NEW STARK | the avengers [1] ✓
27 Confiança
É um novo amanhecer
É um novo dia
É uma nova vida
Pra mim
E estou me sentindo bem
Michael Bublé — Feeling Good
Sempre fui uma criança bem na minha. Nunca fui de me soltar e arrumar amigos adoidado, mas em casa eu era a coisa mais alegre que alguém podia conhecer, porém, no meio de gente desconhecida.
Ah! Pensa numa garota tímida, era eu.
Não porque gostasse de ficar sozinha ou por desgostar das pessoas, era simplesmente falta de confiança.
Sempre fui muito desconfiada, e admito, sou até hoje.
Não falo da minha vida para qualquer um, e muito menos deixo entrar em minha vida de uma hora para a outra.
Quer minha confiança? Conquiste. E se você a tiver, serei a pessoa mais leal que você terá.
Entretanto, há algo em mim que eu não consigo entender.
Como Steve Rogers conquistará minha confiança tão rápido? Quando isso aconteceu?
Não há explicações para minhas dúvidas.
— Pode ao menos dar uma pista? — pedi, encenando uma expressão de cão abandonado.
Steve Rogers riu e negou, divertindo-se com meu sofrimento.
Soprei impaciente e pus a mão no coração.
— Assim morrerei de curiosidade. — fiz drama.
Steve me olhou de relance e voltou sua atenção para a estrada.
— Não se preocupe, não deixarei você morrer.
Suspirei e soltei:
— Eu poderia simplesmente ler sua mente.
Pisquei quando percebi o que havia dito.
Está vendo?
Como o Rogers conseguia me deixar assim, tão a vontade, a ponto de eu falar tão livremente sobre meus poderes?
Steve me lançou um expressão surpresa:
— Você pode ler?
Sorri e abaixei minha guarda por alguns instantes.
Impossível.
— Acredite, é possível. — respondo seu pensamento.
Dou risada de seu olhar perplexo.
Como isso aconteceu?
— Resumidamente: sofri um acidente, quase morri e acordei com uma baita dor de cabeça.
Caramba, isso foi o resumo do resumo.
Entretanto, Steve pareceu mais surpreso com o fato deu consegui responder seu pensamento, do que com a minha história em si.
— Eu não senti nada.
— Quando leio os pensamentos de uma pessoa, normalmente não é necessário entrar em sua mente. Seus pensamentos.... é como se falassem em meus ouvidos, sabe?
— Então... você sempre lê a mente das pessoas? — ele não parecia desconfortável, mas curioso.
— Não, normalmente, eu bloqueio os pensamentos. Ainda mais em meio a uma multidão, os pensamentos de muitas pessoas me deixam atordoada, são confusos, tristes, desinibidos e bagunceiros demais para o meu gosto. — sorriu minimamente. — Mas, principalmente, por privacidade, não apenas pelos outros... por mim também. Ninguém quer saber que você dormiu com sua melhor amiga, querido.
Steve riu, e maneou a cabeça.
— Deve ser desconfortável.
— Já me acostumei.
— Entendo. — ele não entendia, mas achei fofo o fato dele tentar.
O silêncio voltou a reinar, não um desconfortável ou algo assim, mas natural. O vento entrando pela janela, soprando em meu rosto do jeito que eu gosto, as ruas passando velozmente, até a movimentação da cidade ir diminuindo aos poucos, conforme nos afastamos da cidade.
Tão bom, ainda mais pela companhia.
Falta apenas uma trilha sonora, para que pudesse olhar para a janela com cara nostálgica, como em um vídeoclipe.
Quem nunca?
— Posso? — indaguei, tocando o rádio com a ponta dos dedos.
Steve concordou, liguei o aparelho e sintonizei na rádio. Fiquei surpresa, mas feliz ao encontrar Smack That ft. Eminem tocando, sua batida ritmada parece assustar o herói.
— Adoro essa música. — comentei, cantarolando uma parte junto do cantor.
— Isso não é música. — Steve negou, atordoado.
— Não gostou? Eu adoro as músicas do Akon.
Acho que o encarei indignada, porém, no fundo evitei sorrir.
— Akon? Que nome é esse? — agora Steve mostrou-se perplexo. Eu poderia explicar que esse não é o verdadeiro nome do cantor, mas simplesmente não consegui dizer nada ao olhar no rosto de Steve, por fim, acabou que eu não consegui segurar a longa risada que prendia.
— Okay, vamos mudar. — me rendi, e troquei de estação em busca de uma música mais calma, porém, conhecida. Então a maravilhosa voz de Michael Bublé, passou a cantar.
Sem resistir, tentei acompanhar a música junto do cantor.
Comecei meu show:
— Dawn... — balancei minha cabeça, sorrindo para o herói que não resistiu em me retribuir. — Day... — Fiz minha mão de microfone. — Life... — nani nanini. — Feeling good...
Infelizmente, em toda a música, eu conhecia apenas as cinco palavras. O fato, impedia uma exibição apresentável, mas não desisti e continuei a cantar durante toda a canção. Acho que fui razoavelmente bem
Dei risada quando acabou:
— Gostou?
— Nunca ouvi algo tão belo.
Estreitei meus olhos e notei que Steve mordia os lábios, quase como se evitasse sorrir. Demorou um pouco para que parasse de encarar sua boca, para me atentar em suas palavras:
— Está zombando de mim.
— Não estou. — apesar de negar, Steve agora ria altamente.
Como pode?
Desliguei o som, fingindo-me ofendida, mandando uma careta para o Capitão:
— Tudo bem, nada de som.
— Eu não disse nada...
— Ridículo. — retruquei.
Voltamos a ficar em silêncio, olhando a estrada. E juro... juro mesmo que eu tentei evitar, mas simplesmente não consegui evitar a risada que logo se tornou uma longa gargalhada. Steve acabou por se juntar a mim, e ficamos os dois, rindo tão alto, que o som da nossa risada parecia ecoar pela estrada vazia.
***
Por fora, tive a visão de um prédio antigo, quase fora de New York e bem longe da Torre Stark. Se fosse outra pessoa a me levar ali, um lugar deserto e isolado, eu desconfiaria. Porém, a expressão nostálgica no olhar dele disse muito... ele já viera aquele lugar, e não apenas neste tempo.
— Quero mostrar algo. — murmurou e pediu que eu o seguisse, assim o fiz.
Entramos no prédio e passamos a subir pelas escadas. Um andar, dois, no terceiro eu já me encontrava ofegante. Quando alcançamos o quinto andar, minha situação não pareceu nem um pouco favorável.
Droga, eu sabia que deveria ter visitado a academia.
— Desculpa. — Steve pediu olhando-me envergonhado, sua respiração não tinha a mínima reação a atividade anterior. Muito injusto. — Na época em que o construíram, era raro os prédios terem elevadores, esqueci desse fato.
— E do que você tem culpa, Steve? Não pode fazer nada, se apenas você tem essa sorte dos infernos... — ele fez uma careta para a última palavra. — ... que mais ninguém parece obter. — brinquei.
Em comparação a mim, Steve permaneceu perfeito, um príncipe. Eu, por outro lado, estou suada e descabelada, como se tivesse acabado de pôr as mãos em uma tomada mil volts.
Balancei a cabeça, indignada.
— Você ao menos transpira?
— Não. — ele pareceu culpado, e tudo que eu pude fazer, foi rir, enquanto negava com a cabeça.
Naquele momento, me atentei ao fato de que eu sorrio demais perto do herói, quase não consigo parar.
— Tudo bem. Falta muito?
— Já chegamos.
Como todos os outros andares, aquele tinha um corredor estreito, que apesar de antigo, permaneceu com uma aparência de que era cuidado. Senti o toque de Steve quando ele uniu nossas mãos, em seguida, me levou até uma das portas.
Eu ainda não entendia o porquê de estarmos ali, até ele abrir a porta.
— Steve....
Era lindo.
Aquele ambiente era totalmente diferente do que eu esperava. O cômodo grande, espaçoso e vazio, exceto pela mesa e duas cadeiras que encontrava-se no centro do lugar. O ambiente, ao contrário do restante do prédio, estava pintado e enfeitado; as paredes em uma cor bege, quase aproximando do branco; o chão brilhava, aparentemente, alguém o havia encerado. Todo o lugar estava iluminado pela enorme janela, e se chegássemos mais perto, poderíamos ver ao longe minha atual cidade.
Eu realmente não esperava por isso, Steve, novamente, havia me surpreendido.
— Você fez tudo sozinho?
Ele sorriu, e sem responder minha pergunta, levou-me até a mesa e me ajudou a sentar.
Eu ainda permanecia presa em minha perplexidade.
— Estou uma bagunça.a — me dei conta, passando a mão pelo cabelo, um tanto sem jeito.
— Está linda.
Coloquei uma mecha atrás da orelha, com o rosto queimando.
Eu estou muito tímida, e não é a primeira vez que sinto isso perto do herói.
— Tudo bem, já que não vai revelar seu segredo... — apontei para o lugar — .... agora, você me deixou realmente curiosa, como conheceu esse lugar?
— Morei aqui por um tempo. — falou — Com minha mãe.
Encarei o homem sentado em minha frente, atentamente, supondo que talvez esse não fosse o melhor jeito de iniciarmos uma conversa. Falar de coisas tristes, definitivamente, não é o tipo de conversa que se tem em um encontro.
Não que eu já tenha ido a muitos encontros.
— Por que faz isso?
Encarei Steve confusa, sem entender, e pensando que talvez tenha feito algo que o insultou, ainda que eu esteja imóvel.
— Isso?
— Isso. — Steve inclinou-se para frente, olhando diretamente em meus olhos, o que deixou-me surpresa pela forma que ele me intimidou. Eu não sou o tipo de pessoa que se deixa intimidar. Mas que inferno, o que ele faz comigo que me deixa assim, sem reação?! — Fica me analisando. — completou.
Fiquei envergonhada por ter sido pega no flagra.
— Não fico, não! — primeiro neguei, observando sua expressão desacreditada. — Talvez um pouco. — admiti. — Quero entendê-lo.
— O que quer entender?
— Disse que morou aqui. — comecei hesitante. — Estava pensando se isso... se falar do seu passado, seria algo para se conversar, não sei se te deixa triste, ou algo do tipo. — dei de ombros.
— Estamos aqui para nos conhecer, não é? — indagou, tentando me entender.
— Pelo que eu sei, e já aviso que não é muita coisa, encontros são feitos para falar de coisas boas e não tristes.
— E como vai saber o que me deixa triste, se não perguntar?
Ambos nos encaramos, confusos, sem noção de como proceder. Então o herói assentiu como se algo viesse a mente.
— Não fico triste ao falar de minha mãe.
— Eu fico, ao falar da minha. — murmurei e o encarei. — Acho que não precisamos falar de tudo agora, no tempo de cada um.
— Está bom para mim.
Então retomamos nossa conversa, e ele contou-me um pouco sobre Sarah Rogers, sua mãe; enquanto eu falava sobre minha vida em Central City, meus amigos e minha faculdade.
Foi bom e harmonioso, não foi embaraçoso e não ouve mais aquela hesitação que eu sentia a princípio. Foi muito melhor do que imaginei, e ainda mais pois o prato do dia foi, SURPRESA!, Pizza.
Juro, Steve conseguiu superar minhas expectativas. Já imaginava que Steve fosse algo assim, educado, carinhoso, compreensivo.
Mas nossa, ele é nível Hard, de cavalheirismo.
— Vem. — ele pegou minha mão e me levou até aquela imensa janela. E ficamos os dois, olhando. — Todas as manhãs eu acordava cedo para ver o nascer do sol, e a tarde eu o via ir embora, era algo meu e da minha mãe. — revelou. — Ela me dizia para aproveitarmos coisas simples como essa. — apontou para o pôr do sol. Apoiei minha bochecha no parapeito da janela, e me virei para o herói. — Ela dizia que o sol tinha a promessa de voltar no dia seguinte, mas nós não. Sarah Rogers era mulher mais bondosa, honrosa e bonita que as pessoas tinham o prazer de conhecer. — eu sorri com suas palavras.
— Gostaria de tê-la conhecido. — comentei, sentindo um carinho por uma pessoa que eu nunca vira na vida, mas se Steve é esta pessoa maravilhosa, acredito que sua mãe teve grande influência em seu jeito de ser.
— Ela gostaria de você.
Somente quando escureceu, que decidimos ir embora. O caminho de volta foi igualmente tranquilo, e eu senti uma cumplicidade entre nós que não existia na ida.
— Falei sério quando disse que o entendia. — eu comentei, subitamente, virando-me para o loiro que me encarou sem entender. — Quando nos conhecemos — especifiquei. — Eu falei sério, quando disse que o entendia.
Me virei para a estrada, novamente, soltando o ar lentamente, sentindo seu olhar sobre mim.
Nós falamos de coisas leves, e anteriormente, eu havia dito que conversaria quando estivesse pronta para falar das coisas que me magoavam. Lembro-me, antes de conhecer Tony pessoalmente, prometer nunca falar disso para ninguém.
Tudo bem, eu nunca cumpro as promessas feitas a mim mesma...
— Fiquei dez meses em coma, por causa do acidente. — revelei. — E quando acordei, não soube onde estava, o que realmente havia acontecido. — apertei meus lábios em uma linha fina, lembrando. — Mas quando as vozes começaram, eu... em primeiro momento, fiquei muito confusa, desnorteada. Não sabia o que fazer, sentia minha cabeça doer e as vozes soando em minha cabeça, como se gritassem diretamente comigo. — foi difícil. — Apavorada... foi assim que me senti.
Steve tinha sua atenção na estrada, mas por vezes, o peguei me olhando, mostrando estar atento a minha história; eu por outro lado, mantinha minha atenção na paisagem, mal reparando no caminho que tomávamos.
— Mas tive pessoas por mim, para me ajudar. Nós nos acostumamos... com o tempo, nos acostumamos com algumas situações que nos são impostas, também há pessoas por você neste tempo, Steve. Sei que minha situação não é nada comparada a sua…
Steve negou, pronto para rebater minha afirmação, mas o impedi erguendo minha mão.
— Só... me deixa falar.... o que eu quero dizer é: eu te entendo, um pouco mas entendo, e estou aqui por você.
Coloquei minha mão sobre a sua e ele a segurou de volta.
— Você viu isso em minha mente?
— Não, e não é preciso. — foquei em seus olhos. — Seu olhar... foi o mesmo olhar que vi em meu rosto ao acordar. E vejo esta expressão todas as vezes que nos vemos, Steve.
O herói permaneceu em silêncio, olhando fixamente em meus olhos.
— Todos os problemas que passamos, nenhum é menor que o outro. — ele falou, então ergueu minha mão e deixou um beijo que fez meu coração acelerar, um calor subiu pelo meu corpo e tive que resistir ao ímpeto de beijá-lo. Steve não é um garoto que dá amassos em um carro. — Fico feliz de ter sua preocupação e importância, também estou aqui por você, Sofya.
Senti minha boca secar, nem mesmo o Saara está tão seco neste instante. Não percebi nossos corpos se aproximando, nem meu rosto inclinando em sua direção... bem lentamente.
Um carro passou em alta velocidade do nosso lado, e o som do seu telefone tocando nos tirou do transe, ambos piscamos e nos afastamos, e só então percebi que o carro encontrava-se parado no acostamento.
Steve pegou o aparelho e atendeu a chamada, pronunciando o nome de seu chefe.
A essa hora?
Depois de uns minutos, Steve desligou o telefone e sem dizer uma palavra, nós seguimos viagem de volta para minha casa, comigo repassando aquele momento em minha mente.
Droga, maldito seja o diretor que impediu aquele beijo rolar.
Paramos em frente a minha casa, Steve estava prestes a sair, — imagino eu, que para abrir a porta para mim. — quando falei:
— Quer entrar?
Ele pareceu hesitante, como se cogitasse a possibilidade.
— Não posso. — olhou-me, como se pedisse desculpas. — Fui chamado na SHIELD.
— Entendo.
Provavelmente é umas sete da noite, e eu me senti um pouco mal pelo herói ainda ter que ir trabalhar, fiquei também brava com o diretor da SHIELD, por impedir o herói de descansar.
— Obrigado por hoje.
E sem medo, eu me inclinei e o beijei, — no rosto! — apenas no rosto, apesar de, desta vez, ter sido um pouco mais perto da sua boca, e talvez eu tenha me demorado um pouco mais que o esperado, mas juro, foi algo puramente inocente.
Mesmo que o olhar do herói diga o contrário.
Abri a porta do carro sentindo-me queimar sobre seu olhar e sai, acenei em despedida antes de entrar no prédio, inocentemente, e fiquei remoendo cada momento do dia enquanto o elevador subia.
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