NIGHTWOLF- Blood & Roses
6 Visita Noturna
A moto negra avançou pelo asfalto como uma sombra viva, o ronco abafado do motor ecoando na noite úmida. Jacob — agora o Lobo da Noite — reduziu a velocidade ao se aproximar do bairro luxuoso onde ficava a mansão Volturi. As luzes de segurança riscavam o gramado, enquanto homens armados patrulhavam discretamente.
No comunicador interno do uniforme, a voz precisa e calma de Harry soou:
— Senhor, tenho visão total do perímetro. Quatro seguranças no lado leste, dois no terraço, e mais três fazendo ronda no jardim principal. A movimentação está sincronizada a cada três minutos.
— Não quero contato com eles — respondeu Jacob em tom baixo, ajustando o visor. — E não posso ser visto.
— Entendido, senhor. Preparando protocolo de neutralização visual… — teclas digitadas ecoaram pelo canal — … câmeras apagadas em três… dois… um. Está fora do radar.
— Quanto tempo? — perguntou o Lobo, já acelerando discretamente para contornar a mansão.
— Sessenta segundos de escuridão total no circuito. Depois, dez minutos até a varredura voltar ao normal.
Jacob sorriu por baixo da máscara.
— Eu faço em cinco.
A moto parou na sombra de um muro lateral. Ele acionou o sistema de microganchos embutido nos braços do uniforme. Os cabos se fixaram na borda do telhado com um estalo metálico, e em segundos ele escalou a fachada como se fosse parte da própria parede. Ao alcançar o segundo andar, desativou o sistema, manteve-se abaixado e seguiu até uma janela lateral.
No comunicador, Harry atualizava a situação:
— Senhor, dois guardas passando pela varanda principal agora. Mantenha-se na sombra.
Jacob ignorou o barulho distante de passos, forçou a tranca da janela e entrou no quarto amplo, mergulhado na penumbra. Silencioso, posicionou-se ao lado de uma poltrona, próximo à porta do banheiro.
O som do chuveiro cessou. O ranger da porta e o vapor quente preencheram o ar. Alec Volturi surgiu de roupão, secando o cabelo com uma toalha, alheio ao visitante invisível.
Em um único movimento, Jacob avançou e pressionou a mão enluvada sobre a boca dele, empurrando-o contra a parede. A respiração de Alec ficou irregular, e o pânico se refletiu nos olhos dele.
— Silêncio — murmurou o Lobo, prendendo-o com braçadeiras reforçadas em segundos.
Alec tentou falar, mas a fita na boca o impediu.
Jacob se aproximou, a máscara refletindo a fraca luz da rua lá fora. Sua voz saiu grave e controlada:
— Nós precisamos… conversar.
Jacob se abaixou diante de Alec, que se encolhia na cadeira, o rosto pálido e os olhos arregalados de medo. Com um movimento firme, o Lobo da Noite segurou a mão já quebrada do Volturi, apertando o suficiente para fazê-lo soltar um gemido abafado.
— Amanhã — disse Jacob em voz baixa, carregada de ameaça — você vai até a delegacia de polícia. Vai contar exatamente o que aconteceu. Vai falar a verdade… ou da próxima vez, você perde essa mão.
O olhar de Alec tremia, o suor escorria pela testa. Ele tentou balbuciar algo, mas Jacob não deu espaço.
— Pense bem… você só tem duas opções.
A tensão no ar foi quebrada apenas pelo som do tecido do roupão roçando contra a cadeira. Jacob afrouxou a pressão, e Alec respirou com dificuldade. Com um movimento preciso, aplicou nele um sonifero e o Volturi apagou instantaneamente.
Jacob o ergueu e o colocou de volta na cama, ajeitando o travesseiro e cobrindo-o com o cobertor — como se nada tivesse acontecido ali.
— Senhor, quatro minutos para o ciclo das câmeras voltar — avisou Harry no comunicador.
— O Lobo está saindo — respondeu Jacob, já se movendo.
Escalou pela mesma rota que entrou, evitando o foco dos refletores e alcançando o muro. Saltou com precisão, aterrissou silenciosamente junto à moto e deu partida.
O ronco do motor cortou a noite enquanto ele se afastava pelas ruas vazias.
— E a fase dois? — perguntou Jacob, ajustando o comunicador no capacete.
Do outro lado, Harry respondeu com calma:
— Acabei de confirmar. O Nightwolf estava em um prédio no distrito industrial de Harborview, senhor.
Um sorriso discreto surgiu sob a máscara.
— Então vamos ver o que tem lá para mim.
No silêncio do quarto, a luz amarelada do abajur caía sobre a mesa, iluminando uma pilha de jornais antigos. Renesmee passava as páginas lentamente, o olhar atento procurando qualquer detalhe, qualquer menção que pudesse guiá-la até o Lobo da Noite. Entre datas amareladas e manchetes sensacionalistas, o eco das palavras do pai insistia em voltar:
"O sobrenome Cullen pesa, filha. Pesa mais do que você imagina."
Ela franziu o cenho, apoiando o queixo na mão. Ser uma Cullen significava carregar prestígio… e algemas invisíveis.
Um som suave a tirou de seus pensamentos — três batidas na porta.
— Entre — disse, erguendo o olhar.
A porta se abriu lentamente, revelando Henry, o irmão mais novo, com os olhos marejados.
— Papai e mamãe saíram… e eu tive um pesadelo.
O coração de Nessie amoleceu instantaneamente. Ela se levantou, o abraçou forte e sussurrou:
— Está tudo bem, meu pequeno.
Levou-o até a cama, ajeitou os travesseiros e cobriu-o com o edredom. Sentou-se ao lado dele, acariciando seus cabelos até que o ritmo da respiração dele se tornasse lento e profundo.
Por um momento, apenas observou o menino dormir. Naquele rosto tranquilo, ela viu a fragilidade de quem ainda precisava de proteção. E, como uma lâmina fria, veio o pensamento: O que seria de Henry sem a segurança, o conforto e o escudo que nosso pai construiu?
Odiava política. Odiava mais ainda as manipulações que vinham com ela. Mas tinha que admitir — era a razão de Henry estar seguro e protegido.
Renesmee olhou para o irmão, suspirou e pensou consigo mesma: Talvez eu possa ceder… só um pouco. Mas vou fazer do meu jeito.
A manhã estava calma na mansão Black. Jacob estava afundado no sofá da sala, um roupão pesado por cima da calça de moletom. A caneca de café esfriava sobre a mesa, enquanto seus olhos permaneciam fixos na tela da TV.
O telejornal exibia Alec Volturi, o braço enfaixado, olhando para as câmeras com expressão de vítima.
— Fui atacado em minha própria casa pelo Lobo da Noite — dizia ele, com a voz carregada de falsa indignação.
O jornalista, com um leve sorriso cético, prosseguiu:
— Entretanto, relatos e imagens feitas por moradores confirmam que o vigilante foi visto, no mesmo horário, sobre um prédio em Harborview.
A cena mudou para um vídeo tremido de celular, onde a figura sombria do Lobo da Noite aparecia parada na beira do telhado, observando a cidade.
— Isso — continuou o repórter — coloca em dúvida todo o depoimento de Alec Volturi e fortalece as suspeitas de que ele vem mentindo desde o início.
Jacob deixou escapar um sorriso breve, quase imperceptível.
Harry entrou na sala discretamente, carregando uma bandeja com café e torradas. Serviu Jacob e comentou, com seu tom habitual e respeitoso:
— O plano deu certo, senhor.
Jacob pegou a caneca, tomou um gole longo e quente, e sem tirar os olhos da TV, respondeu:
— Então prepare o smoking, Harry.
Harry arqueou uma sobrancelha.
— Para hoje à noite?
Jacob pousou a caneca, um leve brilho de antecipação nos olhos.
— O baile… — disse com voz baixa, quase como se falasse consigo mesmo — …vou seguir seu conselho, preciso de uma folga.
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