N-não É Como Se Eu Te Amasse, Baaka!

6 Ore no Kouhai ha Konna ni Kawaii Wake ga Nai


Notas iniciais
Gente, não consegui colocar parágrafo ensse capítulo por causa do html do próprio nyah!
>: Sinto muito, esperam que consigam ler sem problemas mesmo assim.

Nos dias seguintes, assim como fizera antes, Rodrigo continuou a visitar o amigo depois do horário, embora agora tentasse variar um tanto mais as refeições que levava. Ele nunca comia por conta própria. Sempre se distraía cuidando da mãe doente e esquecia, o que não deixava de ser um tanto adorável.

- E como ela está? Melhor? — sempre que chegava a mulher já estava dormindo, então não sabia, mesmo depois de três dias.

- A véia tá ficando melhor agora. Ela precisa ficar quieta em casa e descansar — ele respondeu enquanto enxugava as próprias mãos, úmidas por conta do salmão que estava manipulando anteriormente.

- Você vai voltar pro trabalho, então? — apenas observava enquanto a mulher dormia tranquilamente, parecia bem melhor do que da primeira vez em que a vira, embora ainda estivesse fragilizada.

Ficava feliz que se recuperasse, não gostaria de ver o amigo sofrendo como quando chegava no hospital. Ele simplesmente não merecia aquele tipo de coisa.

- Pro trampo? Ah! Eu não fui despedido ainda? — E pela primeira vez o seu tom de voz saiu jovial como o de costume, como se estivesse brincando e realmente não se importasse caso realmente não tivesse mais um trabalho. Ou talvez fosse confiante o suficiente para saber que poucas pessoas conseguiam fazer um temaki como ele, mas esta não parecia ser a situação.

- Claro que não — franziu um tanto as sobrancelhas. — A gente deu um jeito lá, mas vai ser abatido do seu salário. E é bom você levar algum comprovante da sua mãe no hospital, também — suspirou, coçando atrás da cabeça. — Quando ela recebe alta?

- Amanhã. Eu vou pedir pra alguém ficar de olho na véia, porque ela não vai querer ficar parada não, a safada. Não pára quieta — ele riu de leve, parecendo um tanto mais calmo, agora que a sua mãe não corria mais risco algum.

O moreno riu também. Aquilo era mesmo um alívio, não apenas pela mãe do rapaz, mas por finalmente vê-lo voltando ao estado de espírito normal: feliz e radiante.

No dia seguinte, como prometido, Wesley voltou para o trabalho. Explicou a situação à amiga do caixa e ao supervisor, que não parecia nada feliz com as faltas sem aviso. Era mesmo muito bom que tivesse tanto carisma, ou nunca conseguiria ser perdoado. Não conseguiu escapar dos dias descontados de seu salário, no entanto.

– Que bom, né? — Rodrigo perguntou ao outro.

– É, pelo menos eles contaram com sua ajuda. Seria foda só com a caixa — Wesley começou a preparar alguns temakis apenas para não perder o costume, notando que não tinha ficado tão enferrujado quanto imaginava, sorrindo.

– Nada de palavrões no trabalho — a moça disse, embora acabasse rindo enquanto o repreendia.

O moreno fez o mesmo, divertindo-se por terem voltado à convivência de sempre.
Apenas ela havia voltado ao que era, no entanto.

Rodrigo estava muito diferente em casa, mais prestativo.

Lavava a louça, embora vez ou outra quebrasse um copo ou um prato, por falta de costume ao manuseá-los com tanto sabão. Seus pais não pareciam tão bravos assim com isso, apesar de tudo.

– Ei, mãe — aproximou-se dela num dos domingos em que ficava em casa. — Cê pode me ensinar a cozinhar?

Mesmo gaguejando algumas vezes para pedir e desviando um tanto os olhos, estava decidido. Mesmo que não precisasse fazê-lo sempre, seria bom para si mesmo ter algum tipo de prática.

– Tá doente, meu filho? — Ela colocou a mão sobre a testa dele, apenas brincando, mas ainda surpresa com a sua atitude.

Na verdade estava muito feliz, não imaginava que um novo trabalho pudesse mudá-lo tanto. Tinha esperanças que ele conseguisse se tornar independente em pouco tempo, caso continuasse a agir desse modo.

– Tô brincando, vou te mostrar as coisas mais básicas primeiro — ela disse, começando a separar seu apetrechos.

– É? — aquilo o animava, mesmo que afastasse a mão da mãe de sua testa.
Começavam com o arroz, o rapaz cometendo alguns erros bobos: deixou o óleo esquentando na panela antes de picar a cebola e o alho, fazendo-os queimar quando juntou tudo.

Na segunda tentativa esqueceu do sal, mas conseguiu melhorar a situação ao acrescentá-lo quase no fim. Apenas desesperou-se ao ouvir a mãe gritando que estava queimando, pois distraíra-se mexendo no celular.

– Ah, que merda! — esbravejou automaticamente, tentando raspar com a colher de pau o que grudara no fundo.

– Pelo menos dá pra comer a maior parte dele. E não parece tão ruim pra uma primeira tentativa — ela sorriu, afagando o topo de sua cabeça, como se isso pudesse ajudar a incentivá-lo. — Já ouviu que tem que fazer a comida com amor? Parece bobo, mas na verdade isso funciona muito. Tente depois.

– Que coisa brega, mãe! — resmungou, tentando esconder como aquilo deixava sem graça. Mesmo assim sorriu, como se assim pudesse retribuir todo o cuidado que recebera.

Até no trabalho começava a se comportar melhor. Ainda era um tanto estúpido, mas usava seus gostos para influenciar os outros de forma mais positiva.

Enquanto picava o peixe para fazer o cone de arroz, por exemplo, começou a imitar seu personagem preferido, aproveitando-se da recém adquirida prática com a faca, realmente parecendo um samurai. Ao menos aos olhos de leigos.

– E não é que ele tá ficando bom nisso? — Wesley falava pra caixa, parecendo se divertir com o ocorrido, aproximando-se do outro rapaz e repentinamente colocando uma faixa da cabeça dele, amarrando. — HOUIÁAAAA SAMURAI NÉ!

Rodrigo achou graça, fazendo uma pose estúpida enquanto apontava a faca para o peixe e gritando:

– HYIÁAAAAAAA!

– Vocês estão mesmo se divertindo, né? — ela achou graça, terminando de entregar o troco a um dos clientes.

– Arigatô Saionará — Wesley disse para a outra jovem as únicas palavras que realmente conhecia em japonês, a seu modo, começando a cutucar a sua cintura, querendo de certa forma que ela também participasse da brincadeira.

– Nem vem, nem vem! — empurrou-o, rindo. — Eu não sei japonês!

– O único que sabe japonês aqui é o Rodrigo, né? — Wesley virou então na direção do rapaz, fitando-o.

– Hm? Só um pouquinho? — envergonhou-se ao ouvir aquilo, colocando um dos pratos prontos sobre o balcão onde os clientes retiravam seus pedidos.

– Ficou modesto agora? — Ele se divertiu, bagunçando o seu cabelo logo em seguida, saindo novamente no balcão.

Certamente, ele deveria ser que nem a sua mãe. Não suportava ficar parado em um lugar por muito tempo.

Os demais dias se passaram tranquilamente, aos poucos tornando-se semanas e, na volta de uma de suas escapadas, encontrou Rodrigo e a caixa em algo que aprecia uma discussão:

– Você precisa contar pra ele! — ela insistia, enquanto o rapaz negava veemente com a cabeça. — Mas hoje é o último dia, você precisa!

– Ahn? Hoje é o último dia do quê? — Wesley chegou e envolveu os dois pelo pescoço, usando ambos os braços. Quase tinha feito ambos baterem a cabeça por causa desse ato.

Ela olhou para o moreno como quem pedia para contar de uma vez, mas ele apenas franziu as sobrancelhas e averteu os olhos, agoniado, fazendo-a dar de ombros e voltar para o caixa.

– Fala aí, cê nunca escondeu as coisas de mim, não é?

Mal Wesley sabia o quanto ele escondia.

– Ah — riu nervosamente, novamente desviando os olhos, começando a limpar uma das facas. — A gente pode falar disso depois do trabalho? Acho que é melhor do que agora, pode atrapalhar — e retorceu os lábios.

Definitivamente, o clima mudaria completamente e não estava disposto a correr aquele risco.

A princípio o loiro não pareceu muito feliz com aquela sugestão, mas resolveu aceitá-la.

Apenas continuou a prestar atenção em seus atos, pois não queria que ele escapasse depois do trabalho sem aviso algum.

O moreno se esforçou durante o resto do dia para não parecer nervoso, embora realmente estivesse.

– Vem comigo? — perguntou ao loiro tão logo terminara de se trocar, arrumando a alça da mochila sobre o ombro.

Seguiram até o estacionamento do shopping, agora quase completamente vazio, devido à hora.

Aquilo seria realmente difícil.

Rodrigo começava a buscar as palavras em sua cabeça, tentando decidir por onde deveria começar. Respirou profundamente e então disse:

– Obrigado — a frase era mesmo surpreendente. Coçou a nuca, sorrindo sem graça. — Você devia me achar um escroto quando cheguei aqui, né? — só o fato de não ter usado "baka" já era um grande avanço em seu linguajar. — E você me ensinou um monte de coisas enquanto eu só ficava te desrespeitando — os olhos se estreitaram. — É tão idiota que eu acusasse os outros quando na verdade era eu quem fazia isso, haha — raspou a sola do tênis sobre o asfalto, usando o ato como desculpa para desviar os olhos. — Eu estava cumprindo aviso prévio, hoje é meu último dia de trabalho — e fitou-o repentinamente. — Mas não é nenhum problema com você nem com a temakeria! — balançou a mão no ar, negando. — Mas lembra o que me disse da primeira vez que eu fui na sua casa? Você me perguntou o motivo de eu não estar numa faculdade e, bem — deu de ombros, constrangido. — Você tinha razão. Então eu decidi começar a estudar de verdade, tentar passa numa faculdade. É verdade que muita gente consegue fazer os dois juntos, mas eu não sou uma delas — moveu a cabeça para os lados, reforçando sua fala. — Então vou começar a usar meu tempo livre pra uma coisa realmente útil! — parou por um instante, apertando os lábios um contra o outro, fitando-o diretamente enquanto esperava algum tipo de reação.

Wesley continuou o fitando por alguns momentos, parecendo assimilar toda a informação que lhe era dita, pois ele havia lhe dito algo muito revelador. Certamente não estava esperando por isso, muito menos que perderia alguém que tinha se tornado tão hábil no trabalho, depois de tantas dificuldades. Mas ele tinha um motivo nobre para deixar o emprego, e certamente não tinha o direito de se intrometer nisso.

– Cê tem razão. Cê tá fazendo a coisa certa — ele finalmente disse, colocando as mãos no bolso. — Se eu tivesse no seu lugar, eu faria a mesma coisa. Estudaria pra ter um emprego decente depois. Cê só vai fazer falta aqui.

– Obrigado — o sorriso se alargou e ficou menos tenso, realmente feliz por ouvir aquilo. A primeira parte passara, mas a segunda era realmente difícil. Levou uma das mãos até a manga da camiseta, apertando-a com vontade. — Mas... Mas não era isso que ela estava brigando pra eu te contar — engoliu em seco. Novamente, parecia que seu coração ia sair pela boca, tão disparado quanto estava.

Seria mesmo a decisão certa? Podia acabar perdendo sua amizade para sempre! Mas temia que, fora do restaurante, acabasse perdendo o contato de qualquer forma, o que tornava aquele instante uma oportunidade única!

– Tem mais? O que cê tá aprontando, Rodrigo? — Tinha realmente a aparência de quem não tinha a menor ideia sobre o que ele iria falar a seguir. Chegou a fitá-lo com ainda mais intensidade, devido à sua curiosidade para saber o que iria sair dos lábios do outro rapaz.

– Eu — encolheu-se mais, apertando intensamente a manga da blusa. — Sou estranho! — soltou, embora não fosse isso que realmente quisesse dizer.

O outro devia concordar, de fato, era estranho, mas provavelmente não no mesmo significado.

– Eu gosto de você — baixou o rosto ao dizer, não desejando ver sua expressão de desprezo enquanto se explicava. — Que nojo, né? Haha, eu dizendo algo assim — novamente apertou os lábios, os olhos começando a arder. — Mas não se preocupe, eu não vou fazer nada estranho, eu juro! Até porque não fiz nada até agora, não tem sentido mudar — fez uma pequena pausa, tentando buscar o ar que começava a lhe faltar. — Eu só queria que a gente pudesse continuar a ser amigo, mas também vou entender se não quiser. Deve ser bizarro ser amigo de alguém sabendo isso — e ficou quieto de uma vez.
Ainda mantinha a cabeça baixa, as bochechas começando a se molhar.

Quantas vezes já havia chorado por causa de Wesley? Já perdera as contas, àquela altura.

E definitivamente a expressão de Wesley estava bem estranha naquele momento. A de alguém que não conseguia acreditar no que ouvia, e muito menos assimilar. Nunca imaginou que um "bróder" seu poderia lhe dizer algo do tipo. Já estava acostumado a levar tapas de mulheres, ser chamado de "cachorro" e outras ofensas ainda piores, mas nunca tinha feito um colega do sexo masculino chorar antes. Ainda mais quando não tinha sido sua intenção em momento algum.

Seus lábios se entreabriam, mas em seguida se fecharam. Não conseguia pensar em nada para falar que não parecesse ofensivo. Ao refletir, notou que fazia sentido ele não ter ficado com a garota na festa daquele dia. Mas não era hora pra pensar nisso, e sim dar uma resposta a ele.

– Rodrigo.... Cê... é viado?

E de nada adiantou pensar! Havia falado a pior coisa possível naquela situação!

Notas finais
MINHA GENTE, a história está começando a ficar um pouco mais tensa agora, não? ♥ Aposto que estão curiosos com o que vai acontecer, hm, hm?~~
Ahaha~
Bem, só posso dizer que ainda há muito por vir!
~Yuu-Chan-Br