N-não É Como Se Eu Te Amasse, Baaka!
10 Fuwa Fuwa Feels
– Alô? Rodri-boy, é você? — Wesley havia ligado para o outro rapaz, algum tempo depois após ter ido para a sua casa. Não queria incomodar, pois acreditava que ele estava muito ocupado com os estudos, mas ao mesmo tempo imaginava que ele não se importaria de receber uma ligação de alguém que gostava. — Tá afundando a cara nos livro aê?
– Ah, Wesley! — instantaneamente abriu um pequeno sorriso, mesmo que o outro não pudesse vê-lo. — Ah, nem fala. Tá foda, tem um monte que eu ainda preciso ler porque vão cair no concurso — suspirou, levantando-se da cadeira e jogando-se na cama macia. — E aí, como tá tudo?
– Tá tudo beleza — ele obviamente não iria entrar em detalhes desnecessários com o outro rapaz sobre o que havia feito, principalmente quando havia descoberto que esses detalhes o magoavam. Achava que por ser homem ele não se importaria tanto. Mas se tem uma coisa que ele aprendeu na vida, é que ela realmente nunca é do jeito que se deseja. — Agora que tão arranjando outro cara pra ficar no seu lugar. Ah, nem era disso que eu ia falar.
– Mesmo, só agora? — trocou o celular de orelha, ainda sorrindo como o bobo apaixonado que era. — Era do quê, então?
– Escuta, cara, eu queria saber se a gente pode se ver — Wesley comentou, com o tom de voz um tanto mais fraco do que o normal.
Se tinha tentado escapar da influência daquele rapaz e se forçado a acreditar que ele tinha sido apenas uma brincadeira, por que estava ligando para ele naquele exato momento? Não tinha ficado gay por causa dele, disso tinha certeza. Queria mesmo chegar à conclusão que apenas gostaria de vê-lo como um bom amigo, mas não parecia ser realmente isso.
– Ah — soltou num tom levemente desanimado, passando os olhos pela quantidade de livros sobre a mesa, incluindo o que estava lendo antes da ligação do outro. — Hmm, é que a minha prova já é semana que vem — disse com imenso pesar.
Fora ele quem insistira para sair com o rapaz e agora passaram tanto tempo sem quase conversar direito.
Era triste, mas realmente precisava se esforçar. Não passaria no concurso caso não estudasse com afinco e não suportaria ver o loiro, que tanto se esforçava pelos outros, com uma expressão de derrota no rosto.
– Ah, já? — Wesley perguntou em um tom de surpresa. Achava justo que ele continuasse estudando e aproveitasse o máximo de tempo que fosse possível. Tinha certeza que só iria atrapalhar caso fosse visitá-lo, pois não tinha nada a ensinar para ele em relação às provas. — Cê tem que passar nesse bagulho, tá ligado? — Dizia com uma boa entonação. Não poderia mostrar desapontamento, pelo contrário. "Tenho medo que esse moleque largue tudo pra sair comigo", pensou. Por isso precisava encorajá-lo a seguir em frente e estudar.
Uma pequena risada escapou do outro lado do telefone, seguida da voz de Rodrigo:
– É, eu sei. Você vai ver só, eu logo vou ser universitário! — soltou num tom de brincadeira, embora realmente sentisse o coração apertar ao precisar ficar ainda mais um tempo sem ver o outro.
Era dolorido, mas infelizmente necessário.
– O que cê vai fazer, cara? — Ele perguntou. E quando menos percebeu, também estava sorrindo ao telefone ao falar com ele.
– Hm? Ah — coçou um tanto a bochecha, envergonhado. — Japonês — disse bem baixinho.
Pensava em usar seus gostos para fazer algo útil, embora ainda não tivesse muita certeza de como poderia usar seus conhecimentos num futuro emprego.
– Nem sabia que dava pra fazer uma porra assim! — O outro disse com tom de surpresa, rindo um tanto logo em seguida. No final, aquilo combinava muito com o outro rapaz. — Boa sorte.
O outro riu junto a ele, divertindo-se com seu entusiasmo:
– Valeu! — sentiu as pálpebras pesarem um tanto, seguindo-se alguns instantes de silêncio enquanto tomava coragem. — Ei?
– Hum? — Ele perguntou, colocando o celular mais perto do ouvido.
Mais alguns instantes de silêncio se passaram e, quando Wesley estava prestes a perguntar o que era, ouviu repentinamente a voz do outro dizendo, num misto e agonia e vergonha:
– Te amo!
E um monte de ruídos indistinguíveis saíram do outro lado do telefone, provavelmente Wesley não tinha a menor ideia de como reagir com aquele comentário. Não parecia o tipo de coisa que as jovens com quem saía lhe diziam normalmente, a menos que fosse de brincadeira.
– Seu puuuuuuuuuto — ele disse, ainda parecendo meio sem-graça.
Mas o moreno apenas rira de sua reação, divertindo-se com a forma como demonstrava constrangimento.
– Sinto saudade também, viu? — acabou dizendo, ainda emitindo ruídos abafados de riso.
Obviamente também estava sem graça, mas nem por isso deixaria de demonstrar seus próprios sentimentos. Era como se fosse explodir caso não o fizesse, aliás.
"Também"? Wesley não tinha dito em momento nenhum que estava com saudades. Rodrigo deveria mesmo ser muito sensitivo e perceber fatores que nem o próprio loiro se dava conta. Embora o outro não pudesse ver, começava a esfregar a mão no próprio rosto, tentando pensar em um jeito divertido de responder ao que havia dito, mas a sua mente estava em branco.
– Viadinho — ele riu, e quis bater a própria cara contra a parede logo em seguida. O modo que havia falado soou estranhamente carinhoso.
– Só seu, viu? — ele disse no mesmo tom, embora não conseguisse evitar um pequeno riso no fim, mais de nervoso do que por ser realmente engraçado.
Precisava parar com aquilo de uma vez, começava a ficar ridículo.
– Cê gostou da última vez então? — Ele também deu uma risadinha, precisando fazer algum tipo de piada para o clima adocicado demais ir embora.
– Sim — disse sinceramente, ainda sorrindo, o rosto ardendo.
Wesley precisava de um plano melhor para mudar o clima, pois aquele realmente não parecia funcionar.
– Se tu pedir de novo, vou te comer com força, toma cuidado — e ele certamente estava começando a usar métodos mais apelativos para isso.
Outra risadinha nervosa escapou pelo telefone com a voz do moreno, completando:
– Eu vou me preparar, então — precisava aprender a lidar com as provocações, pois elas certamente não parariam.
– Tá, vai estudar agora.
E Wesley… havia se dado por vencido! Havia finalmente desistido de provocá-lo.
– Você também, vai descansar do trabalho. Boa noite! — finalmente disse, encolhendo-se um pouco com a fala, pois realmente gostaria de ouvir mais sua voz.
– Boa noite — ele respondeu, esperando então que o outro rapaz desligasse.
E assim o fez.
O "funkeiro" não podia mais vê-lo, mas ele ainda colocou o aparelho sobre o rosto por alguns instantes, respirando fundo.
– Boa noite — repetiu, beijando-o suavemente.
Sentiu-se então estúpido, largando o aparelho sobre o colchão, apressando-se em voltar para o seu livro.
O rapaz do outro lado da linha também jogou o seu celular em um canto, debruçando-se no sofá. Estava um tanto cansado, mas não tinha sido um dia ruim. Queria também ter as oportunidades de Rodrigo, e agora o admirava por isso. Talvez eles realmente nunca tivessem contato se não fosse pelo sentimento forte que havia surgido.
Por vezes parecia que era a única coisa que ligava personalidade tão diferentes. Era difícil admitir, mas também sentia a sua falta. Quando saía, pensava que poderia ser divertido caso ele estivesse junto, embora tivesse certeza que ele odiaria. Já havia pensado nos dois participando de um ménage, e ria ao pensar que aquilo poderia fazer o moreno sair correndo de susto. De qualquer forma, achava o fato dele estar junto divertido.
Os dias se passaram arrastados, especialmente à noite, quando o agora estudante sabia que seu amado já havia voltado do trabalho.
Tentava se concentrar nos estudos, mas sempre acabava olhando para o celular, mesmo sendo apenas de relance. Gostaria de poder conversar, sair com ele, mas precisava manter o foco.
Sabia que a recompensa seria maior depois, tanto por finalmente fazer algo de sua vida quanto por conseguir o respeito da pessoa mais importante em sua vida.
Respirou fundo e voltou ao livro, anotando no caderno ao lado as partes mais relevantes.
"Vai valer a pena, vai valer a pena!" era um mantra recitado continuamente em seus pensamentos.
Wesley passou mais alguns dias trabalhando duro e apenas em poucas vezes saía para beber no bar com alguns amigos, descontraindo-se. Visitava também a sua mãe para verificar se ela estava mesmo descansando, e ameaçava encher os seus irmãos mais novos de "porrada" caso eles não fizessem os serviços caseiros por conta própria.
Também havia prometido dar uma grande "bifa" em cada um caso os encontrasse algum dia com drogas em mãos. Além disso, infelizmente não poderia controlá-los. Provavelmente Rodrigo nunca tinha visto sequer uma maconha na vida, enquanto Wesley se deparava com pessoas caídas na rua por causa de crack todos os dias.
Vivia em um mundo com uma ingenuidade um tanto invejável. Foi o que pensou quanto voltava para casa.
Fora uma noite tranquila, em que comia seu belo prato de arroz e feijão enquanto via um pouco de T.V., ou ao menos assim pensava até ouvir o celular tocando.
– Cê tá em casa? — era a voz de Rodrigo do outro lado.
– Eu to sim — Wesley respondeu, parecendo curioso com essa pergunta.
– Ah — soltou aliviado, sequer se importando em esconder aquilo. — Você pode vir na porta, então?
Wesley ainda demorou um tempo para raciocinar sobre o que ele estava falando, e somente então arregalou os olhos.
– SEU PUTO! — Exclamou, desligando o telefone na sua cara.
Ele não conhecia o local e sequer sabia quais ruas eram apropriadas para se passar naquele horário sem correr risco algum. Além do mais, o seu modo de andar, suas feições e seu comportamento, todas suas características deixavam óbvias de que ele era alguém frágil e que poderia facilmente ser uma vítima. Correu o mais rápido que pode até a porta, abrindo-a.
– Ah, Wesley, oi! — um largo sorriso se abriu instantaneamente nos lábios do moreno ao ver o outro atrás da porta, realmente satisfeito por aquilo.
Mal sabia estar prestes a levar a maior bronca de sua vida.
O loiro apenas o puxou rapidamente para dentro e o jogou contra o sofá, ainda parecendo bem bravo com o ocorrido.
– Sabia que cê teve uma sorte do caralho?! Cê não conhece a região! Podia até ter levado uma facada e ficado com as tripas de fora!
– E-eu tenho? — arregalou os olhos, ainda tentando se acomodar no sofá. — Podia? — abriram-se ainda mais ao ouvir a última frase, ficando realmente assustado.
– Eu tava tranquilo aquele dia que te levei porque conheço as parada! E os cara me conhecem também! — Ele não somente parecia bravo, mas também um tanto preocupado. — Tá cheio de noiado doido por aí, sua anta! Anta! Anta! Idiota! Ia se foder por minha causa! Justo agora que tá estudando e fazendo as coisa certa!
– M-mas eu vim pelo caminho que você ensinou! — não estava acostumado a andar tão preocupado assim, era realmente perturbador precisar fazê-lo.
– Veio? — Ele então começou a amolecer, principalmente na sua entonação. Isso poderia ser arriscado. Poderia fazer o rapaz vir sozinho mais vezes. — MAS NÃO PODE, PORRA! — Resolveu então corrigir.
– Eu não posso te visitar? — encolheu-se mais.
Aquela era supostamente uma surpresa boa, não queria vê-lo bravo nem frustrado daquela forma.
Wesley apertou os lábios. Não poderia amolecer. Acabou esfregando a mão contra o cabelo, apenas não o bagunçando por ser curto demais.
– Porra, se acontece algo com um moleque que nem você, eu não vou me perdoar — resmungou.
– Mas eu estou bem — novamente soltou num tom baixo, começando a se acomodar melhor sobre o sofá, fitando-o. Suspirou e segurou sua mão livre, puxando-a para si. — Eu não faço mais, tá? — começou a afagá-la suavemente, por fim beijando-lhe as costas, como já fizera uma outra vez. — Não fica assim.
– Porra, claro que eu vou ficar assim — o rapaz acabou se jogando sobre o outro, ficando parcialmente em seu colo, parecendo um pouco exausto ao gastar suas energias do dia com aquela preocupação imensa. — Sabe... Eu não sou que nem seus outros amiguinhos — disse com a testa parcialmente recostada sobre o seu ombro, em um tom baixo, mas possível de se ouvir perfeitamente, pela proximidade que estavam — Não moro num lugar bonito, que cê pode ir à toa. Cê acha que eu acho mesmo legal morar aqui? Cê acha que eu queria ser assim?
– Desculpa — disse no mesmo tom, envolvendo os braços em suas costas, apertando-o forte contra si.
Suspirou ao sentir o calor e o peso de seu corpo após tanto tempo, era mesmo uma sensação muito agradável. Chegou a inclinar o rosto para o lado e beijar-lhe parte da bochecha, afagando-o.
Gostaria de poder fazer alguma coisa, gostaria de poder tirá-lo dali, mas não podia.
Era apenas um rapaz no momento se esforçando para estudar e entrar numa boa faculdade, mais nada.
Talvez com o tempo pudesse arranjar um bom emprego e quem sabe ajudá-lo financeiramente, pois também não gostava da ideia de deixá-lo viver num lugar perigoso daqueles.
Afastou os pensamentos de si ao imaginar o quão perturbado o rapaz ficaria caso descobrisse. Precisava se conter mais.
E Wesley não recuou nenhuma das investidas do outro rapaz. Pelo contrário, pareceu se aconchegar mais, permanecendo parado. Provavelmente aquele era o tipo de carinho materno que mulher alguma conseguia lhe prover.
Talvez nem mesmo de sua própria mãe, tão ocupada com o trabalho e diversos filhos para sustentar, tentando ser cuidadosa do melhor modo possível. E o mais irônico foi certamente isso ter vindo de um outro homem.
– Mas como eu faço quando quiser te ver? — perguntou ainda baixinho, os lábios roçando-se pela bochecha ao falar, recusando-se a apartar o contato.
– Cê tem que me avisar e eu vou te buscar — Wesley respondeu.
Caso Rodrigo pensasse bem, ele tinha jeito de ser o irmão mais velho, aquele que se responsabilizava e cuidava de todos os outros.
– Mas onde? — levou uma das mãos até sua nuca, afagando suavemente os fios curtos, sentindo-os, espetados, fazendo cócegas na palma da mão. — Não quero que fique gastando passagem, também.
– Então pode ser assim que cê descer do busão — conseguiu pensar em uma rápida resposta para alguém que estava um tanto cansado. Aliás, não lembrava que um cafuné poderia ser tão agradável assim, fechando os olhos e baixando a guarda.
– Tá com sono? — abriu um pequeno sorriso ao vê-lo daquela forma, apenas apertando mais os braços em torno de seu corpo, achando-o extremamente adorável.
Acabaria derretendo caso continuasse daquela forma e não tinha certeza se era algo bom ou não.
– Não, não tô — ele resmungava, mas era óbvio que estava cansado, pelo modo como agia. Por um momento, lembrou uma criança que fazia birra para não adormecer e lutava para ficar acordado o máximo de tempo possível.
– Mesmo? — achou graça, beijando-lhe a testa. — Vou precisar te carregar no colo pra cama? — mas sequer tinha certeza se conseguiria ou não.
– Vai nada, porra — ele acabou erguendo parcialmente o rosto, embora o sono não permitisse que sua expressão mostrasse que estava ofendido com aquilo. Na verdade, não conseguiu sair da posição em que estava, mas não era por causa de seu cansaço. — E duvido que cê consegue, seu besta.
– Eu posso tentar? — riu baixinho, realmente fazendo força e conseguindo erguê-lo nos braços. Infelizmente caíra sentado alguns segundos depois, ainda rindo. — Tá bom, eu não consigo.
– Vai se foder, a gente podia se quebrar — ele riu, e aos poucos se levantou por conta própria, tombando para os lados, mas conseguindo andar.
– Mas foi divertido? — também levantou, acompanhando-o, olhando então o prato sobre a mesa. — Ah, foi mal, não sabia que cê ainda tava jantando.
– Foi, porque cê se estabacou e não conseguiu — disse sem se importar, balançando uma das mãos para os lados, como se quisesse dizer para ele não se importar com o fato que ainda estava comendo. Iria continuar, apesar de tudo. Talvez recuperasse um pouco das energias com a refeição.
– Eu queria te ver antes da prova — disse ainda sorrindo, como quem diz que encontrou seu prato preferido num cardápio.
Talvez suas declarações e demonstrações de carinho fossem sempre muito repentinas e intensas para Wesley, mas simplesmente não conseguia se controlar.
Não estava acostumado a se sentir daquela forma, precisando externar seus sentimentos de algum jeito.
- Seu puto, só não me fala se a sua prova é amanhã — ele comentou, finalmente terminando de comer, olhando para ele e desviando o rosto para o lado algumas vezes, tentando disfarçar o seu embaraço ao saber que o rapaz estava lá por um motivo daquele tipo.
- Mas é — disse bem baixinho, esperando ser novamente repreendido por conta daquilo.
- Cacete, porra, cê devia tá descansando! — e ele engasgou no final com o refrigerante que estava bebendo.
- Eu tentei! — novamente se encolheu, não gostando de ouvi-lo falar daquela forma. Não que o assustasse, apenas não queria sentir estar fazendo algo errado. — Mas não consegui, eu queria mesmo te ver — era realmente sincero. — E cê tá bem? — aproximou-se, começando a dar alguns tapas em suas costas, tentando ajudá-lo.
- Seu porrinha suja! — Ele falou enquanto ainda começava a tomar fôlego, parecendo respirar fundo. Ao menos seus xingamentos começavam a ficar mais criativos.
- Tá tudo bem? — acabou rindo ao ser chamado daquela forma.
Como pensava naquelas coisas, afinal?
- Tá, agora vai dormir! — Ele se levantou repentinamente e começou a empurrá-lo para o corredor enquanto levava o prato para a cozinha.
Imaginava que era preciso muitas horas de descanso para uma prova. E ficar sentado durante muito tempo também.
Não poderia "comê-lo".
- E-ei, espera! — tentava se desvencilhar, mas o outro era obviamente mais forte. — Mas e você?! — virava o rosto em sua direção, segurando as mãos no batente da porta quando chegaram em seu quarto.
- Eu ainda tenho que lavar umas coisas aqui — ele respondeu, começando a abrir a torneira da pia.
Ah, droga. Por um momento se esquecera de já ter dito aquilo uma vez.
Emburrou-se e pegou a esponja, empurrando-o para o lado.
- Ficante não é visita — foi tudo o que disse, já começando a lavar a louça.
- Ficante, né? — Wesley acabou sorrindo, dando um pequeno tapa em sua bunda, no fim deixando-o fazer o que desejava.
Rodrigo deu um pulo e olhou para trás um tanto constrangido pelo ato, embora sorrisse um pouco pela intimidade.
- Foi você que disse, não vou te deixar desmentir — deu de ombros.
- Ficante malinha esse que eu tenho — ele respondeu, sentando-se então por perto, apenas o observando.
- É? Você pareceu gostar da última vez — resolveu brincar, aproveitando-se de seu rosto não poder ser visto pelo outro, não daquele ângulo.
- De comer seu cu apertadinho? — Certamente não queria deixar nenhuma sombra de dúvidas em relação ao que estavam conversando.
- Como você consegue falar essas coisas tão na cara? — soltou outro risinho nervoso, começando a enxaguar o prato e o copo usados pelo outro.
- Eu sei lá, cara. Eu só sou assim, falo as putaria sem ligar, tá ligado? A gente é assim aqui — ele respondeu, não parecendo se importando tanto com aquela pergunta. Na verdade não entendia o pudor do outro rapaz.
- Bem, sim — por fim respondeu, não demorando para terminar.
Era a louça de apenas uma pessoa, afinal, não havia muito mais o que limpar.
- Agora cê vai dormir. Pelo menos cê sabe onde vai fazer a prova, né, cabeção, antinha — ele começou a provocá-lo, indo aos poucos para o quarto com ele, arrumando a sua cama, para que pudesse se deitar.
- Eu sei, eu olhei no GMAPS o caminho da sua casa pra lá! — pareceu ignorar os nomes adoráveis pelos quais era chamado, simplesmente observando-o. — Cê vai dormir no chão de novo? — a expressão em seu indicava não estar feliz com a idéia.
- Vou, por quê? — Ergueu o rosto em sua direção, não parecendo compreender muito bem as suas intenções.
- Eu vi aqueles colchonetes que cê usou, eles são quase nada! — bufou. — Você dorme na cama dessa vez.
- Eu não vou fazer porra de prova nenhuma amanhã. Dorme aí, caralho. Não deixa as coisas difícil pra mim — Wesley resmungou, começando a puxar um dos colchões que ele havia mencionado anteriormente, não se importando.
- Por que difícil se eu sou eu quem vai dormir no chão? — e sentou-se em cima dos mesmos tão logo foram postos no chão, não dando chance ao outro.
Wesley já deveria conhecê-lo o bastante para saber: era extremamente teimoso quando queria.
- Vai dormir na cama, cacete. Cê tem que ficar bem pra prova amanhã! — Mas ele não se deixaria vencer tão facilmente quando algo importante estava em jogo. Tratava-se de seu futuro, afinal.
- Quer mesmo que eu fique bem pra prova amanhã? — olhava-o decidido, embora pudesse notar um fundo de constrangimento em seus olhos.
- Ih, porra, quê cê vai me pedir? — Ele provavelmente já desconfiava que seria algo que o causaria um certo transtorno.
- Dorme comigo — disse com a mesma determinação de antes, os olhos vidrados nos seus.
- Cê precisa do seu cu pra sentar numa cadeira amanhã — respondeu, arqueando suavemente uma das sobrancelhas.
Rodrigo franziu as sobrancelhas por um instante, mas então sorriu, dizendo:
- Eu disse "dorme comigo" não "come meu cu", é diferente. Pensei que você soubesse que dormir e trepar fossem coisas diferentes.
- Cê vai querer trepar comigo, não vai? Eu sei que vai — Wesley pareceu um tanto hesitante. Não achava que conseguiria apenas dormir com ele depois de tudo que havia acontecido.
- Bem, eu vou — admitiu ainda com a mesma expressão. — Mas também tenho vontade de só ficar do seu lado, às vezes — e abriu aquele sorriso bobo que costumava mostrar quando estava ao seu lado. — Porque é bom.
- Cê é mesmo um viadinho — ele respondeu, tentando disfarçar o seu constrangimento. Mesmo assim, não negou. Acabou se sentando na beirada da cama.
O mais novo então levantou-se e deitou ao seu lado, do lado da cama que encostava na parede. Era realmente difícil, já que a cama era pequena, mas a ideia de ficarem juntos o agradava imensamente.
- Cê não vai deitar também?
- Tem certeza que a gente não vai ficar esmagado? — Ele perguntou, parecendo preocupado, deitando-se logo em seguida, virando de frente para o outro rapaz, fitando-o.
- Nunca disse que a gente não ia ficar esmagado — riu, ainda olhando-o.
Sorria estupidamente, chegando a emitir pequenos barulhos baixos de felicidade, simplesmente não conseguindo se conter.
Não se importava em ser chamado de "viadinho" e semelhantes, apenas queria aproveitar aquela sensação agradável de dividir a cama com seu amado, mesmo que não fizessem nada.
E certamente com aqueles barulhinhos, Wesley não teria mesmo vontade de atacá-lo ou fazer algo com ele, pelo contrário. Se pudesse fazer algo, seria provavelmente mandá-lo ficar quieto. Já não bastava o constrangimento que ele próprio estava sentindo, o moreno precisava deixar a situação mais vergonhosa ainda.
O outro então respirou fundo, tentando se acalmar um pouco.
Seus olhos ainda não estavam acostumados ao recém escuro do quarto, então precisou tatear até conseguir envolver uma das mãos em suas costas, abraçando-o.
Ah, como seu corpo era quente e confortável, não queria soltá-lo nunca mais.
O loiro ficou um pouco constrangido, mas não podia negar que aquele abraço era bem caloroso e reconfortante. Ao menos ele havia parado de fazer aqueles ruídos, o que o deixava mais calmo.
Rodrigo realmente não parecia ter intenções de tocar em outras partes de seu corpo, por isso não tentava pensar sobre aquilo com mais detalhes, ou poderia ser arriscado. Ele realmente precisava dormir.
- Boa noite — o jovem encostado na parede disse baixinho, selando suavemente os lábios nos seus antes de voltar a se aconchegar no travesseiro, tentando adormecer.
Sentia um misto de inquietação e calma, algo que provavelmente quem estava apaixonado era capaz de sentir.
Não deixava de ser uma sensação agradável.
Realmente esperava conseguir dormir.
Wesley também ficou em silêncio, tentando imaginar o rapaz concentrado e fazendo a prova no dia seguinte, para que pudesse esquecer que ele estava em seus braços naquele momento. E que também havia acabado de lhe deixar um pequeno beijo. Aquela poderia ser uma noite longa, caso não se acalmasse logo.
O relógio de Rodrigo despertou no dia seguinte, fazendo-o praticamente rolar sobre o outro para conseguir sair da cama, ainda em seu estado de sonolência.
Fora uma certa correria, pois precisava chegar com uma hora de antecedência e o lugar não era exatamente perto.
Tomou seu café, escovou os dentes, trocou de roupa e se despediu do loiro com um leve beijo nos lábios, afirmando ser para dar sorte.
Saiu logo em seguida, abrindo um dos livros para estudar tão logo sentou-se no ônibus. Seu futuro seria decidido em poucas horas.
Notas finais
De qualquer forma, aproveitem o capítulo de fofura, muitos choques glicêmicos para vocês~
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