NEW STARK | the avengers [1] ✓
42 Rastros deixados para trás
Eu poderia ter te mostrado todas as cicatrizes no começo
Mas essa sempre foi a parte mais difícil
Veja, eu estou apaixonado por como sua alma é uma mistura de caos e arte
E como você nunca tenta mantê-los separados
Dermot Kennedy — Outnumbered
Pisei meus pés sob a calçada e senti a brisa gélida soprar em meu rosto, estremeci, apertando o sobretudo ao redor do meu corpo. Em seguida, encaminhei-me para longe do edifício com aparência deplorável. Tive a percepção que minha mente entrava em ebulição e isso me fez suspirar. Parei no meio do caminho, fechei meus olhos e passei a mão fria sobre minha testa em uma tentativa de espantar a confusão. Ao mesmo tempo que me sinto arrependida por não ficar em casa, também sinto-me aliviada por ter descoberto a verdade sobre mim. No entanto, gostaria de ter descoberto tudo o que descobri através de minha mãe, Lígia Denova.
Queria que ela tivesse contado-me a verdade.
Tento controlar o turbilhão de emoção que tomou conta de mim, tento me manter no controle da situação. Mas sei que isso é impossível, pois nunca tive controle sobre nada.
Fraca. Meu subconsciente sussurra.
Tento visualizar como teria sido se minha mãe tivesse me contado a verdade, mas não consigo dizer qual seria minha reação. Naqueles tempos, em Central City, eu me encontrava em uma fase complicada. Era difícil ter domínio sobre mim ou sobre meus impulsos. Era difícil não estourar por qualquer coisa... e como podemos ver, não obtive êxito neste quesito por muito tempo. De qualquer forma, eu era inconstante demais para ouvir qualquer coisa que minha mãe tivesse a me dizer. No final, eu não posso culpá-la por me esconder. Não posso culpá-la por nada, pois, é por minha causa que ela... Sinto um espasmo em meu peito, meu coração se contorce e eu respiro fundo.
Respire...
Volto a pensar no assunto anterior.
Talvez minha reação não teria sido tão... como eu digo? Pacífica? Sim, pacífica. Declaro com veemência que aceitei a história contada por Black muito mais rápido do que pensei que seria. Em compensação, sinto que meu interior está uma bagunça, cheio de questionamentos e "e se's".
E se... e se... e se...
Argh!
Eu tomei uma decisão, não irei voltar atrás.
Levanto meu rosto e abro meus olhos, em seguida, volto a caminhar. Enquanto ando, sem dar-me folga para descansar, minha mente imagina todas as razões que levou minha mãe a fazer tudo o que fez, depois, penso nessa tal Corte atrás de mim. E, principalmente, penso em meus problemas internos, como a minha leiguisse na arte de manusear a porra desses poderes que, até hoje, apenas trouxe-me problemas. Tony vai me matar quando descobrir tudo o que sei, pior, que eu não contei nadinha de nada.
Então pai... eu não sou desse universo, você acredita? Pois é bonitão, parece que você dormiu com um E.T. Bufo, evitando um riso, divertindo-me com minha própria desgraça. Em meio ao meu devaneio, me pego pensando em uma outra coisa. Se há tantas realidades existentes, é possível que exista uma em que Harry Potter, Percy Jackson ou até mesmo Jogos Vorazes exista?
Brinco com meus pensamentos. São tantas as possibilidades...
Sinto que meu mundo se tornou maior.
— Sua mãe, eu, você. Nós não pertencemos a este mundo.
Talvez, em meu íntimo, eu sempre soubesse disso. Minha falta de jeito em me encaixar em lugar nenhum. Aquela sensação de não pertencer a este mundo. É... bom, acho que no fundo, eu sempre soube da verdade.
Caminho por New York observando as pessoas, pensando em como somos ignorantes em relação ao nosso mundo. Tantos humanos brigam por terras, quando, aparentemente, há a merda de um milhão de realidades com tanto, tanto espaço. Certa vez, li um artigo que dizia: nossa terra é apenas um pequeno palco em uma imensa arena cósmica. E droga, afirmo com segurança que ninguém nunca lerá algo tão correto. Porra! Xinguei, rindo mentalmente. Esse assunto todo me deixou estranha.
Mais estranha.
Paro em um ponto de táxi com meu subconsciente ainda fervilhando. Fico reprisando a conversa anterior que tive com o Christian Black. Ainda é difícil pensar que sou caçada por uma gente estranha. Toda a situação me faz imaginar, aleatoriamente, que em algum momento pode surgir um cosplay de Tamlin, ameaçando levar-me para a Corte Feérica da Primavera. E com a escolha que eu tomei, sei que não irá demorar para que algo assim aconteça. Isso é um saco, viu! É uma merda atrás da outra. Tenho até medo de pensar que nada pode ficar pior, pois, sei que o destino gosta de tirar uma com a minha cara.
Avistei um táxi ao longe, acenei e ele estacionou em minha frente. Entrei.
— Boa tarde. — ouvi o taxista desejar, no entanto, suas palavras não me foram ouvidas. Meus pensamentos estavam submersos, os sons exteriores encontravam-se abafados pela barulheira em meu consciente. Segundos depois e eu pude ouvir a voz do motorista atravessar a barreira que abafava meus pensamentos. — Está tudo bem com você, moça? — perguntou-me, pisquei meus olhos e balancei a cabeça, um tanto desnorteada.
— Quê? Quero dizer... sim, sim. — afirmei, pigarreando para que minha voz soasse firme. — Estou bem, obrigado. — o homem não pareceu acreditar em minhas palavras. — Pode ir. — eu disse. — Eu aviso que caminho seguir. — o motorista, sem mais nada a fazer ou dizer, concordou com um aceno.
Peguei meu celular e teclei uma mensagem. Pelo horário, é possível que Lúcia ainda esteja na faculdade, e eu não me encontro com a mínima vontade de retornar para casa, desta forma....
Está ocupado?
A resposta veio minutos depois, e eu dei a direção ao motorista, esforçando-me a esquecer o que aconteceu no número 2096, mesmo que o atual conhecimento não me abandonasse. O restante do caminho foi, basicamente, eu tentando acalmar meu ser atordoado, mesmo que não estivesse tendo grande desempenho nesta função.
***
O tilintar da campainha fez-se ouvir, e eu dei um passo para trás, aguardando por ele. Observei, com uma careta, a porta ao lado, pertencente ao outro residente daquele edifício. Eu sei que não é mais aquele prédio, sendo assim, uma vizinhança diferente. No entanto, isso não muda o fato de que eu acabei pegando um certo trauma por vizinhos. Em meio ao meu pensamento cismado, pude ouvir o som de passos. Sem que eu deixasse, meu coração acelerou. Pus a mão sobre meu peito e revirei os olhos a mim mesma.
A porta abriu e eu me voltei para Steve Rogers, que agarrou meu braço e me puxou para ele. Deixei escapar um grito agudo, com o susto surpreso, e ri logo em seguida.
— Okay, entendi, você sentiu saudades. — brinquei, enquanto todas as minhas aflições desapareciam.
O olhar preocupado que eu ligeiramente notei no herói, desapareceu com a diversão que tomou conta de seus olhos azuis.
— Boba. — Steve murmurou, sorriu e então segurou meu rosto com as duas mãos, pressionando seus lábios contra a minha testa.
Poxa!
O abracei e retribui o carinho, dessa vez, beijando seu queixo seguindo para cima, alcançando sua boca. Steve segurou minha cintura e eu me aproximei um pouco mais. Sorri logo depois. É assim, aprendeu? Pensei, rindo internamente. Um pigarrear nos separou e Steve se apressou em fechar a porta de entrada, guardando minha bolsa que ficou com ele. Sei que sua ação foi uma tentativa de evitar o olhar que Sam Wilson nos lançou. Quase voltei para beijar Steve novamente, apenas para poder ver aquele olhar constrangido e encantador, mais uma vez.
Sim Steve, eu sou uma boba. Uma boba apaixonada. E nem faço questão de negar este fato.
— Como de costume, aparecendo na hora errada, hmm. — alfinetei Sam Wilson, que ri descaradamente, divertindo-se com a situação. Quase bufei.
— Juro que não foi intencional. — seu tom foi sarcástico.
— Acredito. Mas e então... como vai, TinkerBell?
— Engraçada. — seu riso cessou e Wilson lançou-me uma careta. — Mas vou bem, não tão bem, mas bem. Obrigada pela preocupação.
— Preocupação não, educação.
— Ah! E você conhece essa palavra?
— Terminaram de lançar farpas um para o outro? — Steve aproximou-se, parando ao meu lado e repousando uma mão sobre minhas costas, na altura dos ombros. — Sinto que estou sobrando. — completou, reprimindo um sorriso.
— Isso é ciúmes? — lanço-lhe um sorriso. — Não se preocupe, lindo. Wilson é todo seu.
— Ha-ha-ha. — Sam fingiu uma risada. Ri, balançando a cabeça.
— Como foi seu dia? — Steve perguntou-me.
Meu dia?! Ruim, estranho, péssimo? Todos os três?
— Razoável. — respondi, aproximando meu corpo do dele. — Dei um fora em um professor hoje. — comentei com um sorriso, enquanto caminhávamos pelo apartamento. Olhei a arrumação do herói, mas voltei-me para Steve quando senti seu corpo tencionar. Pensei sobre minhas palavras não filtradas e tive a sensação de que deveria ter ficado calada. — E... — trinquei o maxilar e parei. — Foi isso. — completei com um sorriso, torcendo para que ele não parecesse falso como eu imaginava.
O olhar sério de Steve, a tensão no ar e o silêncio seguinte me disseram que eu, definitivamente, deveria ter ficado calada, também disseram que eu deveria ter sorrido e dito que meu dia havia sido ótimo, não conturbado como realmente foi. No entanto, a verdade é que eu estou tão cansada. Num instante eu tento seguir em frente, e no outro, eu descubro tudo o que está encoberto. Descubro que minha vida inteira foi rodeada de mentiras e segredos, não somente contadas por mim, mas a mim. A mentira está no sangue. Posso ouvir uma parte de mim dizer, bem no fundo de minha mente.
Sam Wilson mirou-me e arqueou as sobrancelhas, antes de voltar-se a Steve para, em seguida, levantar do sofá em um pulo, na qual ele havia se jogado anteriormente.
— Me deu uma sede, alguém quer água? — perguntou a ninguém em especial. Ergui uma sobrancelha enquanto assisti o homem nos deixar a sós. — Eu vou.. beber uma água. — pronunciou desajeitado, deixando a sala.
— Gostei do apartamento. — comentei vagamente, erguendo meus lábios em um sorriso fechado, sabendo que minha tentativa de mudar de assunto foi infrutífera. Eu ainda não tinha tido a oportunidade de visitar Steve, mas ele é bem organizado e mesmo com sua recente mudança, o lugar está arrumado com cada coisa em seu devido lugar.
— Eu também gostei. — Steve afirmou com um olhar atento. — Esse prédio está aqui desde 1920. — explicou e eu o olhei. — Foi reformado pela família ano após ano, de geração em geração.
Sorri olhando-o.
— Bem... ele é a sua cara.
Steve franziu as sobrancelhas, seus olhos variaram entre incômodo e preocupação.
— Ele encostou em você? — perguntou-me aparentando aborrecimento, e eu suspirei recriminando-me por trazer o assunto a tona. Ótimo, Sofya, você está apenas o preocupando com algo insignificante.
— Não. — afirmei. — Jamais deixaria alguém tocar-me sem permissão... fique tranquilo. — o olhei com sinceridade. Rogers ainda me observou por mais alguns instantes antes de assentir, franzindo as sobrancelhas e baixando o olhar, sua expressão mostrando que ele pensava em algo. Isso me deixou curiosa, mas não tentei descobrir o que era. — Esse é o menor dos meus problemas. — soltei, de novo, impulsivamente. Suspirei, lembrando-me o que me afligia. Esqueça. Ordenei a mim mesma.
— O que está havendo? — questionou, fitando-me com atenção dobrada.
Inclinei minha cabeça e dei de ombro.
— Nada demais.
— Nada demais. — repetiu. — Não me parece ser nada demais. Você está estranha desde o baile e hoje me enviou aquela mensagem estranha...
Pelo cenho franzido, os olhos semicerrados e o tom tenso, posso dizer que Steve está preocupado. Tenho notado sua hesitação comigo desde a festa. Eu finjo que estou bem e ele finge que não há nada de errado acontecendo comigo, contudo, por sua insistência, percebo que meu tempo de silêncio terminou. Steve cansou de esperar. No entanto, não posso deixar de erguer as sobrancelhas. Mensagem estranha?
— Eu não mandei mensagem estranha. — franzi o cenho.
— Sofya, seu texto não tinha nenhum 'K'. — Steve disse seriamente e eu entendi bulhufas nenhuma. — Nem emotions. — semicerrei meus olhos, tentando entender aonde ele quer chegar. — E você sempre manda emotions. — completou.
Pressionei meus lábios e respirei fundo, mas não consegui prender a risada. O olhar confuso e sua maneira de falar foi o que mais me divertiu, ao mesmo tempo que aqueceu meu coração. A pouco tempo, para Steve o celular era apenas uma ferramenta para atender uma ligação. Então eu apareci. Mostrei ao herói como mandar mensagens e ele, simplesmente, adaptou-se a esse meio de comunicação. Mas nada é comparado a sua expressão cuidadosa ao escolher um emotion para enviar. Acredite, eu já o vi fazer. É absolutamente encantador. Ainda sim, ouvi-lo falar sobre isso de modo tão... hesitante, me encanta. Não sei explicar, mas eu adoro a sensação que isso me causa.
Eu gosto desses momentos com o herói, quando aprendemos um com o outro, pois não só ele, como eu também aprendo e muito com Steve. E ele sabe o quanto eu amo quando ele inicia uma história sobre sua época ou alguns costumes vivenciados pelo mesmo. Tem vezes que nós comparamos as situações atuais com as antigas e, ainda sim, não nos incomodamos com o tempo que nos separa. Mesmo que eu ache que tal pensamento ocorra uma vez ou outra, na mente do herói.
— Então você quer que eu te envie emotions. — constatei com diversão.
— Quê? — Steve negou revirando os olhos, um tanto envergonhado por minha brincadeira. — Estou dizendo... você entendeu. — ergueu uma sobrancelha, assistindo minha risada. Ele tentou esconder, mas eu vi um risinho em seus lábios também. — Está tentando mudar de assunto. — acusou-me.
— Não estou não. — neguei, ainda rindo, mas me forcei a parar. — É por isso que você tava com aquele olhar todo preocupado quando abriu a porta? — perguntei-lhe.
Steve confirmou com um manear e eu sorrio. Fofo. Juro por Deus, mas às vezes eu tenho uma vontade egoísta de ter Steve somente para mim. Eu sei, isso pode soar ruim, mas sua lealdade, doçura, carinho, compreensão, dedicação, amor e diversas outras qualidades, me faz ter vontade de eternizar isso no herói. De vez em quando, me causa medo a possibilidade de tudo o que eu tenho, — não somente Steve, mas em geral. — ser tirado de mim. E esse medo me faz querer afastar as pessoas com quem me importo, como se para me proteger. Normalmente, eu ignoro essa sensação, como estou fazendo agora.
— Sei que há algo que está te incomodando e você não está contando. — disse. Meu sorriso desapareceu. Droga. Fiquei em silêncio, a diversão anterior abandonando-me, dando lugar a vergonha. Eu não sou conhecida por cumprir minhas promessas. — Eu disse que daríamos um jeito, lembra? — comentou. E, então, aqueles mesmo pensamentos que eu me esforcei em esconder apareceu, mordi meu lábio inferior e permaneci incrédula perante suas palavras otimistas. Como vamos dar um jeito nisso, Steve? Como mudar o fato de que eu não...
— Steve... — chamei, pronta para inventar mais uma mentira, quando titubeei. Me remexi sem saber o que fazer. — Não sei o que fazer. — expresso meus pensamentos, negando com a cabeça, tentando evitar o pânico.
Por que essa é mais uma verdade jogada em minha cara: eu não sei o que fazer. Tenho poderes; ao que parece, sou poderosa o suficiente para ter uma galera atrás de mim, quando eu nem sei usa-los; e a descoberta mais absurda, sou de outra realidade. Tantas coisas passando pela minha mente. No entanto, como eu devo reagir perante tudo isto? Minha mãe saberia o que fazer...
— Querida... — ele me olhou carinhosamente. Steve aproximou-se e eu o abracei, tentando evitar seu olhar, não querendo mais mentir. Estou cansada de mentir, cansada de minhas promessas vazias sobre minhas mudanças. Porém, o homem não me deixou fugir de seu olhar intimidador. Rogers alcançou meu queixo e ergueu meu rosto para olhá-lo nos olhos. — Irei perguntar mais uma vez, por favor, seja sincera. — pediu-me intensamente. Engoli em seco, sentindo-me presa em em seus olhos azuis, aqueles mesmo olhos que me prendem deliberadamente, que fazem meu coração bater tão forte capaz de atravessar meu peito, como está batendo agora. — O que está havendo?
Sinto minha garganta trancar. Eu não sei o que fazer. Volto a pensar. Abro minha boca e fecho-a duas vezes antes de falar:
— Eu não sou a única. — falei, sentindo meus olhos marejar conforme disse aquelas palavras, que ao saírem de minha boca, tornou minha situação ainda mais real. O medo que eu tranquei dentro de mim transbordou.
— O que quer dizer com não ser a única?
— Sinto que minha vida foi uma mentira. — murmurei, afastando-me do herói e secando uma lágrima que insistiu em cair, mesmo quando eu mandei ela ficar em meu olho. — Meus poderes não foram causados pela explosão em Central City. — expliquei e isso foi o bastante para surpreender o herói.
No entanto, quando estava prestes a compartilhar todas as minhas descobertas com ele, Sam Wilson surgiu apressado na porta da sala do pequeno apartamento, franzindo o cenho ao ver Steve e eu, um longe do outro, comigo apresentando uma expressão amargurada. Com certeza, uma visão diferente do que o Falcão esperava quando saiu do cômodo. Acho que o homem cogitou que rolaria pegação, quando tudo o que consigo pensar é que sou uma cópia mais excêntrica e rica de Carrie White.
— Desculpa atrapalhar. — pediu, olhando o Capitão. — De novo. — desviei meu olhar, sequei o canto do olho e sorri ironicamente.
— Tô começando a achar que você está trabalhando para o Tony. — comentei, sentindo o olhar atento de Steve queimar sobre minha pele. Sam não sorriu como eu pensei que faria, ao contrário, sua testa franziu em preocupação e minha intuição me disse que vinha mais merdas por aí.
— Sam, tem como nos dar um instante? — Steve pediu seriamente e eu o olhei, encontrando sua atenção ainda voltada em mim.
— Foi mal, cara. — Wilson disse. — Mas acho que vocês vão querer ver isso. — falou.
Franzi o cenho e voltei-me para o moreno a nossa frente.
— O que?
— As informações que Fury nos deu. — Sam explicou, olhando Steve. — Acho que encontrei algo.
***
O dedo dele deslizou para baixo enquanto eu lia as informações acompanhada de Steve. Sam Wilson, no controle do computador, nos mostrou uma série de letras e números desordenados. Observei enquanto o moreno digitava e reconheci uma espécie de código.
— O que é isso? — Steve perguntou.
— Suponho que é seja algum arquivo relacionado aos projetos da organização. — o Wilson comentou.
— Está codificado. — eu disse.
— É, está, mas todas as vezes que tento decifrar tal código uma remessa de mais números aparece.
— Talvez algum protocolo de proteção sobre os arquivos. — comentei, inclinando-me para me aproximar da tela.
Sam balançou a cabeça confirmando, e com o olhos presos na tela, ordenou os números em duas barras enquanto o computador se encarregou de decifrar o código. Em seguida, os números pararam de correr enquanto uma série de de novos códigos correu pela tela. E isso aconteceu repetidamente. Sam Wilson suspirou frustrado.
— Viu? Todas as vezes que estou perto de descobrir... — ele continuou a falar, mas não me atentei em sua conversa com Steve, ao contrário, meus olhos e meus pensamentos permaneceram presos na tela do computador.
— Posso? — perguntei subitamente, acenando na direção do aparelho e interrompendo a conversa deles.
Falcão não disse nada, mas levantou-se para que eu tomasse o seu lugar. Iniciei o mesmo processo anterior que o moreno, prestando atenção nos números desconexos e olhando fixamente para a tela, quando uma ideia me veio a mente.
— Okay, acho que sei o que está acontecendo. — eu anunciei centrada. — Acredito que o arquivo é protegido por código chamado Church. — expliquei aos dois heróis, que ergueram as sobrancelhas, ambos sem saber sobre o que eu falava. Voltei a digitar rapidamente, ainda sim, tentando explicar a eles de forma simples o que, provavelmente, está ocorrendo. — Ele é usado para incorporar algarismo sobre algarismo. O que, aliás, é um meio um tanto ultrapassado. — comentei. — Mas, dessa forma, quando passamos uma barreira da proteção do arquivo, outra se ergue.
— Então, como decodificá-lo?
— É mais fácil falar que fazer. — sorri. — Mas, basicamente, eu tenho que encontrar a fonte do código... — como posso explicar? — É como... encontrar a raiz do problema. — disse. Eles não pareceram entender. — A fonte que mantém a proteção dos arquivos ativa. — tentei outra vez.
— Mamão com açúcar. — Wilson comentou. Ri e me voltei para a tela, focando minha atenção.
— Você consegue? — Steve indagou, franzindo o cenho e inclinando o corpo. Ele pareceu entender o suficiente de minhas palavras para saber que aquilo era algo complicado de se fazer.
Encarei ele com confiança.
— Posso fazer isso com a mãos nas costas.
— Isso não soa muito modesto. — Sam comentou.
— Algumas verdades são confundidas com arrogância. — falei, olhando o homem de relance. — Estou apenas dizendo uma verdade.
Senti-me aliviada por ter algo a fazer. Não havendo necessidade em pensar na minha situação complicada, sem precisar pensar na conversa adiada que eu terei que ter com Steve e com Tony. E, eu sei que quando a hora chegar, o pânico que eu forcei para dentro de mim, novamente, irá se libertar. A perspectiva de que uma luta entre minha família e essa nova ameaça me assombra.
Dez minutos depois e eles dois já haviam ido e voltado à cozinha, ambos inquietos.
— Consegui! — exclamei animada.
Steve e Sam que a minutos atrás, encontravam-se em um assunto baixo no canto do cômodo, — tentando não atrapalhar meu desempenho. — aproximaram-se de mim.
Abri o arquivo instigada com o que poderia obter. Enquanto a seta corria pela tela do computador, minha mente viajava pela época em que eu invadia sistemas de organizações importantes apenas por diversão. Ah! Eu era uma peste.
Abro uma pasta de arquivos.
— Isso aqui... — apontei para o computador. — Me parecem coordenadas. — comentei, voltando-me para Steve com o cenho franzido.
— Sim. — Wilson afirmou um pouco surpreso, com a atenção ainda focada na tela. — Existe alguma probabilidade disso ser a localização de alguma arma ou base secreta?
— È possivel. — Rogers concordou, cogitando aquela possibilidade, pondo as mãos na cintura como faz quando está pensando. Sorri com aquele gesto involuntário.
— Bom.. eles tiveram um bom trabalho tentando proteger esta informação.
— Para ser descoberto em menos de meia hora, por uma geniazinha. — Wilson bagunçou meus cabelos.
Revirei meus olhos, levantei de meu lugar e arrumei minha cabeleira, sabendo que Wilson havia bagunçado-o, propositalmente.
— Alguém tinha que fazer alguma coisa. — retruquei provocativa. — Você estava perdendo de dez a zero para o computador.
— Meu negócio é ação, florzinha.
— Não, seu negócio é voar, fadinha.
Steve pigarreou, tentando manter a seriedade, mas olhando em seus olhos percebo que meu comentário o divertiu.
— O que faremos agora, Capitão? — Wilson perguntou, voltando a focar na questão que rodeava a mente de todos nós.
— Vamos confirmar o que há em cada localização, depois, iremos invadir. — falou com intensidade. — No entanto, está claro que não temos recursos, caso encontremos instalações secretas da Hidra. Não podemos fazer isso sozinhos. — Steve comentou com obviedade. — Não, quando não sabemos seus números; não, enquanto não reconhecermos o lugar; não, quando ainda não temos as armas necessárias, para um ataque.
— E, com isso, você quer dizer que?...
— Quero dizer, que me parece uma boa hora de chamarmos por reforços.
— Reforços? E quem seria o nosso reforço? — indagou Wilson.
Sorri, sabendo onde Steve queria chegar.
— Os Vingadores.
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Tirei meus olhos de Steve, que conversava ao telefone com Romanoff, sentindo alguém sentar ao meu lado.
— Toma. — Sam Wilson me estendeu um guardanapo. Franzi as sobrancelhas, confusa com sua ação.
— Pra que isso?
— Pra limpar a baba escorrendo no canto da sua boca. — ele riu assistindo-me revirar os olhos.
— Vem cá... quantas vezes você entrou na fila da idiotice? Por que a da inteligência, eu sei que passou reto.
Sam deu de ombros, nenhum pouco afetado com meu comentário indelicado.
— Não fique nervosa, flor. — ele provocou. — Logo estarei deixando-os a sós, não fique tão mal humorada.
— É mesmo? — perguntei com um sorriso. — E quando você irá embora?
— Está me ofendendo. — ele sorriu. Rolei os olhos, voltando-me para frente, esforçando-me para evitar um sorriso em meu rosto. — Agora é sério. — disse. — Está tudo bem com você, Stark?
Seu tom provocativo, deu lugar a sobriedade. Minha diversão, deu lugar a aflição, ainda sim, eu sorri, tendo a impressão que meu sorriso não alcançou meus olhos, mas permaneci firme em minha tentativa de evitar demonstrar o quanto o meu interior está uma completa bagunça.
— Sim, estou legal.
Wilson balançou a cabeça, nos dois olhando para o nada, em um silêncio confortável.
— Se precisar de alguma coisa, você sabe que pode contar comigo, né? — assenti, sorrindo de lado.
— Sei, obrigada.
Sam concordou levantando do sofá.
— Foi bom te ver, florzinha. — voltou a me provocar.
— Já vai?
— Eu cumpro minhas promessas, vou deixar vocês sozinhos, apenas... não faça nada que eu não faria.
Imbecil. Sorri, levantando meu olhar quando Sam andou na direção de Steve, imagino eu, que para se despedir.
— Hey. — chamei, Sam virou. — Quando sair, não esqueça de deixar um pouco de pó mágico para mim, Tink.
Ele revirou os olhos, mas acabou acompanhando-me em uma risada.
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