NIGHTWOLF- Blood & Roses

25 Manipulações Políticas


Renesmee entrou pela porta principal, deixando a bolsa sobre o aparador, e encontrou Bella na sala, conversando baixo com uma das empregadas. A luz suave que entrava pelas janelas refletia no rosto tranquilo da mãe.

— Que bom que você chegou — disse Bella, interrompendo a conversa e voltando-se para a filha. — Seu pai perguntou por você.

Nessie arqueou as sobrancelhas.

— Algum evento especial?

Bella pegou algo sobre a mesa lateral e estendeu para ela.

— Chegou esse convite hoje. É para a festa dos fundadores… na mansão Weber.

Renesmee pegou o convite e examinou, os dedos deslizando pelo papel espesso.

— Encolheram os Weber esse ano? — perguntou com ironia, sem esconder a implicância.

— Pelo contrário — respondeu Bella, ajeitando-se no sofá. — Mark Weber está subindo em popularidade… e seu pai está preocupado. Por isso quer conversar com você.

Ao ouvir aquilo, Nessie soltou um suspiro leve, já imaginando o rumo da conversa.

— Eu já sei qual é o assunto que ele quer tratar — murmurou. — E… mãe, eu tenho um compromisso com o Jacob hoje.

Bella se levantou e, com um gesto firme mas carinhoso, pegou a mão da filha, guiando-a até o sofá.

— Senta aqui comigo.

Renesmee obedeceu, cruzando as pernas e encarando a mãe.

— Mãe… eu já sei o que o pai quer.

Bella inclinou a cabeça, os olhos castanhos cheios de ternura.

— Você não ama o Jacob?

Nessie respirou fundo, sentindo o peso e a doçura da pergunta.

— Eu amo. — Sua voz saiu firme, sem hesitação.

Bella manteve o olhar fixo na filha por alguns segundos, como se quisesse ler o que havia por trás daquela firmeza na voz.

— Então o que te impede de casar com ele? — perguntou suavemente.

Renesmee se levantou, cruzando os braços de forma instintiva, como se quisesse criar uma barreira entre elas.

— O problema não é o Jacob… é o papai. — Ela deu um passo, olhando pela janela antes de encarar novamente a mãe. — Ele vai transformar essa união em um jogo político.

Bella suspirou e também se levantou, caminhando até a filha.

— Você pode impedir isso, Nessie. Mas… — tocou de leve no braço dela — não custa nada ajudar o seu pai. Ele faria qualquer coisa por você, e você sabe disso.

— Eu sei — respondeu Renesmee, com um meio sorriso triste. — Vou pensar.

Ela se inclinou, dando um beijo no rosto da mãe, sentindo o toque familiar e reconfortante.

— Agora preciso me arrumar. O Jacob está me esperando.


Jacob estava sentado à mesa do escritório, revisando alguns papéis, quando a porta se abriu suavemente. Harry entrou com seu costumeiro semblante respeitoso.

— Deseja que eu prepare algo especial para o jantar, senhor? — perguntou.

Jacob apoiou-se na cadeira, um leve sorriso surgindo no rosto.

— Providencie pizza e refrigerante, Harry.

Harry arqueou as sobrancelhas, surpreso.

— Pizza e refrigerante?

— É — respondeu Jacob, divertido com a reação. — Quero uma noite mais simples com a Nessie. E organize tudo no quarto… luz baixa, algo aconchegante.

O mordomo esboçou um sorriso satisfeito.

— Posso cuidar disso pessoalmente.

Jacob inclinou a cabeça, avaliando o tom do amigo.

— E sobre o Lobo da Noite… ele está de folga hoje. A cidade vai ter que contar só com a polícia.

— Está fazendo boas escolhas, senhor — disse Harry, antes de se retirar para cumprir as ordens.

Jacob pegou o celular, desbloqueando a tela. Seus olhos pousaram numa foto de Renesmee sorrindo, e o semblante dele suavizou. Guardou o aparelho no bolso e saiu do escritório.

No corredor, Harry reapareceu, desta vez com um ar mais sério.

— Senhor… o senhor tem visitas.

Jacob arqueou uma sobrancelha.

— Quem?

Antes que Harry respondesse, uma figura alta surgiu à porta.

— Edward Cullen — disse, com um leve aceno de cabeça, o tom controlado, mas firme. — Precisamos conversar.


Edward e Jacob se cumprimentaram com um aperto de mão firme, a tensão disfarçada por uma educação formal.

— Vamos para a sala de estar — disse Jacob, gesticulando para que o sogro o acompanhasse.

Os dois se acomodaram no sofá, o silêncio inicial sendo quebrado pela voz grave de Jacob.

— Aconteceu alguma coisa? É sobre a Nessie?

Edward fez um leve aceno de negação.

— Ela está bem. Mas… o assunto tem a ver com ela.

Jacob recostou-se, mantendo o olhar fixo no outro.

— Pode falar.

— Não quero que você pense que estou preocupado apenas com política — começou Edward, a expressão séria. — Mas no último mês, Renesmee tem passado mais tempo com você do que em casa, com a família. Ela tem 25 anos, Jacob. Para você ela pode parecer adulta… mas para mim, ainda é uma menina. Isso pode afetar a imagem dela.

Jacob manteve o semblante calmo.

— Eu respeito a Nessie. E a amo.

Edward assentiu, mas não cedeu no tom.

— Meu principal adversário político tem subido em credibilidade. E eu temo que ele tente usar a imagem de Renesmee para me atingir.

Jacob franziu o cenho, avaliando cada palavra, já reconhecendo nas entrelinhas que o nome de Mark Weber rondava a conversa.

Jacob manteve o olhar fixo em Edward, e um meio sorriso de canto surgiu — não de ironia, mas de quem já havia decifrado a verdadeira intenção por trás da conversa.

— Edward… eu ainda não falei de casamento com a Nessie porque não quero pressioná-la ou assustá-la. Ela sabe que eu a amo, mas quero que esse passo seja dela também, no tempo dela.

Edward o observava em silêncio, como se estivesse medindo cada palavra.

— Eu entendo — disse o prefeito, finalmente.

Jacob apoiou os cotovelos nos joelhos, inclinando-se levemente para a frente.

— Você sabe que tem meu apoio político. Sempre que precisar, farei o que estiver ao meu alcance para ajudar. Mas só te peço uma coisa… não envolva meu relacionamento com a sua filha em nenhuma jogada política.

Edward sustentou o olhar dele por um momento, então balançou a cabeça.

— Jamais faria isso, Jacob.

Houve uma pausa breve, e então ele completou:

— Mas você pode protegê-la. Impedir que Weber use a imagem de Renesmee para tentar me atingir.

O ar entre eles ficou mais pesado, e Jacob já sentia a responsabilidade implícita naquelas palavras — não apenas como namorado de Renesmee, mas como o homem que, de certa forma, estava sendo convocado a se tornar seu escudo público e privado.





A porta da mansão Black se fechou suavemente atrás de Renesmee, abafando o frio da noite. Harry surgiu quase de imediato, um sorriso acolhedor no rosto enquanto a ajudava a tirar o casaco.

— Boa noite, senhorita Renesmee. — disse ele, dobrando o casaco com precisão.

— Boa noite, Harry.

Antes que pudesse dizer mais alguma coisa, Leah Clearwater apareceu no corredor, impecável em sua postura e expressão.

— Boa noite. — falou de forma educada, porém seca, antes de seguir adiante pelo corredor.

Nessie observou a jovem desaparecer escada acima e então se inclinou levemente para Harry, murmurando:

— Sua filha não gosta de mim.

Harry manteve o semblante impassível, mas sua resposta veio com uma pontinha de humor:

— Minha filha nunca gosta de ninguém.

Eles trocaram um riso cúmplice, e nesse momento, a voz de Jacob ecoou pela escada.

— Posso saber o que vocês dois estão fofocando aí? — perguntou, descendo calmamente, vestindo jeans escuros e uma camisa simples, o que o deixava com um ar muito mais descontraído.

Renesmee reprimiu um sorriso, caminhando na direção dele.

— Segredo meu e do Harry.

Jacob arqueou uma sobrancelha, mas antes que pudesse insistir, ela já estava nos braços dele, envolvida pelo calor familiar e seguro que ele transmitia.


Jacob inclinou o rosto para beijá-la, lento e firme, como se quisesse marcar aquele reencontro. Quando se afastou apenas o suficiente para falar, murmurou com um tom divertido:

— Então agora você e o Harry têm segredos?

Renesmee riu, passando os dedos pela nuca dele.

— Ciumento.

— Quando se trata de você, bastante— ele respondeu com um sorriso enviesado, ainda sem soltá-la. Voltou o olhar para Harry, que permanecia discreto a poucos passos. — Não quero ser incomodado hoje.

— Entendido, senhor. Boa noite. — disse Harry com um aceno respeitoso antes de se retirar.

Jacob entrelaçou os dedos nos dela e juntos começaram a subir as escadas, sem pressa, como se o simples gesto de estarem de mãos dadas já fosse suficiente para afastar o mundo lá fora. O clima na casa estava silencioso, e cada passo os aproximava mais da intimidade do quarto que os aguardava.