NEW STARK | the avengers [1] ✓
21 Coração Mole
ANTHONYEDWARD STARK
Quando paro para pensar na vida, reflito sobre quem eu era e até onde eu cheguei. O Tony de anos atrás jamais se imaginaria com uma família, não com a vida que levava. Nunca pensei que um dia eu teria um relacionamento estável com uma mulher tão incrível como Pepper. E, sem duvida nenhuma, nunca esperava encontrar uma filha perdida com quase dezoito anos cheia de muita opinião e personalidade forte.
Gostaria de ter conhecido ela antes.
Pensar em Sofya automaticamente me faz pensar em Ligia. Posso surpreender em dizer isso, mas ainda me lembro daquela mulher que chamou a minha atenção em uma noite qualquer em Vegas. E não é que eu tivesse me apaixonado, mas Ligia era o tipo de pessoa marcante a qual você não consegue esquecer. Ela estava ali comigo em uma noite e no dia seguinte já havia desaparecido. Não vou negar ao dizer que não a procurei, pois isso seria mentira, mas o tempo passou e uma noite de sexo casual desapareceu da minha mente como todas as outras. Nunca passou pela minha mente que ela tivesse tido um filho meu.
Ficar com raiva dela por me fazer perder praticamente toda a vida da minha filha não iria adiantar de nada, até porque ela nem ao menos estava mais aqui.
Não sei se sou o melhor pai, mas venho feito um esforço. Sofya foi a melhor coisa que me aconteceu e eu faria o possível para minha filha ter tudo que precise, gosto de ver os olhos dela brilhando e é irresistível surpreende-la. Percebi que gosto de conhece-la. Ver suas reações, principalmente por que ela não é muito de falar sobre si mesma, sua mãe ou sua antiga vida.
Admito, fiz uma pesquisa sobre e me preocupei por não achar nada dela em relação ao último ano.
Nada.
E ela sempre calada nunca tentou explicar tal situação.
Digamos que a última vez que abordamos esse assunto em uma tentativa prematura e impulsiva — da minha parte, tenho o desprazer em admitir —, as coisas não terminaram muito bem. Assim, deixei nas mãos dela a escolha de conversar sobre seu passado.
O problema é que Sofya sequer tentou iniciá-lo.
Talvez seja melhor não forçar, ou talvez eu esteja com medo de perder essa ligação que conquistamos nos últimos tempos, mas bom... a garota é dura na queda! Não dá o braço a torcer de jeito nenhum.
Nem imagino a quem ela puxou.
Então... depois de quase dezesseis anos Sofya simplesmente desapareceu para logo depois ser descoberta pela SHIELD como a Hacker que tentou roubar informações sigilosas de minha empresa.
Isso realmente me preocupa e, neste momento, entendo o que meus pais sentiam quando eu inconsequentemente desaparecia.
A vida esfregando na minha cara tudo que eu fiz com os mesmo.
— Ela é igual a você — ouço o resmungo de Happy ao meu lado.
— Isso é que faz tudo tão divertido — comentou a agente com um sorriso — Que o Stark fique irritado com alguém que é a copia dele.
Eu estava na SHIELD quando recebi a ligação do segurança falando com todas as palavras que Sofya havia desaparecido. Me desesperei e impulsivo. Sabendo que estavam por lá, acabei levando comigo o Capitão e a Viúva como reforço acreditando que Sofya corria risco de vida.
Pra vocês verem o que eu não faria por essa garota.
E esse é o porquê deles estarem aqui agora.
Obviamente, eu não os teria trazido se soubesse que ririam de mim após minha própria filha desligar a chamada na minha cara.
Ingrata.
Um carro apontou pela esquina. Assim que ele parou em frente ao hotel, eu vi que era a bendita dentro dele. Mandei um sorriso sarcástico para a ruiva que pareceu se divertir ainda mais com minha situação. Rogers permaneceu calado.
Ótimo.
A porta do carro abre e a garota sai, trazendo consigo uma caixa enorme e, aparentemente, pesada nas mãos. Ela anda em nossa direção passando o olhar entre mim, o segurança e os agentes. Parecia surpresa com a presença dos outros dois, mas não preocupada.
— Oi, Tony — falou sorrindo assim que parou em minha frente.
Oi, Tony. É só isso que você tem para me dizer?!
Estreitei os olhos em sua direção.
— Aon...
— Oi Brithday, tudo bem? — me interrompeu, virando-se para encarar um Happy bem irritado — Onde você tava? — ela até tentou esconder, mas um sorriso insinuou-se em seu rosto — Te procurei por todo lugar, foi mal — pediu, mas já nem olhava mais o segurança e sim os outros dois agentes que permaneceram calados — Acabei parando para comprar algumas coisas e esqueci completamente que tinha um segurança pra cuidar.
— Quê! — Happy exclamou indignado — Você se aproveitou que eu... — ele começou, olhou para ela que ainda detinha um sorriso sarcástico na boca e se calou — Sua peste! — ele me fuzilou com o olhar como seu EU tivesse culpa dele ter sido enganado pela garota.
Realmente fiquei sem saber o que fazer. E não sei se minha próxima ação foi a mais correta, mas qual é! Não posso ficar cobrando Sofya se não convivi com ela nos últimos anos, não na frente deles. Não consigo dar uma de pai autoritário. Obviamente que ela poderia ter evitado toda essa situação se tivesse mandado uma mensagem avisando que estava bem, mas além disto, o que mais eu poderia lhe cobrar? Me sinto verdadeiramente perdido.
Apesar das ultimas horas e da situação, eu não estou mais tão irritado. Sim, eu fiquei bravo dela me caçoando, quando com toda a certeza o fato de não conseguir encontrá-la tenha sido planejado, e sim, eu também fiquei nervoso por ela desligar o celular na minha cara. Mas o que eu realmente senti foi uma preocupação grande o suficiente para ser diagnosticada como desespero.
Eu não passarei o tempo que temos brigando.
Não como meu pai.
Naquele momento o entendi. Realmente o entendi, mas decidi não fazer o mesmo que ele. Minha filha está ali e Happy tem razão.
Ela é igualzinha a mim.
Não me importo com a droga do certo ou errado.
Por isso, sem qualquer pudor, eu ri.
Sim, eu ri. Você não esperava por isso, hm? Bom... eu não esperava ter uma filha, então estamos quites.
E eu posso me sentir perdido de diversas formas, em muitos momento que não sei como reagir, mas nesse momento, enquanto ela parece confusa com a minha reação, acredito estar fazendo o melhor, não para mim ou para qualquer outro. Estou fazendo o melhor para minha filha.
Pois é, infelizmente para o meu ex segurança, eu passei a rir de toda a situação sentindo uma espécie de orgulho despontar em meu peito.
Que pestinha.
Sofya me olha como se eu fosse uma criatura estranha. Sem dúvidas ela esperava por uma bronca, uma bronca que não veio. Quando finalmente parei de rir — isso com todos me olhando como se tivesse nascido duas cabeças em mim — que pude então dizer algo.
— Quero saber como burlou meu sistema — avisei, ainda com um sorriso orgulhoso no rosto. Happy encarava bem indignado já que também esperava uma bronca vindo de mim.
Sinto decepcionar.
Sofya agora menos surpresa passa a sorrir.
— Não sei do que você tá falando.
Sei...
— Sabe sim.
— Eu realmente não sei — continuou negando, mas aquele sorrisinho matreiro dela não me enganou.
— Por que será que eu não estou surpresa?— dona aranha indagou, irônica.
Ao ouvir a voz da mulher pude então me lembrar que tínhamos plateia. Foi então que tanto eu quanto a minha filha voltamos a olhar a dupla de agentes.
— Surpresa? Por que ficaria?
— Stark, você virou um coração mole — me provocou.
O coração é mole, mas o....
— Eu até responderia, mas temos crianças no recinto.
— E eu até diria que não sou criança, mas não quero me traumatizar ouvindo você falar putaria — a garota rebateu e o capitão quase engasgou.
Acabei rindo de nervoso, porque porra... Eu não disse em voz alta. Penso comigo mesmo.
Não, com toda certeza eu não disse.
Mas quando os olhos dela se arregalam é que quase passo a realmente acreditar que talvez eu tenha dito àquilo em voz alta. Só que ninguém havia reagido diferente.
— Cara! — ela exclama — Lembrei agora que tenho que falar com.... com um amigo — e entrou sem esperar que ninguém respondesse.
— Que amigo? — gritei, mas ela já estava longe. Era o mesmo que ela estava rindo no dia da entrevista, e que ela afirmou que não era um namorado? Hm, talvez eu devesse mandar Jarvis fazer uma investigação.
Quando Sofya já estava longe é que Happy finalmente explodiu.
— Sério, Tony? — o segurança expôs sua indignação.
Balanço meus ombros.
— Aceite, meu amigo. A garota te enganou direitinho.
Por fim, todos nós entramos e Rogers e Romanoff acabaram por ficar conosco até o jantar. Foi estranhamente agradável, pois o Rogers não parecia muito a vontade e isso era entretenimento para mim. Também notei o climinhaestranho que a ruiva e Sofya insistiam em manter. Não queria saber dessas implicâncias entre mulher, não ia entender nada mesmo. Eram quase meia noite quando os dois se foram, restando apenas Sofya e eu.
Agora é a hora.
— Não quero que faça mais isso —Ela tomou sua bebida e abaixou a mão que segurava o copo. Sofya me encara de um jeito curioso. Acho que ela já esperava que eu dissesse algo — Não desapareça e me deixe no escuro, eu não gostei. Nunca mais faça isso Sofya.
— Sinto muito, pai.
Engulo a seco. Se ela tivesse me chamado de Tony, eu provavelmente poderia continuar e lhe dar um sermãozinho que eu aprendi com o meu pai. No entanto, minha filha é uma pilantra que sabe que me chamar assim é me desarmar.
Eu estava mole mesmo.
— Tudo bem, querida. Só não faz mais isso.
Sofya concordou com um manear de cabeça, mas eu não confiei muito não. Porra, eu tô ferrado mesmo. Tenho consciência de que se ela puxou 1% da minha personalidade rebelde, então aquilo significava que eu não teria um minuto de paz.
Sofya levantou de seu lugar para me abraçar.
— Não queria te preocupar, foi mal mesmo — murmurou em meu ouvido. Ouvi uma risadinha logo em seguida — Mas foi meio engraçado, né?
Olhei sério pra ela que tentou parar de rir.
— Não? Tá bom — colocou a mão na boca, falhando feio naquela tentativa mixuruca de esconder o riso. Rindo de mim na minha cara.
Pode isso?
— Peste — e ela bateu no meu braço.
— Tony!
Abracei a garota sentido meu coração doer. Não era uma dor ruim, mas era algo gostoso que tomava todo meu ser e deixava meu corpo dormente. Esse sentimento novo me fez ter vontade de pegar minha filha no colo e guarda-la, de querer protege-la de todo mal. As vezes aquela independência que ela quer tanto ter me assusta.
Sinto como se a qualquer momento ela vá decidir querer viver sozinha. Descida que não precisa de mim.
— Eu te amo, garota — ela sorriu me olhando. Vi muitas coisas nela que lembravam sua mãe, mas vi muito de mim também. Era coisa de louco imaginar que um dia eu teria a oportunidade de viver esse momento.
— Eu te amo, pai — eu a aperto em mais um abraço apertado.
Coisa de louco mesmo, mas a melhor que poderia ter acontecido comigo.
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— O Happy ainda é meu segurança?
Solto uma risada me divertindo com tom cauteloso.
— Ganhou essa batalha — admito e ela me olha atentamente — Você é quem sabe, garota.
— Você está muito liberal, Tony.
— Sempre me criticando.
— Desculpa — ela dá risada — Eu gosto do Happy.
Eu olho minha filha num misto de incredulidade e indignação. Depois de tudo ela vem me falar isso...?
— Achei que não quisesse um segurança.
Sofya dá de ombros, impassível.
— Ele é legal.
— Mulheres — murmurei desistindo de entendê-la — Não importa a idade, são todas complicadas.
— Ei! — ela reclamou.
CE
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