NIGHTWOLF- Blood & Roses
36 Armazém 17
A manhã chegou com uma claridade suave atravessando as cortinas do quarto de Renesmee.
Ela despertou ainda sonolenta, mas imediatamente virou o rosto para a mesinha de cabeceira, onde o celular descansava.
Lá estava ele… silencioso. Nenhuma nova mensagem além daquela da noite anterior, que agora parecia queimar em sua memória.
Antes que pudesse pensar muito sobre isso, ela ouviu passos apressados no corredor e vozes agitadas ecoando da parte de baixo da casa.
Franziu o cenho, calçou os pés no tapete macio e abriu a porta.
No corredor, encontrou uma das empregadas da família carregando uma bandeja.
— O que aconteceu? — perguntou, sentindo um aperto no peito.
A mulher sorriu, quase radiante.
— Senhorita… o senhor Cullen foi solto! O advogado conseguiu liberdade provisória.
O coração de Nessie deu um salto.
— O quê? — seus lábios se curvaram num sorriso involuntário.
Ela voltou correndo para o quarto, deixando a porta aberta atrás de si.
Tomou um banho rápido, quase impaciente, e vestiu-se sem se preocupar muito com a escolha da roupa. Seu único pensamento era vê-lo.
Ao descer para a sala, encontrou quase toda a família reunida.
Bella estava ali, sentada, mas ao vê-la, levantou-se e a puxou para um abraço apertado.
— Seu pai está chegando, meu amor — disse Bella, emocionada, com os olhos brilhando.
Renesmee sentiu o nó na garganta.
Aquele reencontro estava prestes a acontecer… mas a lembrança da mensagem misteriosa ainda estava lá, como uma sombra sobre sua felicidade.
O corredor do centro policial estava carregado com aquele cheiro de café forte e papel velho.
Jacob entrou firme, acompanhado de seu advogado, Dr. Marcos Ferraz, um homem de terno cinza e olhar perspicaz.
Ao lado deles, o advogado de Edward, ninguém menos que Emmett Cullen, que deixava clara sua postura protetora com o cunhado.
Na sala de reuniões, Sam Ulley os aguardava, braços cruzados.
Dr. Marcos foi o primeiro a falar, pousando uma pasta sobre a mesa.
— Aqui está a decisão assinada pelo juiz. Liberdade provisória para Edward Anthony Cullen, sob supervisão e com restrições de deslocamento.
Emmett (abrindo o documento e passando para Sam) — Está tudo aí, carimbado e autenticado. Não há mais motivo legal para mantê-lo preso.
Sam leu rapidamente, a mandíbula contraída.
— Vou mandar buscarem o prefeito.
Ele fez um sinal para um dos oficiais, que saiu imediatamente.
Minutos depois, a porta se abriu e Edward entrou, ainda com o uniforme laranja, mas com postura ereta.
Seus olhos pousaram rapidamente em Jacob.
Sam Ulley descansou em sua cadeira — O Prefeito Cullen, está sendo liberado. Mas atenção: não saia da cidade, mantenha contato diário com a polícia e esteja disponível para depoimentos sempre que for chamado.
— Entendido.
Sam fez um gesto para os guardas saírem.
Quando ficaram apenas os advogados, Jacob e Edward, o prefeito se aproximou.
Edward olhou para Jacob e sussurrou — Obrigado… por não me abandonar.
— Não abandonei… nunca abandono um amigo.
Edward assentiu, e os dois trocaram um olhar firme antes de deixarem a sala juntos.
O carro preto parou em frente à residência dos Cullen, e imediatamente os flashes começaram a disparar.
Edward, ao lado de Emmett Cullen, Jacob e Marcos Ferraz, manteve o olhar fixo à frente, ignorando as perguntas que voavam de todos os lados.
— Prefeito, é verdade que o senhor foi acusado de mandar matar Charlie Swan?
— Quem realmente matou o ex-chefe de polícia?
— Como o senhor se sente em liberdade provisória?
Edward não parou para responder. O semblante sério deixava claro que ele não pretendia dar entrevista.
Jacob e Emmett abriram caminho, enquanto Marcos Ferraz fechava a retaguarda, impedindo que qualquer jornalista chegasse perto demais.
Ao atravessar a porta de casa, o clima mudou.
O silêncio da sala contrastava com o tumulto lá fora.
Bella foi a primeira a se mover — correu até o marido, jogando-se nos braços dele e o beijando com força, como se quisesse compensar todos os dias que estiveram separados.
Logo depois, Renesmee apareceu, os olhos marejados.
— Pai… — ela disse, antes de abraçá-lo com força, enterrando o rosto no ombro dele.
Edward fechou os olhos e a apertou contra si.
— Eu estou aqui, querida… e não vou a lugar nenhum.
Atrás dela, Henry surgiu, hesitante, até que Edward se agachou para recebê-lo nos braços.
O menino se agarrou ao pai, e Edward o ergueu, beijando-lhe a testa.
Jacob observava de onde estava, os braços cruzados, mas com um olhar de alívio.
Emmett, ao lado dele, deu um tapinha nas costas do amigo.
— Pelo menos hoje… temos uma vitória.
Renesmee caminhava lado a lado com Jacob, sentindo o calor protetor da mão dele entrelaçada à sua. O coração dela estava dividido entre a felicidade de ter o pai em casa e a angústia que a mensagem anônima da noite anterior ainda lhe causava.
Ela respirou fundo, decidindo não compartilhar aquilo com Jacob — não agora.
— Jake… obrigada — disse em voz suave, apertando a mão dele. — Obrigada por estar ao lado do meu pai. Você não faz ideia de quanto isso significa para mim.
Jacob parou e a olhou nos olhos, sério.
— Nessie, eu acredito nele. Edward Cullen não tem nada a ver com a morte de Charlie. Essa história fede a armação, e eu vou descobrir a verdade.
Ela sorriu timidamente, tentando esconder o nervosismo.
— Eu sei que vai.
Jacob passou a mão pelos cabelos, ainda pensativo.
— Mas você… como está se sentindo? Fiquei preocupado com seu desmaio no cemitério.
Renesmee desviou o olhar, buscando uma desculpa rápida.
— É só… cansaço. Na verdade, eu estava pensando em dar uma passada no Verdade Urbana amanhã. Pode ser bom pra mim, sabe? Me distrair um pouco.
Jacob arqueou a sobrancelha.
— Distrair? Nessie, não sei se é a hora…
Ela se apressou em sorrir, escondendo a verdadeira razão por trás da ideia.
— Jake, é só preciso respirar. Vai ser bom sair um pouco da tensão daqui. Eu prometo que vou ficar bem.
Ele suspirou, claramente ainda desconfiado, mas acabou cedendo.
— Tá… talvez seja bom mesmo. Mas eu queria estar lá com você.
Renesmee se inclinou e o beijou, suave e demorado.
— Você já faz tanto por mim e pela minha família. Só de estar aqui, já me sinto protegida.
Jacob sorriu, mas seus olhos ainda traziam preocupação.
— Eu preciso ir agora, nos vemos a noite. Nessie… fica longe de problemas. Promete?
Ela assentiu sem hesitar, escondendo o nó na garganta.
— Prometo.
Jacob beijou sua testa e se afastou.
Assim que ele desapareceu pelo corredor, Renesmee soltou o ar preso nos pulmões. Sua mão deslizou discretamente até o bolso do vestido, onde o celular guardava a mensagem anônima.
“Se você quer ver seu pai livre, me encontre no Verdade Urbana amanhã, às 9 horas.”
Ela encarou a tela por alguns segundos, o coração acelerado.
Não, ela não podia contar a ninguém. Nem mesmo a Jacob.
Esse encontro era algo que só ela poderia enfrentar.
A manhã estava fria e cinzenta em Seattle, o tipo de dia em que o vento úmido do mar parecia atravessar a pele e grudar nos ossos. Renesmee saiu discretamente da casa dos pais, sem chamar atenção. O coração dela batia rápido, mas o rosto se manteve calmo — como se fosse apenas mais um passeio.
Chamou um táxi, e durante o trajeto encarava a cidade que ia ficando para trás. Os arranha-céus foram cedendo lugar a construções industriais, armazéns enferrujados e o cheiro salgado da baía. Quando o carro parou, ela soube que havia chegado:
Armazém 17.
O prédio era imenso, de tijolos gastos e janelas quebradas, cercado por cercas metálicas enferrujadas. Portões de ferro estavam abertos, rangendo ao balanço do vento. Pombos voavam assustados pelas vigas enferrujadas do teto semiaberto. O silêncio ali era quase sufocante, interrompido apenas pelo som das ondas batendo contra o cais próximo e o eco de algum objeto metálico rolando no chão.
O taxista olhou desconfiado para o lugar.
— Tem certeza de que é aqui, senhorita?
Renesmee respirou fundo, engolindo o medo.
— Sim, pode me deixar.
Ela desceu do carro e ficou parada por alguns segundos, observando as sombras que se estendiam dentro do galpão. Não havia ninguém. O armazém parecia abandonado há décadas.
Seus passos ecoavam pelo piso de concreto rachado enquanto ela entrava, os olhos atentos a cada detalhe.
— Oi — sua voz saiu quase como um sussurro. — Tem alguém aqui?
Nenhuma resposta. Apenas o vento que atravessava as frestas das paredes.
Ela caminhou mais fundo, sentindo a ansiedade crescer. Será que tinha sido enganada? Ou pior… estava caindo numa armadilha?
De repente, um som atrás dela. Um estalo de sapato contra o concreto.
Renesmee se virou rápido, o coração disparando.
Das sombras, uma silhueta surgiu. Primeiro, o contorno do corpo alto. Depois, o rosto se revelando quando a luz cinzenta da manhã atravessou as janelas quebradas.
Era ele.
— Achei que você não viria, Renesmee.
Os olhos dela se arregalaram, misto de surpresa e desconfiança.
— Noah? — sua voz tremeu. — Foi você quem mandou aquela mensagem?
O sorriso dele se alargou, mas seus olhos traziam uma intensidade perturbadora.
— Me desculpe por não escolher um lugar mais romântico para nosso primeiro encontro.
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