NH | Uma novata em Hogwarts
16 Uma partida de xadrez
Notas iniciais

Para minha surpresa não embarcamos no expresso Hogwarts, mas sim no luxuoso carro dos pais de Draco.
Quando vi Lúcio, logo lembrei de quando caímos dentro do ministério, minha espinha automaticamente congelou –porque calafrio foi pouco –Não tinha noção de como reagir, então eu sorri e acenei, de um jeito meio robótico, mas acenei.
A mãe dele parecia ser uma mulher mais calma que Lúcio, e foi ela mesmo que veio me cumprimentar, com um sorriso que eu não sabia dizer se era felicidade ou apenas boa recepção.
Narcisa: Emily! –Ela pegou uma das minhas malas e pediu para que Lúcio colocasse no porta malas, logo me deu um beijo no rosto e se apresentou como Narcisa Malfoy –É um prazer tê-la conosco!
Emily: O prazer é meu senhora Malfoy –Trouxe à tona a reverência que eu tratava as pessoas no internato... Eu gostava desse modo de ser.
Draco pareceu espantado com minha cortesia, mas logo sorriu de lado, como uma surpresa boa.
Narcisa: Lúcio não é muito de falar, não se assuste. –Piscou.
Confesso que me senti bem confortável perto dela. Ao contrário de Lúcio ou Draco em alguns momentos. Revirei os olhos toda sorriso.
Draco: Você vai adorar –Sua voz soou esnobe, então prestei bem atenção no que ele iria dizer para se achar tanto –A casa é gigante, e muito bem arrumada, temos empregadas que te farão se sentir muito rica.
Emily: Ah, tá... –Olhei meio de lado com um sorriso sarcástico.
Acho que ele não lembra que os quartos daquele internato eram extremamente luxuosos, e tudo era incrivelmente lindo e arrumado –Menos as pessoas, essas eram uma bagunça.
...
Uma fonte luxuosa, paredes luxuosas, tinta luxuosa, chão luxuoso, carros, móveis, plantas, ar luxuoso. É, essa é a simples descrição da “casinha” deles. Até as empregadas eram lindas. Além de empregadas tinha uma elfo doméstico que estava logo na sala de entrada. Ela limpava os cantos do chão resmungando algo impossível de entender.
Lúcio rangeu os dentes ao vê-lo, e eu podia jurar que iria chuta-lo. Mas minha presença pareceu atrapalhar seu feito.
Narcisa: Draco, mostre o quarto de Emily. É o quarto 22, ao lado do seu. –Mandou e logo pediu para Lúcio buscar as malas e levar lá para cima.
Draco tomou rumo a uma escadaria gigante –não tanto quanto a de Hogwarts –e no topo dela tinham vários quartos, salas diferenciadas, janelas enormes... Eu pensava que iria lembrar o internato, porém o internato era rústico e confortável, aqui era algo bem mais de alta sociedade. Eu não me sentia tão bem com coisas gigantes assim, preferia coisas grandes e confortáveis à coisas grandes e engomadas. Mas tudo era lindo.
Draco: Este é seu quarto. –Ele também não sabia como estava arrumado, dado que ele estava em Hogwarts nesse tempo.
Abriu a porta e minha boca também abriu. Eu retiro totalmente o que eu disse sobre coisas engomadas e nada confortáveis! Eles pareciam saber totalmente meu gosto! Era um quarto de “princesinha” assim como o que eu tinha antigamente. Porém o assoalho era diferente, era madeira e não mármore... As paredes tomaram um papel de parede rosa velho –cor linda da porra –estampado com flores rústicas na mesma cor. A cama com véu, e lençóis em veludo púrpura... Tapetes de bichinho, e a penteadeira de madeira que eu sempre sonhei, com cristais adornando o espelho. Na janela uma cortina branca até o chão, no mais puro linho. Todos os móveis, gavetas, e até mesmo o closet acompanhava a penteadeira.
Descrevi mesmo, eu fiquei muito feliz! Cada detalhe daquilo ficou marcado em minha cabeça. Nem consegui olhar para Draco antes mesmo de correr e me jogar naquela cama, com um sorriso enorme no rosto.
Emily: Isso tudo é muito lindo! Como vocês sabiam que eu gostava tanto desse estilo, dessas cores...?
Draco: Você acha que eu sei? –Ele estava tão surpreso quanto eu.
Narcisa brotou ao lado dele e Lúcio adentrou no quarto, com um ar patético pairando sobre ele. Deixou a mala e saiu.
Narcisa: Gostou?
Emily: Eu amei de todo o meu coração! Eu achava que só minha mãe saberia de tudo isso!
Narcisa sorriu acolhedora e abraçou Draco que estava a seu lado no batente da porta.
Narcisa: Nós vamos deixa-la a vontade, estarei lá em baixo na copa, arrumando o jantar com Lucy, uma das empregadas. Draco vai me ajudar, não é, querido?
Sua expressão mudou para “Socorro”... Não pude deixar de rir e então eles saíram fechando a porta. Pulei para arrumar minhas coisas. Abri o closet e tinha várias roupas novas, e todas no estilo pomposo e cheio de babados, que eu amava... Como eles sabiam de tudo isso?
Abracei Vicentte que acabara de pegar na mala e deitei de bruços olhando para ele na cama. Depois de alguns segundos sorri um pouco e tirei meus sapatos com os pés mesmo. E levantei para me vestis no closet.
Meus olhos brilhavam com cada vestido lindo dali. Escolhi um bordô, com anágua branca, de mangas compridas e botões.
Emily: Que coisa mais linda... –Apreciei de frente o espelho.
Ouvi Draco gritando meu nome para que eu descesse, coloquei um sapatinho preto que tinha ali e desci toda feliz.
...
Emily: Está incrível, senhora Malfoy. –Elogiei o penne de vegetais ao molho branco, que estava divino.
Narcisa: Não precisa ser tão formal assim. –todos concordaram e fiquei encabulada.
Lúcio: Dois dias para essa merda de feriado... Tsc. –Reclamou.
Narcisa: Dois dias para a véspera –Corrigiu. – E não fale “palavrões” a mesa! Tenha mais etiqueta!
Lúcio soltou um “meh” e tornou a comer sem me encarar. Pelo menos aqui eles não tem frescura de mil garfos para coisas diferentes.
Suspirei aliviada, eu nunca tive paciência para essa coisa dos garfos no internato. Fiquei um tempo comendo em silêncio até que Draco murmurou:
Draco: E o que vamos fazer no Natal?
Emily: está falando comigo? –Acordei de meu transe.
Draco: Se eu estivesse falando com todos, não estaria murmurando. –Respondeu com secura.
Emily: Ah, na verdade eu não sei... Não me lembro como é passar o natal em "família" –Fiz as aspas com a mão –Eu meio que me sinto uma intrusa aqui.
Draco resmungou antes de dizer:
Draco: Somos a única família que você tem, ao menos tenha a cortesia de nos tratar como tal.
Emily: Quer que eu te chame de irmãozinho agora? -Debochei rindo um pouco, mas por dentro eu estava triste por saber que eles só me tratariam como família, mas a minha verdadeira não é eles.
Draco: Não, isso seria estranho. -ele deu um sorriso de canto- Apenas... Estamos tentando te fazer sentir em casa, você sabe, não sabe? E eu quero que o Natal seja... Diferente ao menos essa vez.
Meu rosto ruborizou e olhei para meu colo, apertando o lenço que havia colocado ali por educação. Ele parecia meio chateado com coisas da vida... Não consegui mais olha-lo no rosto.
Draco: Emily, atualmente as coisas tem se complicado, por isso eu...
Narcisa: O que vocês dois estão cochichando aí? -ela sorriu docemente apesar de sua voz transparecer um pouco de preocupação.
Draco parecia estar num momento de sensibilidade e precisava de alguém para conversar, e claramente eu era a única ali que ele podia dizer algo -e convenhamos que eu não era a pessoa que ele mais confiava.
Emily: Ah, a gente só estava conversando sobre jogar xadrez depois de terminar a janta, não é mesmo? –Eu já havia terminado, então levantei com uma reverencia e o chamei com o olhar para subirmos.
Draco pediu licença e me seguiu. Narcisa nos seguiu com o olhar até desaparecermos pelo corredor do primeiro andar.
Draco: Uh, Hu, Xadrez?
Ouvi Narcisa dizendo de fundo "Desde quando Draco joga xadrez?".
Emily: É, "xadrez" -Gesticulei novamente as aspas.
A pergunta de Narcisa foi respondida por Lúcio: "Talvez seja a Emily que gosta.".
Draco: O quer conversar comigo, jogadora?
Segui calada até meu quarto e fechei a porta atrás de mim, ele parado em minha frente meio sem entender. Respondi tua pergunta a seguir.
Emily: Talvez seja você que precise conversar. -Fitei o chão, insegura de ele me esnobar.
Ele deu um sorriso inesperado e também fitou o chão.
Draco: Sobre o quê exatamente?
Emily: Você... Parece inseguro. –“Mais do que eu", pensei.
Ele mudou imediatamente a postura, assumindo uma defensiva.
Draco: O que acha que eu estou sentindo? Não sou o tipo de pessoa que se deixaria abater por qualquer coisa, e você deveria saber disso. –Antes que eu pudesse rebater ele se dirigiu à porta e a abriu, pronto para sair- Se preocupe consigo mesma.
O baque que a porta fez quando ele a fechou com rudez nem se comparou ao baque que ecoou surdo na minha mente.
Emily: Achei que família se preocupasse com os outros! –Gritei para que ele escutasse. E acho que funcionou, pois seus passos pareceram parar por um instante, e logo começaram a correr.
Ouvi a porta ao lado bater e respirei fundo. Abaixei a cabeça, me sentindo mal por talvez ao invés de ajudar, ter piorado seu "estado".
Fiquei pensativa se deveria ir até lá com um desenho ou deixar um bichinho de pelúcia com um bilhete escrito "me abrace".
Decidi por fim que aquele tipo de coisa não fazia o estilo de Draco, então decidi apenas deixar um bilhete escrito "Eu estou aqui" por baixo da porta.
Voltei para meu quarto e permaneci com aquele lindo vestido. Dançando valsa sem ninguém ver.
Eu sentia, em minha valsa silenciosa, que muitas coisas estavam para acontecer, coisas importantes que eu não poderia simplesmente ignorar. Por isso eu dançaria daquele jeito, na tranquilidade ainda não quebrada, esperando ansiosa que ele percebesse meus sentimentos naquele pedaço de papel.
Alguns minutos depois, vi em baixo de minha porta um papel. Corri para abrir, sabia que era de Draco.
"Você é muito boba" e logo depois um outro bilhete caiu.
"O problema não é você estar, é até quando vai ficar."
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