de quem ainda precisava de proteção. E, como uma lâmina fria, veio o pensamento: O que seria de Henry sem a segurança, o conforto e o escudo que nosso pai construiu?

Odiava política. Odiava mais ainda as manipulações que vinham com ela. Mas tinha que admitir — era a razão de Henry estar seguro e protegido.

Renesmee olhou para o irmão, suspirou e pensou consigo mesma: Talvez eu possa ceder… só um pouco. Mas vou fazer do meu jeito.



A manhã estava calma na mansão Black. Jacob estava afundado no sofá da sala, um roupão pesado por cima da calça de moletom. A caneca de café esfriava sobre a mesa, enquanto seus olhos permaneciam fixos na tela da TV.

O telejornal exibia Alec Volturi, o braço enfaixado, olhando para as câmeras com expressão de vítima.

— Fui atacado em minha própria casa pelo Lobo da Noite — dizia ele, com a voz carregada de falsa indignação.

O jornalista, com um leve sorriso cético, prosseguiu:

— Entretanto, relatos e imagens feitas por moradores confirmam que o vigilante foi visto, no mesmo horário, sobre um prédio em Harborview.

A cena mudou para um vídeo tremido de celular, onde a figura sombria do Lobo da Noite aparecia parada na beira do telhado, observando a cidade.

— Isso — continuou o repórter — coloca em dúvida todo o depoimento de Alec Volturi e fortalece as suspeitas de que ele vem mentindo desde o início.

Jacob deixou escapar um sorriso breve, quase imperceptível.

Harry entrou na sala discretamente, carregando uma bandeja com café e torradas. Serviu Jacob e comentou, com seu tom habitual e respeitoso:

— O plano deu certo, senhor.

Jacob pegou a caneca, tomou um gole longo e quente, e sem tirar os olhos da TV, respondeu:

— Então prepare o smoking, Harry.

Harry arqueou uma sobrancelha.

— Para hoje à noite?

Jacob pousou a caneca, um leve brilho de antecipação nos olhos.

— O baile… — disse com voz baixa, quase como se falasse consigo mesmo — …vou seguir seu conselho, preciso de uma folga.