O quarto estava mergulhado numa penumbra suave, iluminado apenas pela luz que entrava pelas frestas das cortinas. O calor entre eles ainda vibrava no ar, e Renesmee sentia o coração acelerar como se tivesse corrido uma maratona.

Jacob a segurava junto dele, a respiração lenta começando a se alinhar com a dela. Ele a observou por alguns segundos, como se tentasse gravar cada traço de seu rosto na memória.

— Casa comigo, Nessie… — disse com a voz grave, mas carregada de um carinho e intensidade.

Ela riu baixinho, os dedos percorrendo o maxilar dele.

— Jake… nós já estamos noivos.

— Eu sei. — Ele sorriu de lado. — Mas eu quero dizer… casa comigo amanhã.

A gargalhada dela preencheu o quarto.

— Amanhã? Você quer ver o prefeito Cullen ter um ataque cardíaco, é isso?

Ele ergueu as sobrancelhas, fingindo inocência.

— Nesse caso… daqui a um mês.

O riso de Nessie cessou, e ela ficou séria, encarando-o.

— Você tá falando sério?

Jacob não desviou o olhar.

— Nunca falei tão sério em minha vida.

Ela piscou, surpresa, e depois mordeu levemente o lábio inferior.

— E como você pretende organizar um casamento em um mês?

O sorriso dele voltou, confiante.

— Eu tenho meus meios… — sussurrou, aproximando-se para um beijo que, mais uma vez, fez o tempo perder qualquer importância.




A chuva fina caía sobre Seattle, deixando as ruas brilhando sob as luzes da viatura. Sirenes ecoavam enquanto a gangue do Corvo tomava mais um prédio público, o caos se espalhando pelas ruas.

O Lobo da Noite corria pelos telhados próximos, o motor da moto ainda ressoando na sua mente. Harry, pela comunicação, informava cada movimentação da polícia.

— Atacaram o prédio do Departamento de segurança Pública. — a voz de Harry soou tensa. — A SWAT já está cercando, mas o Secretário de Segurança está como refém.

Jacob não hesitou. Saltou da beira do prédio, arrombou uma janela e caiu no meio de dois homens mascarados. O som seco dos impactos ecoou, e eles caíram inconscientes.

— Secretário está no terceiro andar! — gritou um dos policiais, apontando o caminho.

O Lobo da Noite apenas assentiu e seguiu, derrubando cada inimigo que cruzava seu caminho. O cheiro de pólvora chegou primeiro… e depois, os disparos.

Ele arrombou a porta do escritório principal.

A cena o paralisou por um instante: Charlie Swan, caído no chão, um tiro no peito, o sangue escorrendo lentamente. Perto dele, o homem mascarado do Corvo estava desacordado, provavelmente atingido por um golpe antes de conseguir fugir.

Os passos apressados da polícia ecoaram no corredor, e Sam Ulley foi o primeiro a entrar. Seu olhar encontrou o corpo de Charlie, e por um segundo a fúria e a dor se misturaram.

Sem dizer nada, Sam se aproximou do prisioneiro, ajoelhou-se e puxou a máscara com força.

O rosto pálido e frio de Alec Volturi surgiu diante de todos.

— Então… era você. — Sam murmurou, a voz carregada de raiva.

O Lobo permaneceu parado na penumbra, as garras ainda contraídas, sentindo o peso do momento.


Sam ainda olhava para o rosto desacordado de Alec Volturi quando deu a ordem, firme:

— Levem o Corvo para a viatura. Quero ele algemado e cercado até a central.

Dois policiais se apressaram, arrastando o corpo inerte de Alec.

Sam respirou fundo, contendo a mistura de ódio e tristeza, e olhou para a sombra junto à janela.

— Você… prendeu o Corvo. Por mais que eu odeie admitir, obrigado, Lobo.

Jacob não respondeu. Apenas deu um passo para trás, deixando que a escuridão o engolisse, e sumiu sem emitir um som.

No fundo, algo não fazia sentido algum. O ataque, a presença de Charlie ali, a forma como Alec estava desacordado… Era como se o quadro tivesse peças trocadas.

Mas o quebra-cabeça teria que esperar.

O peso maior vinha agora — o momento mais difícil de todos.

Jacob acelerava a moto pela estrada molhada, o capacete escondendo o rosto contraído. Os faróis cortavam a escuridão, mas nada iluminava a pergunta que ecoava na sua mente:

Como contar para Renesmee que o avô dela… estava morto?



A luz suave do amanhecer filtrava-se pelas cortinas, iluminando o quarto de Jacob.

Renesmee despertou lentamente, ainda sentindo o calor da noite anterior, mas logo percebeu que o ar estava denso, pesado.

Jacob estava em pé, encostado na parede, ainda vestindo o uniforme do Lobo da Noite, mas sem a máscara. O olhar dele estava perdido, como se tivesse voltado de um lugar do qual não queria falar.

— Jake…? — a voz dela foi suave, sonolenta, mas cheia de preocupação. — Você está bem?

Ele caminhou até a cama e se sentou ao lado dela. Por um instante, apenas a olhou, como se quisesse gravar cada detalhe do rosto dela antes de dizer o que precisava.

— Pegamos o Corvo… — disse enfim.

O espanto tomou conta de Renesmee, e um sorriso tímido e surpreso surgiu em seus lábios.

— Isso é… bom, não é?

Jacob segurou a mão dela, a palma quente envolvendo a dela com força. Respirou fundo, o peso na voz quase quebrando.

— Me perdoa, Nessie…

Ela se endireitou na cama, alarmada.

— Por que você está pedindo perdão?

Os olhos de Jacob brilhavam com lágrimas que ele tentava conter.

— Eu… não cheguei a tempo. O Corvo atacou o prédio de Segurança Pública…

O coração de Renesmee começou a bater mais rápido. O sangue gelou em suas veias.

— Meu avô… Charlie…

Jacob fechou os olhos por um segundo e balançou a cabeça, incapaz de dizer de outra forma.

— Ele está morto, Nessie.

A expressão dela se quebrou num instante, e um soluço rasgou seu peito.

Ela levou as mãos ao rosto, a dor escapando em lágrimas pesadas.

Jacob a puxou para seus braços, abraçando-a com força enquanto sentia a respiração dela tremer contra o peito.

Ele não disse mais nada. Não havia palavras que pudessem aliviar aquilo.



O céu de Seattle estava coberto por um cinza pesado, e uma névoa fina se espalhava pelo ar frio da manhã. O cemitério, antigo e cercado por grandes árvores de troncos escuros, guardava fileiras de lápides gastas pelo tempo. Entre elas, um espaço novo havia sido aberto, ladeado por coroas de flores e fitas com homenagens.

O caixão de Charlie Swan, coberto pela bandeira da polícia, repousava sobre o suporte metálico ao lado da cova. Policiais uniformizados formavam uma guarda de honra impecável, os rostos sérios, alguns marejados. O som distante de gaivotas misturava-se ao silêncio respeitoso da multidão.

Renesmee permanecia colada à mãe, segurando firmemente a mão de Bella, que parecia ter envelhecido anos desde a noite anterior. O rosto dela estava pálido, os olhos vermelhos.

Nessie sentia seu próprio coração apertar, mas sabia que não podia desmoronar ainda — sua mãe precisava dela.

Do outro lado, próximo aos colegas de farda, Jacob observava de longe. Ele não usava o traje do Lobo da Noite, mas o peso daquela noite ainda estava em seu semblante. Nessie desejava mais que tudo estar nos braços dele, mas sabia que Bella não aguentaria ficar sozinha naquele momento.

A homenagem começou.

Um dos capitães da polícia subiu ao pequeno púlpito improvisado e falou sobre a coragem e a integridade de Charlie Swan, lembrando seu compromisso com a lei e com a cidade. Em seguida, o som de um trompete ecoou pelo cemitério, tocando a melodia triste e solene que cortava a névoa como uma lâmina.

Os tiros de salva de honra ressoaram três vezes no ar, fazendo com que muitos se encolhessem com o impacto.

Bella fechou os olhos e apertou a mão da filha com força.

Por fim, o caixão foi baixado lentamente à terra.

Nessie sentiu como se uma parte de sua própria história estivesse sendo sepultada junto.

Ela se afastou alguns passos, deixando Bella ser amparada por Esme e Carlisle. Alice se aproximou com um olhar preocupado.

— Como você está, Nessie?

A jovem respirou fundo, tentando manter a voz firme.

— Eu… não entendo por que fizeram isso com meu avô. Ele não merecia.

Antes que Alice pudesse responder, Jacob se aproximou em silêncio. Ele não disse nada, apenas abriu os braços. Nessie se lançou contra ele, enterrando o rosto em seu peito largo, sentindo o conforto que tanto precisava.

Alice observou a cena, e um pequeno sorriso triste surgiu em seus lábios.

— Então, você é Jacob Black… — disse, com a voz baixa, mas calorosa. — É um prazer finalmente conhecer o noivo da minha sobrinha.

Jacob a olhou e acenou com a cabeça, apertando ainda mais o abraço em Nessie.

Se quiser, posso seguir mostrando o momento em que Jacob e Nessie deixam o cemitério juntos, já conspirando sobre a ligação entre o Corvo e Alec Volturi. Isso pode marcar o ponto de virada para a próxima investida contra ele.


O vento frio do cemitério parecia cortar a pele enquanto as pessoas começavam a se dispersar, caminhando lentamente em direção aos portões de ferro trabalhado. O som grave das dobradiças ecoava pelo ar úmido, misturando-se ao murmúrio de vozes baixas.

Renesmee seguia ao lado de Bella, com Jacob e Alice logo atrás, quando um movimento à frente chamou a atenção de todos.

Um grupo de viaturas havia se aproximado e estacionado junto à saída. Quatro policiais armados e uniformizados formaram um corredor, abrindo espaço para a figura imponente de Sam Ulley, com o rosto duro e o olhar fixo.

Ele caminhou até Edward Cullen, que estava prestes a entrar no carro da família, e falou com uma formalidade gelada:

— Senhor prefeito… preciso que nos acompanhe.

Um silêncio pesado caiu sobre todos. Carlisle deu um passo à frente, a expressão incrédula.

— Sam… o que está acontecendo?

Sam manteve a postura.

— O prefeito Edward Cullen está sendo acusado de ordenar a morte de Charlie Swan.

As palavras caíram como um trovão. O mundo de Renesmee pareceu parar.

— Isso não é verdade! — ela gritou, a voz trêmula, avançando um passo. — Meu pai jamais faria algo assim!

Jacob colocou a mão no ombro dela, tentando acalmá-la.

— Deve ser um mal-entendido, Ness…

Mas a jovem estava fora de controle, o rosto tomado pelo choque e pela raiva.

— Sam, pare com isso! — ela tentou se aproximar, mas dois policiais bloquearam o caminho.

Edward não resistiu, apenas olhou para a filha com um semblante grave e sereno, como se dissesse silenciosamente para ela confiar.

— Cuida da sua mãe — foram suas últimas palavras antes de ser algemado.

Renesmee gritou o nome dele, a voz se quebrando, mas antes que pudesse continuar, um turbilhão de emoções a atingiu: a dor pela perda do avô, a prisão do pai, o medo do que viria… e tudo ficou turvo.

Jacob percebeu no instante em que o corpo dela perdeu as forças.

— Nessie! — ele a segurou antes que caísse no chão. Seu coração disparou.

Ignorando o burburinho ao redor, ele a ergueu nos braços com cuidado e correu até o carro. Harry, que já estava ao volante, abriu a porta rapidamente.

Jacob a acomodou no banco traseiro, a mão firme segurando a dela.

— Aguenta, meu amor… eu tô aqui. — E fechou a porta antes que qualquer repórter ou policial se aproximasse.

O carro arrancou, deixando para trás o caos à entrada do cemitério.